Muito Bem Acompanhada
33 Verdades Que Destroem
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: Remus e Marlene acabam tomando conhecimento de algumas verdades que destroem o coração.
– CAPÍTULO TRINTA E TRÊS –
VERDADES QUE DESTROEM
– Remus! – Marlene e Dorcas exclamaram juntas.
Mas Remus não estava mais ouvindo. Era como se as coisas corressem de forma lenta agora. Há poucos segundos atrás, ele estava no corredor, tinha ouvido Marlene erguer a voz e então voltou para o quarto preocupado, temendo que a corvinal pudesse ferir Dorcas novamente, mas estancou diante das palavras que ouviu; palavras estas que só poderiam ferir uma pessoa: ele mesmo.
Marlene olhou perplexa para o amigo; por mais que não concordasse, também não queria que Remus ficasse sabendo de tudo daquela maneira. E sentiu o coração doer ao perceber, apenas pelo olhar que ele lhe lançara, o quanto aquela "verdade" havia destruído o coração dele.
Remus apenas a fitou, a ela e a Dorcas, com raiva. Lentamente ele tirou uma caixinha de veludo negro de seu bolso. Estendeu a mão a frente, abrindo a caixinha para exibir o conteúdo com orgulho: uma bela aliança dourada, enfeitada com um reluzente rubi.
– Tá vendo esse anel? – ele perguntou secamente a Dorcas. – Era pravocê.
As lágrimas que antes enchiam os olhos de Dorcas, agora escapavam sem piedade.
– Remus! – ela gritou desesperada, com a voz rouca e falha. – Euqueriate contar, euiate contar, eu juro, mas eu tinha medo, medo que você não me perdoasse!
Porém, ele nem pareceu escutá-la.
– Eu ia te dar esse anel depois da Formatura – prosseguiu ele, ainda em tom seco –, eu queria te pedir em noivado... Masagora... – ele deu um riso triste antes de concluir impiedoso: – ... ele vai prolixo!
Remus então jogou o anel e caixinha no chão com toda a sua força, apenas para sair correndo logo em seguida.
Marlene não conseguiu ficar parada, e imediatamente começou a correr atrás de seu amigo. Dane-se o que havia sido dito, o queelahavia dito. Ele tinha que ouvir uma única explicação que fosse, pois tal qual ela mesma, Remus também não merecia estar passando por isso.
E Dorcas até tentou se levantar da cama para alcançar o namorado, mas caiu no chão e ficou pelo caminho. Apenas ajuntou o anel largado a centímetros de seu rosto enquanto via a prima correr porta afora.
Quando Marlene alcançou Remus, eles já estavam poucos metros a frente do retrato da Mulher Gorda, que assistia a tudo chocada. A corvinal então agarrou o amigo pelas vestes, obrigando-o a se voltar para si.
– Desculpa, Remus! – ela gritou.–Eu não queria que você ficasse sabendo disso dessa forma e...
Remus se desvencilhou dela bruscamente.
– E quandovocêsoube? – foi o que ele perguntou, pouco amistoso.
– Hoje, agora, minutos atrás! O Sirius acabou de me contar! – Marlene respondeu tudo num grito. – Eu sequer imaginava essa história dele com a Dorcas e bem, eu acho que tudo aconteceuantesde vocês namorarem, foi quando o Sirius erameunamorado ainda...! – ela concluiu com péssimas palavras.
Ela viu os olhos do amigo se estreitarem novamente, mas agora num tom perigoso que a fez temer involuntariamente pela reação dele.
– Não importaquandoaconteceu! – Remus disse ríspido e então segurou o queixo dela com força. – Vamos nos vingar!
Os dedos dele apertaram o seu queixo com tanta força que Marlene chegou a sentir dor.
– O quê...? REM...! – ela tentou argumentar, mas foi em vão.
