Muito Além de Mim
16 Visita inesperada.
Depois de muitas buscas e pesquisas, nós finalmente conseguimos alugar o nosso pequeno apartamento.
No início, Andrew foi relutante. Ele queria me dar o melhor, mas eu sabia que qualquer coisa seria perfeita ao lado dele. Então, pouca coisa me importava nesse momento.
Tudo que eu queria era um lugar nosso.
Além do mais, eu não tinha lá o melhor emprego do mundo e nem o melhor salário. Não queria de jeito nenhum colocar o peso de tudo somente nas costas dele.
Não me parecia nada junto.
Acabamos então alugando um apartamento com um espaço único. Todos os ambientes eram integrados: cozinha, sala, escritório, quarto.... Exceto o banheiro.
Esse tipo de coisa não é tão comum no Brasil e nem é tão bem valorizado, mas aqui as coisas são diferentes. E o melhor de tudo é que o aluguel não é tão caro. Facilita muito para nós dois.
A maioria dos móveis vieram inclusos. Nós só precisaríamos comprar a cama, mas nós optamos por ficar com a cama que o Andrew tinha em seu antigo quarto, na antiga casa.
Aos poucos fomos comprando os objetos de decoração e dando mais personalidade ao ambiente.
Minha parte favorita é sem sombra de dúvidas o ambiente que nós montamos pertos das janelas que vão do piso até o teto. É ali onde eu passo a maior parte do tempo quando estou sozinha em casa: lendo algo ou escrevendo as minhas histórias.
— Finalmente encontrei os porta-retratos. – Andrew chegou aquela noite com uma sacola em mãos.
Ele sentou-se perto de mim no sofá.
— Dá uma olhada.
Os porta-retratos eram lindos, com molduras brancas e pretas, com um estilo bem retrô.
— Gostou? – Ele sorria.
— Eu amei. – Levantei-me. — Vou pegar as fotos.
Nós já tínhamos separado as nossas fotos prediletas para colocar nos porta-retratos e deixa-las exportas pelo apê.
Eu escolhi uma minha com o Eli... Eu com meus avós quando eu tinha acabado de completar 15 anos e por fim, eu com o Andrew na praia, uma das minhas favoritas.
Andrew escolheu uma minha sozinha... Foto que ele mesmo tirou em um momento desapercebido por mim e que ele amava. Ele escolheu também uma de ele pequeninho. E outra, ele com a mãe e o irmão mais velho pouco antes dele partir pra Austrália.
Assim que colocamos as fotos nos porta-retratos, nós os espalhamos pelo apê.
Quando terminei, me virei para o Andrew e o flagrei em um momento íntimo e apaixonante com uma de suas fotos: aquela que ele estava com a mãe e o irmão.
Sua mãe estava no meio sendo abraçada pelos filhos, um de cada lado. Andrew parecia aperta-la com força, o que lhe causou uma grande gargalhada e foi nesse exato momento que tiraram a foto. Já o irmão estava sério, mas os olhos tinham um brilhinho especial de quem estava adorando o momento, só não tinha coragem de admitir em voz alta.
— Você deve sentir muita falta deles.
— Sinto. Principalmente dele... Do Max, meu irmão. Nós sempre fomos muito parceiros. Eu sempre o admirei como ninguém, apesar de ele não saber muito bem porquê. Mas eu sabia. Sabia que apesar das aparências, ele tinha um coração enorme. Tem um coração enorme. É um cara incrível.
— Ele nunca sorri para as fotos, pelo jeito.
Andrew sorri. Por ele e pelo irmão. E isso basta.
— Ele quase nunca sorri... Gosta de bancar o durão.
Olho para o Max na foto e tento decifra-lo, nem que seja só um pouquinho. Mas simplesmente não consigo. Não consigo enxerga-lo como o Andrew o vê. Talvez seja precipitação minha por nunca ter tido a chance de conhecê-lo cara a cara...
Sei lá... Ele me parece tão estranho, tão sério e carrancudo. Na verdade, ele me dá até um pouco de medo. Parece que os olhos negros dele estão me julgando o tempo todo, me observando, me avaliando.
