Muito Bem Acompanhada
23 Incompreensão Total
Notas iniciais
Resumo do Capítulo: Marlene só queria ouvir uma declaração de amor... Mas, totalmente incompreendida, ela acaba ouvindo algo bem pior...
– CAPÍTULO VINTE E TRÊS –
INCOMPREENSÃO TOTAL
Severus sentiu que era algo sério o que Marlene queria falar e chegou a pensar que ainda era sobre o que acontecera à tarde. Ela, por sua vez, já havia se decidido por não perguntar nada a esse respeito, pois sabia que, talvez numa atitude defensiva ou por medo de preocupá-la, ele não lhe contaria nada ou, na pior das hipóteses,mentiriasobre o que quer que tivesse acontecido dentro daquela loja de artefatos negros.
– Tem certeza que quer conversar...agora?–Severus perguntou para tentar distraí-la.
Marlene então sentiu uma súbita compaixão. Ela queria muito ter aquela conversa, queria muito saber o que Severus realmente sentia por ela, mas também tinha medo de colocá-lo numa postura defensiva por causa do que acontecera durante a tarde e não queria passar a última noite do feriado brigada com ele.
– Eu não quero deixar pra falar sobre isso em Hogwarts... – ela começou, meio indecisa. – Mas também não quero ir dormir brigada com você...
– Então acha que teremos motivos para brigar? – ele perguntou sério.
– Não sei – disse Marlene com sinceridade. –Aindanão.
Severus suspirou cansado.
– Certo – ele concordou num aceno de cabeça e beijou a mão dela que estava presa a sua. – Conversamos sobre isso amanhã – e diante da hesitação de Marlene, acrescentou: – Antes de voltar pra Hogwarts, eu prometo.
Marlene voltou-se a ele, surpreendendo-se com a expressão decidida e ao mesmo tempo atormentada no rosto de Severus, sentindo que algo ruim estava para acontecer. Sem coragem de pressioná-lo, ela acabou concordando que a conversa fosse adiada para o dia seguinte.
– Está bem – ela disse, um tanto angustiada.
Sem mais palavras, Severus lhe depositou um beijo rápido nos lábios, e, levantando-se, também se dirigiu ao banheiro, a fim de tomar um banho. Ela então parou em frente ao espelho para trocar de roupa, procurando no reflexo a sua expressão costumeira de felicidade dos últimos dias, mas sentiu que algo muito errado acontecia, já que a imagem refletida não correspondia às expectativas.
Marlene vestiu a camisola e acomodou-se na cama rapidamente. Ela já estava de olhos fechados, deitada confortavelmente entre aqueles lençóis macios, quando, não muito tempo depois, ouviu Severus saindo do banheiro sem movimentos bruscos. E então se surpreendeu completamente quando abriu os olhos e percebeu que ele estava transfigurando mais um colchão ao lado da cama.
Ela voltou-se a ele incrédula.
– Severus...? – a pergunta foi inevitável. – O que está... fazendo?
– Me preparando para dormir, Marlene – Severus respondeu numa voz estável. – Mas não se preocupe comigo – pediu ele. – Fique com a cama, eu me viro por aqui mesmo – disse, apontando o chão.
– Mas por que nochão? – Marlene insistiu, já parecendo decepcionada. – A sua cama é de solteiro, mas tem espaço pra nós dois se a gente dormir bem juntinho...
– Creio que assim será mais confortável para podermos dormir – respondeu ele, ainda impassível. – Para dormirmesmo –sentenciou ele, e, sem mais palavras, deitou no colchão transfigurado.
A ausência de deboche na voz dele e aquela decisão de dormir no chão,longedela, deixou Marlene verdadeiramente preocupada. Ela não disse nada, apenas ficou mais alguns minutos ainda olhando para Severus deitado naquele colchão ao lado da cama. E ele, mesmo de olhos fechados, pareceu perceber que ela o olhava, porque disse:
– Se você continuar me olhando desse jeito, eu não vou conseguir dormir...
Na verdade, Severus sabia que não conseguiria dormir, já que teria que passar a noite revendo mentalmente seus argumentos para convencer Marlene de que não houve problema algum na visita que fizera a Borgin & Burkes naquela tarde. Porém, segundos depois, foi a vez dele se surpreender com a reação dela.
