Muito Bem Acompanhada

22 Melhor Impossível


Notas iniciais
Agradecimentos: À Lissa Santos que fez uma linda recomendação da fic e às leitoras Lissa Santos, CatherineMasen, Lily_pwg, kb_gsr, Gisele_Potter e Elizabeeeth que comentaram o Capítulo 21! Obrigada! Os comentários de vocês e as recomendações significam muito pra gente, de verdade!
Resumo do Capítulo: O relacionamento de Marlene e Severus continua muito bem, melhor impossível. Mas até quando?

– CAPÍTULO VINTE E DOIS –

MELHOR IMPOSSÍVEL

Uma semana depois...

Marlene acordou com a sensação dos lençóis macios roçando sua pele nua e abriu os olhos bem devagar. Ficou observando a tênue claridade que se filtrava pelas frestas da cortina do quarto, enquanto trazia a mente imagens dos momentos que tinha vivido com Severus na última semana.

Aquilo era o paraíso. Melhor impossível.

Aqueles dias haviam sido os melhores de toda a sua vida: estava tudo azul, tudo verde, tudo amarelo, tudo rosa... Sua vida havia se tornado um arco-íris multicolorido. Nos últimos dias não havia chuva, sol... Nada parecia lhe afetar, afetar o seu estado de espírito; saber que encontraria refúgio nos braços de seu namorado era uma espécie de bálsamo que refazia todas as suas forças. E também a deixava exausta, às vezes.

Marlene já nem se lembrava mais da vingança, a vingança pela qual tudo começara. Ela estava feliz, feliz, feliz... Feliz como nunca e isso tinha nome e sobrenome:Severus Snape, o seu... namorado. Namorado, mesmo; agora sim ela podia dizer isso com toda certeza. Era difícil definir o relacionamento que tinham até então, mas sim, ele era a causa do sorriso bobo em seu rosto, o qual iria ser mais uma bofetada na cara de determinada pessoa quando voltassem a Hogwarts.

"Hogwarts!" – suspirou ela, inconformada.

Ah, se pudesse ficar deitada ali para sempre, sentindo-se completa e feliz... Mas não podia. Os feriados estavam acabando e com a chegada do Ano Novo, ela e Severus teriam que voltar a Hogwarts no dia seguinte. Então decidiu que iria aproveitar cada minuto daquele último dia, até o fim.

Um meio sorriso moldou os lábios de Marlene quando ouviu o barulho do chuveiro ligado e mais um sorriso se fez quando ela constatou: Severus estava no banho – já que ele sempre acordava antes dela. Ela então se levantou da cama e caminhou completamente nua até o banheiro, com passos leves como os de um gato. Quando por fim abriu a porta, deparou-se com a sombra do corpo de seu namorado atrás do box.

Marlene se aproximou , admirando toda aquela volúpia e então abriu a porta do box de uma só vez. Os olhos negros de Severus a fitaram em silêncio e por um instante pareceram surpresos, mas não por muito tempo. Ela adentrou o box junto a ele e sem mencionar qualquer palavra, uniu seus lábios aos dele, envolvendo ambas as mãos em sua nuca, sentindo a água quente do chuveiro aos poucos molhar todo o seu corpo. Ela afastou-se parcialmente, tendo a ligeira impressão de que aquilo já tinha acontecido antes, nos seus sonhos talvez, mas não teve tempo de se concentrar nisso: os olhos dele queimaram de desejo antes de tomar-lhe os lábios mais uma vez, sôfrego, quente, exatamente do jeito que ela queria. Tão logo, as mãos grandes dele subiam por suas costas e seus corpos molhados se entrelaçavam um no outro.

Enquanto a beijava, as mãos de Severus começaram a acariciar os seios de Marlene, fazendo aumentar o prazer crescente dela; uma de suas mãos acariciava o seio direito e a outra começou a descer carícias pelo ventre sedoso, fazendo o estômago dela dar um salto por causa do toque; a mão desceu mais e ele começou a tocar-lhe as coxas suavemente, deixando-a louca de desejo, sentindo-a arfar de prazer, até que seus dedos escorregaram agilmente para dentro dela.

