Muito Além Da Dor!
6 Capítulo 6 CHAMARIZ...
Notas iniciais
Esmeralda sentia-se humilhada e cheia de ódio. Ódio por si mesma, ódio por Isaac, ódio por Ikki tê-la afastado como se ela não fosse ninguém! O que mais queria no momento era poder apagar aquela marca em sua pele, lavar-se para retirar o perfume masculino daquele verme mafioso que parecia entranhado em suas narinas, pele e roupas.
Maldito! Mil vezes maldito! Sua mente gritou, enquanto entrava em seu apartamento. Nem bem chaveara a porta, seu celular tocou. Ela sabia quem era e sua respiração se alterou. Isaac!
Sem dar atenção ao vibrar incessante, Esmeralda jogou o celular em cima do sofá e foi até o banheiro. Lá, colocou-se embaixo da ducha fria e ensaboou o corpo, ignorando a dor do ferimento e o sangue que escorria, cada vez que ela esfregava com força.
Seja forte! Você não é uma princesinha, você é uma agente do FBI! Repetia para si mesma ao sentir, mais uma vez, as lágrimas escorrerem pelo rosto. Abraçou o corpo numa postura de proteção e escorregou pelos azulejos, sentando no piso frio e deixando que a água levasse seu sangue e seu choro.
Meia hora depois, Esmeralda desligou o chuveiro e se secou, recusando-se a olhar o próprio reflexo no espelho. Não queria enxergar em si mesma a fraqueza que insistia em afastá-la de tudo aquilo.
Vestiu um roupão e deixou o banheiro. Logo em seguida, a campainha tocou. Devagar, ela foi até a porta, decidindo se abria ou não. Houve um instante de silêncio e então ela abriu. A expressão do rosto de Isaac deixou-a mais confortada. Pelo menos ele se importa. Pensou enquanto cedia espaço para que ele entrasse.
— O que aconteceu? Por que não atendeu o celular? – ele perguntou aproximando-se dela.
Esmeralda respirou fundo e então mostrou o ombro machucado. Os olhos de Isaac se estreitaram e então se arregalaram em uma expressão de fúria quando ele viu a inicial de seu apelido de infância gravado na pele delicada.
— Aquele... Aquele filho da puta!— disse Isaac.
— O que significa essa letra, Isaac? Que tipo de recado é esse? O que um dos braços mais fortes da atual máfia russa tem contra você? – perguntou Esmeralda.
Isaac suspirou e levou a mão ao tapa-olho. Seu passado, mais uma vez adentrava sua vida como um vírus, minando seu trabalho e suas relações. Agora sim, ele tinha certeza e poderia agir da forma mais eficiente possível. Olhou para o rosto delicado de Esmeralda e começou a contar-lhe tudo.
— Quando eu era mais um órfão condenado a viver como um animal sem dono, Ianov, o pai de Nikolai, me tirou das ruas de São Petersburgo e me introduziu na família. Eu tinha o apelido de Kraken e era mais um marginalzinho de rua com habilidade em roubar. Nikolai, o filho mais velho de Ianov tornou-se meu amigo e foi como um irmão para mim até o dia em que se indispôs com o pai e resolveu criar uma facção independente, uma das mais perigosas da máfia russa. Eu acabei me ferindo em uma emboscada que matou Ianov e fui preso. Acabei sendo levado para a pior das prisões russas e lá fiquei até que a Rússia se modificou e o FBI escolheu alguns presos para fazer acordos e nos tornar agentes infiltrados. Eu fui um dos que aceitou e recebi a oportunidade de construir uma nova vida e uma nova identidade aqui, na América. Acabei me destacando em várias missões e chegando onde estou. Nikolai continuou sua vida e acabou se apaixonando por uma jovem rica chamada Natássia. Ambos viveram uma grande paixão, até Natássia descobrir sobre os negócios de Nikolai. Horrorizada ela o abandonou. Ele implorou, mas ela foi embora, assim mesmo.
— Natássia? Este nome é o mesmo da mãe do Hyoga, não?- questionou Esmeralda.
— Sim, Natássia foi o grande amor de Nikolai e quando o abandonou, estava grávida. Ele só soube dela muito tempo depois, quando moveu mundos e fundos para encontrá-la. Ela também veio para os estados Unidos, nós acabamos nos encontrando e nos tornando amantes. Eu a ajudei com a educação de Hyoga e a apoiei em seus momentos de depressão e surtos esquizofrênicos. Quando Hyoga completou dezoito anos, Nikolai me procurou dizendo saber do meu envolvimento com Natássia. Eu fiz de tudo para que ele não viesse a descobrir toda a verdade, mas Nikolai é sagaz e juntou as peças.
