Muito Bem Acompanhada
27 Jogos Mortais
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: Tratando-se de Mulciber, até um jogo de Quadribol entre Corvinal e Sonserina pode se tornar mortal.
– CAPÍTULO VINTE E SETE –
JOGOS MORTAIS
Avery olhou para Mulciber com descrença.
– Ah, qual é? – ele indagou ao amigo, fazendo pouco caso. – Pra quê tanta preocupação com a McKinnon? – ele riu. – Eu mantenho o que disse, e, se compararmos essa garota ao Lorde das Trevas, ela não é nada;é só alguém que Snape come sem precisar pagar. Ele vai cair na real logo, mais dia menos dia, esse romancezinho acaba, então você está preocupado à toa...
– É, talvez ela não sejanadamesmo – Mulciber respondeu ao amigo, disfarçando as suas intenções. – Agora vamos para o campo, eu o reservei para a Sonserina hoje.
Admirado com a saída repentina, Avery apenas comentou:
– Falou,capitão.
Mulciber deu uma última relanceada pelo quarto, e seus olhos recaíram sobre a porta do banheiro; ele pensaria melhor nas providências que tomaria em relação à Marlene McKinnondepois.
E Severus nunca sentira tanto ódio, tanta vontade de matar alguém, quanto sentira de Mulciber naquele momento. Ele pretendia voltar ao quarto para pegar vestes limpas e uma toalha, mas estancou completamente à porta do banheiro quando ouviu o que Mulciber dissera sobre Marlene:
"E se ela não existissemais?"
O que aquilo significava? Severus não tinha nem dúvidas; conhecendo seu "amigo" como conhecia, sabia que Mulciber não estava brincando, que ao contrário do que Avery lhe pedira, ele não ia deixar isso "pra lá" e Marlene corria riscos. Mas não. Ele não ia permitir, simplesmente nãopodiapermitir que nada, mas absolutamente nada acontecesse a ela e por isso, decidiu que não iria mais deixar Marlene sozinha, ao passo que iria vigiar Mulciber dia e noite, fingindo não desconfiar de nada.
Ele voltou ao quarto para pegar suas vestes; Mulciber e Avery estavam no campo treinando Quadribol, nisso não havia nada de errado, pensou Severus, e assim, poderia ganhar algum tempo. Depois de um longo banho e de mais reflexões sobre o que seu amigo pretendia fazer com Marlene, ele decidiu ir até a Torre Corvinal; seria o mais discreto possível quanto as suas preocupações, mas precisava alertá-la do perigo que estava correndo.
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Assim que chegou a Torre Corvinal, Severus encontrou Benjy à entrada; o loiro voltava para sua torre e permitiu sem problema algum que o sonserino adentrasse a sala comunal junto a ele. Emmeline logo desceu até lá para falar com o namorado, dando-lhe um beijo sutil nos lábios e sobressaltou-se quando viu que ele não estava sozinho. Sem entender porque que Severus estava ali com Benjy, ela o olhou interrogativa.
– O que faz aqui, Snape? – ela perguntou direta.
– Preciso falar com Marlene, Vance – ele respondeu no mesmo tom.
Emmeline fechou a cara. Intimamente, perguntava-se com certa indignação se a noite e a manhã toda não tinha sido o suficiente para que eles "matassem a saudade"...
– A Lene estádormindo! – ela disse séria.
– Eu espero até ela acordar – Severus respondeu sem se intimidar; sabia exatamente o que Emmeline estava pensando, mas não ia discutir com ela.
E a loira bufou impaciente. O que Severus queria? Acordar sua amiga para fazer amor o resto da tarde também?
– Acho que ela vaidemorarpra acordar – Emmeline retrucou, pouco amistosa diante daquela insistência.
Benjy então interferiu:
– Emme... – ele puxou a namorada, fazendo-a se voltar para si. – Deixe Snape falar com a Marlene – murmurou ele. – Parece urgente.