Tudo o que ela sentiu foram os lábios dele esmagando os dela, impedindo-a de protestar. Remus a beijou com raiva, os lábios duros moldando-se contra os de Marlene de modo rude, quase ignorante – coisa que ele nunca fora. A mão dele apertava sua nuca, impossibilitando-a de fugir. Ela o empurrou com toda a força que tinha e ele parecia nem perceber. Ela então levou as mãos para o rosto dele e o segurou, tentando afastá-lo. Sem sucesso. Percebendo o que ela tentava, ele forçou mais os lábios contra os dela, até que ela sentisse a sua língua raivosa.
Marlene não podia levar aquilo adiante, e tampouco ficar simplesmente esperando que Remus parasse, pois era óbvio que ele não estava em seu estado normal. Ele estava agindo irracionalmente e exatamente por isso, ela tinha uma vaga ideia decomoaquele beijo louco e raivoso podia terminar. Sem pensar em mais nada que pudesse fazer naquele momento para reprimir seu amigo, ela levou a mão até o vestido e puxou sua varinha.
–Estupefaça! – ela gritou contra a boca dele.
No mesmo segundo, ela sentiu ceder aquela pressão contra sua boca. Remus então cambaleou, caindo de costas contra a parede. E quando ele foi ao chão, o desespero a invadiu completamente.
– Remus! Remus! REMUS! – ela gritou.
Mas ele não respondeu. Marlene se ajoelhou a frente do corpo imóvel de Remus e olhou para ele, sem acreditar no que estava acontecendo. Ela o sacudiu pelos ombros, mas ele sequer se mexia. Desesperada, ela não sabia nem o que pensar.
"Euataqueimeu melhor amigo... O que eu fiz?" – pensou ela, repetindo aquela pergunta em voz alta:
– MERLIN, o que foi que eu fiz? – e desatou a chorar, olhando para o amigo desacordado a sua frente.
Em meio ao choro, Marlene ainda conseguiu pensar em algum feitiço que pudesse fazer Remus acordar. Entre um soluço e outro, ela apontou a varinha para ele e murmurou:
–Enervate –disse, então enxugou as lágrimas e sorriu ao vê-lo começar a abrir os olhos e voltar a si.
Remus, porém, fez questão de baixar o olhar quando viu Marlene a sua frente.
– Você está bem? – ela perguntou preocupada. – O que você está sentindo, Remus?
Ele ergueu um pouco o corpo, e encostou-se a parede. Suspirou fundo e só então voltou a encará-la, para poder responder com sinceridade.
–Vergonha– ele disse, sinceramente envergonhado.
Marlene o olhou com pesar.
– Remus...! – ela murmurou. Imaginava com bastante clareza o que ele deveria estar sentindo depois daquele beijo forçado.
Ele voltou a falar.
–"Vamos nos vingar"... – debochou ele, sacudindo a cabeça com descrença ao lembrar-se do que tinha feito. – Beijar você a força, como se isso fosse mudar o que aconteceu... Me desculpe. Não sei o que deu em mim, Lene.
Remus podia não saber, mas Marlene bem sabia: ele sentira o mesmo que ela sentiu, a mesma raiva cega, aquela raiva de tudo e de todos, que a tinha tomado de assalto anteriormente.
– Mas... – interpôs ela. – Mas eu revidei a altura."Estupefaça"... – ela debochou também, e ainda conseguiu arrancar um meio sorriso de seu amigo.
– É... – respondeu ele.
Marlene então ajeitou o corpo, sentando-se ao seu lado e o encarou intensamente. Ele prosseguiu:
– Agora eu entendiporquevocê bateu na Dorcas... – disse ele, em tom de desabafo. – Eu quase fiz a mesma coisa lá em cima...
– Eu imagino... – respondeu Marlene.
Remus sacudiu a cabeça com descrença.
– Não, você não sabe como é, Lene – ele afirmou triste. – Ver ruir na sua frente tudo o que você idealizou sobre a pessoa que você ama...
– Eu sei sim! – ela gritou em resposta. – Porque eu senti a mesma coisa com o Severus...! – e quando Remus a olhou sem entender, ela explicou: – Ele... eletambémme traiu, Moony!
Ele voltou-se a ela incrédulo.
– O quê? Snape e a Dorcas...? – Remus a interpelou nervoso.
