Mudanças
10 Capitulo IX
Notas iniciais
“A fuga nunca levou ninguém a nenhum lugar” — Antoine de Saint-Exupéry”
Hinata
O dia amanhecia e eu já estava de pé, com dificuldades, mas de pé. Eu não acredito que Naruto havia me visto naquele estado, estava envergonhada, me sentia mais humilhada do que antes. Qual seria a reação dele quando descobrisse o que aconteceu? Qual seria reação dele quando descobrisse o que eu fiz? Jogaria pedras, comidas ou utensílios? Não estava com a mínima vontade de descobrir.
Olhei pela janela pequena e enferrujada daquele quarto, o sol já estava nascendo o que indicava que eu deveria ir embora o mais rápido possível, teria que ser discreta para que ninguém da vila me visse, mas não poderia usar nenhum jutso devido a minha recuperação o que tornava tudo mais complicado.
Silenciosamente passei por Naruto que dormia esparramado em seu sofá antigo de couro velho rasgado, até dormindo ele parecia levado, ele realmente tinha ficado muito bonito, muito mais bonito do que antes. Tratei de recuperar o foco, peguei as chaves, abri a porta, sai do apartamento e desci à escada em direção as ruas de Konoha.
Meu corpo ainda estava dolorido, na verdade parecia que eu tinha sido atropelada por um trator ou algo do tipo. Comecei a caminhar da forma mais discreta possível e fui em direção a floresta, ao passar perto da academia relembrei momentos da minha infância solitária e acabei parando para observar a antiga escola o que foi uma péssima decisão, visto que algumas crianças me avistaram e começaram a correr atrás de mim, munidas de pedras que prontamente me tacaram sem dó nem piedade. Mas no meio daquelas crianças enfurecidas, havia um menino de olhos vermelhos e olhar carrancudo, ao lado dele estava uma menina de cabelos brancos e olhar travesso, eles eram as únicas crianças que não me arremessavam algo... Kuren e Ashe, os que relutaram em me pedir desculpas, foram os únicos que não haviam me tacado pedras.
Uni as únicas forças que me restavam e corri para dentro da floresta como um animal leproso, cambaleante e fraco. Eu não culpava as crianças, elas reproduziam o que os pais pensavam e o que eles faziam.
Ao chegar perto do lago cinza deixei que meu corpo caísse em um baque surdo nas pequenas pedras que enfeitava a margem do lugar, elas furaram levemente minha pele, mas a dor causada não chegava nem perto da dor que eu já sentia.
Porque aquilo tudo acontecia comigo? Porque eu não lembrava o que eu fiz? Porque tudo tinha que ser tão doloroso e confuso!
— Tente não se esforçar, garota teimosa!— ouvi a voz que tanto me assustava e eu quase dei um pulo de tanto susto.
— V-você n-não existe! – falei irritada puxando os cabelos
— Ahh não, já chega... Aceite, vai ser menos doloroso!— a voz falou entediada
— Porque eu? – perguntei em um sussurro
— A vida tem muitos porquês e alguns deles não têm resposta... Pense que é destino, Karma , sei lá o que vocês mortais acreditam.— o tom de tédio continuava em sua voz
— O que acontece-eu? – perguntei tremula
— É melhor que não se lembre por enquanto... O cérebro de vocês humanos até que é muito eficaz, ele bloqueia as lembranças ruins, desliga quando as coisas estão muito feias para o lado de vocês, estratégia interessante... Evita dor!— ele falava calmamente
— Eu não entendo... – falei fracamente
— A única coisa que precisa saber é que não deve entrar em confusão agora, eu não estava pronto para me manifestar... Isso irá me custar algum tempo de recuperação, não poderei te salvar novamente menina!— ele falou serio e parecia querer que eu escutasse muito bem suas recomendações.
— Eu só quero que vá embora, estou enlouquecendo! – falei desesperada
— Não, você não está enlouquecendo. Você agüenta mais coisa do que acredita! Enfim, eu vou me ausentar por um tempo... Por enquanto, mantenha-se longe de encrencas!— ouvi a voz ficar distante até que a presença desapareceu.
