Muito Bem Acompanhada

10 Não Tão Secreto


Notas iniciais
Agradecimentos: À Emmy, Mandy Snape e CatherineMasen (bem-vinda!)que leram o Capítulo 9 e nos presentaram com suas reviews! Obrigada!
Resumo do Capítulo: Algumas pessoas tem segredos que não são tão secretos assim...

– CAPÍTULO DEZ –

NÃO TÃO SECRETO

Ainda naquela noite, enquanto Marlene dormia, ela nem podia imaginar que seu nome ainda estava sendo assunto entre os amigos de seu "namorado". Em seu dormitório, depois de algumas horas sendo bombardeado pelas perguntas de seus amigos, Severus ainda não tinha se manifestado.

– Que diabos foi aquilo? – Mulciber o inquiriu. –McKinnon?

Ele continuava mudo.

– Umafilhote de Auror, Snape? – Avery zombava. – Não sabia que você estava procurando problemas.

– Mas ao menos a garota tem sangue puro – Rosier assinalou, dando-lhe um tapinha de falsidade nos ombros. – Parece que o nosso amigo aqui finalmente superou ofiascoda sangue-ruim...

– Exatamente: umafilhote de Auror, Snape – Mulciber voltou a falar. – Uma traidora de sangue; isso é pior do que sangue-ruim!

– Mas ela estácomigo,ponto final – Severus disse finalmente, e um silêncio pesado caiu sobre todos. – E saibam que ela percebeu o modo como vocês a olharam; então se isso acontecer de novo...

– O que você vai fazer? Nos matar? – Mulciber debochou, falando rápido e sem pausas: – Você não percebe que está ficando a favor dessatraidorazinhae contra o Lorde das Trevas?

– O Lorde das Trevas não tem nada a ver com isso – Severus respondeu rispidamente.

– Eu concordo – Mulciber riu sem sinceridade, e ameaçou: – Mas se essa garota tentar se intrometer nos nossos planos...

– Ela não vai nos causar problemas; tem minha palavra disso – garantiu Severus.

– Eu espero sinceramente que você consiga trazê-la para o nosso lado então... – Mulciber concluiu. – Mas se isso não acontecer, que ao menos você faça a escolha certa; ela não é uma de nós!

A aparente discussão foi encerrada e todos foram dormir. Mas Severus não conseguiu dormir de imediato: tentando ignorar a conversa um tanto conturbada da noite, ele voltou sua atenção para um fato que acontecera durante o dia: lembrava agora do que Marlene lhe dissera sobre o anel:"Severus, esse anel é daminha mãe, acha que eu não sei o que significa? É amor, respeito e confiança!"

Intrigado com o fato, ele voltou a ler a carta que sua mãe havia lhe mandado dois dias antes:

Querido,

Amanhã irei ao Gringotts, providenciar a joia que você me pediu.

Retirarei o anel do cofre a tempo de você recebê-lo pela manhã.

Mas já lhe adianto que é uma peça linda e única, que significa "amor, respeito e confiança".

Tenho certeza que a sua namorada vai adorar.

A propósito, você não disse o nome dela. Quando poderei conhecê-la?

Com amor,

Eileen.

Depois de ler a carta de sua mãe mais uma vez, Severus tornou a se perguntar: de onde Marlene havia tirado que o anel era da mãe dela? E outra vez, sem conseguir chegar a uma conclusão a esse respeito, tudo o que ele fez foi guardar a carta e dormir.

###

No dia seguinte, quando Severus acordou, percebeu que alguns de seus colegas de quarto ainda dormiam, um silêncio imóvel e imutável preenchia o ambiente. Ele espreguiçou-se olhando para o relógio, ainda era cedo e ele fechou os olhos novamente, para pensar no seu mais recente problema: Marlene McKinnon.

Ele sorriu ao se lembrar da maciez dos lábios dela e do calor de sua pequena mão. Ainda podia sentir as mãos deslizando por aqueles cabelos castanhos enquanto provava a maciez e a textura da pele clara e o desejo daqueles lábios macios, e de como seu próprio corpo respondia prontamente à proximidade daquela garota: um desejo imenso, quase descontrolado, mas que com muita dificuldade, ele conseguia controlar. Sentira uma atração muito forte, um desejo de explorar mais do que a suavidade que experimentara com aqueles beijos ousados.

