Muito Além Da Dor!
7 Capítulo 7 LUZ E SOMBRA...
Notas iniciais
“Há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência...”
A chuva forte cessara e a realidade voltou, com a luz dourada do entardecer se infiltrando pelo vidro da porta. Hyoga abriu os olhos e sentiu o corpo dolorido, mas, ao mesmo tempo um relaxamento físico e um bem-estar inédito.
Meio desorientado, fechou os olhos concentrando-se... Lembrou-se de tudo, os toques, os beijos, o sexo. Viu as pequenas manchas roxas em suas coxas e sentiu que devia ter várias no pescoço também. Ter uma pele tão branca era a sua maldição...
Olhou para a cama amarrotada e sorriu sem querer, sentindo que tinha atingido outro patamar em sua forma de ver o sexo. Era bom, era intenso e podia fazê-lo perder o controle. É, mas foi somente isso, sexo. Então nada de ficar pensando em como seria ter algo mais com... Ah, deixa pra lá, Hyoga. Vista-se e encare tudo com naturalidade.
Suas roupas se resumiam àquela camiseta e calça de moletom que mais pareciam um farrapo. De repente sentiu necessidade de vestir algo decente e não aquelas coisas disformes. Nem bem pensara sobre o assunto, ouviu duas batidas na porta.
— Pode entrar. – disse Hyoga.
— Oi! Eu trouxe umas roupas pra você. Sei que o tirei de casa meio na pressão, então eu peguei uma camiseta e uma calça minha. – disse Seiya com um sorriso.
— Eu sou mais alto que você e... Está bem, mesmo assim, obrigado por se preocupar. – disse Hyoga.
— Verdade... – disse Seiya reparando no corpo do russo. – Você e o Ikki têm mais em comum. Espere aí!
Nem bem terminara de falar, Seiya deixou o quarto e voltou tão rápido quanto saiu.
— Ikki disse que você pode pegar o que quiser no guarda roupa. Ele tem um universo de camisetas e calças.
Hyoga ficou olhando para Seiya e, de repente, viu-se gostando dele, da forma despojada e intensa com que ele via as situações. Também devia sua vida a ele e tivera a oportunidade de presenciar a competência dele como agente. Quando era preciso, Seiya era rápido, sagaz e ágil. Lembrou-se da forma como ele percebeu a movimentação fora do apartamento e conseguiu salvá-los da morte certa.
— Seiya... Eu nem agradeci pelo que fez por mim. Obrigado, cara. Se não fosse você eu não estaria aqui.
— É o meu trabalho. – disse o agente dando de ombros.
— Eu sei, mas... Eu fui ríspido quando esteve em minha casa.
— Ríspido?— perguntou Seiya com uma expressão interrogativa.
— Rude, grosseiro... – respondeu Hyoga.
— Ah, é isso? Não percebi. Agora se vista e venha, vou mostrar onde eu moro.
— Você... mora aqui?
— A propriedade é grande e tem vários terrenos. Eu ocupo um perto da lagoa. Ikki vendeu pra mim dois anos atrás. O Shura também comprou, só que o dele é dentro da floresta. Moramos próximos e isso facilita quando precisamos da ajuda uns dos outros.
Hyoga começou a entender aquela lealdade fervorosa que Seiya tinha por Ikki. Vestiu uma camiseta simples, preta e justa, e uma calça jeans que precisou ser ajustada com um cinto. Penteou os cabelos com as mãos e acompanhou Seiya até a sala.
Ao chegar viu que Kanon estava ao telefone e seu rosto estava branco. Ikki aguardava com uma expressão séria e preocupada.
Seiya fez um movimento de cabeça como que perguntando “o que tá pegando?” e Ikki balançou a cabeça respondendo “você nem imagina...”.
Hyoga olhou para Kanon e uma imagem formou-se em sua mente, era de um homem igual ao próprio Kanon, só que parecia mais magro e trajava umas roupas estranhas, do tipo usado em hospitais ou instituições penitenciárias. O homem ofegava e olhava, constantemente para os lados como se estivesse fugindo. Havia uma placa ao fundo que dizia Country Love.
— Saga, me diz onde você está! Ache um ponto de referência, algo que eu possa localizar! – gritava Kanon.
Antes que obtivesse sua resposta, o celular ficou mudo e Kanon entrou em desespero.
— Merda! – gritou ele quando viu que ficara sem bateria.
— Ele está em uma rua que tem uma placa com o nome Country Love.— disse Hyoga.