Era só o que me faltava, minhas alucinações voltaram. Já não bastava eu ser espancada pelo meu pai, ser condenada pelo meu clã, apedrejada por Konoha inteira, agora eu tinha que ser maluca também... Definitivamente eu não era a pessoa preferida de Kami.
Sasuke
O sol batia no meu rosto e eu sentia o aroma inconfundível de Sakura , cheirava a cereja. Ela ainda estava dormindo, os cabelos longos e rosados estavam espalhados pelo colchão, às mãos repousavam unidas embaixo da cabeça. Se eu acreditasse em anjos, provavelmente seria assim que eles dormiriam.
— Sakura! – falei a empurrando levemente
— Ai, só mais cinco minutinhos! – ela resmungou se virando em minha direção e abraçando meu braço ainda com os olhos fechados
— Sakura eu preciso ir trabalhar e acho que você também! – falei
— Deeepois! – ela falou sonolenta escondendo o rosto no travesseiro e eu sorri com a cena.
— Sakura acorde! – falei puxando o travesseiro
— Sasuke, você é um chato! – ela falou ainda de olhos fechados protegendo o rosto do sol com as mãos
— Se você não acordar por bem, vai acordar por mal! – falei começando a fazer cócegas na barriga dela o que a fez se contorcer enquanto soltava deliciosas gargalhadas.
— Isso não é justo! – ela falou descabelada enquanto se soltava e apontava com raiva para mim
— A vida não é justa meu bem! – falei olhando para ela. Como ela poderia parecer tão sensual logo de manhã, ajoelhada no meu colchão apontando para mim com os cabelos bagunçados?
— Vamos dormir mais um pouquinho! – ela implorou se jogando na cama e eu me joguei do lado dela
— Proposta tentadora, mas eu preciso falar com Tsunade sobre o local que escolhi para Hinata. – falei serio, queria ver como Hinata estava.
—Ahhh, Hinata... – ela falou ficando desanimada der repente, será que ela sentia ciúmes? E porque eu não ficava irritado com a ideia?
— É, ela estava muito machucada... – comentei olhando para o teto
— Você tem razão, se ela ainda estiver muito mal é só me chamar que eu farei o possível para ajudá-la! – ela falou se levantando rapidamente colocando os sapatos.
— Você tem ciúmes! – acusei divertido e ela me olhou indignada
— O-obvio que não!- ela gaguejou e eu me levantei indo lentamente em direção a ela
— Ah é? Então porque ficou desanimada der repente? – perguntei próximo a ela que começou a corar gradativamente.
— Porque eu percebi que realmente tínhamos coisas importantes a fazer! – ela piscava varias vezes e eu ri, ela era péssima mentirosa.
— Eu já te falei um milhão de vezes que Hinata não faz meu tipo, que eu a vejo como alguém que precisa da minha ajuda! – falei seriamente e ela me olhou mais corada do que antes.
— Você é muito convencido, eu não estou nem aí para quem faz seu tipo ou não! E até acharia legal você ficar com Hinata, um amor cairia muito bem para ela que foi tão maltratada! – ela falou irritada e eu me aproximei mais unindo nossos corpos, ela parecia um filhote acuado.
— Eu gosto de mulheres decididas, corajosas, cheirosas, com curvas na medida certa, divertidas, espirituosas, cheirosas! – repeti cheirando a curva do pescoço dela e percebi que ela havia se arrepiado
— Sasu-ke! – ela gaguejou nervosamente e eu olhei para ela divertido
— Tudo o que você não é! – zombei para depois gargalhar e ela me olhou furiosa
— VAI PARA MERDA! – ela falou me estapeando enquanto eu ria, eu gostava dela assim!
— Nossa como está nervosa! – falei segurando os braços dela
— Para sua informação, eu tenho um encontro! Se eu não faço seu tipo, tenha certeza que faço o tipo de muitos homens da vila! – ela rosnava como uma leoa enquanto eu a segurava. O pequeno monstro que aparecia sempre que ela falava de outro homem apareceu no meu estômago o fazendo dar voltas.
— Mas nenhum deles sou eu. – sussurrei no ouvido dela que estremeceu e logo depois a soltei
— Graças a Kami! – ela me olhou maldosa e eu sorri com a ousadia.