Severus ponderava sobre as diferenças que existiam entre eles e sua própria mente fazia questão de lhe lembrar da loucura que era sentir aquela atração. Ele não deveria se sentir assim: estavausando-a para conseguir informações sobre a família dela e o acesso que eles tinham ao Ministério; nada mais.

As palavras de Mulciber, sempre Mulciber, lhe voltaram à mente:

"Ela não é uma de nós."

Sim, de fato Marlene não eracomoeles e ele sabia disso. Jamais compartilharia com eles os ideais de pureza de sangue, e muito menos qualquer coisa que estivesse relacionada ao Lorde das Trevas.

Ele respirou fundo, sentindo-se desapontado e então se levantou, a caminho do banheiro. Embaixo da água quente, ele refletia sobre tudo que havia acontecido e chegou à conclusão que aquilo era mesmo uma loucura, como a própria Marlene lhe dissera. E de que ele não precisava de mais complicações: na verdade, tudo o que ele não precisava agora, era se apaixonar pela sua "namorada de mentira" e decidiu que não podia, em hipótese alguma, deixar isso acontecer.

Saindo do banheiro já arrumado, Severus se deparou com Mulciber em pé ao lado da porta. Os outros ainda dormiam. Mulciber deu um passo à frente e o segurou pelo pescoço quando disse:

– Apesar de você ter garantido que a suatraidorazinhanão vai nos causar problemas, eu não acredito – disse ele. – Então acho melhor você manter essa garota longe do meu caminho, entendeu?

Severus sentiu o sangue subir a cabeça. Depois de suportar todos aqueles questionamentos, jamais admitiria que aquele que se dizia seu "amigo" se referisse a Marlene daquela maneira. Mas sem demonstrar qualquer irritação, ele disse pacientemente:

– Tire essas mãos de mim antes que fique sem elas, Mulciber – ele disse impassível.

Mulciber então soltou as mãos do pescoço de Severus.

– O Lorde das Trevas não tolera deslealdade – assinalou ele. – Espero que saiba o que está fazendo. Ela não é uma de nós!

– E eu disse que ela está comigo, ponto final! – Severus disse em ultimato.

Mulciber então lhe deu as costas sem responder e entrou no banheiro, o que não surpreendeu Severus nem um pouco. Ele nunca descobriu com certeza o que ele tinha que intimidava os outros, mas a verdade é que ele nunca teve que brigar para provar que estava certo em alguma coisa. Sem esperar que mais alguém acordasse para bombardeá-lo com mais perguntas sobre Marlene, ele saiu daquele quarto o mais rápido que pôde.

Repetindo os passos do dia anterior, ele fez seu caminho até a Torre Corvinal. Chegando lá, Severus ele aguardou até que Marlene viesse falar com ele no corredor.

– Bom dia – disse ele, enquanto Marlene encostava a porta.

– Bom dia – respondeu ela, apertando agora as mãos num aparente nervosismo.

Ele então tomou uma das mãos dela e começaram a caminhar em silêncio. Marlene, que até o momento estava aliviada por ver que Severus não tinha tentadosacaneá-laainda, parou e se retesou de repente, olhando para as marcas vermelhas, porém quase imperceptíveis no pescoço dele.

– O que é isso? – ela indagou de braços cruzados, os olhos castanhos se estreitando de novo.

Severus também parou, um passo à frente de Marlene, percebendo que ela começava a se irritar, mas definitivamente não entendeu o porquê.

– Do que está falando? – indagou ele.

– DISSO AQUI! – berrou ela, furiosa, levantando a mão para agarrar a camisa dele. – Isso no seu pescoço! Quem fez isso?

Severus percebeu que tinha sido uma falha deixar que Marlene visse as marcas que Mulciber deixara em seu pescoço, mas também não iria dar satisfações a ela sobre isso.

– Você mesma – ele respondeu calma e cinicamente.

– O QUÊ? Mas eu... EU NÃO FIZ NADA DISSO! – ela grunhiu contrariada.