— Me fala mais sobre ele. – Peço, pego-o pela mão e o levo-o de volta para o sofá.
Talvez se eu souber mais sobre esse tal Max ajude a mudar o meu pré-julgamento sobre ele.
— Ele é simplesmente o melhor. Um cara esperto, incrível, inteligentíssimo. Pode ser um pouco galinha as vezes e grosseiro. Mas ele não faz por mal. É só o jeito dele...
— E o que mais? — Incentivo.
— Bom... É difícil dizer. Sou meio suspeito para isso, você não acha? – Ele ri e isso me fascina... O tempo todo. — Ele tem muitas qualidades... Às vezes só precisam ter um pouquinho de paciência com ele, geralmente as pessoas não têm essa paciência toda. Ele se abre aos poucos. É reservado, quieto, calado, observador, muito na dele... Não fala muito. Ele tem dificuldades para se expressar... É meio desajeitado nesse sentido. Mas como eu já disse: ele não faz por mal, acredite.
Bom... Acho que nesse ponto, vendo por essa perspectiva, é totalmente compreensivo. Afinal, somos seres humanos diferentes, com personalidades e jeitos diferentes.
— Eu sei que ele iria adorar te conhecer. Vocês não iam se dar bem logo de cara, mas com o tempo vocês aprenderiam a se gostar. E eu confio nele... E em você. Sei que ele cuidaria bem de você por mim e você dele, caso fosse preciso.
— E porque seria? – Fico assustada de repente. — Eu jamais precisaria cuidar dele ou ele de mim... Nós temos você e sempre será assim. Certo?
— Sim, mas... Eu não sei o que pode acontecer amanhã ou depois de amanhã. Pode acontecer qualquer coisa. E se acontecesse, eu gostaria que vocês ficassem juntos, cuidando um do outro... Mantendo um ao outro de pé...
— Andrew... Do que você está falando? – Me afasto, horrorizada. — Meu Deus! Credo. Não diga essas coisas assim... Você me assusta... E me entristece... Você pode, por favor, não pensar nesse tipo de coisa?
— Você sabe como eu sou... Eu penso sobre muitas coisas... Não estou tentando te assustar... É só que... Não dá pra saber.
— Mas assustou! – Viro o rosto, porque não quero chorar na frente dele por algo tão bobo e banal.
Mas não posso evitar, pois ao lado dele eu só consigo pensar em coisas boas... Como me casar, ter filhos... Eu nunca paro pra pensar no que de ruim pode acontecer porque não é algo que queira. Ninguém quer. E nós sabemos que sempre há uma possibilidade, mas porque eu perderia tempo pensando sobre isso quando se tem muito mais possibilidade de sermos felizes?
— Me desculpe... – Ele coloca a mão no meu ombro. — Eu não queria te causar nenhuma reação negativa... Sinto muito se eu te feri... Eu não quis... Olha pra mim, Nina.
Não consigo, mas ele é insistente.
— Eu te amo demais. – Ele segura meu rosto coberto por lágrimas. — E nada do que pode acontecer vai mudar isso.
Eu o abraço com toda força que tenho.
**
— Vamos falar sobre filhos...
Eu ainda me surpreendo com a capacidade dele de falar coisas tão aleatórias em momentos tão inusitados.
Mas eu não acho isso ruim não. Acho fofo. E até gosto.
— Achei que já tivéssemos falado sobre isso. – Comento, enquanto termino de comer meu pedaço de pizza de pepperoni.
— Nós falamos, mas falamos apenas em quantos filhos gostaríamos de ter e nem chegamos a uma conclusão!
— Andrew! – Eu rio. — É meio cedo para isso.
— Então, que tal discutirmos sobre os nomes?
— Bom... Eu nunca pensei sobre isso...
— Jura? Como isso é possível? – Ele parece surpreso.
— Eu só... Nunca pensei. – Dou de ombros.
— Mas eu já pensei. – Ele limpa os dedos cheios de gordura no guardanapo.