— Repete isso até se convencer! – falei e ela revirou os olhos abrindo um pequeno sorriso
— Como pode ser tão convencido? – perguntou e eu sorri
— Convencido ou realista? – perguntei divertido
— Ah cala a boca, vamos nos arrumar porque você tem que falar com Tsunade e eu tenho que ir para o hospital!- ela falou enquanto arrumava a cama e eu sorri indo em direção ao banheiro.
Naruto.
O relógio da sala marcava dez horas da manhã, meu corpo ainda estava um pouco cansado e isso deveria ser culpa desse sofá velho que eu mal cabia. Levantei lentamente e fui até meu quarto ver com a Hyuuga estava, mas me deparei com a cama arrumada e a coberta dobrada em cima da minha cômoda.
— A princesinha foi embora e nem ao menos agradeceu. Pelo menos arrumou a cama! – comentei enquanto ia ao banheiro tomar banho e escovar os dentes. Após tantos anos morando sozinho, havia criado o habito de conversar comigo mesmo.
Após realizar minha higiene, peguei o relatório que havia feito em missão e fui direto para o escritório da Hokage.
— Finalmente Naruto! – Hori falou enquanto eu entrava na recepção
— A missão durou mais do que imaginei! – falei sorrindo sem graça
— Pensei que não iria voltar mais. – ela falou enquanto arrumava alguns papeis
— Preciso entregar o relatório para Tsunade oba-chan! – falei sorrindo coçando a cabeça
— O mande entrar! – ouvi o grito da oba-chan e entrei imediatamente
— Olá Baka! – ouvi a voz de Sasuke que estava com seu habitual traje de ANBU sentado em uma das cadeiras
— Olá ANBU galinha! – provoquei e ouvi um rosnado por de trás da mascara
— Depois vocês matam a saudade! Agora me passa o relatório! – Tsunade pediu e eu prontamente entreguei.
— Chegou agora? – Sasuke perguntou
— Não, na verdade queria te fazer uma pergunta. Sasuke porque levou Hinata para meu apartamento depois da missão dela? – decidi ir direto ao ponto
— Oi? Missão? – Tsunade perguntou confusa enquanto fechava meu relatório
— A missão que a senhora designou a ela... Ela estava acabada, levou uma bela surra! – falei sincero e Tsunade suspirou
— Eu não dei nenhuma missão para ela Naruto muitas coisas aconteceram na sua ausência. – ela falou e eu estremeci, a sensação que eu senti quando embarquei na missão se mostrou verdadeira.
— Mas ela está bem? – Sasuke perguntou preocupado
— Eu não sei, quando a encontrei ela parecia fraca, mas isso é o habitual dela, não sei de mais nada, pois ela foi embora antes que eu acordasse! – expliquei e Tsunade bateu na mesa com força
— O que passa na cabeça daquela menina! – Tsunade rosnou e eu estava mais perdido do que uma agulha no palheiro
— Alguém me explica o que está acontecendo? – perguntei nervoso por esta sendo ignorado
— Vou atrás dela! – Sasuke falou desaparecendo em uma nuvem de fumaça
— Naruto depois! – Tsunade falou nervosa e eu a encarei firmemente
— Não tem depois Tsunade, só tem o agora! – falei rude me sentando na cadeira olhando a Hokage me olhar perplexa
— Está bem, já vi que realmente está decidido a descobrir o que aconteceu e apesar de provavelmente você acabar sabendo mais cedo do que imagino, eu prefiro que saiba por mim! – ela falou coçando a têmpora
— Então conte! – falei serio
—Falando de forma bem resumida, na sua ausência Hinata matou o noivo e foi banida pelo próprio clã, todos da vila a odeiam e eu não sei o que fazer! – Tsunade falou encostando-se à cadeira
— Como assim? – perguntei em estado de choque, era muita informação.
