Mudança de Humor! - Transtorno Bipolar?
1 Transtorno
Notas iniciais
Transtorno
Depois de um tempo, minha vida não fazia mais sentido, eu deveria estar em um dormitório a sete chaves. Para que ninguém soubesse da minha insanidade. O problema é que eu precisava dele, e tinha medo de acabar com a reputação que ele demorará a conseguir.
Fitei seus olhos escuros, meu corpo todo estava entrando em uma espécie de confusão mental. Eu estava mal, vomitava e tudo por causa da minha doença idiota. Tudo por causa de meu pai!
– Tudo vai fica bem! – essas quatro palavras me fizeram sorrir. Minha mãe trouxe meu prato preferido e a dor começou a passar. Senti o gosto do purê de batata. Lembrei-me da primeira vez que ele me beijou. Estávamos sentados nesse sofá, fazendo um trabalho. E eu era muito tímida para falar uma frase inteira com ele.
– Então? Agente vai digitar ou vai ser a mão? Minha letra é pior que a do médico da minha mãe.
– Pode ser digitado. Minha mãe vai trazer o cartucho – espero que ele tenha me ouvido, pequei o controle e tirei da MTV, estava começando South Park e eu simplesmente não conseguia entender esse desenho.
– Não gosta de South Park? Droga! Será que ele curte? — Bem eu... – minha voz falhou. Como sempre. Eu conseguia falar tanto com Katie e com minha mãe, mais com ele. Minha voz travava.
Ele me olhou, seus olhos eram de uma cor estranha, às vezes estavam mel e outras vezes castanho. Eu nunca sabia ao certo, sempre me confundia.
– É sempre interessante o modo como eles criticam as coisas. Com ironia e comédia.
– Eu só assisto os comercias e... a cada cinco segundos eles soltam um palavrão. É bem estranho. Ele sorriu.
– Essa é a graça.
Ficamos em silêncio por um bom tempo, o trabalho estava quase terminando e estava começando Teenage Mutant Ninja Turtles. Um dos meus desenhos prediletos. Peguei o controle e aumentei um pouco o volume.
– Você gosta das Tartarugas Ninjas? — Eu prefiro a nova versão. A antiga me faz vomitar, odeio caras extremamente musculosos que usam...
Então eu parei, ele me olhava com um ar de confusão.
– Está de brincadeira? Você é geek? Ótimo! Não era para isso acontecer.
– Bom... – eu nunca mostrei uma coisa que eu não era, quem andava comigo sabia que eu tinha um lado meio jogadora de vídeo game, mais eu passo longe, muito longe, de ser geek – Eu não sou geek, na verdade, eu só gosto meio de alguns tipos de desenhos! São hilários!
– Gosta de Dragões, Pilotos de Berk?
– Claro, embora eu ache que Soluço seja um nome estranho para ele! Você é geek?
– Bem, sim. Acho que sim. É eu sou! Que tipo de animes você gosta?
Pensei um pouco.
Minha lista era um pouco grande.
– Eu gosto de Sword Art Online, é um dos meus preferidos. E eu curto bastante Bakugan!
– Lembro que eu assistia isso quando passava na Tv Globinho. Eu tinha uns 10 anos. Sempre gostei da personalidade da Runo, é difícil achar meninas que tem mente própria. É interessante você saber que está saindo com alguém que saiba o que quer para a sua vida.
– As garotas que você fica geralmente não tem personalidade própria!
Me chutei internamente por ter dito aquilo alto. Às vezes eu queria conseguir calar a minha própria boca.
– Sei, Emily e Riley! – olhei para Erick. Ele estava fitando o chão – Eu nunca fiquei com elas. A historia da Pietra é verdade.
Pietra era o nome da quarta cachorra da minha vizinha surda. Deixando bem claro, não tenho nada contra Pietras!
– Ela me mandou uma mensagem no WhatsApp falando sobre o filme que vocês...
– Sarah, eu nunca no cinema com a Emily, aquela menina tem sérios problemas de mão boba!
Eu já ouvira muitas historias sobre isso, Emily e Riley, as duas gêmeas mais populares do colégio, era conhecidas como as “Taradas das Carteiras do Fundão”, eu nunca acreditei. Mais agora, com Erick falando desse jeito.