A loira suspirou, derrotada. Não conseguia responder "não" a um único pedido que fosse de seu namorado e mesmo contra sua vontade, ela acabou concordando. Ela voltou-se a Severus novamente antes de responder:
– Tudo bem, eu levo você até o nosso dormitório – disse ela, advertindo depois: – Mas euesperoque vocêdeixea minha amiga dormir! Elanão éuma máquina de... você sabe o quê!
– Não é minha intenção, Vance – Severus respondeu calmamente. – E sim, euesperareiaté que ela acorde, não se preocupe.
Emmeline deu de ombros; ela e Benjy acompanharam Severus até o dormitório. Depois que chegaram à entrada, Bejny enlaçou a namorada num meio abraço e concluiu:
– É isso, e bem, a gente vai à biblioteca e já volta! – ele disse, acrescentando zombeteiro: – Mas não façam nada que nós não faríamos!
– Benjy! – Emmeline o repreendeu, ruborizada.
– Até logo – Benjy emendou depressa, descendo as escadas com Emmeline.
Logo que eles saíram, Severus adentrou o dormitório de Marlene. A porta estava aberta, somente encostada e ele entrou sem fazer barulho.
Ele deixou que seus lábios rapidamente se curvassem num sorriso terno ao ver que Marlene dormia, tão linda, tão tranquila, tão bem. Ela estava deitada de lado, a cabeça apoiada no travesseiro, o qual ela agarrava num abraço apertado. Ele não se atreveria a acordá-la naquele momento e não era apenas pelo fato de Emmeline quase ter lhe implorado por isso; realmente não teriacoragemde despertá-la daquele sono tranquilo e tudo o que ele fez foi se juntar a ela.
Sem movimentos bruscos, Severus deitou-se ao lado de Marlene na cama, afastando uma mecha do cabelo castanho que caía pelo seu rosto; ele a abraçou pelas costas, apoiando-as em seu peito e enlaçando uma das mãos em sua cintura. Ele se surpreendeu quando a sentiu puxar a sua mão e entrelaçar seus dedos; por um momento desconfiou de que Marlene não estivesse dormindo, mas a respiração dela estava regular e Severus percebeu que ela estava dormindo mesmo. Ele sorriu com a conclusão de seus pensamentos: isso significava que mesmo dormindo, ela conseguia sentir a sua presença e isso era maravilhoso.
Mas o que não era maravilhoso de maneira alguma, era omotivoque o trouxera ali, pensou Severus, e o meio sorriso desapareceu de seu rosto.
"Eu a protejo com a minha vida." – as palavras retumbaram em sua mente.
Não era isso que tinha dito ao pai dela? Precisava honrar o que dissera.
Severus recostou a cabeça no colchão e suspirou verdadeiramente preocupado ao pensar no que Mulciber estaria tramando. Realmente, não suportaria que nada de mal acontecesse a Marlene, que ela sofresse um arranhão que fosse por sua causa. Pensando nisso, ele fechou os olhos para tentar se esquecer disso por um momento e então a abraçou com mais força, para aproveitar a sensação do corpo dela junto ao seu o máximo de tempo que pudesse.
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Momentos mais tarde, Marlene começava a despertar daquele sono reconfortante que tivera para compensar a exaustão da noite. E como era bom acordar assim, sentindo aquele calor aconchegante repercutindo em suas costas, e a mão de Severus entrelaçada a sua...
Ela piscou, sem acreditar. Será que estava sonhando?
Marlene se virou com cuidado, sem largar a mão de Severus e viu que ele estava deitado ao seu lado apenas descansando; os olhos dele estavam fechados, mas ela percebeu que ele não dormia, pois seu rosto estava contorcido numa aparente preocupação. Sem pensar, e sem que qualquer palavra fosse dita, ela ergueu o corpo e foi se aproximando mais dele; com os dedos pequenos ela acariciou-lhe os cabelos negros e depois o beijou suavemente nos lábios.