— Ela não se lembra Naruto, há indícios que Kiran tentou violentá-la, mas não posso afirmar, pois nem ela tem certeza disso e as marcas no corpo dela estavam muito leves devido ao fato dela ter sido mantida, por três dias após o ocorrido, em uma prisão no próprio clã. Eu sei que não acredito que ela tenha feito isso por ambição e sei que há indícios que ela apenas se defendeu do ataque que sofreu, mas não são provas concretas entende? Enfim, os conselheiros já me pressionaram hoje de manhã, eu estou enlouquecendo com tantos problemas! – ela falava e parecia nitidamente mais velha.
— Kiran, ele ajudou na reconstrução da vila. Foi muito útil na grande guerra, ele que era o noivo de Hinata? – perguntei surpreso, aquilo era loucura!
— Sim, ele mesmo. O que torna tudo mais complicado! – ela falou suspirando
— E o que o pai dela acha disso tudo? – perguntei serio , eu ainda não tinha assimilado a informação.
— Vou conversar com ele ainda! – ela suspirou
— Hinata assassina... – resmunguei e Tsunade me olhou contrariada
— Você não acredita nisso não é? Não é possível que você tenha mudado tanto! – Tsunade ralhou e eu olhei para ela serio
— Não acredito, posso não ser mais amigo da Hyuuga... Mas não acredito que ela tenha matado alguém só pelo cargo de Líder. – falei sinceramente e ela suspirou aliviada
— Preciso protegê-la! Ela corre perigo, ela sabe disso e a garota ainda me sai em Konoha sozinha sabendo que todos a odeiam! Parece até a mãe, teimosa! – Tsunade terminou a frase rindo saudosa.
— Você conhece muito bem a mãe de Hinata não é? – perguntei olhando para a expressão saudosa de Tsunade
— Era uma grande mulher, uma grande aluna... – ela suspirou e eu olhei surpreso
— Você deu aula para ela? – perguntei sorrindo
— Sim, garota decidida, inteligente e teimosa feita uma mula! – Tsunade riu e eu vi indícios de lágrimas em seus olhos
— Por isso cuida tanto da Hyuuga? – perguntei e Tsunade me olhou.
— Hinata é tão parecida com a mãe, acho que Hikari me pediria isso se eu estivesse ao lado dela quando ela faleceu. – Tsunade falou visivelmente emocionada.
— E o que pretende fazer, colocar guardas na porta da casa da Hyuuga? – perguntei e ela suspirou
— Sabe que não posso fazer isso, Konoha ainda está se reerguendo! – ela falou seria
— Tsunade, não a encontro! – Sasuke falou aparecendo na sala e Tsunade fechou os olhos dando um longo suspiro.
— Gaivota volte para ANBU, temos assuntos pendentes e você sabe muito bem... – Tsunade falou ainda de olhos fechados, ela parecia controlar a raiva
— E Hinata? – ele perguntou e em seu tom estava presente uma preocupação genuína
— Naruto vai cuidar dela! – Tsunade me olhou e eu arregalei os olhos, agora eu seria baba da princesa Hyuuga?
— O que? – perguntei espantado enquanto Sasuke sumia em uma nuvem de fumaça
— Isso mesmo que ouviu, quero que cuide dela! Não estou te pedindo como Hokage, estou lhe pedindo como alguém que gosta muito de você e precisa de sua ajuda! – ela falou seria e eu engoli seco.
— Mas eu preciso fazer missões, é disso que eu vivo! – falei serio e Tsunade suspirou
— Tudo bem, eu coloco você para treinar um time! – ela falou mexendo em alguns papeis.
— Serio? – sempre quis treinar aqueles pirralhos
— Farei o possível! Então, o que me diz? – ela perguntou esperançosa
— Tudo bem, eu aceito ser baba daquela Hyuuga! – falei revirando os olhos
— Não a trate mal Naruto! – Tsunade pediu e eu suspirei
— Isso depende dela, porque ultimamente ela só vem me tratando mal! – falei serio, eu não aceitaria ser saco de pancadas, já basta ser baba da Hyuuga!
— Ela está frágil Naruto, não irá te tratar mal... – Tsunade suspirou
— Assim espero! – resmunguei
— Bom, eu vou conversar com os conselheiros sobre você pegar um time e em breve te chamarei para lhe dar a resposta! – Tsunade falou enquanto suspirava
— Esta bem, eu vou atrás da idi... Hinata! – parei ao ver o olhar de reprovação de Tsunade.
