Muito Além Da Dor!
8 Capítulo 8 ESCOLHAS...
Notas iniciais
“A felicidade não entra em portas trancadas.”
Isaac estava nervoso. Não aquele nervosismo de quem não sabe o que esperar ou fazer e sim, do tipo que tem todas as pistas e armas à disposição. Ele sabia os passos de Nikolai, era só, ousar.
Pensou em Esmeralda e em como se sentia em relação a ela. Culpado? Envolvido? Não sabia. Suas incursões amorosas eram sempre mescladas com alguma dificuldade do sexo oposto. Não tinha tempo, nem habilidade emocional para seguir os passos de um envolvimento natural: cortejar, namorar, casar... Em parte pelas dificuldades que sentia em relação às suas emoções e também por problemas em sua autoestima. Tinha aquela cicatriz horrível e não se achava charmoso como o eram os personagens de filmes e comics tipo o Nick Fury da Shield.
Na realidade, era mais uma espécie de “salvador da pátria” que um amante. Havia sido assim com Natássia. Ela sempre amara Nikolai, apesar de ter fugido. O suicídio era uma prova disso. Se o tivesse reencontrado, sucumbiria ao amor que sentia por ele, além de entregar que Hyoga era seu filho. Ela preferira a morte que dobrar-se, novamente, àquele sentimento visceral que a levaria de volta aos braços de um homem cujas amantes eram a morte, o engano, o crime...
Esmeralda era delicada, embora fosse uma de suas mais promissoras agentes. Admirava-a, mas nunca chegara ao ponto de insinuar seu interesse. Não via nela, abertura para uma aproximação. Desconfiava que ambos tinham mais em comum do que pensava e talvez fosse essa semelhança que o impedia de avançar. Não queria mais ser o estepe de relações mal resolvidas...
A vibração do telefone em seu bolso interrompeu a enxurrada de lembranças e pensamentos.
— Oi, Kanon. O quê? Mas como e onde? – perguntou Isaac ao ouvir a novidade que o fez levar a mão aos cabelos e depois abaixo da nuca.
Kanon relatou como tudo transcorrera e Isaac analisou cada fato. De repente, sentiu sua cicatriz arder e sua cabeça latejar. Nikolai era mesmo um demônio de muitas facetas.
— Estou indo me encontrar com vocês. Preciso mesmo conversar com todos juntos sobre Nikolai e... outras coisas. Já é hora de colocarmos tudo na mesa. – disse Isaac e desligou.
Ao dirigir-se para a porta, sentiu aquele friozinho na nuca e pegou sua arma, por precaução. Topou com Esmeralda que chegava com uma expressão transtornada.
— I-Isaac... – gaguejou ela e ele a tomou nos braços, sentindo toda a aflição no corpo delicado.
— Estou aqui. O que aconteceu? Não me diga que Nikolai...
— Não! É meu pai... E-Ele... E-Ele saiu do coma e...
— E?
— Arrancou todos os fios que o monitoravam, gritou para que o deixassem em paz e... E morreu! – disse ela afundando o rosto no peito de Isaac.
— Esmeralda... Eu sinto muito. – disse Isaac apertando-a mais junto a si.
— Meu Deus, Isaac... Eu nem pude dizer a ele que eu... sinto... muito! Mesmo tendo feito tudo errado, ele era... meu pai.
— Ele sabe, querida... Do jeito dele, ele a amou.
Ditas as palavras, Isaac ficou em silêncio.
Por alguns momentos, Esmeralda abandonou-se em seus braços e nem ela soube o porquê de tê-lo procurado. Pensara em Ikki, o homem que seu pai treinara e adotara como um filho. Lembrou-se do estilo durão e viril que a fez sentir-se feminina, pela primeira vez em sua vida, mas também da forma abrupta com que ele se livrara dela. Porém, a dor que sentia a levara até Isaac, buscando consolo nos braços que a confortavam desde sempre, no olhar orgulhoso que ele lhe dava cada vez que ela se saía bem em uma missão.