Marlene sentia o prazer que a invadia com o toque dos dedos dele, e via os olhos negros estampados de puro desejo; involuntariamente, sua mão desceu até o membro dele e o segurou com força, ora acariciando, ora movimentando a mão para cima e para baixo, alternando entre rápido e devagar. E quando Marlene não mais aguentou tocá-lo somente, exigindo-o dentro de si, Severus pareceu ter lido sua mente e a ergueu pelos quadris; ela prendeu as pernas em volta da cintura dele, buscando apoio. Ele então a prensou contra o azulejo frio e a penetrou, fazendo-a dar um alto gemido de prazer, gesto esse que foi repetido por ele.

Durante o ato, Severus a beijava cheio de desejo; seus lábios desciam com mordidas leves, do rosto para o pescoço de Marlene. Em seguida, ele afundava o rosto entre os seios dela para estimular os mamilos rijos com a língua, aumentando ainda mais o seu prazer; ela, por sua vez, lhe dava mordidinhas no lóbulo da orelha e no pescoço, alternando a carícia com beijos molhados e ardentes, fazendo-o ir mais rápido em suas investidas. A água do chuveiro estava ficando insuportavelmente quente e o perfume do sabonete sequer era sentido; de repente, Marlene sentiu a aceleração dos batimentos e da pulsação, e todos os músculos de seu corpo se contraindo juntos; um arrepio intenso atravessou seu corpo no momento do orgasmo e a sensação de entrega veio no mesmo instante em que ele gozou.

Severus saiu lentamente de dentro dela, que ainda teve forças para dar um pequeno gemido. Ele também respirava com dificuldade, mas não parou de beijá-la enquanto a fazia firmar os pés no chão novamente; Marlene se agarrava a ele como se estivesse a ponto de cair. Ela se encontrava num estado de êxtase tão grande, que não conseguia mais pensar, mergulhada no prazer que ele havia lhe proporcionado.

– Ótima forma de começar o dia – Severus debochou num sussurro ao ouvido dela, fazendo-a enrubescer, e afastou-a de si delicadamente, para que pudessem respirar melhor.

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Mais tarde, após o almoço, Eileen decidiu voltar para casa e Severus e Marlene também resolveram passar aqueles últimos momentos do feriado em Spinner's End. Na despedida, Lorraine ainda seguia inconformada.

– Tem certeza, Eileen? – Lorraine insistiu, e depois olhou para Marlene e Severus: – Vocês ainda podem aproveitar um pouco mais a casa, a praia...

– Eu preciso ir mesmo – disse Eileen num suspiro. – Eu sempre visito o túmulo do meu marido no primeiro dia do ano...

– Ah... – disse Lorraine, ainda inconformada, mas decidiu respeitar a decisão da amiga. – Tudo bem, então! Mas saiba que a minha casa também vai estar sempre aberta para você!

Com um abraço, elas se despediram e sucessivamente, Mark, Mike e Tanya se despediram de Eileen, Marlene e Severus, antes que eles desaparecessem entre as chamas esverdeadas.

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Assim que chegaram a Spinner's End, Eileen logo saiu para visitar o túmulo do marido, exatamente como fazia todos os anos. Severus, por sua vez, não acompanhou a mãe; preferiu levar Marlene para fazer uma excursão em sua humilde residência.

– Não se parece em nada com o quarto que tem no barco do seu pai – disse ele, logo que entraram em seu quarto –, ou tampouco com o seu próprio quarto, mas...

Marlene o interrompeu:

– Eu já estive aqui – disparou ela, surpreendendo-o completamente.

– Quando? – ele forçou-se a perguntar.