— Hokage-sama, o Lider dos Hyuugas lhe aguarda! – vi Hori entrar e ela parecia nervosa , não a culpava ouvi boatos que alguns ninjas tinham ataques de nervos na frente do líder Hyuuga.
— Mande-o entrar! – Tsunade falou seriamente
— Eu já vou indo! – falei me levantando e ao me virar me deparei com o pai de Hinata, um homem alto, parecia em forma apesar de sua palidez, seus olhos eram duros e penetrantes, eles possuíam um incrível tom de cinza claro.
— Hiashi-sama! – cumprimentei serio sem me abater pela figura imponente na minha frente.
— Uzumaki... – ele respondeu polido
— Eu vou atrás dela! – falei me virando para Tsunade enquanto sumia em uma nuvem de fumaça.
Tsunade
O que ele fazia aqui tão cedo? Estava esperando me estressar a tarde e não de manhã, suspirei profundamente em uma tentativa de controlar meus nervos, mas aquilo era inútil, minha vontade era dar um belo de um soco no nariz arrebitado daquele senhor de idade!
— Pode se sentar! – falei apontando para a cadeira, ele em passos lentos e repletos daquela postura altiva se sentou como eu havia pedido. Ser Hokage estava se tornando cada vez mais difícil.
— Bom, à tarde terei uma reunião com o conselho por isso decidi antecipar nossa conversa. – ele falou serio com aquele ar de homem durão que não tinha nenhum resquício de sentimento
— Agradeço a consideração, o chamei aqui por causa das marcas que encontrei no corpo de sua filha, marcas que podem indicar que a mesma sofreu uma tentativa de estupro. – fui direta ao ponto e vi finalmente sentimentos passar pelo rosto de Hiashi, mas logo sumiu.
— Eu sei... – ele falou simplesmente e eu me segurei para não pular no pescoço dele
— E mesmo assim a expulsou? Mesmo tendo provas de que Hinata era inocente que só matou o noivo para se defender a fez passar por aquela humilhação? – perguntei irritada e ele suspirou
— Não podia provar nada, Kuwai alegou que poderia ser um golpe do estilo Hyuuga. Nós espalmamos às vezes nosso adversário Hokage! O conselho aceitou a defesa. – Hiashi falou e eu suspirei no fundo ele tinha razão.
— Entendo. – falei seria e ele suspirou
— Ao contrario do que pensa, eu não odeio minha filha... Faço o possível para vê-la a salvo! – ele falou se levantando
— Acho que há controvérsias nessa frase! – ironizei e ele me olhou severamente
— Tudo o que eu faço é para o bem de minhas filhas. – ele falou rude e eu levantei uma sobrancelha
— Então me conte Hiashi, como espancar sua filha fez bem para ela? – perguntei sarcástica e ele suspirou
— Isso diz respeito ao clã! – ele rosnou e eu bati na mesa com força antes de me levantar
— Não tem mais assunto do clã... Se há algum problema me conte! – vociferei
— Preciso resolvê-los da minha maneira, agradeço a ajuda. – ele falou e já ia saindo com aquele maldito nariz empinado.
— Espere! Se você deseja que eu proteja sua filha eu preciso ter ideia... Por favor! – falei e ele olhou para mim
— Não a odeio Tsunade, por enquanto é só isso que precisa saber! – Hiashi suspirou abrindo a porta
— Eu insisto! – falei
— Há coisas que desconheço dentro do meu próprio clã Tsunade, estou tomando as providencias necessáriaa, mas levarei tempo para isso. – ele falou e eu sabia que ele se referia a possíveis traidores
— Faça o que for necessário, mas nada justifica o que fez a sua filha. – falei ríspida, eu sabia o estilo de Hiashi, ele era cínico e inteligente... Ele manteria os amigos por perto e os inimigos mais ainda!
— Hinata nunca foi e nunca será uma garota comum Tsunade, só a estava ajudando... Ela precisa aguentar o peso do fardo que carrega. – ele falou orgulhoso e eu revirei os olhos, ele quase matou a filha dele por causa de uma liderança, o que ela precisa é ser feliz e não insensível.
