Mudança e monotonia
2 Parte segunda.
Notas iniciais
— O que você acha dos quadrados? Ou dos triângulos? — Swen, que ainda prendia os cabelos com a fita vermelha que lhe dei, me perguntou.
— Não acho nada de nenhum deles. É para achar alguma coisa? — perguntei com a mente nublada pela monotonia, mas ainda tentando colocar alguma atenção naquela conversa, terminando de calcular a área dessa forma geométrica.
— Não... mas isso me lembra algumas coisas, por isso perguntei. — Swen disse, desviando o olhar para apagar um espaço em branco no caderno.
— Se quer me falar alguma coisa, é só dizer. — falei, depois de suspirar, sabendo como ele era péssimo em começar, ou continuar, ou terminar uma conversa.
Seriamente, ele compensava a sua falta na comunicação verbal com os sorrisos dele, e eu não fui o único a perceber isso. Com o tempo, ele começou a interagir com as outras pessoas da sala. E isso foi péssimo, porque eles tentaram se aproximar de mim também, “aproveitando que está aí”.
O que eu menos queria é a mesma resolução final de aborrecimento alheio em minha pessoa comum. Então, fiz a escolha mais sensata para a minha sanidade mental: me tranquei em uma das cabines do banheiro, e tentei dormir sentado na privada, esperando o tempo passar.
Mas, além de não ter sido confortável, outros motivos me fizeram eliminar esse método de minhas opções de táticas de escapamento: aquele garoto ficou preocupado, chegando ao ponto de chorar por achar que eu tinha desaparecido; meus pais ficaram me perturbando o juízo até que eu me trancasse outra vez, dessa vez em meu quarto, e os mandasse à merda, mesmo que eu soubesse que pelo menos meu pai estava sendo sincero; e eu perdi a aula de história daquele dia, como se eu me importasse, mas a professora também ficou me enchendo o saco.
Depois eles me questionam porque eu sempre tenho uma expressão tão aborrecida. De todo modo, acabei utilizando o meu método mais utilizado, porém menos simpático: como meus pais naquele dia, também mandei todos eles para aquele lugar. Então, mais uma vez, eu estava sozinho, rodeado por moscas na escuridão.
O resultado cotidiano teria sido o mesmo, o que acabou não sendo, pois Swen não demorou em vir falar comigo, ainda que isso tivesse lhe custado algumas companhias. Mas um ou dois mais persistentes permaneceram, o que achei o suficiente para reaver meu conceito de alguns deles.
Tentou se desculpar por algo que eu não via motivo, uma vez que, como falei para ele, ele não era um desconhecido tentando se intrometer em minha vida, pelo menos não mais.
Não duvido que ele teria se enquadrado àquele grupo também se eu não tivesse me impedido de desistir, pelo menos no momento daquele trabalho. Àquele momento de boa vontade eu agradeço a mim mesmo grandemente.
E àquele garoto também, por ainda não ter se cansado de mim. Mas não sei o quanto isso durará, francamente.
Eu mais uma vez disperso e não presto atenção nele. Mas Swen não parece bravo, disse que continua quando eu estiver mais tranquilo. Mas é monotonia, e isso é algo que difícil de tirar quando ficamos tanto tempo em presença do outro. Me pergunto se um dia eu consigo explicar isso a ele.
*
Se antes era por conta da fita vermelha, agora que o percebo mais, vejo que a diferença dele é por conta de sua presença.
Me pergunto se ele acreditaria nisso se lhe dissesse, ele parece se considerar tão comum.
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