— O quê? O que você está dizendo? – falou Kanon chegando bem perto do russo.
O rosto de Hyoga ficou vermelho e ele olhou para Ikki que o encarava com o cenho franzido.
— Eu... Eu posso ver certas... coisas. Eu vi um homem igual a você em um telefone público. Ele está vestindo uma espécie de macacão e está olhando para os lados como se estivesse fugindo. A rua onde ele está tem uma placa com a inscrição Country Love.
Ikki foi até o computador e fez uma busca através de satélite. Digitou o nome que Hyoga falara e logo cinco opções surgiram na tela.
— Qual delas? – perguntou olhando para Hyoga.
— Aquela. – respondeu o russo com segurança.
— Country Love, 116º Avenida, East Harlem. Este é o endereço. – disse Ikki.
— Eu vou pra lá! – disse Kanon.
Hyoga abriu a boca para oferecer ajuda, quando Ikki falou antes:
— Vou com você, Kanon. E, Hyoga? Pode vir conosco? Podemos achá-lo mais rápido com a sua ajuda.
— Claro! – respondeu Hyoga.
Rapidamente, os quatro deixaram a casa e embarcaram no helicóptero pra resgatar Saga. Em seguida, o celular de Ikki tocou. Ele o esquecera junto ao computador na pressa em acompanhar Kanon. Quando enfim, a chamada caiu na caixa postal, a voz suave e desesperada de Esmeralda rompeu o silêncio:
—Ikki, por favor! Ao ouvir esta mensagem, me retorne! Preciso da sua ajuda!
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— Está se sentindo bem, querida?
A voz rouca, junto com um toque da mão envelhecida fez Esmeralda olhar para as próprias mãos, constatando que estava tremendo, enquanto caminhava pelo corredor cheirando a remédio.
— Estou. Obrigada.
— Está tão pálida. – continuou a mulher. – Venha, sinto que tenha sabido dessa forma. Tentamos falar com você, mas não tínhamos o seu telefone. Acabamos descobrindo o número do seu trabalho. Você é do FBI, não?
— Sim, eu sou.
— Bem, seu pai entrou em coma três dias atrás. Ele foi trazido para cá em regime de máxima segurança e agora estamos esperando que haja alguma melhora e que ele saia do coma.
— Ele teve um infarto?
— Não, um AVC hemorrágico. Venha, vou levá-la até ele.
Esmeralda sentia-se culpada. Desde que o pai fora preso que eles não se falavam. Ele recusava sua visita e ela cansara de insistir até o ponto em que o isolara da sua vida.
Três dias atrás, ela estava tão envolvida na missão que Isaac lhe dera que havia trocado de celular e nem se dera ao trabalho de reportar à penitenciária onde Guilty se encontrava. Seu pai passara a ser uma pálida sombra em sua vida e agora, vendo-o cheio de tubos e fios, ela se perguntava se algum dia seria diferente...
Guilty olhava para si mesmo e para a filha, acompanhada da enfermeira. Seu corpo jazia em meio toda aquela parafernália de fios, tubos e painéis, mas ele podia transitar livre por todo o lugar. Ainda não compreendia o que estava acontecendo, mas sentia um grande alívio por poder ir e vir. Entretanto, esse alívio não se sobrepunha ao prazer que sentia cada vez que pensava em se vingar. Ikki e todos os que o tinham colocado na prisão, iriam pagar e pagar muito caro!
— Ele parece dormir... – sussurrou Esmeralda, acariciando a testa do pai.
Ao seu lado, Guilty olhava-a de cima a baixo.
Ela cresceu... Mas ainda parece aquela menina frágil e tola. Preciso dela...
Esmeralda sentiu um arrepio e retirou a mão. A enfermeira entrou com uma bandeja de remédios e administrou as doses intravenosas em Guilty.
— Vai ter que sair agora, senhorita.
— Está bem. – disse Esmeralda ajeitando o cabelo e deixando o quarto.
Quando ela apertou o botão do elevador, sentiu uma presença atrás de si e uma espécie de mal-estar. Quando a porta abriu, ela entrou sentindo um aperto no peito e uma raiva que quase lhe tirou o ar. Sentia-se cansada e sua cabeça parecia que ia explodir.
Você me deve! Sou seu pai! Ikki tomou o seu lugar e me traiu! Chame-o, faça-o vir até você! Sussurrava Guilty próximo do ouvido da filha.
Trêmula e esgotada, Esmeralda pensou em Ikki e então, resolveu ligar.