— Eu sei que quer uma líder que nem o senhor, mas nada justifica tirar a liberdade de sua filha, submeter ela a torturas inimagináveis! – falei e ele revirou os olhos, minha vontade era arrancar eles.
— Você não entende... – ele suspirou
— Nunca vou entender esse amor que você diz ter por sua filha! – falei seria
— Não precisa! – ele falou orgulhoso e eu rosnei.
— Naruto cuidará de sua filha e não deixaremos que nada aconteça com ela! – avisei e ele torceu o nariz ao ouvir o nome de Naruto.
— Apesar de não gostar do que ouvi, temo que não me reste alternativa a não ser aceita essa situação por um tempo. Já que ele ficou encarregado dessa tarefa, peça ao menino raposa que cuide bem de Hinata, até ela poder regressar ao clã! – ele deixou o recado para depois sair pela mesma porta que entrou. Ele era muito, muito irritante!
Sakura
Eu nem havia passado em casa fui direto para o Hospital, minha mãe provavelmente deveria esta com os cabelos em pé me esperando.
Ino havia me contado que Lion tinha regressado ao hospital e que o estado dele era grave, ele estava em coma induzido. As funções vitais dele paravam e voltavam com muita frequência, Ino estava desesperada, pois não queria perder nosso pequeno gênio, eu sugeri uma cirurgia para reparar os danos que ele sofreu no cérebro após a ativação do selo, ficamos praticamente duas horas na sala de cirurgia, mas pelo menos foi um sucesso e creio que em menos de uma semana ele já esteja bem de novo.
Ino me ajudou a examinar Tenten que parecia não querer acordar, os sinais dela não cresciam, apenas diminuíam o que não era bom. Ino sugeriu que desligássemos os aparelhos para ver se ela conseguiria respirar, mas para isso precisaríamos da autorização de algum familiar.
Enfim, a manhã já estava virando tarde em Konoha e eu decidi que iria comer em casa, a manhã foi muito cheia para minha cabeça. Em poucos minutos de caminhada eu já estava no portão de casa, ao entrar em minha sala de estar percebi que minha mãe me esperava sentada e parecia estranhamente animada
— Dormiu na casa de quem? Quem é ele? – ela perguntou animadamente e eu me joguei no sofá
— De ninguém mãe! – falei revirando os olhos
— Sakura, não minta para mim! Eu fui ao hospital e Ino me informou que não era seu dia de plantão! – ela falou e eu suspirei, havia sido pega na minha futura mentira.
— Esta bem, eu dormi na casa de Sasuke! – falei coçando a cabeça. Estava exausta!
— Do Uchiha! Por Kami , serei sogra do grande Uchiha! – minha mãe festejou
— Não viaja mãe, eu estava ajudando ele a arrumar a casa! Ontem foi um dia exaustivo e cheio de confusões para nós dois. – falei e ela me olhou seria
— Uhuum sei, e eu sou a chapeuzinho vermelho... Enfim, você ficou sabendo da história da Hyuuga? – ela falou ficando der repente seria
— Mãe, não acredite em todas as fofocas que dizem por aí. – falei seria e ela arregalou os olhos
— Então ela não matou o noivo? – ela perguntou curiosa
— Matou, mas teve motivos que só cabem a ela revelar! – falei sincera, eu não sabia se Hinata se sentiria bem com a noticia de que quase foi violentada se espalhando por Konoha, eu amava minha mãe, mas tinha a plena consciência de que se eu contasse para ela em cinco minutos Konoha inteira estaria sabendo.
— Eu não acreditei muito também, eu via a pequena Hyuuga na academia e como ela era uma menina muito doce... Fica difícil acreditar que ela tenha se tornado um monstro. – minha mãe falou pensativa
— O que é difícil de acreditar, é o fato de não ter almoço nessa casa! – brinquei mudando de assunto
— É claro que tem filha! Vamos para cozinha! – minha mãe falou me fazendo levantar do sofá e saiu me arrastando para cozinha.
Naruto
A tarde já havia chegado a Konoha e eu ainda não havia almoçado, onde aquela louca havia se metido? Nunca pensei que aquela menina tímida de sorriso quebrado poderia se meter em tanta confusão. Já havia rodado Konoha inteira atrás dela e nada, parecia que havia sumido virado pó!