Marlene não aceitou aquilo como resposta e no instante seguinte, sem resistir ao impulso de tocá-lo, ela saltou da cama e inclinou o corpo por cima do dele enquanto respondia:
– Eu realmente não quero que você durma! – anunciou ela, roçando sensualmente seus cabelos no pescoço dele. Afinal, não era isso que tinha se proposto naquela manhã mesmo? Aproveitar até o último segundo? –Carpe Noite, Severus!
Ele a olhou confuso por um momento.
– Não seriaCarpe Diem, Marlene? – ele perguntou debochado, envolvendo ambas as mãos em sua cintura.
– Não, éCarpe Noitemesmo! – ela protestou. – É a nossa última noite juntos, temos que aproveitar...!
Severus não gostou muito das palavras que ouviu:"... nossa última noite juntos...". Por um momento se perguntou se Marlene estava se referindo aos feriados ou se planejava mesmo terminar com ele por causa do que acontecera à tarde, mas nem conseguiu se concentrar nisso, já que ela foi incrivelmente mais rápida, avançando mais sobre ele. Os lábios dela estavam a um milímetro dos seus, e ele deixou escapar um gemido rouco quando ela lhe tomou os lábios num beijo ardente e cheio de segundas intenções. No início, ele até parecia meio relutante em retribuir, mas por pouco tempo, porque depois ele mesmo a beijou com paixão, levando-a a loucura.
A paixão foi uma explosão tão grande e tão igual para os dois que quase virou uma competição. Severus ergueu o próprio corpo, levantando-a junto e puxou-a, fazendo Marlene sentar em seu colo, passando cada perna dela de um lado seu, pressionando-a contra o seu peito, ao passo que se encaixava entre as coxas dela. Ele a fez sentir seu membro surpreendentemente rígido, mesmo por baixo do tecido do pijama e ela mesma sentia o próprio sexo latendo de prazer. Ela então começou uma exploração em sua orelha, beijando-a, mordiscando-a, passeando sua língua por ela, fazendo-o arfar de prazer ao suave toque daquela língua macia.
Severus alcançou a boca de Marlene mais uma vez e a beijou ardentemente, com ainda mais urgência do que antes, se é que isso era possível. De repente, eles se afastaram por um breve segundo, quando as mãos dela voaram para o pijama dele e o tiraram com eficiência; em segundos, ele estava somente com sua boxer negra na sua frente . O cheiro da pele dele, do sabonete que havia usado, tudo era inebriante. Ela chegou com os quadris mais para frente, e esfregou-se nele, apenas para sentir melhor as mãos dele explorando seu corpo, arrancando-lhe a camisola que vestia por cima de sua cabeça, deixando-a apenas de calcinha.
Ele olhou com desejo para o corpo que lhe era exposto, então pôs as mãos nas costas de Marlene, apertando a cabeça entre os seios dela e ficou assim por um momento para recuperar o fôlego. Depois, voltou a tomar-lhe os lábios avidamente: mordeu o lábio inferior dela, depois depositou beijos molhados no rosto e pescoço; então voltou-se para o lóbulo da orelha, mordiscando, contornando com seus dentes, sentindo o prazer que a tomava. Depois de um longo tempo se dedicando somente ao lóbulo da orelha, Severus começou a descer com pequenos beijos para os seios dela: uma de suas mãos apertou um deles com suavidade e sua boca rumou rapidamente para o outro. Quando ela sentiu a língua dele circulando o seu mamilo rijo, pensou que ia se dissolver de tanto prazer; animado pelos murmúrios involuntários dela, ele o chupou inteiro, fazendo-a gemer alto.
Severus deixou os seios dela e seus lábios começaram a traçar um caminho de beijos pelo ventre de Marlene, fazendo-a se arrepiar de prazer. Com calma, ele a fez deitar-se no colchão e tirou a calcinha dela vagarosamente; ela estava dominada de prazer e arfava ao seu toque, que deixava um rastro de fogo na sua pele. De repente, ela sentiu os lábios e a língua dele em sua feminilidade; involuntariamente, suas pernas se abriram mais e ele se posicionou ali, erguendo-lhe as pernas aos seus ombros; estando como queria, a língua quente dele a invadiu: ela o sentia lhe estimular o clitóris com sucções, tão logo sua língua adentrava-lhe a feminilidade em movimentos circulares e voltava a sugar o clitóris novamente. Ela arqueou as costas no mais puro deleite e ergueu o corpo; juntando as mãos atrás da cabeça dele, ela entranhou os dedos pequenos entre os fios negros, agarrando-se aos seus cabelos.