Ele se ergueu, levantando-a junto no abraço; ele correspondeu o beijo dela com paixão e suas mãos firmes percorreram o corpo pequeno e lânguido de sono. Ela sentiu a maravilhosa sensação que a invadia com os toques suaves dele em seu corpo e retribuiu com uma paixão sonolenta de gata preguiçosa.
– Lene... – ela ouviu, sentindo-o murmurar entre seus lábios e então voltou a abrir os olhos preguiçosamente.
– Sev... – ela também murmurou, parecendo confusa. Se aquilo era mesmo um sonho, então era muito bom, porque parecia muito real.
– Me desculpe. Eu não queria acordá-la – ele disse com sinceridade, acariciando o rosto dela com ternura.
O entendimento do que acontecia chegou logo a mente de Marlene. Então não era um sonho?
– Você estámesmoaqui comigo? – indagou ela, ainda confusa.
– Sim, meu amor – respondeu ele.
– Eu pensei que estava sonhando, mas se você está mesmo aqui... – ela interpôs, abraçando-se a ele novamente e quis saber: – Aliás...Por quevocê está aqui?
O verdadeiro motivo, a sua verdadeira preocupação, Severus não podia dizer. Ele então improvisou:
– Vai me desmoralizar se eu disser que senti saudade? – ele indagou debochado.
– Não... Pelo contrário: vai te dar mais moral ainda! – Marlene assegurou, insistindo: – Mas me diz uma coisa: foi sósaudademesmo? – ela perguntou curiosa.
– Eu só queriavervocê... – ele disse com simplicidade.–Ver que estátudo bemcom você.
Marlene ficou emocionada com aquelas palavras. Mesmo que não se considerasse frágil como um cristal, esse cuidado tão grande, esse zelo que Severus demonstrava ter com ela, a fazia ter cada vez mais certeza do quanto ela era importante para ele e isso a deixava muito envaidecida. Ela sorriu lindamente antes de responder:
– Eu estou ótima! – exclamou Marlene. – E mais ainda agora que você está aqui... – e, com certa descrença, ela até debochou: – Mas por quenãoestaria?
Severus a abraçou com mais força, erguendo o rosto dela para que Marlene o encarasse; fitando intensamente os olhos castanhos, ele resolveu expor parte da sua preocupação:
– Promete pra mim que se você perceber qualquer atitude estranha dos meus amigos com você – ele pediu, visivelmente preocupado –, você vai me dizer?
Marlene o olhou, sem entender. A preocupação que ela vira anteriormente se recusava a desaparecer do rosto de Severus e até mesmo o que parecia ser uma pontada de angústia no fundo daqueles olhos negros que a interpelavam, a deixou apreensiva.
– Prometo, claro – ela concordou, depressa. – Acho que, deestranhoneles são só as Artes das Trevas, mascomigo,é só mesmo o Mulciber...
– Principalmente quanto a Mulciber – Severus pontuou.
Marlene continuava sem entender.
– Eu sei que os seus amigos não gostam nem um pouco de mim – afirmou ela, pacientemente, como se aquilo fosse algo absolutamente normal. – E quanto a ele,Mulciber,eu já disse pra você que não gosto do jeitocomo ele olha pra mim... É como se ele quisesse me matar apenas com um olhar, entende?
Severus apenas fez que sim com a cabeça. Claro que ele entendia, e Marlene... Ela nemdesconfiavaque era isso mesmo.
– Mas é claro que isso é uma bobagem – ela prosseguiu –, ele só não gosta de mim e pronto! – e com um ar divertido, acrescentou: – Acho que no fundo, ele é apaixonado por você!
Severus balançou a cabeça para os lados, num gesto de total descrença. Marlene voltou a falar, agora em tom sério:
– Mas... Por que me perguntou essas coisas sobre Mulciber? – ela quis saber.
Ele suspirou e levou uma das mãos ao rosto dela mais uma vez, um toque suave, delicado, fazendo-a momentaneamente fechar os olhos.