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Sombras se estendiam dos prédios ao entardecer quando Ikki, Kanon, Seiya e Hyoga chegaram ao East Harlem. Transeuntes passavam rápido indo para casa ou ficando na rua para curtir uma happy hour.
Hyoga fechou os olhos e tentou localizar Saga em meio ao burburinho, até ver um mendigo sentado em posição de lótus cujo rosto estava coberto por uma manta esfarrapada. Era ele, estava disfarçado!
Discretamente, Hyoga apontou para o mendigo e Ikki sinalizou para Kanon. Seiya estava sério, olhando como quem não quer nada, as proximidades, tentando averiguar se havia algum suspeito.
— S-Senhor... – disse Kanon se aproximando do irmão.
Um sorriso se abriu no belo rosto de Saga.
— Eu sabia... sabia que ia me encontrar.
Kanon engoliu as lágrimas. Fazia exatamente um ano, um ano que seu irmão desaparecera em uma missão na cidade de São Petersburgo. Houve uma explosão e o prédio onde Saga e mais dois agentes estavam viera abaixo. Os corpos não puderam passar pelo reconhecimento e não houve confirmação das identidades. Entretanto, nem Saga e nem seus companheiros voltaram, então foram dados como mortos.
Entretanto, Kanon sempre tivera esperanças e continuara procurando e, agora Saga estava ali, vivo.
Deixaram o abraço para um momento mais privado e voltaram para a casa de Ikki. Lá, Saga contou como foi a experiência de ficar inconsciente e acordar, horas depois, em uma sala escura e ali ficar por dias a fio, até perder a noção de tempo e espaço. Depois foi submetido a intensos e torturantes interrogatórios para, finalmente, ser colocado em uma espécie de container gigantesco cheio de divisões onde permaneceu em uma sala branca e acolchoada, sendo drogado o tempo todo.
— Quem te prendeu? – perguntou Kanon.
— Um mafioso russo chamado Nikolai.
Quando o nome foi citado, Hyoga sentiu um estranho desconforto. Seiya percebeu e ofereceu a ele uma cerveja. O russo aceitou, mas a sensação se intensificou quando Ikki olhou o visor do seu celular vendo uma chamada não atendida. Ao ouvir a mensagem deixada por Esmeralda, ficou preocupado e se levantou.
— Ei, cara, você está bem? – perguntou Seiya vendo que Hyoga ficara pálido de repente.
Ikki estava digitando os números quando olhou para Hyoga e o viu cambalear. Parou com a ação e foi até o russo.
— O que houve? – perguntou o agente.
— Não sei... fiquei tonto de repente, só isso. – respondeu Hyoga tentando sorrir.
— Vem, você ainda está se recuperando e caminhou bastante hoje. Também tem esse lance de... esse poder que tem. – disse Ikki.
Hyoga sorriu.
— Vai me levar para o quarto?
— Vou. E não faça essa cara safada. Vou deixá-lo descansando e ver o que aconteceu com Esmeralda.
Hyoga sentiu uma pontada de ciúmes e ficou sério. Repreendeu-se, internamente, pelo sentimento e pela insinuação que fizera a Ikki, mas não sabia como evitar.
— Vamos. – disse Ikki.
Enquanto Saga, Kanon e Seiya ainda conversavam, os dois rumaram para o quarto. Ikki abriu a porta e entrou primeiro. Hyoga entrou, logo atrás e fechou a porta.
O russo estava indo direto para a cama, quando Ikki pegou-o pela mão. Em seguida, estendeu os dedos longos e ergueu o queixo de Hyoga que era, apenas, um pouco mais baixo que ele.
Os olhares se encontraram e o desejo que Hyoga viu nos olhos de Ikki queimou feito chama em suas entranhas. Mas ele também sentiu a força que o agente estava fazendo para evitá-lo e isso feriu suas emoções e seu orgulho.
— Você é especial e sabe disso... O que aconteceu entre nós foi forte, mas não...
— Não vai se repetir. Eu entendo. Pode ir resolver as suas questões. Estou bem. – disse Hyoga se afastando de Ikki.
Mais uma vez Ikki surpreendeu-se com o jeito direto e frio de Hyoga. Sabia que ele sentia o mesmo magnetismo, o mesmo tesão que irradiava quando se aproximavam, mas, ao mesmo tempo, ele também sabia erguer uma barreira e se proteger.
— Ótimo. Descanse então. – disse Ikki.