Quando a boca dele abandonou-lhe o sexo, ela gemeu em protesto, mas que logo foi silenciado, já que os lábios dele chegaram firmes nos dela outra vez num beijo ardente. Enquanto Marlene arfava em seus lábios, Severus a penetrou com seus dedos ágeis, iniciando mais uma exploração, fazendo-a gemer alto de prazer. Ela continuava gemendo alto, enlouquecendo-o e no momento em que ele retirou seus dedos de dentro dela, ela já soube o que vinha a seguir.
Marlene então o afastou parcialmente de si, e ficando de joelhos, começou a trilhar uma rota de beijos por todo o corpo de Severus, começando no seu pescoço, descendo pelo peito até o abdômen, fazendo-o respirar com dificuldade. Ela se deteve quando chegou ao cós de sua boxer, apenas para passar as mãos nas coxas dele, acariciando a parte de dentro; ele gemeu em êxtase e um segundo gemido surgiu quando ela agarrou-lhe a boxer com os dentes e a retirou, jogando-a longe.
Ele gemeu de novo quando a sentiu se aproximar calmamente de seu membro enrijecido, então pegou a mão dela e a colocou em volta dele. Ela abaixou o rosto, vendo-o arquear as costas com o simples toque de sua mão e quando ela o tocou com os lábios, ele gemeu seu nome. Marlene então começou a massagear a sua base, enquanto sua língua brincava, percorrendo toda aquela extensão; logo, ela sentiu o membro dele pulsando em sua boca. Ao perceber o que aconteceria, Severus a puxou para cima e a beijou violentamente, depois voltou a deitá-la no colchão com delicadeza, com as mãos firmes e certeiras.
Marlene retribuiu o beijo dele com vontade, e logo sentiu a ereção dele em suas coxas, sentindo-o se posicionar entre elas. Ela se rendeu completamente: os braços dobrados, com a palma das mãos viradas para cima, de cada lado da cabeça, e ele pôs a mão em cima das dela para entrelaçar seus dedos antes de escorregar agilmente para dentro dela num único movimento. Um gemido de prazer e surpresa escapou dos lábios dela quando o sentiu por inteiro dentro de si. Ele a beijou ardente e sensualmente nos lábios, e quando começou a se movimentar lentamente dentro dela, os dois olharam diretamente nos olhos um do outro; seus corpos se encaixavam perfeitamente, como metades da mesma alma.
Severus intensificou o ritmo das suas investidas: os movimentos dele começaram a ficar mais rápidos, e Marlene arqueou o pescoço, mordendo o lábio inferior com força. Ele sentiu o corpo dela se fechando em volta do dele; ela não conseguia evitar os gemidos resultantes da sensação, o prazer que quase lhe doía e agarrou-se a ele, com as mãos desesperadas quando começou a sentir o coração batendo acelerado e sua respiração totalmente descompensada.
Severus viu a vermelhidão se espalhar pelo rosto dela, observou sua respiração acelerada e quando percebeu que Marlene estava gozando, agilmente inverteu as posições para que ela ficasse por cima, fazendo-a cavalgar sobre seu membro. Mais uma vez, Marlene sentiu o prazer que a invadia, agora mais forte: a pulsação e os batimentos cardíacos ficaram ainda mais acelerados, todos os músculos do seu corpo se contraíram juntos, o que dificultou até a movimentação de Severus dentro dela; logo, ela notou que ele estava muito próximo do seu ápice também e então atingiu o orgasmo junto com ele: um arrepio intenso percorreu todo seu corpo, ela sentia seu suor se misturando ao dele e a sensação de entrega a dominou por completo, exatamente no instante em que ele explodiu dentro dela. Naquele momento, foi como se um arrepio intenso percorresse seus corpos juntos, e entre murmúrios e arfadas, ela ainda conseguiu gritar o nome dele.
Marlene caiu lânguida sobre o peito de Severus, sentindo aquele torpor inexplicável que a tomava novamente: aquilo era o máximo do prazer, sempre era. Ambos respiravam com dificuldade. Ele então saiu de dentro dela, afagou-lhe os cabelos, as costas nuas e a beijou com ternura, envolvendo-a no seu abraço; ela então sorriu para ele, que retribuiu num meio sorriso sensual. Eles permaneceram em silêncio enquanto suas respirações se normalizavam e logo adormeceram, abraçados e felizes.