– NÃÃÃÃO! – Marlene berrou, assustada com o rumo dos pensamentos dele. – Eu quis dizer que o Severusmentiupra mim! Ele me enganou comotodosfizeram!
Remus não entendeu.
– Todosquem? – ele quis saber.
– TODOS! – ela repetiu indignada. – O James, até a Lils! E claro,eletambém! O Severussabiadessasacanagemdo Sirius com a Dorcas e não me falou NADA!
– E o que você queria queSnapelhe dissesse, Lene? – Remus perguntou, ainda sem entender aquele rancor na voz da amiga quando ela se referia ao próprio namorado.
– Qualquer coisa, que pelo menos uma vez na vida ele tivesse sido honesto comigo! – Marlene continuava indignada. – Elesabia, Remus!Todo mundosabia, ele é culpado também! Além de tudo, não foi a primeira vez que ele mentiu pra mim!
Bem, aquilo justificava um pouco da raiva de Marlene. Mas nãotanto assim, pensou Remus.
– Mas Marlene... – ele interpôs. – Snape é o seunamorado...
– Não é mais, Moony! – ela respondeu com raiva. – Além denão admitirque errou, ele ainda fez ofavorde terminar comigo!
Remus suspirou fundo. Ele não queriadefenderSeverus, tampouco era amigo dele para fazer isso, mas realmente achava que Marlene estava errada, exagerando ao sertãointransigente.
– Acho que eu entendo o que Snape fez – disse ele com sinceridade.
Marlene estreitou os olhos. Teria entendidocerto? Até mesmo Remus, o seumelhor amigoestava apoiando aquela atitude traidora de Severus?
– O – QUÊ? – ela o questionou séria, destacando cada palavra.
– Lene, pensa um pouco! – Remus pediu com calma. – Você está sendo injusta. Se você descontou toda essa raiva nele, tecnicamente numa pessoa que não tinha nada a ver com a "história" – ele abriu aspas com os dedos –, o que acha que Snape ia fazer, além de ter certeza que você ainda é apaixonada pelo Sirius?
Marlene sacudiu a cabeça de maneira incomodada.
– Eunão soumais apaixonada pelo Sirius, aliás, me arrependo muito de ter sido um dia! – respondeu ela, seriamente irritada. – E como assim, o Severus não tinha nada a ver com isso? – ela o indagou, querendo que ele entendesse os seus motivos também. – Remus, ele MENTIU pra mim!
De novo, Remus suspirou fundo.
– E sobre ele termentidopra você... – ele hesitou, já sabendo qual seria a reação dela. – Eu acho que também entendo...
– MOONY! – ela berrou inconformada.
Ele então fez questão de explicar.
– Eu não ia querer que a pessoa que eu amo ficasse sofrendo por causa de um ex-namorado – assegurou ele. – Faria de tudo para que ela esquecesse quem a fez sofrer. Além do quê, isso queaconteceu foi algo sério, algo que só alguém do nosso meio deveria ter nos dito, e nãoSnape– e concluiu: – Acho que você deveria falar com ele.
– Ah, Remus! – ela praguejou, se sentindo derrotada.
Marlene então parou para pensar no que o amigo havia dito. Ela estava sendo realmente muito injusta com Severus, embora não gostasse nem um pouco quando ele escondia alguma coisa dela. Mas ela queria acreditar que o motivo de tudo isso tinha sido o mesmo que Remus lhe dissera:amor. Como sempre, Remus tinha razão em suas sábias palavras. E o mais importante: mesmo com tudo o que havia acontecido, ele ainda se preocupava com ela.
– Meti os pés pelas mãosde novo, não é? – Marlene brincou, um meio sorriso angustiado se formando no seu rosto.
– Mas isso ainda tem conserto, Lene – afirmou Remus, dando um riso triste. – Não é como eu...
Ela não entendeu.
– Fala de você... e da Dorcas? – perguntou ela.
– Não – respondeu ele. – Falo de mim e da Emme...
Marlene o olhou sem acreditar.
– Mas... – ela não sabia nem o que dizer. – Mas a Emme tem o Benjy agora e...
Remus a interrompeu.