– Quando a minha mãe veio aqui, Severus! – ela respondeu naturalmente e perguntou com graça: – Onde você acha que eu tomei banho?

Mas ele ficou sério de repente.

– Você não disse que esteve nomeuquarto – disse ele, em tom seco.

Ela percebeu a contrariedade dele.

– Mas eu não mexi em nada, juro! – ela interpôs depressa. – Eu só peguei uma manta, e só porque eu estava com frio, me desculpe...

Severus odiava quando Marlene pedia desculpas, principalmente sem motivos como agora. Ele então a puxou para si, enlaçando-a num abraço e ergueu o rosto dela, para dizer olhando diretamente nos olhos castanhos:

– Eu já disse que não quero que você peça desculpas por nada – disse ele, numa firmeza que chegou a assustá-la. – E não me importo com a manta que você pegou na minha cama – ele prosseguiu, agora num tom malicioso –, pois tenho certeza de que quando esteve aqui, você imaginou tudo que podemos e vamos fazer nela...

Marlene riu, ruborizando de repente; realmente, ela não tinha pensado nisso quando estivera ali, mas agora parecia uma excelente ideia. Ela não pôde evitar olhar para a cama sem pensar nos dois ali, naquela cama de solteiro, Severus possuindo-a naquele ambiente só dele, e depois ter que dormir agarrada a ele, sentindo o corpo quente dele envolvendo-a após uma noite tórrida de prazer. Por um momento, ela achou que talvez estivesse sendo desprendida demais nesses últimos dias: dormia pensando em sexo e acordava pensando em sexo. Ainda mais agora, que tinham conhecido e se acostumado um com o ritmo do outro, não havia hora nem lugar; todo o tempo em que não estavam na presença de alguém da família, fora preenchido dessa forma. Porém, ainda permitindo um que um rápido lapso de racionalidade transitasse por sua mente, ela deixou-se dizer:

– Imagina o que a sua mãe vai pensar de mim se ouvir uma coisa dessas? – ela protestou. – No mínimo, que eu sou uma aproveitadora, que estádesvirtuando o seu filhinho...

– Não, a minha mãe não pensaria isso nunca, ou talvez pudesse pensar o contrário – debochou Severus. – Mas você está se esquecendo de um detalhe...

– Qual? – Marlene voltou-se a ele confusa.

– Ela não está em casa – disse ele, antes de tomar-lhe os lábios num beijo ávido.

Marlene retribuiu o beijo da mesma forma, suas línguas se acariciando na mais pura tentação: ela podia sentir as mãos de Severus deslizando por suas costas, forçando seu corpo contra o dele, numa carícia sensual e irresistível. Aqueles beijos ousados faziam crescer nela as sensações mais incríveis, as vontades mais impossíveis; ela o queria dentro de si naquele momento, mas infelizmente, nem tudo é como se quer.

Otoc tocirritante das bicadas de uma coruja no vidro preencheu o silêncio do quarto de Severus. Ele se afastou de Marlene e se dirigiu impaciente até a janela. Aproximando-se da imensa coruja marrom que o olhava, ele a reconheceu: era a coruja de Mulciber. Ele arrancou uma carta presa à pata do animal, e em seguida, observou-a voar pela janela afora. Certificando-se que estava suficientemente longe dos olhos de sua namorada, ele retirou a carta do envelope para ler o que estava escrito.

Borgin & Burkes

15 horas.

Esteja lá.

M.

"O Lorde das Trevas!" – Severus pensou assim que terminou de ler a carta e a mesma pegou fogo numa autodestruição junto ao envelope.

A pergunta de Marlene o despertou.

– O que foi isso? – indagou ela visivelmente assustada, aproximando-se dele.

– Nada importante – mentiu ele, voltando-se a mala para pegar uma capa e jogou-a sobre os ombros. – Eu volto em instantes.

