Muito Além Da Dor!
12 Capítulo 8 REDENÇÃO
Notas iniciais
“Não existe vitória espiritual sem redenção, assim como não existe redenção sem que experimentemos o amor”
Ikki sentiu-se estranho, mas ainda assim algo dentro dele dizia que as suas crenças ou a falta delas, estava para mudar. O ritmo vertiginoso dos acontecimentos o deixava em constante prontidão. Pensava e agia rápido, sempre. Era assim no trabalho e na vida pessoal.
A perda de Shun o tornara amargo, descrente... Deixara de amar por medo da perda, era mais fácil centrar tudo em si mesmo e seguir em frente, sem amarras, sem vínculos mais profundos. Amava os amigos, mas os deixava à distância, isolava-se em sua fortaleza da solidão como brincava Seiya.
Mesmo ocupando espaços próximos, Shura, Seiya, Kanon e os outros nunca tinham acesso à verdadeira dimensão dos sentimentos do moreno. Ele isolava-se em sua dor ou até mesmo em sua extrema competência.
Hyoga olhava, profundamente, nos olhos do homem que amava. Via a dor escondida sob a paixão com que ele enfrentava o mundo. Shun estava ao seu lado, assim como Guilty. A luz do jovem resplandecia como se fosse uma brisa morna e agradável. O mais velho ainda continha densidade, embora houvesse reconhecido que era hora de se redimir.
— Hyoga, preciso da sua ajuda. — disse Shun e o loiro compreendeu, estendendo a mão.
Ikki olhou para Hyoga e viu uma imagem sobreposta, era como se Shun estivesse ali, no corpo do loiro, mas ainda era Hyoga e isso o deixou confuso.
— Ikki, meu irmão amado...— a voz de Hyoga soou com a sonoridade da voz de Shun.
— Shun...? Shun... Como é possível? – falou Ikki.
— Me Escute...— disse Shun tocando o rosto do moreno. – Tem tantas coisas que eu gostaria que você compreendesse, que você pudesse ver. Eu sempre amei você, Ikki, meu irmão mais velho, meu protetor, meu amado... Amei além do vínculo que temos nessa vida e vou amar sempre, porque o amor não morre. Não foi culpa sua que eu tenha adoecido. A doença, muitas vezes, é a forma que a alma encontra para nos conectar com nossa essência, para que possamos nos despir do orgulho e olhar de forma humilde e verdadeira para dentro de nós mesmos. Eu fiz isso, Ikki, e em minha ignorância não consegui suportar a dor... Não a dor física, mas a dor de descobrir que o nosso vínculo era além do fraterno e eu sentia culpa e horror por achar que isso era errado, imoral...
Ikki escutava a voz do irmão e cada palavra parecia um espinho cravando em sua pele. Imagens dançaram em sua mente ao ouvir aquela última frase: Eu fiz isso, Ikki e em minha ignorância não consegui suportar a dor... Não a dor física, mas a dor de descobrir que o nosso vínculo era além do fraterno. Olhou-o para Hyoga e sentiu-se estremecer, como se um véu fosse retirado dos seus olhos.
— Você sabia, não é? Percebia que o laço entre nós era visceralmente mais profundo, existia entre nós um desejo sublimado que não era consciente, mas nos isolava de tudo e todos. Você não se relacionava com ninguém, nem me permitia sair do mundo que criamos para nós. As desculpas, o perigo, as missões, tudo ajudou a mascarar o que sentíamos, até o momento em que adoeci. Ali, em meio às dores físicas eu passei a ver claramente e me desesperei por ser tarde demais. Tarde para esclarecermos o que sentíamos e tarde para pedir que me perdoasse...
— Perdoar...? – a palavra escapou dos lábios de Ikki junto a uma lágrima solitária.
— Sim, perdoar. Porque em meu egoísmo eu queria que você abandonasse tudo para ficar ao meu lado e porque, no fundo, eu sabia que o seu trabalho era a sua âncora, aquilo que o puxava para uma vida sem mim, sem a dependência doentia que estabelecemos entre nós. Eu quis romper com a dor, Ikki, mas o que me levou ao suicídio foi a ideia errada que tudo teria um fim, que eu me libertaria e libertaria você.
Ikki fechou os olhos sentindo uma dor no peito e um engasgo que parecia esmagar-lhe a garganta.