– Eu sei, e seria muito mesquinho tentar me aproximar delaagora.Eu perdi – ele disse amargurado. – Eu sempre pensei que ela jamais iria olhar para alguém como eu, depois o deslumbramento que eu sentia pela Dorcas acabou se transformando num sentimento maior... Isso tudo me impediu de ver quem me amava de verdade, quemeuamava de verdade, e eu só percebi isso um pouco tarde demais...
– Remus, eu... – ela continuava sem palavras diante do desabafo dele.
– É por isso que eu lhe digo: vá, e converse com Snape – respondeu ele com firmeza. – Não deixe que um mal-entendido estrague tudo. Não seja idiota como eu fui...
À Marlene, só restava concordar com seu amigo.
– Eu vou resolver tudo depois que me acalmar – disse ela. – E você?
– Eu o quê? – repetiu ele, indagando.
– O que você vai fazer... com a Dorcas? – Marlene perguntou receosa.
Remus deu um riso fino, amargurado.
– Sabe, eu quisperdoara Dorcas quando pensei que isso podia ter acontecido com qualquer pessoa, com um cara comum... Mas não consegui fazer isso quando pensei que foi oSirius... Eu a coloquei num pedestal desde que... desde que eu coloquei ela lá – ele concluiu triste e então começou a se levantar.
Ajudada por Remus, que lhe estendera a mão, Marlene também ficou em pé.
– De qualquer forma – ele retomou a palavra, agora respondendo a pergunta dela –, eu também preciso me acalmar e não sei quanto tempo isso vai levar pra acontecer, quando é que a ferida vai cicatrizar, se é que isso vai cicatrizar um dia... – e então perguntou sério: – Vai falar com Snape agora?
– Hm...vou– garantiu ela, mesmo sem ter certeza se ia realmente fazer isso.
– Vai mesmo? – ele insistiu, percebendo a hesitação dela.
Marlene lhe respondeu a verdade.
– Acho queagoraeu estou com um pouco de medo, de vergonha de olhar na cara dele depois das coisas que eu disse, sabe...? – Marlene indagou, e quando Remus fez que sim com a cabeça, ela continuou: – Eu quero conversar com o Severus, mas tenho medo da maneira como ele vai me tratar...
Remus a olhou, segurando o queixo numa expressão pensativa. E só depois de alguns segundos ele comunicou:
– Eu tive uma ideia – disse, e antes que Marlene pudesse protestar, ele a arrastou pela mão, voltando com ela para dentro da sala comunal.
– Remus, o que estamos fazendo? – a pergunta dela foi inevitável.
– Você já vai saber – ele limitou-se a responder.
Eles subiram as escadas e rapidamente Marlene chegou com Remus ao dormitório dele.
– Remus! – ela voltou a insistir. Não estava entendendo absolutamente nada.
Dessa vez, o grifinório nada respondeu. Apenas começou a vasculhar algumas gavetas, por vez ou outra murmurando algo irritado.
– James deve ter escondido em algum lugar! – Remus praguejou e então algo lhe ocorreu; ele puxou a varinha e disse o feitiço convocatório: –Accio capa de invisibilidade!
Saída do fundo de um armário, a capa mencionada estava agora nas mãos de Remus. Marlene o olhou ainda mais interrogativa quando ele estendeu a capa na sua direção.
– Toma – disse Remus com a mão estendida. – É a capa de invisibilidade do James.
– Euseique é a capa dele, mas... – Marlene respondeu surpresa. – O queeuvou fazer com ela, Moony?
Remus explicou a ideia que tivera.
– Sondar o seu namorado até se sentir segura pra falar com ele outra vez – disse ele, e continuou com a mão estendida. – Tá esperando o quê? Vá falar com Snape.
Meio relutante, Marlene tomou a capa das mãos de seu amigo.
– Obrigada, Remus.
Remus sorriu e então a acompanhou até a porta de seu dormitório, mas quando chegou ali, ele e Marlene estancaram completamente e o sorriso sumira do rosto dele. Dorcas estava ali, envolta num roupão e parecia ter acabado de tomar um banho. Como ninguém se manifestou, ela se dirigiu ao namorado:
– Remus, a gente precisa conversar...! – ela murmurou, mostrando o anel dourado que tinha em mãos.
