Muito Bem Acompanhada!
24 A vida continua...
Notas iniciais
*-Vegeta-*
Silêncio. Era a única coisa ao meu redor. E eu gostava disso. Paz! Paz que nada! Eu nunca tive um momento de paz na minha vida, talvez eu nunca tenha me permitido esse luxo. Dô um suspiro longo e olho ao meu redor, estou na sala de gravidade e como todos os dias desde fim dos Cell games e venho para cá, sento-me no chão e busco a motivação que preciso para treinar, mas simplesmente essa é a primeira vez na minha vida que não há motivos para treinar, não há necessidade, eu não vejo um porque...
- Kakarotto, seu maldito...
Porque ele não aceitou ficar vivo, eu simplesmente poderia ter acabado com a raça dele! Esse era meu propósito e agora, eu não tenho nenhum, agora não resta nada, ele morreu e não quis retornar...
- Idiota!
Soquei o chão, com Força. Mas não do jeito e da maneira que gostaria, minha vida virou de cabeça para baixo, 360° e eu ainda não me acostumei com a ideia de um filho. Meu legado. Tenho poucos arrependimentos na vida e acho que “O moleque” não vai entrar nesta lista, pelo contrário é um dos poucos motivos de... Orgulho, que eu tenho. O período que eu treinei com ele na sala do templo foi o suficiente para saber que o moleque me superou... E pode cuidar da mãe dele naquele futuro longínquo.
Quando Mirai Trunks ainda estava conosco, ela fingia que “nós” convivíamos bem, é claro na medida do possível, apesar de eu ignorá-la por completo, ela fez o papel dela transmitindo ao Trunks do futuro, a ideia que ficaria tudo bem, mas não está tudo bem. Agora que ele retornou ao seu tempo, ela que me ignora.
Coloquei as duas mãos no rosto, quem direi que eu pensarei no futuro de alguém? Maldita hora em que Kakarotto entrou no meu caminho, ele bagunçou por completo minha vida. E eu nem posso matá-lo. Aquele estúpido... Fechei os olhos e quando abri , olhei o relógio e havia se passado umas 4 horas . Eu dormi? Ou entrei em um completo estado de dormência?
Levantei com dificuldade, senti minhas pernas formigarem, devido ao tempo excessivo na mesma posição, no que a minha vida se resumiu? Eu realmente não sei, eu perdi o foco, talvez o ânimo para viver...
...
Caminhei pela casa, havia um silêncio profundo, onde será que estão todos os inúteis desta casa?
Que seja! É bem melhor assim, sem ninguém me olhando com pena, se tem algo que mais odeio é o “olhar de piedade”. Ultimamente Bulma resolveu ser “mulher compadecida” Não discuti comigo, não se altera e já chegou a propor se eu não queria partir. Na hora me deu um frio na barriga chato, mas olhei para ela e disse: “-Você esta querendo,me ver pelas costas?” na verdade eu estava era provocando ela, na esperança de tirar o olhar de piedade do rosto dela.Mas nada, ela só me olhou e me deu um dos seus malditos sorriso de tirar o fôlego.
Depois que voltei do meu treinamento pelo espaço não tivemos nada, nenhum tipo de contato físico ou algo do tipo. O que a deixou ainda mais nervosa e mal humorada.
Coloco um bom prato de comida e me sento na bancada da cozinha e enfim fazer alguma coisa que gosto : — Comer!
Porém, infelizmente minha paz é roubada. Escuto vozes e claro o choro alto de Trunks...
- Eu não, não ... Contenho-me em felicidades! Você viu como ela ficou feliz? A mãe de Bulma entrou na cozinha enquanto falava com alguém “me afundei” no prato pra passar despercebido.
- Senhor Vegetaaa! Ela entrou gritando.
Falhei na minha missão.
- Estamos tããão felizes! Ai Senhor Vegeta! Tudo está perfeito! Ela se sacudia toda enquanto falava, será que ela está tendo um troço?
- Bunny não incomode, o Vegeta, ele deve ter um dia cansativo treinando... O Pai de Bulma veio em meu auxílio.
- Ai, mas eu não estou incomodando estou compartilhando um momento de felicidade!!!
-humpf! Virei à cara pra ela.
Ela ignorou e continuou falando, mas eu não ouvia nada, ignorei-a por completo.
- Não é ótimo? Ela perguntou.
- O que é ótimo? Perguntei, me dando por vencido.
- Ai Senhor Vegeta, você não escutou o que eu disse? Ela perguntou com um olhar estranho (Como se ela já não fosse suficientemente estranha).
Suspirei, enquanto me levantava.
- Mamãe não incomode o Vegeta! Bulma entrou na cozinha e apesar de mencionar meu nome, não me olhou.
Parei e observei-a, enquanto ela tentava colocar Trunks em uma cadeira para crianças, porém o moleque se agitava e balbuciava coisas desconexas, e apontava um brinquedo para mim.
- Trunks, por favor! Ela pedia inutilmente.
Na minha falta de paciência e excesso de ímpeto, coloquei o moleque na cadeira sentado e sai da cozinha deixando todos em um silêncio profundo.