– Para todos os efeitos, foi você sim – Severus voltou a afirmar.

Diante disso, Marlene não conseguiu suprimir a raiva.

– Então você quer me convencer queeufizalgo queeuseique eunãofiz? – e perguntou cada vez mas nervosa: – POR ACASO VOCÊ ESTAVA COM ALGUÉM?

Sem esperar resposta, ela fechou os punhos e começou a socá-lo, mas Severus se esquivou dos socos e agarrou os punhos de Marlene; segurando-a pelos ombros, empurrou-a contra a parede. Ela se debateu como num ataque de histeria.

– ENTÃO É ISSO? VOCÊ ESTAVA...! – ela ainda gritava, até que suas palavras morreram na boca dele.

Severus segurou-a pela nuca e pôs-se a mover sedutoramente os lábios sobre os dela, enquanto Marlene apoiava ambas as mãos sobre o seu peito, tentando o reprimir. No entanto, as palavras raivosas que a corvinal tentava balbuciar entre seus lábios não foram o suficiente para que o sonserino refreasse o que estava fazendo e num segundo momento, quando a raiva parecia ter passado, ele a sentiu entreabrir os lábios e parar de se debater, dando passagem para que sua língua brincasse com a dela.

Marlene retribuiu o beijo avidamente, e intimamente o agradecia por aparentemente não ter dado ouvidos ao seu pedido ridículo. Até a raiva que ela sentiu momentos atrás virou pó no instante em que os lábios deles se encontraram. Ele então aprofundou a carícia, ouvindo-a gemer baixinho e inclinou-se ainda mais sobre ela, sentindo as pernas dela roçarem as suas de forma provocante, fazendo com que a chama que ardia dentro de si quase se inflamasse. Porém, antes que isso pudesse acontecer, Severus a afastou de si delicadamente, percebendo que ela voltava a ficar com o rosto quente.

Marlene se escorou na parede e ficou ali parada, encarando Severus. Ela ainda parecia desnorteada e arfava e esperou até que sua respiração se regularizasse para finalmente poder falar alguma coisa:

– É... do que a gente estava falando mesmo? – foi tudo que ela conseguiu perguntar; na verdade, achou que não conseguiria nem falar depois daquele beijo inesperado.

Severus então aproveitou o momento de distração de Marlene para mudar de assunto:

– Acha que vai ter problemas se eu me sentar com você à mesa da Corvinal? – indagou ele.

– Ah, tem a Emme, né... – Marlene respondeu, ainda sem jeito. – Mas como ela vai estar com o Benjy... – ela pensou confusa e perguntou: – Por quê? Os seus amigos não querem mais que eu sente com você à mesa da Sonserina?

– Eu não quero expor você outra vez – Severus respondeu, e essa parte era verdade. Mas quando ela o olhou, como se não entendesse, ele explicou: – Digamos que eu também não gostei dos olhares de ontem em cima de você...

– Você faloumesmocom eles então? – ela indagou em coletivo, não quis se referir apenas a Mulciber.

– Falei sim – admitiu ele, mas antes que ela fizesse mais perguntas, disse em ultimato: – Mas agora chega de perguntas; vamos nos atrasar.

– Ah, claro – concordou Marlene e timidamente estendeu sua mão para ele; ela mordeu os lábios quando ele tomou sua mão outra vez.

Enquanto andavam lado a lado, ela lutou para tentar não corar com aquele toque; era como se um arrepio inexplicável atravessasse todo o seu corpo com tão simples gesto.

Afinal, era só o segundo dia de toda aquela loucura.

###

Quase três semanas se passaram e agora aquela "loucura" havia completado vinte dias. Marlene continuava ouvindo coisas negativas de seus amigos grifinórios, e com Severus não era diferente, apesar de que os amigos dele não tocavam diretamente no assunto. Mas mesmo assim, ambos continuavam firmes em seu plano de vingança: tinham um propósito e seguiriam nele até o fim... Além de outros motivos, motivos que nenhum dos dois sequer pensava em admitir.

O sábado amanhecera nublado e frio – típico do Outono pré-Inverno – mas Marlene não se importou. Continuando a sua rotina de treinos de Quadribol, ela encarou o mau tempo e foi com sua equipe até o campo.