Mas ela não aceitou aquilo como resposta; cruzou os braços parando na frente dele numa postura defensiva e voltou a perguntar:

Nada importante? – repetiu Marlene, séria. – Então por que você vai sair? E, aliás:aondevocê vai?

Severus decidiu não perder tempo em iniciar uma possível discussão e improvisou:

– Ao Beco Diagonal, falar com meus amigos – explicou ele, omitindo o detalhe de que encontraria esses amigos na Travessa do Tranco e ainda por cima na Borgin & Burkes.

– E você vai me deixarsozinha? – Marlene replicou desapontada, apelando: – Por acaso vocêesqueceuo que me disse sobretudo que podemos e vamos fazer nela...? – indagou ela, apontando para a cama dele.

– Não, claro que não – garantiu Severus num meio sorriso, aproximando-se dela novamente e enlaçando-a num abraço. – Mas haverá tempo para isso depois; agora eu realmente preciso sair – e para desarmá-la finalmente, ele acrescentou: – E você pode vir comigo se quiser...

Marlene o olhou desconfiada, mas não viu nada de errado naquilo.

– Tudo bem – concordou ela. – Eu vou – e pegando mais um casaco, ela voltou-se a ele novamente, quando desceram até a lareira com o propósito de usar a rede de flu que levava ao Caldeirão Furado.

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Quando Marlene e Severus chegaram ao Beco Diagonal, ela percebeu que ele começava a andar rapidamente em direção à Travessa do Tranco. Ela pensou em dizer alguma coisa para detê-lo, mas tarde demais; já estavam a poucos metros dali quando ele parou de andar bruscamente.

– Severus, o que estamos fazendo aqui na...? – ela tentou perguntar, mas foi cortada.

– Marlene – começou ele –,eu seique você adora esportes... Então por que você não vai dar uma olhada na Artigos de Qualidade para Quadribol?

Marlene olhou para Severus confusa pela segunda vez, percebendo que acontecia alguma coisa errada, mas nem conseguiu protestar, já que logo atrás dele surgiram Avery e Mulciber, a quem mais uma vez ela não conseguiu encarar diretamente; desviando os olhos do olhar hostil que recebera dele, ela se voltou ao namorado.

– Euvou– ela sussurrou inconformada. – Você vai demorar?

– Não sei ainda – ele disse com sinceridade.

– Me encontre lá na loja depois, então – pediu Marlene, depositando-lhe um beijo rápido nos lábios e sem mais palavras, afastou-se de Severus, seguindo rapidamente pela rua de pedras em direção à loja mencionada.

Assim que perderam Marlene de vista, Avery comentou baixinho:

– Não vai ganhar nada trazendo a McKinnon com você...

– Não é o que eu vouganhar, Avery – Severus respondeu firme. – Mas o que eu não posso perder...

Mulciber bufou irritado.

– Você só vai nos causar problemas trazendo essafilhote de Auror, Snape! – ele disse sério.

Severus lhe dirigiu um olhar mortal antes de responder.

– Primeiro:não –a – chame –assim –ele disse pausadamente, mas num tom frio e ameaçador que fez o outro recuar na mesma hora. – Segundo: eu a trouxe comigo exatamente para que ela não desconfie de nada; sendo assim,garanto que ela não vai nos causar problemas...

Mulciber deu de ombros.

– Independente da presença dafilhote –ele disse em tom de provocação –, Malfoy está nos esperando. Vamos logo, ele trouxe informações sobre os planos que o Lorde das Trevas tem para nós – e seguiu passando a frente de Severus e Avery, que o seguiram até a Borgin & Burkes.

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Enquanto isso, Marlene olhava entediada para as vassouras da loja. Ela adorava visitar a Artigos de Qualidade para Quadribol sempre que passava pelo Beco Diagonal, mas hoje não estava nem um pouco feliz por estar ali. Mas ela nem poderia se sentir diferente, sabendo que seu namorado estava com os amigos fazendo sabe-se lá o quê dentro da Borgin & Burkes; na verdade, ela tinha medo só de pensar no que realmente estaria acontecendo naquela loja de artefatos negros.