###
Severus acordou incomodado naquela manhã, com uma fatigante dor nas costas, o resultado de dormir naquele colchão transfigurado no improviso. Mesmo assim, ele não pôde deixar de sorrir levemente ao reparar nos cabelos castanhos que cobriam o rosto de Marlene. Um de seus braços ainda envolvia a cintura delicada; a testa dela estava apoiada em seu queixo e ela tinha uma das pernas encaixada no meio das dele. Com todo cuidado possível para não acordá-la, ele afastou-lhe o cabelo do rosto, acariciando-o suavemente.
Marlene então se mexeu delicadamente em seus braços; ele pensou que ela estivesse acordando, mas ela ainda o agarrava num abraço aferrado, tinha apenas puxado o lençol de encontro ao peito, como se estivesse com frio. O nítido contorno dos seios dela através do tecido fino do lençol chamou-lhe a atenção; ele sabia que estava olhando fixamente para eles e com uma determinação extraordinária, afastou o olhar da visão irresistível dos mamilos rijos que sobressaíam pelo tecido e voltou seu olhar para o relógio: eram sete horas da manhã.
Severus se lembrou do que prometera a ela na noite passada: aconversa. Um número enorme de dúvidas a respeito dessaconversainvadiram seus pensamentos e o medo do rumo que isso poderia tomar fez seu coração apertar. Enquanto roçava o nariz no pescoço dela, ele disse num sussurro:
– Marlene, acorda... – pediu ele, mas o som da sua voz saiu tão rígido, quase como uma ordem e ele odiou.
Marlene não abriu os olhos, mas respondeu:
– Ah... – ela gemeu sonolenta, em tom de reclamação. – Me deixa dormir só mais um pouquinho, Severus... Tá tão bom...
– Eu sei... – Severus murmurou, depositando-lhe um beijo suave nos lábios; formando contraste com o medo que sentia de ter aquela conversa com ela, ele reuniu coragem para tocar no assunto: – Mas você não disse que queria conversar?
Marlene sorriu com o pouco de consciência que havia lhe voltado à mente: Severus não estava inventando nenhuma desculpa paranãoconversar com ela. O problema era queelaainda estava exausta.
– E a gente precisa mesmo fazer isso...agora? – ela choramingou.
– Não vou deixar para conversar com você cinco minutos antes de embarcar no trem – comunicou ele.
Num susto, Marlene abriu os olhos: estavam arregalados.
– Nos atrasamos tanto assim? – ela perguntou, enquanto se erguia e apoiava o peso do corpo com o cotovelo.
– Não, é cedo ainda – explicou ele –, mas...
Marlene o interrompeu, protestando:
– Então me deixa dormir mais um pouco... – ela pediu, aconchegando-se a ele novamente, dando um sorriso preguiçoso e fechando os olhos outra vez. – Só mais um pouquinho...
Severus odiava preguiça e gente preguiçosa; mas até o sorriso preguiçoso dela era lindo e ele acabou concordando:
– Está bem,preguiçosa –disse ele, debochado, advertindo depois: – Só mais um pouquinhomesmoe depois nós vamos conversar...
Mas ela não lhe respondeu, nem estava mais ouvindo; pelo que Severus percebera, ela adormecera novamente. Ele beijou-lhe a testa cuidadosamente e o medo de ter aquela conversa com ela, outra vez voltou-lhe a mente, enquanto ele deixava a cama sem movimentos bruscos e apoiava Marlene num travesseiro.
###
Mais tarde, quando Marlene voltou a acordar, estava maravilhada com o rápido sonho que tivera sobre ela e Severus, sobre a paixão deles tão avassaladora: não era só tesão que sentiam um pelo outro; haviam outros sentimentos como respeito, confiança e o mais importante:amor.
Ela suspirou. Ah... Como queria ter certeza de que isso era verdade. Teria essa certeza hoje, depois da prometida conversa? Já não sabia mais o que pensar, ou melhor, como iria tocar nesse assunto com ele sem parecer que estava fazendo alguma cobrança. Ainda pensando nisso, ela se dirigiu até o banheiro, onde tomou um banho revigorante e saiu de lá já arrumada com as vestes da escola.