Os corvinais não puderam evitar a surpresa quando chegaram ao campo; havia um sonserino ali. Severus destoava do restante do grupo, que estava devidamente uniformizado com vestes de Quadribol. Sem entender a presença de seu "namorado de mentira" ali, Marlene pediu para que Benjy e os outros fossem tomar suas posições, que ela iria depois de falar com o "namorado", e correu na direção de Severus.

– Pensei que você iria à vila com os seus amigos – disse ela, depois perguntou surpresa: – Por que está aqui afinal?

Severus puxou Marlene para si num meio abraço forçado antes de responder:

– Eu vim prestigiá-la no seu treino, querida – ele disse cínico. – Não me lembro de você ter dito que Black fazia isso...

Ela arfou com a proximidade dele.

– Ele não fazia isso... nunca – ela gemeu em resposta.

– Eu sabia – ele concordou.

Severus inclinou-se sobre ela para lhe dar um beijo rápido nos lábios. Marlene sentiu o coração disparar com o contato e podia imaginar às suas costas, a expressão de toda a sua equipe àquela cena.

– Agora vá; eles estão te esperando – Severus voltou a falar e se afastou de Marlene, a tempo de vê-la andar com passos vacilantes na direção dos outros corvinais.

Marlene e os outros assumiram suas posições no campo e mal havia se passado cinco minutos que se sentara na arquibancada, Severus ouviu uma voz impertinente ao seu lado.

– Oi!

Ele se virou para ver: era Dorcas Meadowes, a prima de Marlene.

– Oi – ele respondeu secamente.

– Sabe se a Lene vai demorar? – a grifinória indagou e ele percebeu o receio que ela tinha na voz.

– Acho que sim. Eles acabaram de entrar no campo – respondeu ele, sem emoção.

Dorcas então relanceou pelo campo, vendo o vai-e-vem de vassouras cortando o ar. Marlene acenou para ela. A grifinória então sacudiu a cabeça, agitando seu cabelo chanel perfeito, como se estivesse pensando se deveria ou não fazer algo, e como se tivesse por fim se decidido, voltou-se a Severus novamente e resolveu falar:

– Será que você poderia entregar isso pra Lene, então? – perguntou ela, estendendo a ele um envelope vermelho.

Severus nem se deu o trabalho de pegar o envelope e apenas perguntou:

– O que é isso?

A grifinória pareceu chocada.

– É um convite! – Dorcas disse exaltada e começou a explicar: – Pra vocês dois. O Sirius estava meio deprimido e o James resolveu fazer essa festinha para os monitores... Vai ser a nossa última festa antes do Natal – e continuou com a mão estendida, esperando a resposta dele.

Severus finalmente tomou o convite das mãos de Dorcas.

– Agradecemos a disposição, mas dispensaremos o convite, Meadowes – respondeu ele, por fim rasgando o convite sem mesmo ler.

Dorcas suspirou indignada.

– Mas... mas vocênão podefazer isso! – disse ela, lembrando um pouco dos trejeitos de Marlene quando ficava com raiva. – Sevocênão quer ir, tudo bem, não vá! Mas e a Lene?

– Ela não vai – ele disse impassível.

– O quê? – a grifinória perguntou sem acreditar.

– Ela não vai – Severus repetiu com firmeza. – Se eu não vou, então a minha namorada não tem motivo nenhum para estar lá.

Dorcas olhou para ele, ainda mais chocada.

– Você estáproibindoaminha primade ir a essa festa só porquevocênão quer ir? – ela o questionou, assinalando: – Isso é ridículo!Quemvocê pensa que épara fazer isso?

A expressão de Severus não se modificava nunca.

– Eu sou onamoradodela – ostentou ele –, eugostodela e, portanto, euseio que é melhor pra ela.

Dorcas sufocou mais uma exclamação indignada.

– Nossa! – ela não conseguiu evitar falar o que pensava. – Com uma atitude dessas, você está deixando bem claro é quenão gostadela!