Hyoga não respondeu. Deitou-se de costas e ficou olhando para o teto. Estava fazendo um esforço para não admitir para si mesmo que estava triste e decepcionado.
De repente, ele sentiu uma mudança de temperatura no quarto, o ar ficou mais frio e carregado. A imagem de Shun surgiu e ele parecia preocupado.
— Shun, o que houve? – perguntou Hyoga.
— Eu estou tentando mantê-lo longe do Ikki, mas preciso da sua ajuda. Fale com Ikki, mantenha-se perto dele, por favor. — falou Shun e logo, desapareceu.
Hyoga franziu o cenho. O que estava havendo? Levantou-se e tentou pensar em algo, principalmente depois da atitude de Ikki. Deixou o quarto e encontrou Ikki falando no celular com Esmeralda. Ignorou-o e saiu.
Logo, Ikki foi atrás dele, encontrando-o encostado na cerca que ficava afastada da casa, observando o céu estrelado. Por alguns segundos, Ikki perdeu-se na silhueta esguia de Hyoga fundindo-se a toda aquela paisagem.
— Aconteceu alguma coisa? – perguntou, rompendo o encantamento que o fazia ficar olhando em silêncio, apenas deliciando-se com a presença do russo em sua casa.
— Não, por quê? – falou Hyoga em um tom casual.
— Eu te deixei descansando e você sai assim.
— Falou com Esmeralda?
— Não, estava deixando uma mensagem na caixa postal.
— Ótimo. – disse Hyoga se afastando.
Aquela atitude irritou Ikki.
— Espera! – disse o agente pegando-o pelo braço.
— Eu acho melhor a gente manter distância.
A fala de Hyoga fez Ikki perceber que estava agindo de forma contraditória. Tinha agido de modo a afastar o russo e agora o queria por perto. Merda! O que eu estou fazendo?
Mil indagações e repreensões dançaram na mente de Ikki, mas ao olhar para Hyoga, algo acontecia dentro de si, uma atração poderosa, um desatino que beirava à fatalidade. Pare com isso, controle-se! Você não deve querê-lo desse jeito!
Tarde demais.
A cabeça de Ikki se aproximou, a boca entreaberta para cobrir a de Hyoga. E ele o fez, não de forma ávida, mas lentamente, desfrutando a textura macia dos lábios do russo e sendo correspondido na mesma intensidade.
Hyoga sentiu aquela descarga elétrica em seu corpo, a excitação correndo pela pele... Tentou lutar, mas quando a ponta da língua de Ikki encontrou passagem em seus lábios, ele estremeceu. O lento deslizar da língua pelo interior da sua boca era um prazer inebriante. Ele nunca beijara e fora beijado assim.
Ikki dominava e sentia que o desejo assumia proporções exorbitantes. Era como se seu cérebro tivesse desligado, mas na verdade, ele estava ciente de tudo. Sabia que entrava em terreno perigoso, porque o que sentia não era somente tesão, era algo mais que ele não ousava admitir.
Hyoga enterrou os dedos nos cabelos de Ikki e inclinou a cabeça para o lado, aprofundando as investidas de sua língua na boca do agente. Era incrível que, mesmo não sendo tão experiente, sentia-se ousado com Ikki, ficava tão excitado que perdia a inibição e ansiava pelos toques e pela sensação de ter Ikki em seu corpo.
— Você me enlouquece... – sussurrou Ikki.
O jovem russo sorriu e provocou ainda mais deslizando a mão para a ereção que já estava bem visível sob o jeans de Ikki. O moreno gemeu e colocou a mão por cima da de Hyoga, enquanto beijava-o mais uma vez, agora de um jeito devorador.
Sem desgrudar a boca dos lábios de Hyoga, Ikki desabotoou-lhe o jeans e abriu o zíper. Em seguida, virou-o e pôs as mãos dele na cerca. O movimento fez o russo se debruçar para frente e levantar a bunda arredondada e bem feita que foi exposta e acariciada.
O agente abriu o zíper da calça, libertando o sexo que pulsava. Arfou de prazer e deslizou seu falo rígido entre as nádegas de Hyoga, enquanto mordia a curvatura entre o pescoço e o ombro dele, depois percorria a trilha entre as pernas com os dedos até chegar à entrada e prepará-lo, tudo isso regado a palavras provocantes sussurradas junto ao ouvido e sob o calor da respiração ofegante.
Hyoga mordeu o lábio inferior e girou os quadris pronto e sedento para ter Ikki dentro de si. Era uma posição diferente, não tão confortável como da primeira vez que ficaram juntos, mas era excitante sentir que Ikki estava tão desesperado para possuí-lo e o faria ali, ao ar livre e sob aquele céu estrelado.