– Conversamos outra hora – foi o que ele respondeu seco, antes de se dirigir a Marlene: – Espero que dê tudo certo. Até logo! – e então fechou a porta.
Dorcas então se voltou para Marlene rapidamente.
– Prima, aonde você vai? – ele tentou iniciar uma conversa, mas não obteve resposta; Marlene já ia descendo as escadas com pressa.
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Marlene havia pensado em ir imediatamente falar com Severus, mas na metade do caminho mudou de ideia e acabou rumando para a Torre Corvinal. Ela estava agora sentada no sofá da sala comunal, observando silenciosamente aquela capa que tinha em mãos. Ainda tinha dúvidas se deveria ou não falar com Severus, mas queria fazer a coisa certa. Queria esperar um pouco, dessa vez não ia agir por impulso e dizer qualquer coisa que lhe viesse à mente. Era madrugada ainda e ela pensou que talvez pela manhã estivesse mais calma e ele também. Assim, pela manhã seria o melhor momento para conversarem e com esse pensamento ela adormeceu ali mesmo, no sofá.
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Emmeline acordou preguiçosa na manhã seguinte. Nos braços de Benjy, que ainda dormia um sono tranquilo, ela começou a analisar o rosto dele enquanto o acariciava com suavidade. O rosto dele levemente corado o fazia parecer um anjo loiro, com alguns fios de cabelo meio revoltos na testa; os olhos fechados transmitindo uma tranquilidade adorável, os lábios entreabertos, convidando-a para um beijo... Realmente, Benjy era lindo, um anjo lindo que tinha entrado em sua vida na hora certa. Ele era o seu anjo, e era só dela.
Sorrateiramente, Emmeline conseguiu sair do abraço dele sem acordá-lo e foi direto ao banheiro onde tomou um longo banho e se arrumou. Quando terminou de se arrumar, retornou ao quarto e encontrou Benjy sentado na sua cama e já vestido, sorrindo lindamente para ela. Em meio a beijos e carícias, eles resolveram descer para tomar o café da manhã.
Assim que terminaram de descer as escadas, Emmeline se assustou com o que viu, e Benjy também ficara surpreso: no sofá da sala comunal, Marlene dormia toda desajeitada. E só de ver a amiga ali, Emmeline constatou que algo não estava bem: não era para Marlene estar ali, quando numa situação normal ela estaria com Severus.
– Benjy... – começou ela, porém não precisou dizer mais nada para que ele entendesse.
– Eu vou tomar um banho – disse ele e a beijou na testa. – Daqui a pouco eu desço – e então ele se afastou dela, tomando novamente o rumo das escadas.
Emmeline andou até o sofá, observando com certa angústia a amiga dormir. Ela se sentou na ponta do sofá e passou a mão com suavidade pelos cabelos de Marlene. Ao sentir o toque delicado daquela mão em seus cabelos, ela começou a abrir os olhos.
– Emme... – Marlene murmurou, parecendo atordoada.
– Lene... – disse Emmeline, a voz triste. – Por que estava dormindo nosofá?
– Eu não queria atrapalhar você e o Benjy – a morena respondeu com sinceridade, e relanceou a sua volta. Como não viu Benjy ali, ela perguntou: – Onde é que ele está?
– Tomando banho – respondeu a loira.
Marlene sorriu.
– Foi tudo bem ontem à noite? – indagou ela, curiosa.
– Foi maravilhoso – Emmeline respondeu num sorriso, mas logo voltou a ficar séria, analisando melhor Marlene. A amiga haviachorado? – Mas parece que évocêque não está muito bem... – afirmou, para logo em seguida perguntar: – Brigou com Snape de novo?
Marlene suspirou fundo antes de responder.
– Briguei – admitiu ela, triste. – Briguei com ele, e com todo mundo que mentiu pra mim...
–Mentiu? Quem mentiu pra você? – Emmeline a questionou. – Do que você está falando?