— Então Hyoga é...
— Filho de Nikolai Poseydon e seu único herdeiro. Por isso ele o quer tanto, assim como os seus inimigos, se descobrirem, também. Para os russos, a descendência é sagrada. Se o chefe não tem filhos, tem de escolher entre os seus homens de confiança. Certamente, Nikolai está sofrendo essa pressão e agora quer Hyoga ao seu lado.
— Então os ataques, as armadilhas, tudo é para obrigá-lo a entregar Hyoga?
— Sim, agora isso está claro, assim como o fato de ter alguém tentando impedi-lo de ter acesso ao filho, também. Até então eu havia conseguido deixar Nikolai em suspenso usando o poder que tenho dentro do FBI. Eu fiz vistas grossas aos negócios dele em troca do seu afastamento. Mas, agora ele está indo longe demais.
— Você vai contar a Hyoga?
— Não tenho outra escolha, mas por enquanto vou deixá-lo com Ikki. Existem mais coisas sobre esse assunto que são delicadas, segredos que eu nunca revelei, mas que talvez seja a hora de Hyoga saber.
Esmeralda olhou para Isaac vendo o sofrimento estampado na face preocupada. Então algo se formou em sua mente e ela juntou as pontas soltas. Natássia havia mesmo se suicidado ou... sido assassinada?
— Vai contar a verdade sobre a morte da mãe dele? – perguntou Esmeralda fitando Isaac nos olhos.
Ele olhou-a e sorriu. Realmente, Esmeralda tinha uma percepção afinada, ele fizera bem em escolhê-la.
— Nikolai nunca deixou de amar Natássia, nunca se casou com outra e, ao saber que ela estava doente, foi visitá-la com a intenção de confirmar a paternidade de Hyoga. Eu estava em Los Angeles e Hyoga na faculdade. Nikolai tinha a oportunidade perfeita para encontrar-se com Natássia, então levou um escrivão com ele para que se fizesse uma nova certidão de nascimento, alegando que ele era o pai. Não sei como, mas Natássia previu que ele a encontraria e sabia que, estando sozinha, ele a obrigaria a admitir, então... ingeriu vários comprimidos para dormir e, quando ele chegou, ela já estava morta.
— Como soube de tudo isso?
— Ela me deixou uma carta agradecendo o apoio e pedindo que tomasse conta de Hyoga, que o mantivesse sempre por perto e foi o que eu fiz. Achei que tinha poder de fogo para manter Nikolai na linha, mas me enganei. Vou precisar ser mais drástico.
— O que pretende fazer?
— Tendo Ikki como protetor de Hyoga, ficarei livre para agir. O que Nikolai deseja, além do filho, é vingança. Então, vou facilitar as coisas para ele.
— Então você... Você já desconfiava de tudo!
— Eu precisava saber mesmo se era Nikolai ou alguém de dentro tentando me derrubar.
— Você também é um... Um filho da puta, Isaac! – gritou Esmeralda.
— Eu sei. – disse Isaac. – Mas, se serve de consolo, vou fazer Nikolai pagar caro pelo que fez a você.
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"Vem..."
A palavra ecoou como um sussurro, adentrando a mente, despertando o desejo...
Os lábios se roçaram e, em seguida, as bocas se encontraram abertas, quentes e ávidas... Ikki deixou-se levar pela luxúria, mordendo os lábios de Hyoga, sentindo-o entregar-se e puxá-lo para mais perto de si.
Hyoga fervia em sensações, consciente de Ikki junto a si em cada nível possível. Da rigidez e do calor do corpo, da autoridade do beijo, da forma como introduzira a língua dentro da sua boca... Sentiu o roçar da barba rala em seu rosto e pescoço, gemendo baixo e tão faminto quanto Ikki demonstrava ao tê-lo nos braços.
Cada toque, cada movimento os levava a um patamar ainda mais alto, ambos chegando ao limite em que se deveria parar ou... avançar.
Hyoga sentiu as mãos de Ikki tocar-lhe as costas nuas com força e embrenhou as suas por baixo da camiseta do agente. Músculos sólidos e carne quente... Pele macia e alva... Os corpos buscando, sentindo, incendiando...