***
Bulma
- o que deu nele? Eu perguntei olhando para minha mãe, Trunks ainda olhava admirado para a porta onde o pai dele se foi.
- Ele sempre me ajuda quando o pequeno Trunks está dando algum tipo de trabalho. Mamãe me disse isso de maneira tranquila, enquanto me passava algumas papinhas de potinho.
- Estamos falando da mesma pessoa? Perguntei
-Sim ,estamos. Às vezes ele faz algodo tipo e sai sem dá uma palavra. Mamãe sorriu e papai olhava com desconfiança a quantidade de comida para Trunks. Olhei aquele cenário e também sorri de uma forma ou de outra todo aquele pesadelo chamado “Andróides” havia passado, mas ficaram as marcas e feridas que não querem cicatrizar... Chichi está grávida e sozinha, eu estou com um filho que vai crescer com muito amor e carinho, e “outro filho” que eu não terei mais notícias, não que ele não vai ter amor, “eu do futuro” com certeza darei a ele muito amor... Mas eu não deixo de me preocupar.
- Aqui nessa casa ninguém me ouve!! Minha mãe protestava diante da minha “viagem”.
- Desculpe!Pedi inocentemente.
- Você ouviu alguma coisa do que eu disse? Ela perguntou.
Balancei a cabeça que sim , mais atenta na comida de Trunks.
-Então o quê você acha? Posso fazer? Ela perguntou esperançosa.
- Sim , claro. Respondi rapidamente.
- Ai que bom ! Ela saiu saltitante. Foi então que eu percebi que tinha respondido sim a alguma loucura de minha mamãe!
...
Já se passou, uma semana desde o grande anunciou de meu pai . Eu sou a presidente das corporações cápsulas! Quer dizer não oficialmente ainda, mas eu me sinto tão bem, minha vida de pouquinho está se encaixando, até a Chichi largou de falar tantos impropérios quando eu tentava (quase que inutilmente) a ajudá-la. Ela deve ter o pequeno Goten daqui a algumas semanas e com certeza não vai poder comparecer a cerimônia que minha mãe está inventando para apresentar a nova presidente das corporações cápsulas! Não sabendo ela, o trabalho que esta me dando, ter que aprender o estatuto da empresa, saber de todas as filias , toda a parte altamente chata e burocrática de dirigir uma empresa, fora a diretoria que está cheia de velhos arcaicos e que parecem não acreditar muito em mim, mal sabem eles as coisas incríveis que eu já fiz em toda minha vida, o único que me compreende é aquele advogado bonitão que cuida da nossa empresa , ele esta sendo tão gentil e paciente comigo.
Eu chegou em casa , depois de mais um dia exaustivo na empresa. Vou direto procurar meu filhote que estava assistindo a uns desenhos com minha mãe que cantava alegremente a música da TV.
È tão bom ver o sorriso do meu filho enche-me de energia de novo, é impossível não cantar e brincar com ele, que fica altamente manhoso, com minha chegada, porem é impossível, ficar zangada com esse sorriso gostoso , que só meu filho tem, quer dizer é herdado do pai...
- E o Vegeta, mãe? Perguntei enquanto colocava Trunks novamente no chão.
- Ah filhinha, eu estou tão preocupada com o Veggie, ele ainda não retornou com os treinos. Mamãe disse triste.
- Huum... E hoje pela manhã, eu o vi falando com meu pai, a senhora sabe o que é? — Perguntei preocupada, pensei nisso o dia todo, será que ele resolveu pedir para o meu pai uma nave, para ele ir embora? Meu coração apertou.
- Há! Seu pai que chamou ele, parece que Vegeta vai ficar alguns dias sem a máquina gravitacional...
-E daí? Ele não está treinando. Falei
- È, mas todo dia ele vai para lá fica enfunado o dia todo dentro daquela sala. Mamãe me lembrou.
- E o que papai pretende fazer? Perguntei. Será que o papai está mandando o Vegeta embora? Aí meu Kame.
- Seu pai me disse assim: “- Eu vou fazer uma manutenção preventiva na rede interna de comunicação da residência” e por isso ele vai desligar a sala do Veggie que consume muita energia... Mamãe falou enquanto imitava a voz de meu pai.
- Ah! Falei aliviada.
- Porque querida? Mamãe me questionou.
- Não nada. Só curiosidade mesmo.
- Você ficou preocupada com a possibilidade do Vegeta ir embora? Mamãe me perguntou séria de uma maneira que eu poucas vezes a vi.
- Não... Sei lá, O Vegeta é livre, nós não temos nada, nós mal nos falamos, quer dizer nós nem nos falamos.
- Então seria bom se você falasse com ele, talvez uma palavra de ânimo vindo de uma amiga para um amigo. Mamãe sugeriu com um sorriso travesso.
Dei de ombro como se não me interessasse, peguei o Trunks e fui para a cozinha perguntando o que tinha para comer.