Ela levantou a cabeça e permitiu que as bocas se encontrassem. Não havia lógica, nem planejamento. Só havia o desejo de parar a dor, de dividi-la com quem pudesse entender o que sentia...
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Seu corpo experimentou uma espécie de expansão e fragmentação, ambos ao mesmo tempo. Não era assim que imaginava a morte, mas sabia que era uma forma de conseguir o que desejava. Sim, ele ainda queria vingança, o sentimento de rejeição e raiva ainda residia dentro de si, pedindo por liberação.
Olhou para si próprio, sentindo a diferença e a densidade desse novo corpo. Quando sentiu a morte, viu abrir-se diante de si uma espécie de portal luminoso e até imagens de rostos conhecidos. Ignorou-os, pois tinha muito que fazer ainda. Então ele os viu, seres tão densos quanto ele e com o mesmo sentimento: raiva, dor, ódio, desespero.
Por alguns segundos, ele hesitou, porque aquelas emoções pareciam sugá-lo e levá-lo para outro lugar, um lugar distante da luz. A luz era sedutora, agradável, cheia de sussurros amorosos.
Mas logo, ele descobriu que as sombras podiam ajudá-lo a obter êxito em sua vingança, enquanto a luz o faria vivenciar outras experiências. Então, deixou-se abraçar pela escuridão e adentrou o abismo...
Alguém que não estivesse acostumado ao perigo, fatalmente se encolheria e fugiria daquele lugar. Mas, Guilty, não. Ele era um homem que já passara por situações horrendas. Guerras, sequestros, traição, perda de ente queridos, da inocência... O mundo da espionagem fora uma escola admirável. Ali percebeu que ser correto e leal, nem sempre assegurava bons resultados na vida privada.
Ninguém sabia o que ele passara quando sua mulher o abandonara deixando-o com uma criança pequena. Ele se tornara um homem patético, disposto a tudo para que ela voltasse, até mesmo trair seu país. Ela queria dinheiro? Bem, ele conseguiria! Por bem ou por mal!
E assim, Guilty adentrou o universo da corrupção e nunca esperou que Ikki, o homem que tratara como um filho o denunciasse. Por que ele não ficara ao seu lado? A lei estava acima do amor que ele lhe dedicara? Ingrato! Mil vezes ingrato!
O lugar era úmido, escuro e gélido. Lamentos e gemidos eram ouvidos em meio ao negror quase tangível. Estruturas decadentes, parecendo esqueletos de construções antigas se elevavam e faziam parte da paisagem lúgubre. De tempos em tempos, se ouvia vozes enraivecidas e sons semelhantes ao vento que movimentavam as construções e corpos que andavam em meio a tudo aquilo.
Guilty sentiu um tremor frio, mas logo identificou outros rostos em meio à escuridão. Havia um homem e duas mulheres que arrastavam uma espécie de corrente, mas que um olhar mais cuidadoso veria que eram plantas semelhantes às encontradas nos pântanos e que permaneciam agarradas aos corpos como se dele fizessem parte.
Eles o olharam e o homem falou:
Você é novo por aqui... Veio juntar-se a nós na desgraça?
Não. Quero saber como posso sair daqui e continuar o meu propósito. – respondeu Guilty.
O homem sorriu exibindo uma fileira de dentes apodrecidos, o rosto descarnado tão pálido que quase brilhava no escuro.
Ninguém sai daqui, a não ser que seja muito forte para transpor a barreira.
Barreira?
Sim, a barreira. Não podemos sair deste lugar. Nossos feitos nos colocaram aqui. Aqui é o nosso lugar... Até que a compaixão nos abrace...
Idiotas! — rosnou Guilty e olhou para uma das construções que oscilavam.
Ele estendeu a mão e logo, seres rastejantes se grudaram em seu corpo, densificando-o ainda mais, alimentando-o de toda a sorte de sentimentos negativos.
Sim... Sim... É isso! Levem-me daqui, façam-me mais forte! — gritou Guilty e logo, seu corpo desapareceu.
