Muitas Pessoas, Apenas Um Céu
1 Prólogo - As garras do céu
O homem olhou para baixo, atônito, quando sentiu um puxão na calça. Uma pessoa baixinha o observava com grandes olhos azuis.
- O senhor tem uma folha de papel para me emprestar? — ela o perguntou.
Ele ficou encarando a miniatura de gente por alguns segundos, sem saber como reagir. Ela parecia algum tipo de elfo saído de um conto de fadas, com suas roupinhas azuis e tatuagens de asas nas costas. Depois, apenas pegou um documento velho de uma pasta que carregava debaixo do braço e a entregou.
- Muito obrigada. – Ela sorriu, os dentinhos afiados brilhando. Colocou os óculos de aviador que carregava, molhou o dedo indicador na boca e checou o vento. Então se ajoelhou no chão e começou a dobrar.
O papel era duas vezes o seu tamanho, mas ela dobrava com uma agilidade incrível. Em poucos segundos, tinha um avião bem resistente. Agradeceu pelo papel novamente, colocou o avião debaixo do braço e se dirigiu para uma banca de revistas ali perto. Curioso, o homem decidiu segui-la. Andava rápido, abrindo caminho pelas pessoas que passavam pela rua enquanto a pessoinha apenas corria, se desviando de vários sapatos. Não foi difícil segui-la, já que um passo seu eram quatro passos dela. Empurrou delicadamente a última pessoa para fora do caminho a tempo de ver um avião de papel decolando. Depois, passando por cima de sua cabeça e de muitas outras, enquanto ganhava altura e cortava o céu. Sentada no avião, uma pessoinha acenava, seus cabelos azuis curtos balançando por causa do vento de verão que soprava a favor, naquela tarde, em Veneza.
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