– Epor queeunãogostaria? – Severus perguntou, mudando de assunto e apontou para o campo na direção de Marlene. – Olhe pra ela: ela é linda, inteligente, um pouco estressada, admito, mas ela émuito digna... – e acrescentou venenoso: – Ao contrário de certas pessoas, que se dizemrespeitáveis,mas que na verdade não passam de umas putas disfarçadas...

A grifinória não entendeu.

– O quê...? – indagou ela, confusa.

Então Severus voltou-se a Dorcas novamente e começou a falar enérgico:

– Vamos, Meadowes, diga-me; acha que os lugares têm memória? – ele a questionou.

– Hã? – ela continuava sem entender.

– Pois eu fico imaginando o que essecampodiria sobre certas pessoas... – afirmou ele, cínico. – Sobre o que ele diria que viu acontecer embaixo dessas arquibancadas... Não é mesmo?

Dorcas finalmente pareceu "acordar", e piscou repetidamente.

Eu – não – fiz –o que você está insinuando que eu fiz...! – ela ressaltou, nervosa.

Severus suprimiu um sorrisinho de deboche, vendo que ela mesma estava se acusando.

Você? Por acaso eu insinuei alguma coisa sobrevocê? – ele indagou com sarcasmo. – Eu teriamotivospara isso?

A grifinória então ficou furiosa.

– Escuta aqui! – ela disse, apontando-lhe o dedo em riste, do mesmo modo que a prima fazia. – Eu estava pouco ligando que a Lene estivesse namorando um cara comovocê,porque eu só queria que ela fosse feliz, mas...!

Severus a interrompeu grosseiramente:

– É admirável a preocupação quevocêtem com a felicidade da sua prima... – e disse entre dentes: –Hipócrita.

– E você é ridículo, sabia? – disse Dorcas, sem se intimidar. – Mas acredite: eu vou fazer de tudo, mastudo mesmo– ela deu grande ênfase a palavra – que eu puder pra que a minha prima abra os olhos e termine com você!

– Ela não vai fazer isso – afirmou Severus, para espanto da outra. – Você não consegue ver o quanto nós estamosapaixonados?

– Eu acho que essapaixão– Dorcas disse com desprezo – não vai durar dois minutos quando ela souber das coisas que você falou pra mim!

– E eu acho que é a amizade de vocês, esse grande laço familiar que as une, que não vai durar nem dois minutosseeu tiver que contar a elaporqueeu lhe falei aquilo... – Severus disse sem se alterar. – E o seu namorado lobo, então? Acho que ele não vai aguentar um baque emocional tão forte...

A coragem dela pareceu murchar um pouco, mas Dorcas retomou a firmeza na voz quando disse:

– Não importa! – assegurou ela. – Eu vou fazer tudo que eu puder, mais até que oimpossívelpra Marlene terminar com você!

– Então isso é uma ameaça? – Severus perguntou debochado.

– É uma promessa! – Dorcas garantiu, e sem mais palavras saiu correndo do campo, os passos literalmente queimando o chão.

Marlene, que naquele momento havia olhado para as arquibancadas, assustou-se com a cena que viu.

– Benjy! – ela chamou o batedor, e quando o loiro se aproximou, apontou para o taco que ele tinha nas mãos e pediu: – Me dá isso aqui!

Benjy cedeu o taco para Marlene, que o usou para rebater um balaço na direção das arquibancadas, na direção de Severus.

– Eu já volto! – ela comunicou a Benjy e voou para as arquibancadas.

Quando chegou perto de Severus, Marlene viu que ele a olhava como se ela estivesse louca; o que não era para menos, já que ela havia atirado o balaço nele.

– Creio que atirar balaços em mim não faz parte do nosso acordo, querida – reclamou ele.

– Tratar mal a minha prima também não, amor! – ela rebateu o comentário a altura, perguntando nervosa: – O que aconteceu? Por que Dorcas saiu correndo daqui?

– Não foi nada, querida – Severus respondeu cínico. – Algumas pessoas apenas não aceitam ouvir a verdade de vez em quando, eu não sabia que a sua prima era uma dessas pessoas...

– O QUE VOCÊ DISSE A ELA? – Marlene gritou, exigindo saber.

Mas antes que ele pudesse responder qualquer coisa, ouviu-se chamados do campo:

Lene! Volte pra cá!