– Acho que eu tenho a mesma impressão sobre ele querer te matar... – Severus murmurou, tomando as mãos dela entre as suas. – Você é importante demais pra mim, e eu não quero te perder...
– Mas Severus... – Marlene murmurou confusa, o toque quente de suas mãos a acalentá-la enquanto ela se perguntava:"Por que ele está dizendo isso?"
"Perder." – aquela palavra lhe chamou a atenção, e ela ficou ainda mais confusa.
Ela realmente não conseguia entender porque Severus estava falando aquilo. Ele não iaperdê-la, ela já tinha deixado bem claro que qualquer sentimento mais profundo que tivera por Sirius tinha ficado no passado e era exatamente nopassadoque iria continuar.
E então, Marlene chegou à conclusão de que Sirius Black não tinha nada a ver com essa conversa. Severus estava falando de Mulciber. Ela pensou que, indiretamente, ele queria se referir ao seu próprio envolvimento comArtes das Trevase exatamente por saber que ela não concordava com nada disso, tinha medo de perdê-la.
Seria mesmo isso? Severus estava tentando encontrar uma maneira de lhe dizer que, por mais importante que ela fosse para ele, as Artes das Trevastambémeram?
Marlene suspirou angustiada. Sentia que deveria falar com Severus sobre isso, afinal, o envolvimento dele com Artes das Trevas era algo que certamente traria problemas ao relacionamento deles, mas achou que ainda não era o momento. Não queria brigar, discutir como fizera quando ele esteve na Borgin & Burkes. Ela decidiu que não falaria sobre isso ainda, e, mesmo que Sirius não tivesse sido o motivo daquela conversa, ia ser a partir daquele instante.
–Como eu sou idiota...– ela murmurou, surpreendendo Severus completamente.
– Por que, Marlene? – perguntou ele, realmente surpreso. Não era exatamenteessaa reação que esperava dela.
Marlene então explicou:
– A gente aqui falando dos nossos sentimentos e eu guardando aquelasporcarias... –ela disse, agitando as mãos de maneira incomodada. – Não, eu não tenho nem coragem de te falar; eu vou ter que te mostrar!
Severus a olhou apreensivo enquanto Marlene se levantava e retirava de dentro da gaveta do criado-mudo aquela caixinha de porcelana onde guardava as fotos e os presentes do ex-namorado. Ela se sentou novamente na cama e colocou a caixinha entre eles, de modo que ele pudesse ver bem e então perguntou:
– Agora me diz:quem é que, mesmo tendo um namorado maravilhoso, de quem gosta muito,muito mesmo,ainda guarda as fotos e os presentes do ex?
– Marlene... – Severus murmurou, sem entender porque ela havia falado aquilo.
– Isso mesmo! – ela respondeu, como se ele tivesse lhe dito a resposta, e repetiu, indignada consigo mesma: –Eu, a idiota daMarlene McKinnon, que foi chifrada mais de mil vezes, e ainda guarda essas porcarias...
Marlene voltou a pegar a caixinha, abriu-a, e com euforia, jogou tudo que havia dentro dela sobre a cama. Ao ver as fotos e os presentes esparramados, Severus arqueou a sobrancelha, incrédulo.
– Epor queguardava tudo isso, Lene? – ele a indagou.
– Porque não tivetempopra parar e me livrar dessas porcarias, Sev! – Marlene respondeu a verdade, acrescentando decidida: – Mas já chega, chega dessa história de "venerar o onipotente"! – ela abriu aspas com os dedos. – Sirius Black é página virada e eu não quero mais nada aqui que me faça lembrar dele!
Ela aproximou melhor as fotos e os presentes, pegou sua varinha e, apontando para os pertences, exclamou:
–Evanesco! – disse ela, e a caixinha, juntamente com todos os objetos e fotos desapareceram.
Marlene suspirou aliviada.