Ela ainda seguia perdida em suas reflexões quando uma voz impertinente soou as suas costas.

– Pretendendo trocar de vassoura?

Marlene nem se abalou. Ainda de costas, ela respondeu tranquila:

– Na verdade não, Sirius – e só então se voltou a ele para encará-lo. – Eu adoro a minha Nimbus 1500, está muito bem conservada. Como vai?

Sirius demorou uns vinte segundos para responder; estava admirado: Marlene nunca parecera tão linda, tão...bem. E ele disse isso a ela:

– Você parece bem – foi o que ele conseguiu responder, deixando escapar uma conclusão particular: – Muito bem.

– Obrigada – ela limitou-se a responder educadamente, e um tanto curiosa perguntou: – Mas... o quevocêestá fazendo aqui?

– Eu segui Regulus e o vi indo para a Travessa do Tranco... Quando voltei, e vi você aqui, resolvi entrar... Mas você não está aqui pelo mesmo motivo? – ele indagou confuso, e ela percebeu que algo lhe fugia do conhecimento.

– Do que está falando? – Marlene quis saber.

– A Dorcas – Sirius respondeu direto. – A sua prima voltou do Brasil hoje, então viemos todos com o Remus até o Caldeirão Furado para recepcioná-la... – e surpreso de que ela ainda não soubesse, ele indagou: – Você não sabiamesmo?

Marlene também ficara surpresa.

– Não – respondeu ela sinceramente –, eu estive na praia todos esses dias e só hoje que eu e Severus resolvemos sair...

Ao ouvir aquele nome, Sirius torceu o nariz.

– Então ele está aqui também? – a pergunta dele foi inevitável e ele mesmo respondeu: – Se está, pelo visto não com você... Na Travessa do Tranco? Numa conspiração, talvez?

Marlene não estava gostando do rumo daquela conversa, mas também não queria discutir.

– Olhe Sirius, eu acho melhor você ir embora – ela pediu com um nervosismo aparente. – Acho que você se lembra do que aconteceu da última vez que Severus...

Mas ele não a deixou terminar a frase.

– Eu vou – ele assegurou, porém quis saber: – Mas antes, me responda uma coisa: ele falou mesmo com o seu pai?

– O quê? – ela não entendeu.

– Snape falou mesmo com seu pai no Natal? – Sirius explicou.

– Ah... – Marlene voltou a si, improvisando o que ela achava que era mentira: – Ele falou, sim. Por quê?

Sirius deu um suspiro angustiado.

– Então agora você tem certeza que... – ele hesitou, como se não tivesse coragem de continuar – quero dizer... acha mesmo que ele ama você?

Marlene então ficou sem palavras. Não sabia o que responder, e muito menos oporquêde Sirius estar lhe fazendo aquela pergunta, assim de repente.

E, realmente, o queissoimportava?

Na casa de praia, ela tinha vivido com Severus os melhores momentos de sua vida, mesmo que eles nunca houvessem tocado num "Eu te amo". Estavam bem assim, apenas vivendo o melhor possível do que sentiam e afinal, não era isso o que todos diziam, que um gesto vale mais do que mil palavras?

– Eu acho... que isso não é problema seu –Marlene respondeu, pouco amistosa agora. – Mas saiba que eu estou muito feliz com ele, feliz como nunca estive antes – e acrescentou vitoriosa: – E éissoo que realmente importa.

Percebendo que ela ficara abalada, Sirius insistiu:

– Entãovocêo ama?

Antes que Marlene pudesse pronunciar qualquer palavra, ela olhou pela janela, vislumbrando Severus avançar pela rua de pedras e suspirou aliviada por não ter que responder.

– Diga que eu mandei abraços a todos – ela disse, afastando-se de Sirius depressa e indo em direção à porta. – Tchau, Sirius.