É um gesto tão natural, mas que ainda me deixa absurdamente hipnotizada.
— E se eu tivesse uma filha, eu adoraria que ela se chamasse Izzie. E se fosse um garoto, Derek.
— Por mim, tudo bem. São perfeitos!
— Que bom que você gostou. — Ele sorri.
Como que para finalizar o assunto, ele me dá um beijinho melado na bochecha.
Ele fica limpando a mesa e eu vou direto para o banho. Combinamos de ir à casa dos meninos. Mason fazia questão de nossa presença. Eu sentia que ele estava aprontando uma.
Enquanto estou me arrumando, Andrew toma banho. Meia hora depois estamos prontos e de saída.
Fico surpresa com o que nos espera quando chegamos por lá. Está tudo mais limpo do que nunca e com um cheirinho agradável. Mason comprou aperitivos e bebidinhas. O som está ligado, tocando uma música que não consigo identificar, mas é romântica e suave. Não imaginava isso vindo dele.
Sydney chega alguns minutos depois e se junta a nós, ela parece tão surpresa quanto nós. As coisas seguem normalmente: muita conversa e risada. Até que em um momento qualquer, Mason se levanta e diz que vai ao banheiro. E então volta segundos depois, com um buquê de flores enorme em mãos e um sorriso de orelha a orelha.
Sem mais ou menos, ele começa a se declarar para a Sydney, como se só ela e ele estivessem na sala. Os dois se olham apaixonados e sorriem. Eu estou emocionada. Não esperava nada assim. Muito menos um pedido de casamento... repentino. Caso caio para trás nessa hora.
É tudo muito fofo, mas acontece rápido demais. Eles só estão juntos há alguns meses... Muito menos que eu e o Andrew e já parecem prontos para dar o próximo passo.
Quando eles se beijam após ela dizer sim e ele colocar o anel em seu dedo, nós batemos palmas, contentes por eles.
Sydney parece que vai passar mal... Cair dura no chão a qualquer momento. Ela não cabe em si. E eu estou tão surpresa por ela e tão animada que nem vejo quando o Andrew some de repente. Não ligo muito... Apesar de não ser algo tão comum. Ele sempre avisa ou me dá um toque.
Acho que esse é um momento especial e único para eles, por isso resolvo me afastar também e dar espaço.
Procuro Andrew pela casa, mas não o encontro. Nem no banheiro, nem mesmo no seu antigo quarto, que agora já está totalmente ocupado por outra pessoa. Pego minha bolsa, me despeço e vou lá para fora. E é onde o encontro.
Ele está por ali... Parece distante e pensativo.
— O que foi? – Me aproximo devagar. — Está chateado porque um dos seus amigos vai se casar e nada mais será como antes? Olha, não se preocupa... Eu duvido muito que...
— Não é isso. – Ele me corta de repente.
— Então o que foi? – Fico preocupada.
Ele se vira completamente para mim.
— Nós sempre conversamos sobre tudo e fazemos planos... Nós até já escolhemos os nomes dos nossos filhos, mas nunca, nunca conversamos sobre casamento.
Ah, então é isso. Acho que entendi tudo.
— Andrew... – Sorrio, mais aliviada agora. — Se isso é sobre o que aconteceu lá dentro... Não se preocupe. Está tudo bem, meu amor. – Eu o puxo para um abraço. — Os casais são diferentes... Alguns mais devagar... Outros têm mais urgência. Cada casal tem seu próprio tempo. Nós temos nosso próprio tempo. Não tem problema nenhum nisso.
— Sim, eu sei. – Ele me olha no fundo dos olhos. — Mas eu nunca perguntei e você também nunca me disse como queríamos que fosse... Quando seria o tempo ideal...
— Não vamos nos preocupar com isso agora, ta bom? Quando tiver que ser, será. Eu não estou nenhum pouco preocupada com isso. Eu realmente não me importo. Tudo que temos agora já é o bastante para mim. É muito mais do que algum dia achei que mereceria ter.