– Me sinto bem melhor agora, você não sabe o quanto!Guardar fotos...– ela disse com sinceridade, sacudindo a cabeça com descrença e debochou: – Ainda bem que você não tem fotos com a Lily...
– Marlene – Severus interpôs, não queria que ela tivesse uma única dúvida que fosse com relação a isso –, eu já disse a você que ela...
Ela levou um dedo aos lábios dele, interrompendo-o gentilmente.
– Adorei a surpresa que você fez pra mim essa tarde, essa visita inesperada... – disse ela, acrescentando maliciosa: – Só que o aniversário éseu,então évocêque merece uma surpresa...
Antes que Severus pudesse dizer qualquer palavra em resposta, Marlene avançou mais sobre ele; ela montou nas pernas dele e envolveu os braços em seu pescoço, puxando seus cabelos suavemente, por fim tomando os lábios dele num beijo ávido e cheio de desejo. Ele a envolveu nos braços, correspondendo com igual paixão; as mãos hábeis dela então começaram a se entranhar por entre as vestes dele, puxando-lhe a camisa para fora da calça e deslizando em seu abdômen.
– Lene... agora não...! – ele gemeu sem fôlego, afastando-a gentilmente de si.
Ela o olhou incrédula, e tampoucoelegostaria de tê-la reprimido. Mas Severus bem sabia que se começassem alguma coisa naquele momento, aquilo iria longe e ele não podia ficar tanto tempo ausente do que acontecia, principalmente estando preocupado com o que Mulciber pretendia fazer.
– Por quê? – ela quis saber, e se atreveu a perguntar com deboche: – Você tem algumcompromissocom os seus amigos?
– Não. Mas você tem que continuar descansando – ele respondeu com firmeza.
Marlene riu.
– Sev... – ela murmurou o nome dele sedutoramente. – Comvocêna minha cama, a última coisa que eu quero é descansar – disse ela, insistente.
– Você não está cansada? – ele forçou-se a perguntar.
– Não – ela respondeu sem se intimidar, e acrescentou uma provocação: – Por quê?Vocêestá?
– Definitivamente não – disse ele, e improvisou: – Mas a sua amiga me fez prometer que eu deixaria você descansar, e como ela e o Fenwick ficaram de voltar logo...
– ... só temos que serrápidos... – Marlene o interrompeu mais uma vez, e foi se reaproximando dele. – Eu soumuitoágil...
Severus se rendeu e não se afastou; estava mais despreocupado ao ver que Marlene tinha consciência de que precisavam ser rápidos, mesmo que isso não agradasse a ambos. Ele gemeu quando as mãos dela chegaram ao seu cinto, que foi aberto com rapidez.
– Agora eu vou saber se você estava mesmo comsaudadede mim... – ela disse, enquanto brincava com o fecho da calça dele antes de descer o zíper.
– Hmmm... Isso pode ficar grande – ele disse cínico.
Marlene riu da piada que Severus estava fazendo sobre o próprio membro obviamente, e chegou a abrir a calça dele, pronta para descê-la junto com a boxer, mas foi só o que conseguiu fazer.
Naquele momento, a porta se abriu ruidosamente.
– AAAAAHHHHH! – no susto, Marlene e Emmeline gritaram juntas.
Benjy riu da cena que presenciava: Emmeline encolhendo-se ao seu peito ao passo que Marlene e Severus se recompunham rapidamente.
– NINGUÉM BATE MAIS NAS PORTAS ANTES DE ENTRAR? – Marlene berrou furiosa.
– Benjy,por favor, diz que não tem ninguém nu ainda... – Emmeline murmurou contra o peito do namorado, apertando os olhos com força e evitando olhar ao seu redor.
– Não tem não – o loiro respondeu para a namorada e depois voltou-se a Severus e Marlene: – Vocês estão tentando quebrar o recorde de algum coelho?
– É o que lhe parece, Fenwick? – Severus respondeu debochado.
– Bem, eu acho que... – Benjy disse pensativo, mas foi logo interrompido.