Fechando a mão nos cabelos da nuca de Hyoga, Ikki aprofundava o beijo, enquanto o russo gemia contra os seus lábios e abria a boca como se estivesse sedento, deixando a língua ávida explorá-lo de forma urgente.
O braço forte de Ikki cingiu sua cintura com o braço esquerdo, enquanto a mão direita em sua nuca controlava a profundidade do beijo a seu bel-prazer. Hyoga estremeceu, deixando-se incendiar pela boca e pelos toques de Ikki em seu corpo. Era sempre tão controlado, tão isento de paixão e agora sentia suas mãos agarrarem-se ao corpo forte, ambos os corpos se encaixando...
Ikki beijava-o com paixão, chupando os lábios do russo entre os beijos, sentindo sua ereção avolumar-se a cada encontro das línguas e o som abafado dos gemidos de Hyoga. Fechou a mão nas coxas macias, ainda cobertas e puxou-o, ainda mais para perto, deixando a boca pequena para roçar o pescoço alvo e mordiscar-lhe a orelha, encontrando mais uma zona erógena do russo.
— Ikki... — ele gemeu prazerosamente, a pele incendiando como se estivesse com febre.
O som da voz do russo despertou algo em si e Ikki parou com tudo, mesmo sentindo seu corpo pedir para que fosse em frente.
— Hyoga... Sou um homem sozinho e não quero, nem posso me envolver. Sexo é tudo que posso lhe dar e não quero magoá-lo.
As palavras de Ikki emergiram num gemido rouco, a honra forçando-o a admitir seu desejo de não envolvimento, ao mesmo tempo em que o tesão que sentia atingia níveis estratosféricos.
Para a surpresa de Ikki, Hyoga se limitou a assentir, e então repetiu:
— Apenas sexo. Melhor assim... Não sou virgem, Ikki, não precisa se preocupar.
Ikki se viu tomado por uma indignação profunda, embora sentisse que aquilo era irracional. Hyoga havia concordado facilmente com ele, então, porque aquelas palavras ditas com tanta frieza o atingiram daquela forma? Ele quase riu da própria dualidade. Quando enfim, encontrara alguém parecido consigo, sentia um vazio estranho e desconfortável...
— Tem certeza? – indagou Ikki.
— Absoluta... – respondeu Hyoga lambendo os lábios do agente.
A voz do russo soou tão baixa e rouca que Ikki mal conseguiu compreendê-lo, porém não eram necessárias as palavras, quando o coração de ambos batia, enlouquecidamente.
— Então que seja. Pelo menos nós estamos de acordo. – disse Ikki voltando a beijar Hyoga.
Ficaram um bom tempo, apenas se beijando e amassando. Sentindo o corpo um do outro, as zonas erógenas, as urgências...
Hyoga sentia vontade de tocar o corpo de Ikki e suas mãos macias alcançaram o peito do agente, alisando-o demoradamente. Depois, foi descendo para a barriga, contornando a musculatura rija e, para o deleite do agente, continuaram descendo...
— Hummmm... — gemeu Ikki quando a mão fria invadiu sua calça de moletom, tocando seu membro.
O moreno mordeu os lábios, encorajando-o. Lentamente Hyoga continuou os movimentos, sentindo o falo ficar cada vez mais duro em sua mão. Os toques do russo eram um tanto tímidos e Ikki perguntou-se se ele realmente era experiente como tinha dito.
Por um momento, aproveitou aquela carícia, mas logo reassumiu a postura dominante, fechando as mãos grandes sobre o tronco nu, de Hyoga apertando tudo que podia, tomando cuidado com a ferida que havia suturado. Olhou com luxúria para os mamilos rosados e túrgidos que pareciam chamá-lo...
Curvou o tronco e fechou os lábios em um mamilo, enquanto acariciava o outro. Lambeu, vagarosamente, percebendo a cada toque as reações de prazer que fazia Hyoga gemer e entrelaçar os dedos em seus cabelos, puxando-o, trazendo-o cada vez mais para perto do seu corpo.
Gostando daquela entrega, Ikki deslizou a língua sorrateiramente do peito para a barriga lisa e arfante, circundando o umbigo antes de mergulhar dentro dele e arrancar um ofego. O gemido que Hyoga emitiu foi um som delicioso de ser ouvido e o agente parou, encontrando o rosto afogueado do russo. Ah, que bela visão era aquela...