— Não, Shun... Não... – disse ele tentando sufocar os soluços.
— Mas a vida não tem fim e a morte apenas abre uma passagem, uma passagem ao entendimento e à oportunidade de renascer. A mim foi dada a mais amorosa das oportunidades, a de poder ajudá-lo a compreender e a de me redimir. Não existem leis morais que superem a lei do amor. Tudo é justo e perfeito, embora só o compreendamos de forma limitada, porque julgamos e nos embrenhamos na culpa e no sofrimento.
Num ímpeto, Ikki abraçou-se ao corpo de Hyoga. O choro irrompeu convulso, enquanto ele se agarrava ao loiro como se precisasse ser salvo. A mão de Hyoga foi aos cabelos negros e os acariciou.
— — Shun... Shun... – repetia Ikki em desespero, tentando mantê-lo ali, mesmo sabendo que era impossível.
— Escute... Olhe em meus olhos... – disse Shun e quando Ikki elevou os seus, encontrou grandes e brilhantes olhos verdes que estavam cheios de amor e alegria. – Viva, arrisque e ame, ame muito! Faça por você, faça por nós... Perdoe a si mesmo e siga em frente. Minha jornada está começando e a sua também.
De uma forma inexplicável, Ikki foi tomado por um sentimento de paz. Em cada lágrima que banhava o seu rosto se esvaíam as dores e os medos que estavam trancafiados. Ele olhou nos olhos de Hyoga que agora estavam azuis, como eram os dele e compreendeu, e se perdoou...
Guilty olhou para Hyoga. Em seu estágio, só podia pedir que ele fosse o seu porta-voz.
— Diga a ele que eu sinto muito. Que sempre o amei como se fosse meu filho e que gostaria que... que ele me perdoasse. Ele não foi injusto, nem ingrato. Eu me perdi e fiz coisas das quais não tenho orgulho. A integridade que um dia foi minha, permaneceu nele e quero que ele saiba disso, que eu agradeço o tempo que nos foi dado, juntos.
— Guilty também lhe pede perdão. Disse que sempre o amou como se fosse filho dele e que não o culpa. Ele agradece a sua ação e o tempo em que ficaram juntos.
Ikki limpou o rosto.
— Eu também o amei como se fosse meu pai. E também sinto... porque eu...eu não percebi que ele também estava sofrendo uma perda. Eu apenas julguei e... fixei-me na decepção de ver desmoronar o homem que sempre admirei. Eu também peço perdão pela minha... cegueira.
Guilty surpreendeu-se, não esperava aquela atitude do homem que ajudara a moldar. Mas, então, sorriu, agradecido e mais leve. Olhou para o lado e viu que Esmeralda e Isaac se aproximavam, assim como Saga e Kanon.
— Hyoga, se importa de levar uma mensagem minha a minha filha também?— perguntou ele.
— Claro que não. Diga.
Esmeralda franziu o cenho e, por alguns segundos pareceu ver o pai ao lado do loiro, mas a imagem esvaneceu. Ela olhou para Hyoga com uma expressão perplexa.
— Esmeralda, seu pai está aqui e ele gostaria de dizer-lhe algo.
— Meu pai? Mas... Como?
— O espírito dele ainda permanece. Ele está dizendo que sente muito, que nunca disse que a amava, mas que você sempre será a princesinha dele, a melhor coisa que aconteceu em sua vida e que espera que você seja feliz. Ah, ele também disse que você é uma excelente agente e não fica a dever para homem nenhum.
Esmeralda levou a mão à boca. Isaac colocou as mãos em seus ombros em uma atitude de apoio solidário.
— Bem, eles estão indo. – disse Hyoga.
Ikki, Esmeralda, Isaac sentiram uma vibração no ar, parecia uma brisa morna que, de repente, circulava entre eles para então dispersar. Os três ficaram em silêncio e a floresta se encheu de pequenas borboletas azuis.
Shura , que permanecia observando, sorriu quando chegou e percebeu o que havia acontecido ali. A transformação jamais cessava, fosse nesse ou em outros planos. Evoluir, evoluir sempre... A frase surgiu em sua mente ao continuar fascinado com o bailado daquelas doces e frágeis criaturas.