Agora eu sabia o porquê de as ruas de Konoha parecerem um chiqueiro ontem de madrugada, os moradores haviam se rebelado contra Hinata, mas quem mandou ela matar o único Hyuuga amado de Konoha? Eu sinceramente não sabia o que pensar, no fundo eu não acreditava que ela o havia matado, Hinata poderia ser muitas coisas , mas assassina? Acho que não.
Suspirei e olhei para floresta, bati na minha cabeça por causa da minha burrice, uma vez me contaram que ela gostava de ir para a floresta. Rapidamente adentrei a mata densa e comecei a sentir um chakra conhecido ,ele estava fraco e oscilava , era quase inexistente, apressei mais a corrida e cheguei perto do lago, não havia ninguém.
Rodei procurando aquele chakra, mas não conseguia ver ninguém, até que vi gotas de sangue trilhando até uma enorme pedra. Meu coração começou a bater forte, não era possível! Andei até a pedra e o que eu temia acontecia ali na minha frente bem diante dos meus olhos. Como ela podia atentar contra a própria vida?
— Hinata! – cheguei perto dela, os olhos estavam semicerrados, os lábios estavam roxos, o coração batia lentamente. Sem pensar muito utilizei o chakra da Kyuube para fechar os machucados que estranhamente abriram de volta, eu estava ficando desesperado. Talvez o chakra da Kyuube não pudesse curá-la. Tentei de novo, mas dessa vez com meu próprio Chakra o que levou mais tempo e energia, mas os machucados no pulso diminuiram.
Peguei água e joguei levemente no rosto dela para que despertasse, ela piscou o olho assustada.
— Mas é assim o lugar aonde os pecadores vão? Não mudou nada... – ela perguntou fracamente, parecia confusa. Ela não me olhava, seu olhar estava no céu.
— COMO PODE? VOCÊ É MALUCA?DEPOIS DO QUE NEJI FEZ POR VOCÊ? – gritei irritado atraindo a atenção dela, não queria saber do que ela tava falando ou sentindo naquele momento, eu queria sacudi-la por fazer tamanha besteira.
— Eu não morri? – ela sussurrou me olhando assustada
— NÃO, NÃO MORREU! VOCÊ É MALUCA? — perguntei de novo e a sacudi, ela começou a chorar compulsivamente.
— Droga! Você estragou tudo! – o corpo dela tremia e minha raiva foi diminuindo, ela sofria tanto ao ponto de querer acabar com a própria vida.
— Calma! – falei a abraçando e ela me abraçou de volta, o corpo dela tremia violentamente contra o meu enquanto lagrimas rolavam pelo rosto pálido.
— Me odeiam Naruto! Odeiam-me! – o som de sua voz estava abafado, já que ela enterrou a cabeça no meu ombro.
— Eu fiquei sabendo do que aconteceu! Você precisa lutar, não pode desistir assim. – falei acariciando os longos cabelos azulados da mulher que estava em meus braços tentando trazer algum conforto.
— Eu estou cansada, eu fui humilhada de toda maneira possível! – ela falou e o choro começava a parar
— Eu também fui e aqui estou eu, herói de Konoha! – falei a olhando serio, ela tinha que tirar essa ideia louca da cabeça.
— Eu matei um homem Naruto,ele pode ser inocente! E-e-eu matei! – ela falou começando a chorar novamente, mas dessa vez longe dos meus braços.
— Não iremos pensar nisso agora, o que eu quero agora é que me prometa que não vai fazer isso de novo, nunca mais tente tirar a própria vida! – falei a olhando seriamente, eu sabia que ela cumpria suas promessas.
— Pro-pro-prome-to – ela gaguejou enquanto limpava as lagrimas.
— Droga Hinata, você poderia ter morrido! – falei deixando minha irritação escapar, como ela podia fazer isso com todos que a amavam? E Tsunade? E a irmã dela? E o Neji? Se eu tivesse chegado um minuto mais tarde, ela teria morrido.