– Cala a boca, Benjy! – Marlene gritou e lhe atirou o travesseiro, mas acabou acertando-o nas costas de Emmeline.
A loira finalmente se desgrudou do namorado e concluiu envergonhadíssima:
– Será que alguém aquipercebeuque já está na hora do jantar? – ela disse sem graça, puxando o namorado pela mão em direção à porta novamente. – Vem, Benjy!
– Eles estão mesmo tentando quebrar o recorde de algum coelho... – Benjy cochichou enquanto se afastava com Emmeline, mas levou outra reprimenda da namorada:
– BENJAMIN!
Emmeline e Benjy saíram apressados; logo, Marlene e Severus estavam sozinhos outra vez. E nem mesmo o "flagrante" dos últimos minutos pareceu ter acabado com a animação dela: ela promoveu outro ataque, tomando os lábios do namorado com sofreguidão. Ele retribuiu o beijo com vontade, porém hesitou ao sentir as mãos dela buscando o fecho de sua calça e novamente afastou-a de si com delicadeza.
– Depois – ele disse, e não foi preciso falar mais nada para que ela entendesse.
Marlene apenas olhou frustrada para o relógio. Mais um pouco protelando aquelas carícias e eles acabariam perdendo o jantar.
– Tudo bem, fazer o quê – ela concordou num suspiro carregado de frustração e, enquanto eles se levantavam da cama, advertiu: – Mas eu vou cobrarcom jurosessas horas de prazer que você ficou me devendo...
– Será um prazer – ele respondeu malicioso, enlaçando-a num abraço. – Literalmente um prazer.
Sem mais palavras, Severus tomou a mão de Marlene, entrelaçando seus dedos; eles saíram da Torre Corvinal abraçados e seguiram em direção ao Salão Principal.
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Um mês naquele estado de tensão, e Severus ainda não conseguira descobrir o que Mulciber estava planejando em relação à Marlene. Praticamente nem dormia, tendo que se desdobrar em suas tarefas de namorado, monitor, guarda-costas e principalmente em sua tarefa mais difícil: vigiar seu "amigo" dia e noite sem que o mesmo desconfiasse de nada.
Mas naquela tarde em especial, Severus tinha outra preocupação: o jogo de Quadribol entre Corvinal e Sonserina. Era evidente que, Marlene e Mulciber naquele mesmo espaço o deixava apreensivo; porém, ao mesmo tempo, ele acreditava que o "amigo" não seria tão estúpido de atentar publicamente contra a vida de sua namorada.
Das arquibancadas, Severus relanceou para o campo e lá estavam eles: cada qual a frente de sua equipe, Marlene e Mulciber estavam agora frente a frente, ouvindo as últimas instruções de Madame Hooch, que gentilmente os incitava a um "aperto de mãos" entre capitães.
– Boa sorte,Mulciber –disse Marlene, estendendo a mão em cumprimento.
– Boa sorte,McKinnon –Mulciber respondeu cínico e assim que Madame Hooch se afastou tomando impulso em sua vassoura, ele apertou a mão de Marlene com exagerada força, machucando-a e disse num sussurro: –Vai precisar de mais sorte do que eu!
Ao sentir os dedos doendo, Marlene soltou-se do aperto ferrenho da mão dele depressa.
– Você... – gemeu ela. –Você quase quebrou meus dedos!
– Eu furaria seus olhos também... – continuou Mulciber, falando num tom perverso.
Uma terceira voz se fez presente.
– Como é que é? – Benjy voltou-se indignado a Mulciber; entendera certo? Aquele sonserino estavaameaçandoMarlene?
Marlene segurou o batedor pelas vestes, na tentativa de evitar uma briga.
– Calma, Benjy! – pediu ela.
– Que absurdo, Marlene! Seeufosse o capitão do time – o loiro assinalou –, eu ia mostrar pra esse sonserino de merda quem é que vai furar o olho de quem!