Ele viu que Marlene olhava pela janela, e percebeu qual era o motivo da pressa; então correu até ela e segurou seu braço numa atitude desesperada.

– Ama? – ele voltou a insistir, mas não teve a resposta que queria.

– Amo! – Marlene gritou num reflexo, desvencilhando-se dele. – Mais do que tudo na minha vida! – completou ela, antes de sair correndo pela porta afora.

"Não ama!" – ele concluiu, satisfeito pelo modo exasperado como ela respondera.

Sirius sorriu ainda mais satisfeito ao pensar que existia uma chance, ainda que remota. Chance a qual ele só teria se contasse a verdade a Marlene. E então, como se só agora percebesse o tempo que perdera, ele quis bater a cabeça na parede tamanha raiva de si mesmo: tivera mais uma oportunidade de contar a verdade a ela e mais uma vez a perdera, não só a oportunidade, mas também aela...

Foi o que ele constatou e o sorriso triunfante sumiu de seu rosto assim que observou através da janela a seguinte cena: Marlene atirando-se quase que com desespero nos braços de Severus e beijá-lo como se estivesse temerosa de perdê-lo, temerosa de perder o seu bem maisprecioso.

"Talvez eu tenha me enganado..." – Sirius pensou novamente, e agora essa era a sua certeza.

Momentos depois, Marlene e Severus seguiam pela rua de pedra sem imaginar que não estavam mais ao alcance dos olhos de Sirius, tampouco de outras pessoas. Ele então a relaxou do abraço, notando que ela estava nervosa e perguntou com tranquilidade:

– Por que está tão agitada? – indagou Severus.

– Por causa de você! – Marlene respondeu impaciente, o que não era de todo mentira, já que também não tinha coragem de mencionar naquele momento a conversa inflamada que tivera com Sirius na loja de vassouras. – Acha que eu não fiquei preocupada por ver você e os seus amigos indo para a Borgin...?

Severus a interrompeu:

– E você acha mesmo que se houvesse alguma coisa errada, eu teria lhe trazido junto comigo?

– Eu não sei, você não me... – ela tentou protestar, mas novamente foi interrompida:

– Foi só uma conversa entre amigos, não precisa se preocupar – ele assegurou, tentando demonstrar confiança no que falava; percebendo que Marlene continuava agitada, ele acrescentou: – De qualquer forma, já estamos voltando para a minha casa, está bem?

Marlene assentiu com a cabeça em conformidade, mas realmente não se sentia bem com aquela situação. Suspirando fundo, ela tentou se acalmar enquanto eles voltavam abraçados para o Caldeirão Furado. E ela nem ficou surpresa quando viu sua prima Dorcas cercada dos amigos, nem quando a mesma gritou alguma coisa inconformada, ao vê-la passando com Severus em direção a rede de flu sem lhes dispensar qualquer atenção.

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Já era noite em Spinner's End quando retornaram. E mal eles deram dois passos fora da lareira, Severus voltou-se a Marlene e tomou as mãos dela entre as suas parecendo preocupado.

– Não comente nada com a minha mãe sobre a Travessa do Tranco, por favor – ele pediu com urgência.

Marlene ergueu os olhos para ele, parecendo surpresa e também desconfiada. Severus estava lhe pedindopor favor? E ainda:por queela não podia contar?

Por quê? – ela perguntou, já com desaprovação na voz.

Severus respondeu com outra pergunta.

Promete? – ele insistiu quase numa súplica.

Marlene o olhou temerosa e parou por um segundo para pensar. Sabia que ele andava perturbado com o comportamento dos amigos e quanto ao próprio comportamento em relação às Artes das Trevas. Mas também não queria que ele tivesse algum problema com a mãe e mesmo contra a sua vontade, ela respondeu:

– Tudo bem,prometo –garantiu ela, porém sem disfarçar a contrariedade. – Da minha boca não vai sairnada.