Corado e despenteado, Hyoga erguia os quadris, esquecendo a dor no lado esquerdo, imerso no prazer de sentir Ikki devassá-lo com a língua quente e úmida... As mãos ligeiras do agente tiraram sua calça de moletom. A cueca branca marcando os contornos exatos de sua excitação fez Ikki sorrir e voltar a beijar-lhe a boca, enquanto o livrava daquela peça, agora incômoda.
— Ikki... – gemeu Hyoga.
— Hum...? Estou te machucando? — Ikki olhou-o com atenção, sem parar a carícia em suas coxas alvas e torneadas.
— N-Não... – disse Hyoga tentando conter mais um gemido.
Hyoga estava muito excitado, mas esta seria sua primeira vez como passivo e sabia que iria doer. Ainda tinha aquele maldito ferimento. Mordeu o lábio, contendo as palavras que revelariam a verdade e resolveu deixar acontecer.
Ikki olhou-o, sentindo algo inexplicável dentro de si, uma necessidade e um sentimento que se deram as mãos em uma compreensão implícita. Era um homem experiente, apesar dos seus trinta e dois anos e era capaz de perceber certas coisas. Hyoga podia não ser virgem, mas jamais se entregara a alguém... E agora, estava se entregando a ele, Ikki!
— Você é lindo, sabia? – disse o moreno acariciando o rosto de Hyoga antes de tomar-lhe a boca em mais um beijo profundo e quente.
Ainda com os lábios nos de Hyoga, Ikki sussurrou baixo e ofegante.
— Está tudo bem...relaxe.
Após aquela fala, Hyoga sentiu a mão de Ikki masturbá-lo devagar, as pontas calejadas dos dedos roçando seu falo, seus testículos e períneo em uma carícia gostosa e ritmada...
Os quadris do russo foram de encontro à mão grande e forte que o acariciava e seus lábios se abriram em gemidos profundos. Logo, Ikki substituiu a mão pelo próprio corpo e Hyoga arquejou, estremecendo com a fricção dos corpos, os músculos se retesando enquanto sua pele queimava pela forma prazerosa como Ikki o tocava, e se movia contra ele...
— Abra as pernas para mim... – Ikki disse baixo e com a voz ainda mais enrouquecida.
A fala de Ikki fez Hyoga estremecer ainda mais. Ele perdeu-se no olhar cheio de desejo do agente e obedeceu...
Depois de emitir um rascante som de apreciação, Ikki sussurrou:
— Abra mais...
Ofegante, Hyoga dobrou um joelho. Com um gemido rouco, Ikki rapidamente se aproveitou disso e o jovem russo sentiu o hálito quente e úmido seguido por um toque dos lábios na parte interna da coxa. Então Ikki começou a subir pouco a pouco até alcançar o falo que já gotejava de excitação, lambendo-o, beijando-o e provocando-o com o nariz.
Hyoga ergueu os quadris num movimento involuntário e instintivo, se oferecendo por completo. Ikki sorriu e deslizou as mãos por baixo das nádegas de Hyoga, suspendendo-o e levando a língua até a entrada que se contraía, arrancando gemidos angustiados.
O agente se deliciou com as reações de Hyoga e o russo, por sua vez, descobriu que Ikki podia ser completamente impiedoso quando queria ser. Ele usou a língua para obrigá-lo a implorar, os dedos para manipulá-lo prazerosamente, os dentes para fazê-lo arfar e se perguntar até quando suportaria tanto prazer...
Quando por fim, Ikki sentiu Hyoga desesperado para senti-lo, levantou-se da cama e tirou a roupa. O jovem russo apreciou a deslumbrante visão do corpo inteiramente nu de Ikki e, embora seu corpo estivesse imóvel, seu coração disparou dentro do peito.
Os ombros e o peito de Ikki eram largos, o abdome sólido e com algumas cicatrizes, as coxas longas e musculosas. Os pelos em torno da virilha eram escuros e sua ereção comprida e grossa pulsava impaciente...
Hyoga ofegou sentindo-se emocionalmente cru, incapaz de lidar com a profundidade do que havia experimentado, do que Ikki podia tão facilmente fazer com que ele sentisse. Observou-o descer sobre o seu corpo com aquele olhar intenso e afiado que parecia devassá-lo. Um mero ato sexual não devia ser tão incontrolável. Pensou enquanto sentia o corpo arder e o coração se expandir...