– Mas como você não é... – Marlene interpôs. – Deixa, Benjy. Ele me odeia mesmo, vai ser umprazerassistir a derrota do timinhodele!
Mulciber riu debochado.
– Talvez... – murmurou ele, acrescentando num sussurro perverso: – E talvez...você não saia viva desse campo pra comemorar! Eu disse, McKinnon: vai precisar de mais sorte do queeu!
– Então prepare-se pra um massacre, Mulciber! – Marlene respondeu à altura, para tentar esconder a pontada de medo que sentira com as próprias palavras: era o prenúncio de um massacre, e não apenas no que se referia ao Quadribol.
Um momento depois, todos estavam no ar.
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Corvinal estava à frente da Sonserina por apenas 10 pontos, mas passado mais de uma hora de jogo, ficara muito nítida a rivalidade entre os capitães, tudo tinha se tornado uma disputa particular: ao passo que Marlene tinha reassumido sua posição de apanhadora – já que o apanhador de sua equipe fora forçado a se retirar do campo depois de uma queda –, Mulciber parecia ter voltado propositalmente a sua antiga posição de batedor, fazendo questão de mandar todos os balaços em cima de Marlene.
Marlene mal havia dado uma guinada em sua vassoura, desviando de mais um balaço arremessado por Mulciber quando percebeu que Regulus estava se aproximando, emparelhando sua vassoura com a dela.
– McKinnon! – ele a chamou.
"Isso é jogo sujo!" – Marlene pensou inconformada. Não bastava a quantidade de balaços arremessados, Mulciber tinha que mandar tambémReguluspara tentar derrubá-la da vassoura?
– Vai pro inferno! – ela gritou.
Numa atitude defensiva, Marlene apenas jogou sua vassoura para o lado, batendo com a de Regulus, fazendo o garoto se desequilibrar momentaneamente sobre a mesma e disparou em busca do pomo. Porém, ele logo retomou o equilíbrio e a seguiu de perto, voltando a se aproximar dela.
– McKinnon, me escuta! – Regulus pediu num desespero aparente, quase gritando, som esse que era abafado pelo vento para que somente Marlene pudesse escutar. – Os balaços...!
Marlene finalmente voltou sua atenção a ele:
– Eu sei e não me surpreende em nada que vocês não sejam honestos! – bradou ela, mais uma vez desviando-se de um balaço, logo em seguida pegando impulso para seguir em direção ao ponto dourado que avistara.
– Os balaços! – Regulus insistiu, ignorando completamente o pomo. – Mulciber enfeitiçou os balaços...!
Marlene sacudiu a cabeça com descrença.
– Isso é um jogo! – retrucou ela, lutando para não perder o pomo de vista. – Ele não tem como fazer isso, você é ridículo!
– Ele enfeitiçou os balaços pra te matar! – ele tentou avisá-la, pela última vez.
– Cala a boca! – foi a resposta dela, e, deixando Regulus para trás, ela tomou mais um impulso e mergulhou com a vassoura para baixo, determinada a pegar o pomo e encerrar aquela partida.
"Não vou deixar você levar a melhor nisso, Mulciber!" – ela prometeu a si mesma.
– MARLENE, CUIDADO! – foi o que Marlene ouviu de Benjy, que tinha se posto a frente dela para repelir mais um balaço.
No mesmo instante em que Benjy protegeu sua capitã, repelindo aquele balaço, fora atingido em cheio por outro. Em meio à confusão, Marlene se precipitou, fechando a mão em torno da pequena bolinha dourada; ela conseguiu pegar o pomo, mas seu coração deu um pulo quando ela se voltou para o que acontecia: Benjy estava caído no chão a alguns metros abaixo de si, seu peito se abria em cortes profundos, como se seu corpo tivesse sido trespassado por mil facas e um grito ecoou pelo campo:
– BENJAMIN FENWICK MORREU!
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Mais uma vez agradeço a todos que comentaram o capítulo anterior! Isso motiva muito, incentiva muito a gente, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
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