É, vem treinar com a gente!

Ô Marlene, qual é? Você veio treinar ou ficar namorando?

Marlene não viu quem tinha feito a última pergunta, mas usaria isso como desculpa. Afinal, não ia conseguir se dedicar a treino nenhum sem saber o que tinha acontecido entre sua prima e seu "namorado". Então girou o corpo em cima da vassoura, na direção do grupo e comunicou num grito:

– O TREINO ACABOU!

Marlene não teve tempo de ouvir algumas reclamações feitas pelos colegas; desceu da vassoura, se sentou ao lado de Severus na arquibancada e repetiu a pergunta, um pouco menos furiosa:

– O que você disse a ela? – ela voltou a indagar. – O queaconteceu?

Severus suspirou impaciente.

– A sua prima veio nos convidar para uma festa que oPottervai fazer para oBlack– explicou ele, contorcendo o rosto com desprezo. – E elanão gostouquando eu disse que nós não iríamos a essa festa em hipótese alguma.

Quando processou as informações que recebera dele, Marlene também piscou.

– Espera aí! Vocêresolveuque eu não ia a essa festa, assim, sem nem falar comigo? – ela perguntou como se não acreditasse.

– Óbvio que sim – Severus respondeu com tranquilidade. – Eu não vou a essafestinhade monitores que Potter resolveu fazer para animar Black. E sem mim você também não vai!

– Mas se a festa é para o Sirius também, é claro que a gente tem que ir! – ela contra-argumentou. – Pra ele ficar por baixo de novo! Mas agora que você já disse que a gente não vai... – disse ela, num muxoxo. – Poxa, Severus! Você deveria estar me ajudando!

– Mas acredite, eu estou – contrapôs ele. – Você nunca abriu mão de nada, nem da sua liberdade por causa de Black; sempre foi independente. O que acha que ele vai pensar quando souber que você só não foi a essa festa porqueeunão deixei?

Marlene ponderou por um momento. Não tinha certeza se era só isso mesmo, mas resolveu acreditar no que Severus disse em relação à festa. O que a preocupava ainda era a atitude de Dorcas.

– É, acho que você tem razão – concordou ela. – Mas foipor isso que a Dorcas saiu correndo? Porque você disse que eunão iaà festa?

– Claro que sim – ele disse sem sinceridade.

Mas Marlene não se convenceu. Nunca tinha visto sua prima agir daquela forma.

– Mentira! – ela exaltou-se. – A minha primanuncaia sair daqui daquele jeito se fosse só isso! O que você disse a ela?

– Eu já disse que não foi nada de mais – Severus sustentou a mentira –, ela ficou revoltada com a minha resposta, apenas isso.

Marlene ainda não tinha se convencido, mas decidiu que não ia mais discutir comele.

– Ok – ela disse. – Sevocênão vai me contar, aDorcasvai! – e se levantou num pulo.

Severus também se ergueu e segurou o braço dela.

– Espere, você não me dar as costas assim! – ele disse com autoridade.

– É claro que eu vou! – ela respondeu segura, soltando-se dele agitada. – Você passou dos limites se destratou a minha prima!

Ele deu mais um sorrisinho debochado.

– Pois saiba que asua primanão merece nem um terço da sua defesa! – ele disse sério e ela percebeu isso.

– Epor quenão? – ela não entendeu.

Por um momento, Severus até pensou em contar alguma coisa que sabia de Dorcas. Mas preferiu não fazer isso e utilizar aquela informação em outro momento.

– Porque ela é umagrifinória –ele disse simplesmente. – E grifinórios não merecem defesa!

Marlene ficou ainda mais exasperada com aquelas palavras.

– Ah, foda-se você! – disse ela, nervosa. – Eu vou falar com a minha prima você querendo ou não! E se quiser, não precisa nem olhar mais na minha cara depois disso! Mas – assinalou ela – dependendo do que vocêdisse a ela, talvez sejaeuque não queira mais olhar prasuacara!

– Vá em frente, querida – ele disse, como se de fato não se importasse.