— Posso sentir você por todo o meu corpo... – sussurrou Hyoga num tom baixo, quase temeroso, porque nunca suspeitara que sexo pudesse ser tão selvagem e tão transcendente, até o ponto de se sentir indefeso contra ele. Sua pele parecia ter vida própria e seus sentidos tiniam deixando-o com a respiração entrecortada.
Ikki segurou em concha o rosto de Hyoga e fitou seus olhos. O jovem sentiu uma emoção tão forte e inexplicável que fechou os olhos, sentindo-os úmidos...
Porém, agora, não era tristeza que sentia e sim um prazer tão surpreendente que, finalmente, compreendia como alguém podia chorar de contentamento.
— Olhe para mim... – disse Ikki com a voz baixa e rouca.
Hyoga obedeceu, mesmo sabendo que Ikki veria suas lágrimas. O agente lambeu-as com uma intimidade silenciosa e franziu o rosto, embalando-se contra ele, abrindo suas pernas com suas coxas e penetrando-o numa graduação excruciantemente lenta. Hyoga o abraçou, estarrecido pelo choque de prazer e dor, enquanto Ikki o preenchia.
Emaranhando os dedos nos cabelos e travando a boca nos lábios de Hyoga, Ikki começou a se mover furiosamente dentro dele, tocando-o tão fundo que o russo gemeu e gritou tomado por fortes ondas que se espalhavam por todo o seu ser, fazendo-o consciente do próprio corpo e o corpo de Ikki como jamais sentira com outro.
O falo do jovem russo pulsava junto ao ventre de Ikki, a fricção triplicando o prazer que sentia com as estocadas e com o calor da pele do agente...
Vigoroso e quase selvagem, Ikki continuava adentrando as profundezas do corpo apertado, o falo buscando o ponto prazeroso, enquanto sua boca continuava a beijar e morder, deixando Hyoga cada vez mais perto do orgasmo.
Músculos ondularam e retesaram, as bocas arfaram juntas e palavras roucas escaparam em meio ao suor. Os quadris se chocavam e as peles brilhavam no bailado erótico dos lençóis em desalinho e das marcas impressas de ambos os corpos...
Hyoga sentia o clímax chegando e seus dedos afundaram na carne rija de Ikki. Suas mãos escorregaram pelo suor abundante da pele morena e a presença viril entre as suas pernas o fez sentir-se parte do corpo de Ikki e também, parte de sua alma...
Ikki sentiu os tremores abaixo de si, a força do corpo de Hyoga engolindo-o, apertando-o... Em meio ao furor de todo aquele prazer, os dois se abraçaram tão forte que pareceram fundir-se em um só.
Tudo pareceu ficar rubro, feito fogo...
Então, um grito abafado e rouco escapou da garganta de Hyoga ao ser sacudido pelo orgasmo violento e Ikki que ainda o beijava, engoliu o som, apertando-o junto a si, enquanto grunhia e também sentia seu corpo estremecer com o clímax.
O sêmen abundante de ambos molhou dentro e fora dos corpos, enquanto os lábios arfantes e trêmulos se buscavam, mais uma vez...
Ikki deixou-se desabar sobre Hyoga. Os batimentos do coração de ambos retumbavam, parecendo dois tambores batendo em sintonia. O rosto de Hyoga estava afogueado e, incrivelmente, lindo e relaxado aos olhos de Ikki que agora retirava alguns fios loiros da testa suada e acariciava-o como se quisesse gravar aquela expressão para sempre.
O jovem sorriu e começou a vagar para o sono. Ikki também sorriu e ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto Hyoga sentia a letargia invadir-lhe o corpo. Antes de adormecer, ele ouviu Ikki murmurar:
— Você é especial, muito especial e me deu muito mais do que eu mereço.
Embalado pela voz grave e rouca de Ikki, Hyoga tentou falar, mas seus olhos se fecharam e, num estalar de dedos, dormiu profundamente.
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O quarto não tinha janelas e as paredes eram tão imaculadas e brancas como a camisa que o envolvia. Seus cabelos longos cobriam seus olhos, mas ele não se importava, parecia alheio a tudo e todos. Seus lábios permaneciam fechados e silenciosos, só abrindo para receber as drogas que lhe davam...
— Como se sente hoje? – perguntou a jovem também envolta em branco.
O homem não respondeu e continuou com seu olhar vazio. Thétis tocou a face bonita e fez um biquinho, sussurrando rente aos lábios dele:
— Que pena... Tão bonito e jogado neste lugar.