***
Vegeta
A Noite estava fria, mas o céu se encontrava limpo e as estrelas estavam facilmente visíveis. Entrei no planetário da corporação cápsula e fiquei observando as estrelas, sem a menor saudade de estar viajando no espaço. Sim, eu, hoje não tenho saudades das minhas viagens pelo espaço, talvez a ficha caía daqui a algum tempo, mas agora, ainda não!
Sinto uma energia se aproximando, é ela. Sempre que eu a sinto, tento me distanciar, mas ultimamente, não. Talvez isso sim, seja saudade.
- Vegeta? Ela me chamou, mas eu evitei olhar para ela. Era só o que me faltava, ficar nervoso...
- O que foi? Tentei manter a postura.
- Mamãe me disse que você, vai ficar um dia sem a sua sala gravitacional...
Huum, então é isso que ela quer falar comigo...
- E...
- E que eu estava pensando em aproveitar e fazer uma revisão nessa sala. Ela falou tranquila.
- Tanto faz... Respondi
Ela foi se aproximando, e como há muito tempo, eu não sentia seu cheiro acolhedor, me encheu de ... Paz, tranqüilidade. Eu inspirei fundo aproveitando o momento.
- E os seus treinos como vão? Ela perguntou olhando para o Céu, abraçando seu corpo devido ao frio, sua beleza fica impecável a cada dia, como tal criatura consegue ser tão linda?
- E? Ela perguntou novamente.
- Não vão...
Seus grande e profundos olhos azuis me encaram, porem eu desviei o olhar, às vezes tenho a sensação que ela pode ler minha alma...
- Por quê? Porque você não quer treinar mais? O quê está faltando?
È exatamente isso o que está faltando...Eu entender , eu saber...
- Eu só não quero treinar. Simplesmente falei.
- Mas treinar é sua vida, não treinar para você Vegeta, não é o mesmo que não viver? Ela enquanto continuava firme a me encarar.
- Pra que eu vou continuar treinando? Kakarotto morreu, eu não .. . Não existe ninguém mais forte do que eu ... ele tinha que ter continuado vivo. Ele me devia isso! Eu que deveria ter o derrotado! Eu olhei nos olhos dela.
- Mas foi ele que escolheu continuar morto! E você continua vivo! Vegeta hoje, existe alguém que você realmente precisa superar, e essa pessoa é você mesmo! Ela falou e eu sei que isso realmente mexeu comigo, eu me abati, a ponto de largar o que me dava mais prazer...
- Eu preciso me superar?... Falei baixo.
- Isso mesmo, você sempre foi tão determinado, e você queria conseguir alcançar a transformação de Super sayajin e você conseguiu e ainda superou isso, mas eu também já ouvi você dizer que era impossível, mas no fim você conseguiu você se superou.
Eu não conseguia dizer nada aquelas palavras estavam me marcando.
- Além do mais, você esqueceu-se de alguém muito forte, e que também pode superar você facilmente. Ela disse sorrindo.
- Quem o Gohan? Eu já o superei com facilidade. Falei, mesmo sabendo que o filho de Kakarotto é um pouco mais forte do que eu no momento.
- Não, O Trunks! Logo ele será tão forte quanto você! Ela falou isso e deu um sorriso de tira o fôlego. Droga...
Dei de ombro e olhei para frente. Houve um silêncio e então ela o quebrou com uma pergunta inesperada.
- O que você está fazendo aqui? Rota de viagem?
- Não! Respondi intrigado.
Ela mordeu o lábio e logo me olhou desconfiada.
- Por quê? Perguntei
- Sei lá você aqui... Ela falou enrubescida.
- Da última vez que te vi aqui está fazendo uma rota de viagem ... A gente até discutiu um pouco... Lembra-se? Ela perguntou, tremendo de frio.
-Sim lembro. Respondi.
Lembrei exatamente o quê eu estava fazendo naquele dia. E resolvi compartilhar com ela. Não sei por que, mas simplesmente, fiz.
Liguei o dispositivo que mostrava a rota que eu fiz,e localizei o que eu queria .
- Era isso que eu estava fazendo. Mostrei para ela o que parecia um mapa estrelar.
Ela olhou o dispositivo e olhou no microscópio e ficou alguns segundos em silêncio, evitando meu olhar.
- Meu pai me explicou que quando o planeta está marcado com uma cor azul quer dizer, ele não existe mais, é só uma lembrança do universo. Como uma foto. Ela falou triste, como se segurasse as lágrimas.
-Sim...
Ela me olhou e estendeu as mãos.
Fiquei desconfiado olhando para as mãos delas, será que ela vai falar alguma coisa “melosa”? Mas acabei cedendo e pegando em suas mãos. Ela me olhou e disse:
- Obrigado por compartilhar isso comigo! E deu um sorriso que me paralisou. E saiu com a desculpa que o moleque tinha acordado.
Dei de ombro e olhei para frente. Pensando em cada palavra do que ela me disse. Mesmo eu, não demonstrando, nem dizendo nada, aquelas palavras, foram decisivas na minha vida. Sim, eu tenho que admitir aquela mulher,conseguiu extrair o que há de melhor em mim.
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