– Tenho uma ideia melhor para essaboca– ele disse malicioso e logo em seguida puxou-a para si num beijo ardente.

Aquele beijo provocava nela todas as emoções possíveis e imagináveis. Severus sempre despertava o lado impulsivo de Marlene com as sensações que provocava nela; ela queria que ele a levasse de volta para o quarto e fizesse as prometidas e mais insanas loucuras com ela. Porém, eles tiveram que reprimir essa ideia e se afastaram com relutância, assim que a voz de Eileen soou nas escadas:

– Que bom que voltaram! – exclamou Eileen, acrescentando em tom de advertência: – Eu não vi vocês quando cheguei, fiquei preocupada. Por que não avisaram que iam sair?

Severus tomou a palavra rapidamente.

– Resolvemos isso de ultima hora, mãe – ele disse. – Marlene quis ir ao Beco Diagonal comprar uma vassoura nova...

Euquis? – Marlene voltou-se a ele interrogativa, sem conseguir sustentar aquela mentira. – É, eu quis sim.

Eileen os interrompeu novamente:

– E onde está? – ela perguntou curiosa, olhando para Marlene.

– O quê? – Marlene não entendeu.

– A vassoura nova? – Eileen voltou a perguntar num sorriso.

Marlene então deu um sorriso fino, angustiado, e olhou para Severus enquanto respondia:

– Eu não vinadaque me agradasse, dona Eileen – disse ela, séria. – Nadamesmo.

Eileen achou a situação cheia de subentendidos e só olhou para Severus, como se já soubesse que se passava alguma coisa errada. Porém, sem querer insistir naquele clima de conflito, ela apenas anunciou:

– O jantar está pronto – ela disse cordialmente. – Vamos?

Ninguém se opôs e logo os três seguiram juntos para a sala de jantar e o mesmo foi servido a uma mesa incrivelmente silenciosa.

###

Após o jantar, a noite se arrastou vagarosamente, já que apesar da cordialidade de Eileen, Marlene e Severus não conseguiram manter uma conversa; tão logo, eles decidiram ir dormir, já que no dia seguinte teriam que voltar a Hogwarts.

Tinha sido um dia estranho, e Marlene ainda seguia incomodada com a situação que se passara no final da tarde e as mentiras que dissera a Eileen. E chegou à conclusão que era umapéssimamentirosa. Porém, ela nem conseguiu pensar muito sobre isso, pois assim que pisaram no quarto, ela foi completamente surpreendida pelas mãos hábeis de Severus percorrendo-lhe o corpo.

Severus sabia o quanto Marlene estava se sentindo mal com aquela situação, e sem pensar em mais nada a não ser na vontade urgente de tocá-la, se aproximou dela. Para distraí-la do que a atormentava e a si mesmo, acariciou-lhe o rosto, o pescoço, os seios e a beijou com um desejo incontido, mais forte do que qualquer razão; aproveitando a hesitação dela, ele prensou-a contra a parede, deixando-a sem saída.

A compreensão do que estava acontecendo chegou rapidamente à mente dela. Alguns poucos instantes de hesitação prenunciaram a reação indignada, quase furiosa de Marlene, que, quanto mais se esforçava para se desprender do corpo de Severus, que a mantinha quase imóvel, mais sentia crescer a intensidade das carícias sensuais que ele lhe fazia.

– Eu não quero! – Marlene quase gritou, afastando-o de si com firmeza. Ajeitando suas vestes, ela o olhou com um misto de desafio e mágoa.

Mantendo-se distante dela, Severus viu a expressão atormentada de Marlene.

– Por quê? – ele limitou-se a perguntar.

Marlene então lhe respondeu a verdade.

– Eu não gostei do que aconteceu antes do jantar – ela disparou angustiada, acrescentando num sussurro raivoso: –Você me fez mentir pra sua mãe!