Marlene contou tudo: a conversa inflamada com Sirius, onde ele havia lhe revelado o que fizera com Dorcas; a raiva que sentiu ao pensar que todos os seus amigos, com exceção de Remus, já sabiam de tudo; a briga dela com Dorcas; a maior decepção da noite, que fora descobrir que Severus também já sabia de tudo e por fim, a maneira como Remus também ficara sabendo do acontecido. Ela contou todos os detalhes para Emmeline, omitindo apenas o desabafo de Remus em relação à amiga.
Ao final do relato, Emmeline até se sentiu mal por pensar que, enquanto vivia o melhor momento da sua vida, Marlene vivia um dos piores momentos da vida dela, e que ela, sendo a melhor amiga, não estava ao lado de Marlene quando esta mais precisava.
– Eu sinto muito, Lene – foi o que Emmeline conseguiu responder. – Como é que vai ser agora?
– Eu já resolvi. Vou falar com o Severus daqui a pouco – anunciou Marlene. – Eu estou com a capa de invisibilidade do James.
– Pelo menos, o James está fazendo alguma coisa pra ajudar – a loira comentou.
– Ao contrário, Emme – a morena replicou séria –, o James nem sabe que a capa dele está comigo. Quem pegou pra mim foi o Remus. Eu nem queria, na verdade. E eu não quero mais nada, não quero saber deamizadecom gente que só sabe mentir pra mim – ela concluiu rancorosa e se levantou num pulo.
Emmeline também se levantou.
– Vou esperar o Benjy pra gente tomar café! Boa sorte! – e a abraçou forte.
Um momento depois, Marlene também tomou o rumo das escadas e chegou ao seu dormitório, onde tomou um banho e voltou a se arrumar com as vestes da escola. Sem se preocupar com o café da manhã, ela pegou a capa de invisibilidade e apressou-se na saída, indo em direção às Masmorras.
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Já faziam pelo menos vinte minutos que Marlene estava ali, de frente à entrada da Sonserina. Encoberta pela capa de invisibilidade, ela desejava que algum sonserino aparecesse, para que assim ela pudesse adentrar a sala comunal. E não demorou muito para que o seu desejo fosse atendido.
Marlene viu Mulciber se aproximando, certamente ele deveria estar voltando do Jantar de Ensaio somente àquela hora. Ela avançou um pouco na direção de Mulciber, mesmo sem conseguir evitar aquela sensação horrível que tinha na presença dele. Quando chegou suficientemente perto, aproximou-se das costas dele com cautela, ouvindo-o murmurar a senha do dia em língua de cobra. A passagem se abriu e ela o seguiu para dentro da sala comunal, e também até o dormitório. Era a sua única chance e ela faria essa surpresa a Severus.
Mas quem se surpreendeu foi ela, quando adentrou o dormitório dele. Levou até um susto ao ver a maneira como Severus se encontrava: largado naquela poltrona, ainda trajando as vestes negras de gala, parecia que nem tinha dormido, e talvez nem tivesse mesmo, pelo cansaço que aparentava. Ele devia mesmo ter ficado muito magoado, pensou ela.
E tal qual Marlene, Mulciber também parecia surpreso com o que via a sua frente. Ele relanceou melhor pelo quarto, pensou que Marlene poderia estar ali – e realmente estava, mas não da forma que ele imaginava – e então se dirigiu a Severus:
– Está sozinho? – Mulciber perguntou.
– O que você acha? – Severus lhe respondeu atravessado.
Sem rastro da filhote por aqui, pensou Mulciber, contente. Ele mesmo reiniciou a conversa.
– Sabe que o nosso tempo de se juntar ao Lorde das Trevas está chegando, não? – ele indagou em tom de desafio.
– Sabe que eu não vou desistir,Mulciber– Severus respondeu pouco amistoso. Não bastava a noite conturbada, agora aquele imbecil vinha enchê-lo de perguntas?
Marlene sentiu o coração falhar uma batida ao ouvir aquilo.
"Não! Não! Não! Não! Não!" – ela pensou desesperada. – "Não pode! Ele não pode ter ficado tão magoado a ponto de desistir de tudo, desistir demim... Só... Só se...Só se ele nunca tivesse realmente me escolhido..."