— Eu só queria não sentir mais isso... Dói muito! – ela fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás
— Vamos procurar uma casa para você! – falei a ajudando levantar.
— Eu tenho uma casa! – ela falou seria se levantando, eu olhei em volta e vi uma pequena cabana que provavelmente ela mesma fez. Era terrível!
— Ta brincando? – perguntei apontando para cabana
— N-n-não... – ela falou corada
— RASENGAN! – falei enquanto fazia meu chakra assumir uma forma esférica, rapidamente o fiz girar para finalmente atingir a cabana de Hinata que se desfez na hora. A olhei e por um momento ela estava estática, mas der repente surtou.
— ME SALVOU PARA ME HUMILHAR TAMBÉM? VAI ME TACAR PEDRAS? — Hinata parecia um esquilo raivoso, ela começou a me estapear enquanto me empurrava.
— CALMA MULHER MALUCA! – falei segurando os braços dela enquanto a olhava seriamente o que a fez corar furiosamente.
— D-d-d-d-desculpe! – ela falou tentando parar de chorar e eu suspirei
— Não fiz isso por mal, esta bem? – me justifiquei
— M-m-m-mas a-a-a-agora eu não tenho casa, e-e-eu não posso voltar pra k-kon-noha, irão me mach-ch-chucar! – ela falava chorando novamente enquanto se preparava para sentar no chão, mas eu a impedi segurando-a pelo braço.
— Você vem comigo! – falei um pouco ríspido, ela não poderia ficar com medo de todos. Ela tinha que enfrentar!
— Eu não quero! – ela falou assustada olhando minha mão segurar o braço dela, ela parecia um filhote acuado.
— Você não tem querer! – ela se soltou com agressividade, e eu revirei os olhos ao constatar que ela não sabia ser ajudada.
— Tenho sim! – ela falou e começou a correr pela mata. Essa com certeza foi à cena mais bizarra que eu vi na minha vida
— Pare de correr, está ridículo! – falei soltando uma pequena risada, ela corria estranhamente , provavelmente devido a fraqueza.
Em poucos segundos eu estava a segurando firmemente, a olhei divertido, mas percebi que os olhos dela encheram de lágrimas novamente, não gostava do olhar assustado dela.
— Para com isso! – falei ficando serio
— O que vai fazer comigo? Vai-me b-b-bater? – ela perguntou amedrontada, bem que ela merecia umas palmadas por estar me dando tanto trabalho.
— Não, eu quero te ajudar!– falei sincero e ela me olhou incrédula
— Destruir minha casa me ajuda em que? – ela perguntou seria
— Aquilo não era uma casa, nem pra ser oca aquilo servia. Na primeira chuva aquele barraco iria desmoronar na sua cabeça! – falei ríspido e ela corou
— M-m-melhor um barraco do que nada, eu não tenho onde morar agora! – ela falou irritada e constrangida ao mesmo tempo.
— Você vem para meu apartamento então! — falei dando a solução do problema dela.
— O o o que? – foi a ultima coisa que ela disse antes de desmaiar.
Hinata definitivamente era uma mulher louca e estranha. Caminhei por Konoha com ela no colo atraindo alguns olhares curiosos e raivosos, realmente não gostavam da Hyuuga, mas ninguém ousava a jogar nada em minha direção.
Não utilizei nenhum artifício ninja para ser mais discreto, pois estava com medo de correr e ela passar mal devido a quantidade significativa de sangue que ela havia perdido.
— Ichiraku pode me ver dois ramén! – pedi parando rapidamente no pequeno comercio, Hinata ainda estava desmaiada em meus braços. O céu já estava escurecendo.
— Ela esta bem? Você vai a levar para cadeia de Konoha? – a filha de Ichiraku perguntou vendo a Hyuuga bastante debilitada em meus braços, a roupa dela estava coberta por sangue e terra batida.
— Assunto confidencial! – resmunguei.
— Aqui seus Ramén! – Ichiraku me trouxe os Raméns em um saco plástico e eu o mordi sem antes agradecer. Comecei a caminhar em direção ao meu apartamento carregando Hinata no colo e os Raméns na boca, ótimo, o meu primeiro dia de baba já estava me dando um trabalho danado.
Fale com o autor