Assim que Marlene voltou ao quarto, começou a organizar suas coisas e suas roupas em sua mala, já que dentro de duas horas ela e Severus estariam voltando para Hogwarts. Ela observou de relance a mala dele e constatou: estava tudo pronto. Então, com um movimento de varinha, suas roupas estavam dobradas, mas no exato momento em que ela foi guardá-las, ouviu vozes no corredor; Severus estava conversando com Eileen aos sussurros e ela se aproximou mais, encostando a cabeça na porta para ouvir melhor:
–... e se vocêmagoaressa moça...!– Eileen o repreendia.
–Eu não voumagoá-la, mãe! Eugostodela– respondeu Severus, com uma voz um pouco cansada e Marlene sorriu com a determinação em sua voz.
–Eu não tenho dúvidas quanto a isso.O que me preocupa, são asatitudesque você pode tomar daqui pra frente...
Ao ouvir isso, Marlene também ficou preocupada. Por que Eileen estava tão apreensiva com as atitudes que Severus poderia tomar? Será que ela se referia a Artes das Trevas?
–Mãe, isso não tem nada a ver com o meu relacionamento com ela.
–Tem sim. Vocês estãomuitoenvolvidos, e eu acho que, assim como eu, ela não merece vir a ter uma decepção tão grande...
–Pois eu acho que elagostade se decepcionar –Severus disse, e o coração de Marlene afundou com aquelas palavras. O que ele queria dizer com aquilo?
Um silêncio rápido se fez no corredor, Eileen não tinha respondido nada, talvez tão chocada quanto Marlene e logo Severus tomou a palavra novamente:
–Pode ficar tranquila, mãe –disse ele, sério.– Eu prometo que não vou magoá-la, machucá-la, nem nada...
E então, a reposta para o que Marlene se perguntava anteriormente veio:
–Espero meu filho, que vocêrealmentecumpra essa promessa– Eileen disse com calma.– Acho que eu já disse a você, que mesmo com tudo que o Lorde das Trevas tinha a oferecer, eu tive a dignidade de não me juntar a ele. E espero quevocêtenha essa mesma dignidade –ela sentenciou, e depois Marlene a ouviu descendo as escadas e Severus se aproximando da porta.
Numa fração de segundo, Marlene afastou-se da porta e terminou de arrumar as roupas em sua mala, mas ainda não conseguia tirar da cabeça aquela conversa que acabara de ouvir: "... magoá-la, machucá-la... Lorde das Trevas...". Eram informações demais,ruinsdemais, e ela estava tão absorta em seus pensamentos que nem percebeu quando Severus entrou no quarto e a abraçou pelas costas, depositando-lhe um beijo terno em sua nuca.
– Será que agora eu posso te dar bom dia direito?–ele perguntou debochado, muito próximo ao seu ouvido, fazendo-a se arrepiar.
Marlene então voltou-se a ele e viu que ele também já estava arrumado com as vestes da escola.
– Bom dia – ela disse num sorriso, mas não conseguiu disfarçar a preocupação e acrescentou sem jeito: – Então... como você está?
– Uma impertinente dor nas costas – debochou ele.
– Acha que deveríamos ter dormido na cama...? – ela tentou perguntar com graça, mas não soou muito engraçado.
– É, acho – Severus concordou e a encarou, como se esperasse que ela dissesse alguma coisa.
Um silêncio frio invadiu o ambiente, e Marlene resolveu falar:
– A gente precisa conversar, lembra?
Severus tomou-lhe as mãos entre as suas, e olhou diretamente nos olhos dela.
– Claro. Sobre o quê? – ele perguntou, trazendo-a junto com ele para se sentarem na cama. Mas fosse como fosse, se Marlene realmente quisesse discutir o assunto da visita dele a Borgin & Burkes ou Artes das Trevas, ele ia tentar distraí-la para mudar o rumo da conversa.
E então, a resposta dela o surpreendeu:
– Sobrenós –Marlene disse, um tanto perturbada. – Sobre o que estamos fazendo.
Severus ficou aliviado.
– E... o que você quer conversar sobrenós? – indagou ele, curioso.
Marlene suspirou fundo antes de continuar. Por mais que Tanya tivesse lhe afirmado com tanta certeza que Severus estava apaixonado por ela, ela ainda não tinha desistido de saber o que realmente significava para eleagora, já que sabia do sentimento que ele tivera por Lily. Não sabia se tal sentimento ainda perdurava, mesmo agora que estavam namorando "de verdade", mas como não tinha coragem de perguntar qualquer coisa sobre isso tão diretamente, Marlene decidiu dar algumas voltas antes de tocar no assunto, como se pudesse assim, fazê-lo lhe confessar o que sentia por ela.