Marlene não respondeu e deixou o campo a passos largos. Não podia fazer diferente. Afinal, se Severus tinha ofendido Dorcas de alguma forma, ela ia querer saber o porquê. Enquanto seguia para dentro do castelo, sem se importar em trocar as vestes do uniforme de Quadribol, ela se deixou invadir por um tipo de angústia repentina e desesperada: e se com essa atitude, ele realmente não quisesse mais ajudá-la em seus planos? Ela decidira tudo tão rápido, num reflexo. Nem pensou no que iria fazer caso Severus não quisesse mais continuar com ela. Na verdade, a ideia de que ele poderiadeixá-laa despedaçava quase que completamente. Mas ela tentou fugir desse pensamento e voltou a se concentrar em Dorcas: suafamíliavinha em primeiro lugar.

Ela chegou à Torre da Grifinória rapidamente e para sua sorte, a Mulher Gorda chamou a própria Dorcas para recebê-la na porta. Surpresa, a grifinória convidou a prima a entrar e quando elas se sentaram lado a lado no sofá, a corvinal logo iniciou os questionamentos.

– Você sabe, né, porque eu vim aqui... – Marlene começou sem jeito. – Eu vi o jeito como você saiu do campo e eu queria que você me contasse o que aconteceu, o que oSeverusfalou pra você...

Sem que a prima pudesse perceber, Dorcas deu um suspiro de alívio; Marlene parecia não saber de seu "segredo não tão secreto". Então improvisou rapidamente.

– O seu namoradoofendeuo meu, Lene – ela disse depressa. – Ele se referiu ao Remus como "lobo",e eu não pude admitir isso. Na verdade, acho que você também não deveria admitir que Snape falasse assim dos seus amigos – e começou sua campanha negativa contra o sonserino: – É por isso que você tem que terminar com ele, você tem que terminar esse namoro o quanto antes!

Marlene ficou surpresa com a reação de Dorcas. Não esperava que a prima fosse se chateartanto.

– Espera um pouco! – ela pediu. – É óbvio que eu não concordo que Severus tenha se referido a Remus dessa forma, mas eu não vou terminar com ele por causa disso!

– Ele não serve pra você! – Dorcas voltou a insistir. – Se ele não respeita nem os seus amigos, se ele não tem capacidade de respeitar oproblemados outros, então ele não serve pra você, definitivamente!

Marlene então segurou as mãos da prima.

– Dorcas... – começou ela. – Eu até poderia falar com o Severus, pra ele te pedir desculpas... Mas como eu sei que ele não vai fazer isso, eu peço desculpas no lugar dele. Você me perdoa?

A grifinória adiantou-se, abraçando a prima.

– Claro, prima. A culpa nem é sua – ela disse. – Mas pense no que te falei! – pediu Dorcas. – Hoje, eu pude perceber que Snape não gosta de você, e que eu realmente não entendo porque vocês estão juntos!

Marlene afundou com aquelas palavras, sem saber o que dizer.

– Acho que ele tem uma maneiradiferentede mostrar que gosta de mim... – ela improvisou. – Algo que só eu entendo...

Mas Dorcas ainda insistia:

– E que jeito estranho é esse de gostar? Te proibindo de fazer tudo, te isolando de todo mundo... – ela ressaltou. – Isso não pode ser amor, nem nada parecido...

– Mas ele tem razão sobre a festa – Marlene mentiu e Dorcas piscou, chocada. – Se é uma festa paraSirius,nós não temosporqueir...

– Lene, a festa não ésomentepara Sirius! – Dorcas disse indignada e estendeu o braço até a mesinha de centro, pegando um convite e dando para a prima. – Olhe o que está escrito: "Monitores, Convidados e Amigos"... Nós não estamos fazendo distinção nenhuma aqui!

Mesmo contra a sua vontade, Marlene continuou mentindo.

– Mas de qualquer forma, eu não vou me indispor com Severus por causa disso – afirmou ela. – Se ele não quer ir, e acha melhor que eu também não vá, eu vou respeitar a decisão dele.

– Tudo bem então – Dorcas concordou por fim, sem ênfase. – Mas por favor, Lene:penseno que eu te falei.