Tentando amenizar a situação, e, temendo o rumo perigoso que aquela conversa poderia tomar, Severus disse:

– Não foi exatamente uma mentira, Marlene – ele interpôs, afinal para ele, aquilo fora somente uma omissão. E concluiu: – De qualquer forma, agradeço por não ter mencionado nada sobre...

Marlene voltou a interrompê-lo:

– Eu prometi que não ia contar e não contei. Maspor que,Severus? – Marlene exigiu saber. –Por queela não podia saber? O que aconteceu realmente?

Severus contraiu o rosto e crispou os lábios numa expressão de raiva impotente.

– Minha mãe não é tãotolerantequanto parece, só isso!

– Quer saber? – Marlene o indagou em tom de desafio. – Eu também não sou!

E mesmo com a respiração ainda arfante, ela lhe virou as costas com firmeza e correu para o banheiro, batendo a porta. A frustração fez Severus se sentir arrasado, ele recuou e deixou-se afundar, sentando-se na cama, encarando inexpressivamente a porta ao ouvir o barulho do chuveiro sendo ligado.

Quando se enfiou embaixo da água quente, Marlene só conseguia pensar numa coisa: aquilo não estava certo; ela não gostou nem um pouco de mentir para Eileen, com quem ela tinha se identificado desde o primeiro momento que a conhecera. E claro, viu-se obrigada a fazer isso para não comprometer Severus. Tudo por causa dasArtes das Trevas.

"Artes das Trevas!" – as palavras retumbaram em sua mente.

Marlene não queria em hipótese alguma afastar-se de Severus, mas Artes das Trevas definitivamente era algo a ser repensado. Não desejava perdê-lo, não agora que sabia o quão maravilhoso ele podia lhe ser, tanto na cama quanto fora dela. Ele podia não ser perfeito aos olhos das outras pessoas, mas comela, sempre que queria, ele sabia ser doce, gentil, amigo, amante... E ela não queria que ele fosse só mais um que iria passar pela sua vida; desejava pelo menos uma vez viver algo sério, duradouro, forte, e principalmente: viver isso comele.

E talvez, depois de alguns meses com a convivência dentro de um relacionamento mais sério, ela pudesse convencê-lo de que Artes das Trevas não era o certo, Marlene acreditava. Por isso, decidiu que não falaria sobre isso com Severusagora.Primeiro, ela precisava ter certeza do que realmente significava para ele.

De alguma forma, Marlene ficara intrigada com a pergunta que Sirius lhe fizera mais cedo:"...acha mesmo que ele ama você?"

Ela ainda não tinha certeza do que realmente que significava para Severus, só sabia que eraalguma coisa, mas precisava ouvir isso de sua boca, queria saber o que ele realmente sentia por ela. Porque ela sabia o sentimento que tinha por ele: era uma paixão avassaladora, e talvez tivesse sido até mesmo precipitada em responder ao ex-namorado que amava Severus. Talvez não fosse amor, nãoainda, mas com certeza era uma prévia do que aquele sentimento poderia vir a se tornar, porque havia o potencial para isso, e havia muito.

Depois de mais algumas reflexões, Marlene saiu do banho e enrolou-se no roupão. Com um nervosismo aparente, ela abriu a porta e viu Severus sentado na cama.

– Está mais...calma, agora? – ele perguntou num misto de receio e deboche.

Marlene então se aproximou silenciosamente, sentando-se ao lado de Severus e tomou uma das mãos dele entre a sua antes de responder:

– Acho que sim – disse ela calmamente, entrelaçando seus dedos aos dele, e decidida, comunicou: – Mas a gente tem que conversar...

SSMMSSMMSSMM

Notas finais
Oi pessoal! Então... A Lene quer conversar... Mas acho que não é isso que vai acontecer... SRRSSRR.
Mais uma vez agradeço pela recomendação da Lissa Santos e a todos que comentaram o capítulo anterior! Isso motiva muito, incentiva muito a gente, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!