— Você só merece coisas boas e sabe disso. – Ele me dá um longo e delicado beijo. — Vamos para casa?
— Vamos, pois eu não vejo a hora de tirar toda a sua roupa e me aproveitar desse seu corpinho maravilhoso.
E lá está o sorriso bobo que eu tanto amo.
**
Andrew vai passar o final de semana todo fora em viagem a trabalho. Não é a primeira vez que isso acontece. Ele tem viajado bastante ultimamente e por mais que eu odeie ficar distante dele por muito tempo, tenho sido bastante compreensiva e paciente. É o trabalho dele, é o que ele ama fazer, é sua vocação. Eu jamais tiraria algo assim dele.
Tenho aproveitado esse tempo de diversas maneiras, mas principalmente para bater papo com o Eli por Skype. Hoje mesmo, pela manhã, nós conversamos o tempo todo, mesmo enquanto eu limpava a casa e preparava meu almoço.
Mais tarde, fui ao mercado comprar umas coisinhas e aproveitei para telefonar para o Andrew. Ele me mandou algumas fotos e foi o bastante para eu matar um pouco da saudade. A noite, Sydney veio dormir comigo. Mas nós, basicamente, passamos a noite inteira acordadas, falando sobre os planos para o casamento dela com o Mason.
Ao que parecia, eles tinham muita urgência.
— Tudo bem para você se eu convidar a Judy para ser uma das madrinhas junto com você? – Ela pergunta. — Eu sei que vocês ainda estão brigadas, mas é que ela é minha amiga há tanto tempo. Sabe, eu realmente amo aquela vaca.
— Se é importante para você, tudo bem pra mim. Mas eu juro por Deus que se ela ficar de gracinha para o lado do Andrew, eu corto todo o vestido dela no meio da festa.
— Acho que posso lidar com isso. – Sydney sorri.
Vamos dormir lá pelas duas e meia da manhã. Acordo na manhã seguinte com o cheirinho de bacon frito. Sydney acordou mais cedo e está preparando tudo para nós.
Depois do café-da-manhã, passamos o tempo do tempo vendo comédias românticas na TV e chorando horrores.
— Chega de chororô. Eu não aguento mais! – Protesta ela, em inglês. — Que tal retomarmos nossas aulas?
Sydney tem me tirado a paciência constantemente para que eu ensine a ela o máximo de português que eu puder. Quando lhe perguntei o porquê disso, ela me disse que todos os seus planos para a lua de mel se passavam no Brasil.
Ela até que não era uma má aluna... Mas eu passava quase o tempo todo rindo, porque de fato era muito engraçado ver ela embolando toda a língua pra tentar falar português.
Andrew não tinha hora para chegar aquela noite. Eu bem que tentei esperar acordada, mas não consegui, pois tinha que dormir para acordar cedo amanhã para trabalhar.
Não sei se foi sonho ou se foi real, mas acredito ter sentido algo durante a madrugada. Não sei ao certo o que foi, mas quando acordei de manhã tive total certeza de que o que senti foi um beijo na testa quando ele chegou tarde da noite e eu já estava roncando. Quando acordei, ele dormia ao meu lado e apesar de tudo, eu não quis incomodar. Então, apenas retribuí o beijinho na testa e fui tomar o meu banho.
Quando já estava quase de saída, vi que ele deixou uma carta em cima do aparador, perto da porta.
É incrível o quanto ele ainda me mima mesmo após termos decidido morar juntos e mesmo após tanto tempo juntos. Normalmente, os casais tendem a esfriar, se distanciar por causa do excesso de convivência. Mas nós não. Pelo menos ainda não. Ele ainda me surpreende, me fascina, me escreve, me inspira, me excita... E eu espero que seja assim ainda por muito tempo. Pois são essas pequenas coisas que me motivam a continuar seguindo firme e e forte todos os dias.
**
Eu tinha acabado de sair do banho só de toalha quando bateram na porta. Andrew não estava presente no momento, pois resolveu sair para comprar nosso café da manhã.