Quando Guilty sumiu, o homem balançou a cabeça.
Ele nos chamou de idiotas... Mal sabe ele que, quando voltar, irá ainda mais fundo nesse abismo...
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Saga estava deitado de bruços, os braços sob o travesseiro, o rosto virado para o lado oposto.
Kanon olhou para as costas nuas do irmão, o corpo dele relaxado, a respiração baixa... Agradeceu, mais uma vez por tê-lo de volta, são e salvo. Entretanto, como um agente treinado e experiente, sabia que o perigo não havia cessado. Seus instintos diziam isso, embora estivesse feliz em ter seu irmão de volta. Também lutava contra aquele sentimento que guardava dentro de si. Amava o irmão de um jeito diferente e sabia que isso não era considerado normal.
Um suspiro escapou dos lábios de Saga e Kanon parou de devanear. Os olhos verdes e tão iguais aos seus se abriram devagar, encontrando os seus...
— Kanon...
— Estou aqui. Desculpa se eu te acordei.
— Senti sua presença. – disse Saga sorrindo e o coração de Kanon acelerou.
— Um ano. Um ano sem você quase me deixou louco. – falou Kanon procurando um cigarro no bolso.
— Eles tentaram me deixar louco, mas eu pensava em você, na sua força, nas suas reclamações e... naqueles seus silêncios em que você só ficava olhando prá mim. Lembra disso? Eu lembro como se fosse ontem... Eu te amo, irmão. Só por isso eu resisti todo esse tempo. – disse Saga levantando da cama e abraçando Kanon.
Sim, Saga o amava. Amava como irmão, enquanto ele... Ele vivenciava um duelo entre o amor fraterno, o amor incondicional e o amor... carnal.
— Também te amo. Agora durma mais um pouco, precisa descansar. – disse Kanon tentando se desvencilhar do abraço e fazendo menção de deixar o quarto.
— Kanon... Me deixa te abraçar. Senti tanto a sua falta. Tanto...
Kanon fechou os olhos e se permitiu sentir o calor do corpo de Saga quase incendiando o seu. Respirou fundo e acariciou os cabelos longos e fartos, sentindo os fios nos dedos, a respiração dele junto ao pescoço...
— Também senti a sua e nunca acreditei que estava morto. Mas, agora, isso acabou.
— Quando eu consegui fugir, pensei que estava tudo acabado. Mas, minha intuição me diz que não. Agora, totalmente limpo de todas aquelas drogas, eu sei que minha fuga aconteceu porque Nikolai está tramando algo e tem a ver com Isaac.
— Eu sei e Ikki também acha isso. Porém, estamos juntos agora e vamos enfrentá-lo.
— Kanon...
— O que é?
— Eu jurei prá mim mesmo que... se eu escapasse, eu diria algo que eu tenho guardado há anos.
Kanon paralisou quando Saga o encarou bem dentro dos olhos.
— Eu sei que... todo mundo encara esse tipo de coisa como algo errado, mas...
Antes que Saga continuasse, batidas na porta interromperam a conversa.
— Saga, Kanon... temos visitas.— disse Seiya, muito sério.
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Uma porta bateu em algum outro lugar do prédio. O som explodiu na tensão sensual que os cercava, fazendo-os se separar. O peito de Isaac estava ofegante enquanto ele lutava por controle. O corpo inteiro de Esmeralda estava tremendo. Sem uma palavra, ela se virou e correu, fugindo como se estivesse sendo perseguida. Isaac ficou um tempo sem ação, mas logo em seguida, foi atrás dela.
— Esmeralda! Espere! – disse ele chegando junto e pegando-a pelo braço.
— Isaac... Eu... Eu sinto muito! Não sei o que deu em mim... – disse Esmeralda sem olhar para seu superior.
— Escute... – disse ele soltando o ar num longo suspiro. – Somos amigos há tanto tempo e... de repente, precisávamos de consolo. Você, pelo seu pai e eu... eu por mim mesmo, pela dificuldade de compartilhar e de sentir que devo fazer tudo sozinho.