Saga e Kanon se abraçaram. De alguma forma, o que acontecera ali lhes trouxera um entendimento. Nada era errado ou imoral, mas a roda inexorável da vida oportunizava viver diferentes papéis. Ora amantes, ora pais e filhos, ora irmãos, ora amigos... Tudo era justo, perfeito, amoroso. Haveria erros e acertos, mas assim era o ser humano. Aceitação, perdão, vidas que se entrelaçavam nas mais variadas situações.
Aprender e evoluir, eis a lei, como cantam os anjos que protegem os homens. Em algum lugar, Halaliel sorriu e recebeu de volta aqueles que embarcavam na jornada espiritual que jamais tinha fim.
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Sete anos depois...
Ikki baixou os olhos para a foto do jornal em suas mãos e sorriu. Muitas fotos como aquela se repetiam e tinham sido publicadas em jornais no decorrer dos anos. Hyoga tornara-se uma celebridade, uma referência em assuntos ligados aos fenômenos paranormais desde que resolvera assumir o seu dom e colocá-lo à serviço de pessoas e organizações que visavam ajudar no resgate de desaparecidos e outras situações que pediam ações diferentes do convencional.
O loiro havia se desenvolvido, não era mais o garoto que conhecera, mas ainda conservava aquele olhar juvenil e um corpo que o enlouquecia. E hoje era o seu aniversário, vinte e oito anos... Quem diria.
Envolvido com homenagens que estava recebendo pelo seu trabalho de resgate de crianças russas, ele não desconfiava que ele estivesse ali, no apartamento que haviam comprado para morar juntos em Nova York. Para todos os efeitos, ele ainda estava em uma missão na faixa de Gaza no território palestino.
Arrumou a toalha sobre o carpete e colocou uma vela central dentro de uma tigela com água e pétalas de flores, ideia de Esmeralda que lhe dera todas as dicas para que fizesse um jantar romântico e não muito tradicional. Queria surpreendê-lo, mostrar que se importava. Sete anos e ainda o amava com uma intensidade surpreendente, até para si mesmo...
Seguindo o roteiro, Ikki arrumou tudo como se fosse um piquenique dentro de casa. Frutas, bolos, queijos, carne assada e um bom vinho. Depois de tudo pronto, apagou as luzes, tirou a roupa e esperou recostado a duas grandes almofadas. Um tanto ansioso, cuidava as horas no relógio. Hyoga chegaria dali a... exatamente, quinze minutos!
— Mas é claro que a senhora pode usar meu telefone. Fique à vonta...
A voz de Hyoga adentrou a sala, assim que o tempo se esgotou e ele apertava o interruptor de luz. Os olhos da senhora Dolores se arregalaram quando ela deu de cara com um moreno lindo, nu e musculoso recostado a duas almofadas como se fosse um modelo daquele tipo de revista que ela olhava, discretamente, nas bancas.
— Madre de Dios! – exclamou ela.
— Ikki... — exclamou Hyoga.
— Hã... Boa noite! – falou Ikki colocando uma das almofadas na frente de seu sexo.
— O-Obrigada pela gentileza, mi hijo, mas vejo que está ocupado, então pedirei ao vizinho do lado. – disse a senhora com um sorriso cúmplice e deixando os dois que se encaravam com espanto.
Hyoga olhou para o moreno.
— Você não estava na faixa de Gaza?
— Estou começando a duvidar dos seus poderes, loiro...
Um sorriso distendeu os lábios de Hyoga e ele lançou-se, saudoso, naqueles braços que haviam feito muita falta. Ikki estivera fora por três meses e ele não podia, ou melhor, não queria especular se ele estaria de volta no seu aniversário.
— Você veio... – disse o loiro beijando-o.
— Achou que eu não estaria aqui, no seu aniversário?
— Você estava em uma missão importante.
— Nada é mais importante que ver esse seu rosto lindo.
Hyoga fitou Ikki dentro dos olhos, encontrando o azul denso e sensual que faziam seu coração acelerar. Sete anos de convivência e isso sempre acontecia. Ikki beijou-o no pescoço, logo abaixo da orelha seguindo até a clavícula até retornar a boca entreaberta e mordiscar-lhe os lábios antes de cobri-los e aprofundar o beijo com vontade e fúria.