– Vou pensar – concluiu Marlene, arrancando um meio sorriso da prima. – Acho que eu já vou indo então – e num pulo ficou de pé, seguida por Dorcas.

A grifinória levou a prima até a porta, e assim que abriu a mesma, levou um susto: Severus se encontrava do outro lado do corredor, a pouca distância delas. Marlene também ficou surpresa ao vê-lo ali; ele e Dorcas se encaravam com um misto de frustração e desafio em suas expressões.

– Até mais, prima – disse a grifinória, e sem esperar qualquer resposta, bateu a porta. A Mulher Gorda resmungou algo como "Estúpida!" e depois voltou ao que estava fazendo: absolutamente nada.

E apesar da confusão em que sua mente se encontrava, Marlene caminhou até onde Severus estava e perguntou:

– O que está fazendoaqui? – indagou ela.

O rosto dele continuava calmo, impassível quando Severus respondeu:

– Não foi difícil imaginar que você tinha vindo pra cá... – ele admitiu e então começaram a andar para longe dali.

– Mas se você tivesse me contado o que houve, talvez eu nem precisasse ter vindo! – reclamou Marlene. – Eu quase fiz papel de idiota!

Querendo saber qual tinha sido a justificativa da grifinória, Severus apenas perguntou cínico:

– E então? Meadowes te contou qual foi o meu crime?

Já mais calma, Marlene suspirou fundo.

– Ela ficou muitochateadapor você ter se referido ao Remus como "lobo" – respondeu ela, acrescentando séria: – E eu também não gostei disso, tá? Não acho legal você falar dele como se ele fosse uma aberração; ele é meu amigo, meumelhoramigo. Acho que você podia pedir desculpas...

De novo, ele não suprimiu um sorrisinho de deboche.

– Acho que vocêsabeque eu não vou fazer isso – ele comunicou.

– Eu sei que não – concordou ela. – Mas eu ainda tinha uma esperança...

Mal disse essas palavras, Marlene ficou pensativa de repente. Se Severus estava ali,falandocom ela, então isso significava que ele não tinha desistido da vingança... nemdela.

– O que houve? – ele perguntou, percebendo que ela estava distante.

– Sabe, é que se você está aqui... – Marlene o olhou enquanto respondia – ... então você ainda quer olhar pra minha cara, né?

Severus entendeu aonde ela queria chegar.

– Na verdade, eu achei que não seriainteligente– ele disse com perspicácia – terminar com você ao primeiro desentendimento que tivéssemos...

Marlene sorriu, satisfeita com o raciocínio dele. Realmente seria uma idiotice terminar o "namoro de mentira" na primeira briga.

– Desculpe, ok? – pediu ela, sem graça. – Eu exagerei mesmo. Mas é que eu sou do tipo"faça o que quiser comigo, mas não se meta com a minha família"... E eu fiqueimuito bravaquando pensei que você tinha ofendido a Dorcas...

Severus a olhou, sério.

– Quantas vezes eu ainda vou ter que lhe dizer para não pedir desculpas? – perguntou ele, com um pouco de impaciência na voz.

– Todas que eu esquecer! – replicou ela, irritada.

Severus viu que, apesar de mais calma, Marlene ainda tinha uma pontada de irritação no rosto.

– Está chateada por causa dafestinhado Black? – ele quis saber.

– É queantesde ser uma festa para Sirius – ela contrapôs –, é uma festa paranós,osmonitores.

Ele a encarou por um breve segundo.

– Essa droga dessa festa... é tão importante assim pra você? – Severus perguntou de repente.

– Só acho que serialegalse a gente fosse... – disse Marlene, sem nenhuma expectativa; e então se surpreendeu completamente com a resposta dele.

– Tudo bem – ele concordou, ainda que mal-humorado. – Então nósvamosa essa festa.

Marlene sorriu, sem acreditar. Mas antes que pudesse falar alguma coisa em agradecimento, Severus a interrompeu de novo:

– Mas não conte a ninguém que eu mudei de ideia – ele determinou. – Vamos deixar que aqueles grifinórios tenham umagrandesurpresa...

SSMMSSMMSSMM

Notas finais
Alguém faz ideia do que seja o segredinho da Dorcas? RSRSR
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!