Esmeralda elevou os olhos cheios de lágrimas. Estava perdendo o controle e sendo a princesinha frágil que sempre evitara ser.
— Eu não sou fraca... Ou talvez seja, mas não quero ser.
— Você é uma mulher formidável. Tenho orgulho em tê-la na equipe. Não se subestime por sentir. A perda de alguém que amamos deve ser vivenciada. Vou me encarregar dos procedimentos em relação ao seu pai. – disse Isaac tocando com suavidade o rosto delicado.
— Obrigada. – respondeu Esmeralda fechando os olhos, enquanto as lágrimas escorriam livres pelo rosto.
O som agudo e intrusivo do celular de Isaac interrompeu o ato de intimidade compartilhada entre os dois.
— E então? Recebeu o meu recado, brat?
Isaac franziu o cenho, reconhecendo a voz de Nikolai. Ele o chamava de irmão naquele tom de voz que ele conhecia bem.
— Nunca pensei em dizer isso, mas sua covardia me enoja. Sabe onde me encontrar, então chega de jogos. – disse Isaac.
Nikolai gargalhou.
— Vejo que essa mulher o tornou mais... ousado. Ela é mesmo deliciosa e... até mesmo corajosa! Aproveite que ela já está marcada para você.
— Vou fazê-lo pagar por isso. Pode esperar.
Mais uma risada e Nikolai ficou sério.
— Você só está vivo, porque eu permiti! Preciso que conte tudo ao Hyoga e é o que você vai fazer, seu traidor patético! Venha logo, antes que não encontre mais nenhum dos seus agentes!
— Onde você está?
— Descubra. – falou Nikolai desligando o celular.
Esmeralda percebeu a fisionomia contraída de Isaac.
— O que foi?
— Lembra-se do caso em que Saga desapareceu em missão? Ele foi dado como morto, embora nunca tivéssemos encontrado seu corpo. Bem, ele está vivo e conseguiu fugir. Ficou um ano sob o jugo de Nikolai. É claro que a fuga dele foi armada.
— Onde ele está, agora?
— Está na casa de Ikki e eu percebo, agora, que Nikolai jogou melhor que eu e nos tem sob sua mira.
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Hyoga percebeu que Ikki levantara da cama muito rápido. Ainda estava sonolento pelo sexo feito de forma tão intensa, primeiro ao ar livre e depois na cama. A segunda vez que fizeram amor, não houve penetração, mas ainda assim, ele gozara várias vezes sob as mãos e boca de Ikki. Não compreendia como podia ser tão sensível àquele homem. Bastava um beijo, um sorriso e lá estava ele tendo orgasmo, após orgasmo.
— Aconteceu alguma coisa? – perguntou ainda meio estonteado.
— Vista-se e venha comigo. Vou te deixar em um lugar seguro.
— Hã? Mas... o que está acontecendo?
— Intrusos na minha área. Seiya estava em frente aos monitores e percebeu um comboio vindo na estrada. Ninguém vem aqui com tantos veículos, então suspeito que temos inimigos chegando.
Hyoga fechou os olhos e as imagens vieram... claras e como se ele estivesse vendo um filme.
— Tem até uma espécie de tanque russo... – disse Hyoga.
Ikki deu-se conta que, mesmo sabendo dos poderes de Hyoga, nunca conscientizara o fato. Ainda se surpreendia com as visões e com o fato dele falar com espíritos.
— Você está vendo? – perguntou mesmo que soasse meio ridículo.
— São russos. Não consigo estipular o número, porque está escuro, mas... são muitos homens e estão fortemente armados.
Esfregando o pescoço num gesto que mostrava sua tensão, Ikki inspirou fundo.
— Tá, vamos lá! Eles ainda vão demorar um pouco até chegar até aqui.
Hyoga levantou-se e, de repente, a imagem de um homem maduro, mas belo e imponente surgiu em sua mente. Ele tinha cabelos estranhamente azulados que misturavam-se ao azul dos olhos, dois vórtices marinhos atraindo náufragos...