Os corpos se uniram, num abraço longo e apertado, fazendo Hyoga sentir a ereção de Ikki pulsar e vice-versa. Os dois sorriram um para o outro, enquanto as mãos afoitas, de ambos, desciam pelos contornos dos corpos, apertando, acariciando, sentindo a vibração da carne e aquela intimidade que se fortalecia cada vez mais...
Hyoga gemeu e projetou o quadril na direção da mão de Ikki, querendo sentir o toque íntimo e forte das mãos do amante. Beijaram-se com ardor, as línguas provando uma da outra, os lábios molhados e quentes pela saliva que se depositava no queixo, no pescoço, no rosto todo... Por um instante, Hyoga parou o beijo e afastou o rosto, olhando Ikki nos olhos, a voz macia e sensual se pronunciando quase inaudível...
— Eu te amo, Ikki... Amo, amo, amo. – repetiu voltando a enchê-lo de beijos.
Ikki sorriu sentindo algo se expandir dentro de si, algo além do desejo forte, despertado pelos toques e pelo corpo do loiro. Era uma emoção intensa, como se nada mais importasse, além daqueles olhos azuis e daquele sorriso o fazendo sentir-se amado e desejado de forma profunda e verdadeira.
Excitado, Hyoga exibia um olhar febril, os olhos úmidos e brilhantes, o rosto afogueado, sinal verde para Ikki começar a despi-lo, entre beijos molhados e olhares cheios de luxúria.
— Eu trouxe um presente... espero que goste. – falou o moreno, enquanto desabotoava a camisa de Hyoga, arrancando os botões na pressa em sentir-lhe a pele.
— Meu presente é você... – sussurrou o loiro, tentando ajudar Ikki na tirada das roupas.
Ao deixá-lo nu, Ikki posicionou-se entre as pernas de Hyoga, levantando um pouco o seu quadril e preenchendo-o de uma vez. O loiro gemeu de prazer ao ser penetrado por Ikki que segurou firme a ereção do amante e começou a masturbá-lo, enquanto se aprofundava mais e mais dentro dele, beijando-o e mordiscando-o com avidez.
Ambos gemeram alto, começando a perder o controle, tomados pela fome do desejo, movendo-se num ritmo forte, sôfrego e desatinado... Estavam saudosos do corpo um do outro, do suor, da saliva, da pele ardente e agora uniam-se, quase em desespero...
Ikki segurou o pulso de Hyoga, puxando-o para si, fazendo-o sentar em seu colo, apertando as nádegas roliças, afundando-se mais dentro do corpo amado, deixando as marcas dos dedos na pele clara, buscando a boca ofegante para beijar...
A forma como Hyoga mexia o corpo, subindo e descendo, enquanto agarrava-se aos seus ombros e gemia alto, fazia a pressão em seu membro enlouquecê-lo mais e mais e Ikki estocou mais fundo, mais forte, fazendo Hyoga atingir o orgasmo e gritar rouco, explodindo na mão e no tórax do outro. Ao sentir o líquido quente banhá-lo e o corpo do amante estremecer, Ikki derramou-se dentro dele, apertando-o junto a si, gemendo e sussurrando:
— Como eu te amo...!
— Também... te amo...- falou Hyoga quase sem ar, com a cabeça apoiada no pescoço do moreno.
Ficaram abraçados, com Ikki ainda dentro de Hyoga, sentindo o calor daquele corpo esguio, o tremor da pele, o coração descompassado...
— Não se mexa... – murmurou Ikki fazendo com que Hyoga permanecesse abraçado a si e com seu sexo ainda dentro dele.
— Nem que eu quisesse... – devolveu Hyoga sentindo o corpo amolecido pelo orgasmo intenso.
Segurando o quadril de Hyoga com uma mão, Ikki estendeu o braço e puxou uma pequena caixa que deixara próxima das almofadas.
— Abra os olhos... – disse ele para o loiro que quase cochilava apoiado na curvatura do seu pescoço.
Hyoga abriu os olhos e viu dois anéis em ouro branco, simples e belos que continham uma inscrição em seu interior.
“O amor nunca morre. Te amo agora e sempre!”
Com lágrimas nos olhos, o loiro tocou o rosto de Ikki.
— Este é um anel de compromisso, isto é, se você aceitar. Sei que sou mais velho que você e...