Depois de mais um suspiro, ela disse:
– Bem, eu sei que praticamente me ofereci a você durante o feriado inteiro – Marlene começou, visivelmente incomodada com aquela conversa – e eu quis muito isso tanto quanto você quis, mas eu acho que...
A sobrancelha dele se ergueu e o alívio que Severus sentira acabou naquele exato momento. Que conversa era aquela? Conversa dearrependimento? Ele a interrompeu:
– Marlene? – ele a chamou e perguntou inquieto: – O que está...tentandome dizer?
Marlene suspirou novamente e decidiu contar tudo desde o começo, desde a conversa com Sirius, que lhe levara a ter tantas dúvidas.
– Tá bom... Vamos começar do começo... – murmurou ela, e o incômodo na sua voz continuava: – Bem, ontem, enquanto você estava com os seus amigos, eu encontrei Sirius na loja de vassouras...
Quando o nome do grifinório surgiu na conversa, Severus sentiu uma profunda raiva. Mas não deixou que isso transparecesse e manteve sua expressão impassível, incentivando Marlene a continuar:
– ... e nós conversamos rapidamente, muito rápido mesmo – ela ressaltou –, mas o que ele me disse, me fez pensar. Pensar em mim, em você, em tudo que aconteceu com a gente essa semana e... – ela então fez uma pausa, como se estivesse receosa, mas continuou: – Bem, eu sei que foi bom, foi gostoso, mas não foiverdadeiro,não é?
Na verdade, Marlene estava utilizando outros termos para perguntar o que realmente queria saber. Tinha sido verdadeiro, ela sabia que tinha. Mas precisava ouvir que tinha sido verdadeiro para ele também e esperava que a resposta de Severus desmentisse totalmente a pergunta que fizera. Queria que ele dissesse o contrário, que sim, que tinha sido verdadeiro e talvez, junto com a afirmação, também uma declaração de amor nesse sentido, por que não?
"Mas que diabos ela está dizendo?" – Severus se perguntou, de fato sem entender porque ela estava falando aquilo:"... não foiverdadeiro...". Aquelas palavras não faziam o menor sentido, não tinham o mínimo fundamento.
Entretanto, Severus não esboçou nenhuma reação, e diante do silêncio e do olhar inquisidor dele, Marlene prosseguiu, ainda utilizando-se de sua tática reversa:
– Nós só estávamosfingindo,não é? – ela perguntou. – Então eu queria saber de você, o que isso significou...
Severus continuou impassível, apenas pensando em tudo que ouvira dela. Ele não sabiao quêBlack havia dito a ela, nem a influência que isso teve na decisão de Marlene em ter essa conversa que estavam tendo agora. Mas de repente, ela havia ignorado tudo que tinham vivido na última semana para simplesmente dizer que tinha sidofingimento?
Claro que não tinha sido fingimento, ele sabia que não tinha, sabia que era muito mais do que isso; não podia nem mentir dizendo que era só sexo, porque sabia que não era, e que quando a tocava, ela não era apenas um corpo que ele usava para se satisfazer, sentir prazer, e sabia que ela também não sentia as coisas dessa forma. Só não entendia oporquêde ela estar lhe dizendo isso agora. Estaria ela arrependidade tudo que acontecera? Isso até justificava as atitudes e algumas palavras dela na noite anterior. Ou seelarealmente estava fingindo esse tempo todo, e agora lhe jogava isso na cara com tanta facilidade, ela só podia mesmo ser muito falsa. Não, ela não era falsa, ela mal conseguia mentir! Mas se ela estava mentindoagora, inventando essa história de fingimento para puni-lo pelo que acontecera na tarde do dia anterior, para fazê-lo sentir-se mal, então ela estava redondamente enganada, pois quem iria se sentir mal ao fim de tudo isso era ela mesma, ele pensou. Afinal, ele não era nenhum idiota e não permitiria em hipótese alguma que ela o tratasse como tal.