— Está há tanto tempo sem homem, Thétis, que agora tá atacando os loucos? – perguntou Sorento sorrindo, chegando bem próximo da enfermeira.
— Não seja vulgar! O que está fazendo aqui? – perguntou ela se afastando.
— O chefe tem planos pra esse aí. Vai ficar sem o seu príncipe encantado... – respondeu o jovem exótico, cujos olhos violáceos pareciam duas pedras preciosas.
— Pois que tenha! – disse Thétis deixando a sala, enquanto Sorento olhava para o homem com expressão ausente.
Sorento se aproximou dele, esquadrinhando e rindo.
— Então, senhor ninguém... vou levá-lo para o chefe. Não sei o que ele quer com alguém que...
O jovem não conseguiu concluir a frase. Sem que ele tivesse tempo de se defender a testa do homem bateu em cheio na sua e, da boca silenciosa, saltaram pílulas que não haviam sido engolidas.
Sorento ficou estonteado, mas antes que pudesse reagir, o homem golpeou-o com um chute no baixo-ventre, fazendo-o dobrar-se de dor. Então, quando o jovem desabou no chão acolchoado, o homem torceu o corpo de tal forma que seu ombro se deslocou, permitindo que ele pudesse desvestir a camisa de força.
Gemendo, Sorento ainda levou um chute no rosto que deixou uma feia marca no rosto bonito. O homem olhou-o, agora com um brilho intenso e, totalmente, presente. Em seguida, encostou-se na parede branca e espiou para o final do corredor. Viu um homem corpulento segurando uma automática junto ao corpo e sorriu. Habilmente, o homem deslocou-se com a mesma leveza que ainda lembrava possuir. Um golpe e o capanga desabou, assim como Sorento, instantes atrás.
Então, ele viu a luz do dia, entrando pelas janelas altas daquele lugar. Parecia um galpão com milhares de divisórias, todas guardando alguma coisa: armas, mercadorias, pessoas... Correu em direção a uma pequena porta que parecia ser de um depósito. Teve sorte em encontrá-la destrancada, então abriu-a e teve acesso a uma rua estreita, cheia de caminhões estacionados. Escondeu-se em um deles, embaixo da carroceria.
Quando um homem gritou algo em russo, ele colou ainda mais o corpo no metal e viu que alguns corriam na direção onde deixara o jovem caído. Sorriu como se tivesse feito uma travessura e sussurrou baixinho:
— O Senhor ninguém deixou de existir, seus filhos da puta. Meu nome é Saga e quando eu voltar aqui vai ser pra acabar com toda essa ralé.
Alheio a toda àquela movimentação, Nicolai estava em seu escritório e erguia a taça com champanhe, enquanto enfiava a mão por entre as pernas de Thétis que estava agarrada a si na ampla poltrona.
— Fiz tudo como mandou... – disse ela quase gemendo, enquanto olhava para os lábios úmidos de Nicolai.
— Sim, minha querida... você fez. Isaac pensa que pode comigo, mas quando menos esperar, será a sua própria gente que fará o serviço e me abrirá as portas para o que eu quero.
Thétis ronronou e Nicolai mergulhou o dedo no sexo molhado e quente da jovem... Ela se contorceu e lhe ofereceu a boca que ele beijou com os olhos abertos e uma expressão maquiavélica.
Em seguida, Thétis abriu o zíper da calça de Nicolai e sem hesitar acolheu o sexo rijo e excitado na boca...
Alguns movimentos depois, o russo gozava, segurando os cabelos da jovem com violência, fazendo-a se engasgar com seu sêmen. Thétis tossiu e, mesmo assim, Nicolai continuou segurando-a, até esgotar cada gota do seu prazer. Ela olhou-a com lágrimas escorrendo pela face e ele soltou-a como se ela fosse um mero objeto.
— Deixe-me. – disse ele sem olhá-la nos olhos.
A jovem obedeceu, sabendo que sempre seria assim.
Quando a porta se fechou e Nicolai se viu sozinho, pegou a foto que sempre trazia consigo e apertou os lábios.
Natássia... Por quê? Porque você destruiu o que existia entre nós? Por quê privou-me do nosso filho?
Enquanto isso, Saga ia em direção à sua liberdade, após oito meses preso naquele lugar e dado como morto por seus companheiros. Ansioso por encontrar seu irmão, ele não sabia que tudo era um plano e ele... apenas um chamariz!
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