— Tem um russo imponente... Ele parece ser o líder.
— Deve ser Nikolai.
Com uma sensação estranha, Hyoga começou a vestir suas roupas. Havia um nó inexplicável em seu estômago.
— Não se preocupe. – disse Ikki se aproximando do russo. – Nada vai acontecer com você. Eu prometo.
— Não estou com medo e quero ajudá-lo.
Ikki sabia que o tempo era corrido, mas ainda assim fitou Hyoga bem dentro dos olhos.
— Eu o conheço, sei que é corajoso e ainda tem esse... poder ou sei lá como se chama isso. Mas está comigo e ninguém vai machucá-lo, enquanto eu viver.
A fala de Ikki perturbou Hyoga. A forma como as palavras foram ditas o fez sentir pertencente à vida e rotina do agente. Entretanto, ele sabia que Ikki estava fazendo o seu trabalho e qualquer outra interpretação romântica do fato era por sua própria conta e risco. Então Ikki o beijou e a sensação voltou com toda a força...
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O aroma da flor favorita de Natássia, Lírio, emanava na sala onde Shura verificava seus receituários.
A cabana do médico ficava em meio à floresta de carvalhos e pinheiros. Ali, ele vivia como se fosse um monge, meditando para acessar a vibração das ervas curativas e trabalhando na cura espiritual de seus pacientes. Sentia-se culpado por não ter insistido quando Ikki decidiu levar Shun a um especialista em oncologia. Na época, além da mágoa de sentir que o amigo não confiava nas suas práticas, também não se sentira pronto como se sentia agora.
Neste momento da sua vida, vivia em isolamento para o aprendizado com seus ancestrais e para fortificar em si, a medicina que ia além dos remédios. Uma vez a cada três meses ele subia a montanha para a Busca da Visão e uma vez por mês adentrava a Temazcal. Se tivesse a segurança e experiência de agora, talvez os resultados no passado, fossem outros. Mas, ele também aprendera que tudo acontece no seu devido tempo e cada um de nós tem o seu período e os seus desafios na Boa Estrada Vermelha.
Ele se sentou na poltrona de couro rústico e inspirou, sentindo que aquele perfume vinha de algum lugar, mas não do jardim que plantara ou até mesmo daquele lugar cercado pela floresta. Então, fechou os olhos e logo sua mão passou a mover-se sozinha sobre a folha de papel sobre a escrivaninha. Segundos depois ele abriu os olhos e viu o que tinha escrito:
Nikolai,
Perdoe minha covardia, sei que o fiz sofrer ao negar-lhe o reconhecimento de seu filho. Porém, você sabe o quando eu abominava a violência, sendo eu fruto da mesma. Eu nunca partilhei isso com você, mas sou filha de um assassino e sei o quanto esse estigma me acompanhou, ao ponto de eu fingir ser outra pessoa.
Quando soube quem você era e o que fazia, meu passado retornou com tanta força que minha única saída era deixá-lo. Nunca deixei de amá-lo, mas ainda assim, escolhi fugir e recomeçar uma nova vida. Isaac me ajudou, mesmo sabendo que eu não o amava. Ajudou a cuidar de Hyoga e de mim também.
Sei que Isaac é seu irmão do coração. “Brat serdtse”... Muitas vezes você me disse isso, lembra-se? Então, por favor, eu peço, desista da vingança e permita que nosso filho tenha uma vida plena, longe do crime, do sangue e de toda a sorte de violência.
Apesar de meu afastamento e da minha atitude equivocada de tirar minha vida, nunca deixei de amá-lo, Nikolai. Mais uma vez peço perdão e também que perdoe Isaac.
Natássia.
Shura olhou um tempo para aquele papel, cuja caligrafia era primorosa e feminina. Nunca tinha lhe acontecido um fato como aquele, psicografar uma carta. Dobrou e guardou o papel no bolso da camisa e foi pegar sua arma. Certamente, Ikki precisaria de ajuda e, agora, ele não permitiria que ele a recusasse.
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