Perdido em suas divagações e ainda indignado com aquilo, porém sem deixar transparecer, Severus não lhe deu resposta alguma. Levantou-se da cama e se dirigiu à cômoda, abrindo uma gaveta. Marlene acompanhou atenta cada movimento dele, ainda esperando por uma resposta. E quando ele se virou, tendo em mãos um punhado de galeões, sicles e nuques, ela percebeu que a reação dele tinha sido a pior possível: os olhos de Severus estavam frios quando ele literalmente jogou as moedas em cima dela, dizendo:
– Espero que isso seja suficiente – disse ele, friamente.
A frieza dele a deixou chocada, tanto que Marlene nem contou quantas moedas ele havia jogado em cima dela; sem entender o que significava aquilo, ela perguntou:
– Suficiente pra quê, Severus? – ela indagou, já assustada com a reação dele. – Eu não estou entendendo...
Ele então suspirou fundo e adquiriu uma expressão cínica enquanto respondia:
– Se durante esse tempo todo na sua casa, você apenasfingiu, agindo como uma puta que só me deu prazer, então é mais do que justo que eu tenha que pagar pelo seuserviço...
Marlene não soube nem o que pensar, quanto mais responder naquele momento, de tão estarrecida que ficara. Quando por fim conseguiu processar as palavras – as ofensas – que ouvira de Severus, ela levantou da cama andando em passos vacilantes na direção dele e tentou se defender:
– Mas eu... eu não disse que fiz isso, eu... – ela estava tão abalada que realmente não conseguia concluir a frase.
– Disse sim – retorquiu Severus, ainda em tom frio. – E, se você apenasfingiucomodisse –ele fez questão de frisar as palavras –, eurealmentepreciso pagar por isso! – e apontou as moedas sobre a cama.
E, de estarrecimento, Marlene passou a sentir uma profunda raiva.
– E QUEM VOCÊ PENSA QUE É pra falar comigo desse jeito? – ela gritou com ódio. – Aliás, quem você pensa que EU sou? Acha que pode falar COMIGO como fala com as PUTAS as quais está acostumado?
A expressão dele não se modificava nunca.
– Não – retrucou ele. – Porque nem com elas eu falo assim; você é pior...
Marlene não aguentou ouvir aquilo; respirou fundo e recuou o braço para lhe dar um golpe certeiro no rosto com a palma da mão, mas Severus viu o movimento rápido dela e agarrou-lhe o pulso, a apenas alguns centímetros de seu rosto. Antes que ela pudesse dizer uma só palavra, ele tinha torcido o braço dela atrás de suas costas e a empurrado contra a parede; ela gemeu de dor ao sentir o aperto ferrenho dos dedos dele em volta do seu pulso e nem conseguiu recompor os sentidos para protestar contra aquele tratamento tão rude; ele usava agora o próprio corpo para prendê-la contra a parede.
Ela ainda tentou murmurar alguma coisa em protesto, mas uma das mãos dele lhe agarrou a cintura e a outra já estava embaixo de sua saia; por um breve segundo, Marlene ainda conseguiu se lembrar das sensações explosivas que os dedos dele lhe causavam, porém, foi completamente surpreendida por um som de tecido se rompendo e percebeu que ele tinha lhe rasgado a calcinha. Ela não conteve o desespero ao imaginar o que poderia vir a acontecer e não suprimiu um grito de revolta:
– O que você vai fazer? – ela indagou horrorizada. – Me violentar?
Ao ouvir aquelas palavras, e o desespero tão grande contido nelas, Severus então virou-a de frente para si outra vez; Marlene arfava e ele viu os olhos castanhos cheios demedo.Ele ficou confuso: seus próprios sentimentos oscilaram entre paixão e ódio, ternura e violência, até que ele percebeu que tinha perdido o controle e estava agindo estupidamente. Sem conseguir colocar em prática o que pretendia fazer, ele finalmente a soltou; aquelacenaterminava ali.
– Não sou tão bom assim – foi o que ele disse, afastando-se dela tão bruscamente que ela pensou que fosse cair.
Severus não a deixou falar nada, nem esperou por isso; virou as costas e saiu do quarto. Marlene apenas deixou o corpo escorregar lentamente pela parede e sentou-se no chão, abraçando os joelhos. Parada ali, ela começou a refletir o que havia acontecido, não conseguia entender: será que de novo tinha feito tudo errado, dito algo que o ofendesse? Talvez sim, pela atitude dele. Mas, será que ele teria agido assim se gostasse mesmo dela? Como ele poderia ter sido totalmente incompreensivo com as suas palavras, quando na verdade ela queria dizer exatamente o contrário?