Olhei pelo buraquinho da porta e vi uma mulher de costas... Não fazia ideia de quem ela era. Talvez fosse só uma vizinha precisando de um pouco de açúcar ou sei lá o quê.
Resolvi abrir a porta, mas não muito.
Ao ouvir a porta se abrir, a mulher se virou de frente e foi aí que eu a reconheci das fotos, das histórias... Era a mãe do Andrew bem na minha frente. Eu não podia acreditar!
— Dona Célia!?
— Nina! Oi. – Ela abriu um grande sorriso.
— Ai meu Deus! – Abri totalmente a porta, mesmo não estando tão apresentável assim. Não podia deixar a mulher esperando no corredor. — Minha nossa... Que surpresa!
Ela foi logo me abraçando... Tão apertado que parecia que nós nos conhecíamos há anos e éramos super intimas. Mas a verdade é que a gente só se falava por telefone ou vídeo e nossas conversas eram sempre muito agradáveis.
— Meu Deus... Você é ainda mais linda pessoalmente. – Depois de se afastar, ela me deu uma bela conferida.
— Entra... Senta. – Eu estava meio atordoada, sem saber como agir. Eu não sabia que ela vinha nos visitar. Será que o Andrew sabia? — Você quer beber algo? Temos água. Infelizmente nada além disso. Mas o Andrew saiu para comprar umas coisas... Ele volta logo... Fica à vontade.
— Nossa. – Ela sentou e olhou em volta, admirada. — O apartamento de vocês é lindo. – Ao ver os porta-retratos, ela se levantou e olhou melhor de perto cada um deles.
Pedi um instante, corri até o armário, peguei um vestidinho, calcinha, sutiã e corri de volta para o banheiro, para me trocar. Em frente ao espelho dei um jeito no cabelo molhado, respirei fundo e botei meu melhor sorriso no rosto.
— Que bom que gostou... Não é grande coisa, mas é perfeito para nós dois. Nós amamos esse lugar e as nossas coisas... Foi tudo muito bem planejado.
— É, eu estou vendo. É adorável! – Ela se virou para mim mais uma vez. — Eu estou tão feliz em poder finalmente te conhecer assim... De pertinho. – E então, ela me abraçou de novo, muito carinhosamente.
Nesse momento a porta se abriu. Era o Andrew com algumas sacolas nas mãos. Ele ficou paralisado ao nos ver ali, juntas. Parecia até que estava tendo uma miragem. Por sua expressão, eu soube na hora que tudo aquilo não passava de uma grande surpresa. Ela de fato nos enganou em não dizer que viria nos visitar.
— Mamãe?
Célia e o filho foram de encontro um ao outro, se abraçaram e choraram. Foi fofo e totalmente emocionante. Tive que me esforçar muito para não chorar com a cena de puro amor e carinho entre os dois mesmo que já fosse de se esperar que eles sentiam muita falta um do outro.
Tomamos nosso café da manhã na mesa, os três juntos, conversando muito. Colocamos todo o papo em dia. Mais tarde, Célia foi uma fofa em me ajudar com o almoço. Andrew convidou de ultima hora todos seus amigos para conhecer a sua mãe, mesmo que ela não fosse tão boa assim no inglês. Mas ela se virou bem, fiquei impressionada e boba. Eu adorava aquela mulher de todas as formas possíveis. Ela era realmente tudo de bom.
Só de noite que ela foi embora. Nós insistimos para que ela ficasse ali conosco que nós daríamos um jeito de acomoda-la da melhor forma possível, mas ela garantiu que ficaria melhor em um hotel, que era muito perto dali.
Dava para vir a pé ao nosso apartamento.
— A gente se vê amanhã. – Ela nos abraçou e beijou antes de partir. — Eu amo vocês, queridos. Boa noite.
Ouvir ela dizer que nos amava... que me amava também... me tocou de uma forma imaginável. Meus olhos se encheram de água. Fiquei impressionada que mesmo com o pouco contato que tivemos em apenas um dia eu já sentia que ela era uma parte de mim, da minha família.
Eu estava ansiosa pelos próximos dias.
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