Ainda sem acreditar no que estava ouvindo, Marlene decidiu continuar prestando atenção à conversa. Mulciber voltou a falar:
– Eu cheguei a pensar que a suanamoradinha-filhote-de-auroriria conseguir te influenciar – debochou ele. – Que bom que eu estava enganado!
– Sim, você se enganou – Severus disse seco. – E ela não é mais minha namorada.
Mulciber abriu um sorriso largo e falso.
– Até que enfim! – vibrou ele. – Isso significa que agora podemos matá-la? – ele perguntou, um brilho alucinado nos olhos com tal possibilidade. – Digo: toda a família dela?
– Imbecil! – exclamou Severus, se levantando da poltrona num salto. –Mortos, eles não servem de nada, Mulciber! O Lorde das Trevas já expressou ointeresseque tem nos McKinnons! – ele disse exaltado, mas sem erguer a voz.
Agora, Marlene sentiu seu coração falhar, não apenas uma, mas duas batidas. O Lorde das Trevas interessado nos McKinnons? Nasuafamília? Como Severus sabia disso?
A resposta retumbava em sua mente:
"Com toda certeza, frequentando as reuniões com os amigos e outros Comensais da Morte! Não! Isso não pode ser verdade, não pode!" – ela repetia para si mesma.
As palavras de Mulciber interromperam seus pensamentos.
– Não acredito! – ele exclamou satisfeito. – Por favor,me diga que seu interesse pela filhote se devia somente a isso!
– Exatamente – Severus mentiu. – Ao ladodela, eu pude saber mais sobre a atividade dos McKinnons no Ministério. Só não disse isso a vocês antes porque poderia estragar os meus planos.
"Ele espionava a minha família...Que horror...!" – pensava ela, incrédula.
A cada palavra que Marlene ouvia, um golpe destruía seu coração. Será que sairia dali com ele inteiro? Ela achava que não...
– Só isso? – Mulciber perguntou, agora desconfiado.
– Não havia nada mais do queisso,de minha parte – Severus sustentou a mentira.
– Não? – insistiu Mulciber, ainda desconfiado. – E aquele tesão todo, era...?
Severus sabia exatamente o que Mulciber ia dizer e o interrompeu depressa:
– Digamos que eu precisavaaproveitaro fato de ter alguém que me servia na cama com tantaboa vontade...– foi o que ele disse, num tom de desprezo.
Ele disse, mas não era verdade. Disse aquilo, para quem sabe assim Mulciber finalmente se convencesse de queaquelaera a verdade, quando ele mesmo sabia que jamais seria, e exatamente por isso, se sentiu péssimo ao dizer aquilo. A quem ele pretendia enganar?
Da mesma forma, Marlene também se sentia péssima, humilhada, o coração destruído. Então eraassimque Severus resumia tudo o que ela significava para ele? Um meio de espionagem, alguém que só servia para...?
Ela não sabia nem o que pensar, de tão estarrecida que ficara. Parecia que não era só Remus que tivera seu coração destruído ao ouvir algumas verdades...
Indignada, Marlene deixou que a capa de invisibilidade caísse por completo no chão, mostrando-a.
Olhando por cima do ombro de Severus, Mulciber a viu, e o sorriso falso dele ia se alargando cada vez mais em seu rosto.
– Ah, que ótimo! – Mulciber disse satisfeito, sem desviar os olhos da expressão furiosa de Marlene. – E acho que você não vai precisar repetir isso prafilhote...
Severus não entendeu.
– Eu nãopretendofalar com ela – replicou ele.
– Reserve algumas "últimas palavras", meu amigo... – Mulciber debochou, dando-lhe um tapinha de falsidade no ombro. Ele se virou para sair, olhando para Marlene com desprezo e concluiu: – Afinal, a filhote está bem atrás de você!
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Mais uma vez agradeço a Elizabeeeth pela recomendação linda e a todos que comentaram o capítulo anterior! Isso motiva muito, incentiva muito a gente, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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