Ele sentiu Ikki pressioná-lo entre as nádegas antes de dobrar os joelhos e penetrá-lo profundamente com um dos seus braços firmes ancorando-o no lugar, enquanto o outro o acariciava por dentro da camiseta.
Ikki se afundou completamente no corpo do russo e cerrou os dentes ao sentir o contato com os músculos úmidos, apertados e quentes...
— Por Deus... – ele gemeu ao sentir Hyoga contrair-se.
De olhos fechados, ambos gemiam abafado, os corpos sendo sacudidos pelo movimento e pela necessidade de se entregarem aos anseios que seus corpos pediam.
Hyoga gemeu e arqueou o corpo, sentindo-se ancorado pelo braço de Ikki, enquanto era possuído com uma paixão selvagem e intensa que levava o moreno cada vez mais fundo, não só do seu corpo, mas também da sua alma, reivindicando, entregando-se, possuindo-o com paixão...
Ambos moviam-se delirantes, quentes, a pele suada como testemunha de um prazer tão grande que os levava a um estado de transe e êxtase permeado de ofegos e gemidos intensos...
Segurando a cintura de Hyoga e masturbando-o no mesmo ritmo em que estocava, Ikki excitava-se com a entrega total de Hyoga, nos sons roucos que ele emitia cada vez que ele intensificava os movimentos para dentro dele e o fazia seu...
Sentindo o orgasmo se aproximar, Hyoga abriu os olhos e fixou o olhar nas próprias mãos agarradas à cerca. Sentiu o cheiro da terra úmida e do próprio suor que escorria pela face.
Ouviu a leve agitação das folhas das árvores e sentiu a fragrância almiscarada da pele de Ikki e do sexo ardoroso que o fazia tão consciente de tudo.
Ikki, orgasmo, amor, gozo... Uma ordem aleatória de sentimentos e sensações que o deixava com o corpo enlouquecido e o coração disparado.
Deus, eu o amo... amo...amo...Pensou quando o clímax chegou fazendo-o dobrar a cabeça para trás e gritar, mesmo que tentasse cerrar os lábios e sufocar os sons que escapavam da garganta.
O suor escorreu pela face alva de Hyoga e ele sorriu sentindo Ikki retesar todos os músculos do corpo e estocar uma última vez, preenchendo-o com o seu prazer e grunhindo rouco.
Ikki caiu sobre o de Hyoga e seu coração batia ensandecido enquanto ele tentava recuperar o fôlego.
— Céus... — disse Ikki, ofegante, ainda agarrado a Hyoga.
O jovem virou o corpo e encarou a face afogueada de Ikki. Os dois se aproximaram devagar, as bocas próximas, o hálito quente... Ikki tocou o rosto do russo com uma expressão de ternura e safadeza.
— Você me instiga a fazer coisas... – disse Ikki com a voz rouca, enquanto erguia as calças.
— Eu? – rebateu Hyoga passando a ponta da língua nos lábios de Ikki e erguendo o seu jeans também.
Totalmente relaxado, Ikki sorriu e pegou Hyoga pela mão.
— Vem, vamos prá cama...
Hyoga sorriu de volta, até sentir algo molhado entre as pernas.
— Preciso de um banho... – disse franzindo o cenho.
Ikki se aproximou e tomou o rosto do russo entre as duas mãos. Beijou-o e disse bem próximos dos lábios que o excitavam como nenhum outro:
— Vou preparar o ofurô...
Enquanto os dois entravam na casa, uma silhueta permanecia próxima e bastante atenta, enquanto uma sombra tentava passar por ela.
Você não pode protegê-lo para sempre!
E você não vai prejudicá-lo!
Não seja tolo, garoto! Eu sou mais forte que você!
Você é que pensa... Estou lhe dando a chance de mudar de ideia. Você não está morto. Volte para o seu corpo!
Eu vou conseguir a minha vingança... Pode esperar...
Shun olhou para Guilty e seu corpo brilhou. A luz intensa fez o homem sentir uma vibração que pareceu estilhaçá-lo e mandá-lo de volta. Guilty tentou resistir, mas Shun foi mais forte fazendo-o sumir.
Segundos depois, no Hospital Saint Germain, os aparelhos sinalizavam oscilações na frequência cardíaca e respiratória de Guilty. Quando os médicos vieram, Guilty havia aberto os olhos...
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