Hyoga não deixou que Ikki concluísse a frase. Beijou-o, novamente, com tanta força que logo os dois perderam o fôlego.
— Presumo que isso seja um sim.— disse Ikki sorrindo.
— O que você acha? – falou Hyoga tomando o rosto de Ikki nas mãos e beijando-o, agora com mais suavidade.
Continuando um homem pragmático, Ikki não precisava de palavras. Terno, puxou Hyoga para si e uniu-se a ele, satisfeito com a resposta dada. Fizeram amor, novamente, agora de um jeito mais lento, sem a voracidade anterior, mas com uma ternura cúmplice de quem não tinha pressa, de quem sabia que o tempo era um bom companheiro e não um adversário.
Mais uma vez o mundo pareceu parar e inexistir. Ikki conduzia Hyoga ao orgasmo e, ao mesmo tempo, sentia que era ali que desejava estar, no corpo dele, embevecido com os sorrisos e com o amor despojado que ele tinha para lhe oferecer. Fechou os olhos e agradeceu ao universo, por merecer aquele homem e por ter tido a oportunidade de vivenciar essa emoção tão especial, capaz de vencer qualquer coisa...
Jantaram riram e acabaram adormecendo ali, no chão da sala, enquanto a noite se derramava sobre a cidade, ora em silêncio, ora com seus ruídos atravessando a madrugada...
— Hyoga...
— Hummm...
— Acorde, já amanheceu.
— A gente dormiu aqui? – perguntou o loiro esfregando os olhos.
— Dormimos. – respondeu Ikki rindo. – Vem, vamos tomar um banho que daqui a pouco temos compromisso.
Hyoga sorriu. Sim, os dois haviam sido convidados para serem os padrinhos do bebê de Esmeralda e Isaac. Os dois haviam se casado logo após o término da missão que prendera Serguei e agora tinham uma filha.
Esmeralda deixara o serviço de campo, mas continuava como consultora de assuntos internos do FBI e parecia muito feliz com sua escolha. Os quatro haviam se tornado amigos, jantavam juntos e descobriram que tinham muitas coisas em comum.
Na pequena igreja, os vitrais, em azul e vermelho, imprimiam raios coloridos que se depositavam sobre a pia batismal, enquanto o padre derramava a água benta sobre a cabecinha do bebê e proferia as palavras com um sorriso nos lábios.
Isaac e Esmeralda sorriam com sua filha nos braços. Ikki e Hyoga também estavam felizes, até porque o padre não era daqueles tradicionais. Jovem e com uma cabeça bastante arejada, ele notara que Ikki e Hyoga formavam um casal e ofereceu-se para abençoar as alianças que os vira usar. Afinal, Deus era amor, não? Dissera ele ao recebê-los na pequena paróquia e Ikki, apesar de continuar não acreditando em religiões, comoveu-se com a ação daquele homem e mais uma pequena luzinha brilhou dentro de si, acreditando que a humanidade ainda tinha exemplares dignos de admiração.
Então, a cerimônia de batismo também se tornou uma benção para a união daqueles dois e o clima era de festa e muita alegria.
— Quer ir com seus padrinhos, Andrômeda? – perguntou Esmeralda tocando nas mãozinhas da filha.
O bebê sorriu e balbuciou algo, abrindo os bracinhos. Ikki e Hyoga se aproximaram e o moreno tomou a criança nos braços. De imediato, ele sentiu uma emoção muito forte e acolhedora, um calor gostoso dentro do peito, que não soube explicar. A menina estava com os olhinhos grandes e abertos fixados nos seus. Hyoga viu que, apesar de ser um bebê, a cor daqueles olhos tinha o mesmo tom verde dos olhos de Shun. O bebê sorriu para os dois e moveu as mãozinhas, fazendo barulhinhos com a boca, trazendo sorrisos para todos que estavam ali.
Hyoga tocou o ombro de Ikki e sorriu, emocionado. A frase que Shun dissera, ainda ecoava em sua lembrança:
“Eu te amo, irmão. Saiba que estarei sempre ao seu lado, sempre. Temos um laço eterno e o amor que nos une sempre encontrará um jeito de nos reaproximar e unir.”
Seja bem-vindo de volta, Shun. Pensou o loiro, enquanto depositava um beijo na cabecinha daquele novo ser.
FIM
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