Quando as primeiras lágrimas ameaçaram cair, Marlene engoliu o choro e enxugou os olhos com as costas das mãos. Ao observar o pulso ainda vermelho, ela prometeu a si mesma que não ia chorar. Afinal ela tinha amor próprio, não merecia isso e tampoucoelemerecia suas lágrimas.
Simplesmente não reconhecia o Severus dos últimos minutos, sem dúvidas não era o mesmo que estivera com ela todo esse tempo, o Severus que ela conhecia – ou pensava que conhecia. Qual era a sua verdadeira face? Ela já não tinha certeza, realmente não sabia mais o que pensar.
Suspirando fundo, ela ajuntou a calcinha rasgada do chão e a consertou com um movimento de varinha. Foi até o banheiro, vestiu-se novamente e depois de jogar água fria no rosto, ela resolveu sair do quarto; na verdade, queria ir embora daquela casa o quanto antes, se pudesse até desaparatava sem deixar rastro; só não fazia isso em consideração a Eileen, que já a tratava como se fosse da família.
As palavras de Severus imediatamente voltaram-lhe a mente:
"Pois eu acho que elagostade se decepcionar".
E Marlene chegou à conclusão de que, talvez, ela gostasse mesmo de se decepcionar, pensou ela ao sair do quarto carregando sua mala. Ela desceu as escadas sem pressa, e quando chegou à cozinha, viu que Eileen já havia preparado uma simples, porém linda mesa de café da manhã. Ela deixou a mala no chão quando Eileen veio ao seu encontro.
– Bom dia, Marlene – Eileen disse sorridente, e a abraçou com carinho, mas seu sorriso murchou no mesmo instante em que ela constatou: – Parece abatida?
– É sono, dona Eileen – Marlene respondeu, vendo que Severus já se servia à mesa. – Nós fomos dormir um pouco tarde ontem...
A meia-verdade não convenceu Eileen; só pelo olhar magoado que ela viu Marlene lançar ao filho, na mesma hora ela percebeu que realmente estava acontecendo algo errado.
– Claro – disse Eileen, sem insistir naquele assunto com Marlene, pois tinha certeza de que quem tinha feito alguma coisa errada e muito errada, era Severus. Trazendo-a para mais próximo da mesa, ela pediu: – Sente-se, por favor.
Mas Marlene nem chegou a puxar uma cadeira, pegando a mala do chão e demonstrando um aparente nervosismo, ela comunicou:
– Pensando bem, acho que eu já vou indo, a minha prima já deve estar indo pra estação... Obrigada por tudo, dona Eileen – e sem mais palavras, ela rumou para a sala em direção à lareira.
Eileen apenas olhou Severus com desaprovação e ele então se levantou da mesa.
– Deixe que eu falo com ela – disse ele, e Eileen acompanhou a movimentação dele até a sala.
Marlene estava quase entrando na lareira quando Severus a alcançou, segurando-a pelo braço, porém com menos força que outrora.
– O que está fazendo? – ela desvencilhou-se dele num grito, mas baixou a voz quando viu que Eileen os olhava especulativa e disse num sussurro: –Eunão querofalar com você agora.
Severus continuava impassível.
– Mas vai ter que falar,querida –comunicou ele, cínico. – Nós vamos continuarfingindo, pelo menos até que eu possacontara minha mãe o que aconteceu...
– A sua mãe não tem nada a ver com isso! – retrucou Marlene, em mais um sussurro raivoso, afinal, tinha certeza de que o que quer que ele pretendesse contar a Eileen, seria contado de maneira errônea.
– Entãorespeite-a– exigiu ele, quase como uma ordem – e volte lá para tomar café com ela.
A resposta dela foi apenas um grunhido contrariado e Severus acrescentou:
– Mas não se preocupe; quando voltarmos a Hogwarts, eu vou cumprir o meupapel... – e concluiu cínico: – A menos que você queira acabar com essamentiraagora...
Como Marlene ainda não lhe dera resposta, eles apenas voltaram em silêncio até a cozinha e assim permaneceram até o final do café da manhã, quando Eileen por fim se despediu deles, visivelmente inconformada com o mal estar que pairava entre os dois.
SSMMSSMMSSMM
Notas finais
Mais uma vez agradeço a todos que comentaram o capítulo anterior! Isso motiva muito, incentiva muito a gente, de verdade!
Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no botãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
Fale com o autor