Se pelo menos meu cérebro raciocinasse de forma correta quando estava perto dele.
– Eu queria falar uma coisa com você. Na verdade eu queria fazer uma coisa com você!
Se eu confiasse mais em mim eu teria entendido a frase antes de ele se aproximar. Só que meu corpo só foi responder depois que ele me deu um breve selinho.
Como é que é?
Tenho certeza que minha boca estava aberta e que eu deveria falar alguma coisa. De preferência algo que fizesse Erick me beijar outra vez, só que com mais intensidade.
– Sarah...
Minha voz simplesmente não saia! Na maioria dos meus sonhos quando me imaginava beijando ele, eu conseguia processar uma frase depois que nossos lábios se tocavam. Mais acontece que eu queria ser a menina dos meus sonhos. A destemida, que não tem medo de nada!
– Sarah? Cheguei! Trouxe o cartucho e... Sarah?
– M-mãe?
– É, você está bem querida? Não está doendo nada?
Senti os olhos de Erick em mim, as únicas pessoas que sabiam da minha doença era Katie e minha mãe. Seria constrangedor demais falar para ele que meu humor causa desconforto em meu estômago. Muito constrangedor!
– Erick o que ela tem?
O que estava acontecendo comigo? Minha voz não estava saindo. E minha mente estava começando a dar aquele apagão novamente.
– O que ela tem? Ela está bem? Acontece isso direto com ela?
– Bom, Sarah tem uma doença grave e quando o cérebro dela entra em conflito ela acaba perdendo a consciência.
– Ela nunca me disse sobre essa doença! É por que eu a beijei?
– Você beijou...
– Mãe?
Meu corpo estava melhor. E eu já conseguia ouvir com mais clareza. Abri os olhos e vi Erick sentado do lado esquerdo de minha cama. Ele parecia extremamente preocupado.
– Por que eu estou deitada nessa cama? O que ele faz aqui? – minha voz saiu como um rosnado.
– Sarah...
– Tira ele daqui! Eu não quero saber de alguém que se acha na autoridade de me beijar! – me levantei e empurrei ele da minha cama. Erick parecia muito confuso para sair do meu quarto – Esqueceu como se anda?
– SARAH DEGREGORI!
Olhei para minha mãe. Ela estava brava, mais eu não me importava!
– Se ele vai ficar então eu vou sair! – sai do quarto.
– Erick a segure! – ouvi minha mãe gritar – Não a deixe sair da casa.
Eu não sairia da minha própria casa, ele que seria chutado para fora. Peguei seu caderno e joguei na varanda.
– O que você está fazendo?
– Jogando a tralha fora! Todo mundo fala que o lixo deve ficar no lixo – abri a porta – O lixo tem que ir até o lixo.
– O que aconteceu com você? Cada a Sarah...
– Explodiu em um monte de penas e foi morar com unicórnios brilhantes na terra de pôneis com poderes cor de rosa!
– Como é que é? Pôneis com poderes cor de rosa?
Erick estava confuso. E na verdade, uma parte de mim também, mais a outra queria que ele fosse embora e beija-se a primeira garota que ele encontrasse na rua. Ou em qualquer esquina.
– Sarah? – minha mãe apareceu na porta. Estava com um copo e dois comprimidos na mão. Não! Ela não iria fazer isso!
– Você vai me dopar? Que espécie de mãe é você? Não sabe cuidar de sua própria filha?
Erick arregalou os olhos. Minha mãe apenas suspirou.
– Você vai me pedir desculpas amanha. E isso já me deixa feliz! – ela veio em minha direção – Não me faça colocar isso à força na sua boca!
Lembrei-me da cena de uma semana atrás. Ela me forçou a engolir os dois comprimidos enquanto me prendia no sofá. Não foi uma cena agradável.
Peguei os dois comprimidos e o copo de água.
– Isso não vai ficar assim! – rosnei. E o remédio começou a fazer efeito.
Antes de adormecer ouvi a voz de Erick:
– O que ela tem?
A resposta era clara, eu tinha algo que eu não conseguia controlar, algo que acabava com a minha vida social e tirava todos que eram importantes de perto de mim!
Continua...
Fale com o autor