Mudando De Vez
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Não, pare com isso!” ou então “ o que você tem ? , pare com isso ou vai mata-lo!”, “ Seu monstro ! Sai de perto de mim!” Essas palavras ecoavam na minha cabeça o tempo todo, como uma reprise de um terrível pesadelo na qual não posso acordar, muito menos me livrar dele.
Não conseguia dormir , a consciência pesava me sentia culpada por tudo o que eu fiz.
Estava quase de manhã , decidi me levantar e fui para o banheiro fazer minha higiene pessoal. Me sentia um lixo, um pedaço de nada , imprestável. Não sei se posso me chamar de ‘ser humano’, pois acho que a muito tempo eu deixei de ser um... eu tinha Nojo de me olhar no espelho, queria matar aquele ser refletido no espelho... Me libertar dessa maldita rotina!
–MERD@# DE VIDA ! — Gritei revoltada, socando seu espelho com fúria, o arrebentando em inúmeros pedaços que caíram e se espalhavam pela pia e chão, além de enormes manchas de sangue que tingiam de vermelho tudo que tocavam.
– Eu só faço burrada! não é possível isso ... – pensei estupidamente, olhando o corte que fiz na minha mão. Ironia é que eu não sinto a dor, apenas o sangue escorrer... olhei novamente para o que sobrou do espelho, manchado de sangue... pelo menos assim eu não via aquela imagem odiosa que ele reflete.
Estava distraída com seus pensamentos , nem prestei atenção em quem me chamava pelo outro lado da porta, ou melhor, espancando a porta.
– Hey , Garota ! Daria para sair logo do banheiro ? Eu estou apertado — Ordenou seu irmão mais velho Felipe.
– ME OBRIGUE ! — Gritei rebelde, estava sem paciência, estressada e de mau humor.
– Cara , larga de ser mimada e deixa eu usar o banheiro — Insistiu meu irmão
– Larga de ser chato, você sabe que eu não sou mimada e muito menos “PATY” – Disse , em um tom mais calmo.
–Pois bem.. acho que a “assassina” está ficando boazinha de mais... – Falou Felipe , em um tom irônico.
– CALA A BOCA ! –Me alterei de vez . Não estava com paciência para palhaçada.
– Você não me assusta mais. Abre logo essa maldita porta ou vou arromba-la ! – Ordenou o retardado do Felipe.
– NÃO VOU ABRIR POR%$@ NENHUMA ! – Gritei arrogante
– Como você quiser “mimada” – Falou Felipe me provocando.
Continuei com meu silencio. Mas ele logo acabaria, quando comecei a ouvir alguém empurrando a porta com força com intensão de arromba-la.
– PARA COM ISSO MEU ! — Gritei ao escutar o estrondo na porta
As minhas palavras não fizeram efeito , ele continuou a tentar arrombar a porta.
– Que foi Mary ? tem algo a esconder do seu irmão mais velho ? – Perguntou com ironia – O que está fez que está tentando esconder?!
Eu ia responder “nada”, mas comecei a me dar conta que fiz, dos cacos do espelho e do sangue que manchava a superfície predominantemente branca do local.
– Droga... o que eu vou fazer agora?- indaguei olhando estupidamente para o espelho, como se ele pudesse me responder... bom, a prioridade é primeiro é cuidar desse machucado. Fui até um armarinho do banheiro e peguei o kit de primeiros socorros, peguei o mertiolate e o joguei no ferimento, depois peguei a poalha e pressionei na ferida, pra ver se estancava o sangramento.
Enquanto eu fazia isso, a porta estava quase se rachando ao meio pelas repetidas pancadas que ele dava na porta, e parecia que Felipe estava ainda mais enfurecido.
– FELIPE ! NÃO ARROMBE A ESSA BOST#@ DE PORTA!
– Por que ? está com medinho ? Ou vai me matar ?
– QUE FILHO DA PU$@# ! Tenho que inventar uma desculpa... mais tem que ser uma que ele vá embora, pois não quero que ele veja o que eu fiz. Tenho que pensar em algo, e rápido... Mas tem que ser algo que ele vá embora rapidamente.
– Anda logo garota ! estou quase arrombando a porcaria da porta. A próxima eu coloco a porta abaixo! – ele ameaçou, e tava mais que obvio que não era apenas um blefe.
– Felipe, eu preciso de tempo, tá?! ... Eu acabei de sair do banho, e você não gostaria de ver sua irmã só de toalha né ? – Indaguei.
– CREDO! NEM QUE A VACA VOE . – Gritou assustado
– Então recomendo você não arrombar a porta e ir para o seu quarto. – Falei séria.
– ME PROTEGEE FUNKEIROS ! SOCORRO. – Sai Felipe correndo e se trancou no seu quarto.
– Idiota.. muito burro como sempre , nem sei como passou de ano... Pois bem , preciso fazer um curativo na mão, e limpar essa M**** que eu fiz antes que ele veja ou suspeite de algo. E o banheiro todo tá tingido com vermelho... Não posso ficar aqui parada !
Queria resolver o meu problema sozinha , aprender a sobreviver sem ajudar do meu irmão... ou de qualquer familiar. Não posso contar com ninguém além de mim mesma pra me defender!
A prioridade era tratar do ferimento e o enfaixar, e depois era a vez de arrumar o banheiro, mas teria de tomar cuidado pra não me cortar novamente. Quando eu tirei a toalha que estava manchada de sangue, pude ver que o sangramento já havia parado, mas que havia pequenos cacos do espelho no ferimento. Como eu não podia tirar os cacos de vidro com a mão , comecei a vistoriar o armário em busca de achar algo. Por sorte encontrei uma pinça ,Comecei arrancar os cacos de vidro que estavam em minha pele, arrancava um por um , segurando para não gritar, para que meu irmão não escutasse e viesse tentar saber o que realmente estava acontecendo. Depois que a adrenalina passou, começo a sentir a dor do ferimento, mas não tanto para recorrer a meu irmão e pedir ajuda... isso jamais!
Todo aquele processo demorou quase 1 hora, que foi só pra cuidar do ferimento, e eu perdi a nosão do tempo depois, pra tentar limpar o banheiro. Estava quase terminando quando sou interrompida por alguém batendo na porta.
–HEY GAROTA ! VOCÊ AINDA ESTÁ AÍ? SAI LOGO DESSE BANHEIRO!– Falou Felipe batendo na porta do banheiro enfurecido .
– JÁ ESTOU SAINDO, PORCARIA DOS INFERNOS! QUANDO É VOCÊ QUE DEMORA , EU NÃO FALO NADA, SEU IDIOTA! – Respondi sem um pingo de paciência.
– Já era hora de ter saído dai não acha ? Ou está fazendo algo que não devia... – Disse o Garoto com um pingo de malícia .
– VAI CUIDAR DA SUA VIDA VAGABUN#@%
– Tanto faz pra mim...garota problemática – Resmungou Felipe.
Quando ele falou isso eu tive uma vontade louca de arrebentar com os dentes dele a base de socos... e eu cometi a besteira de fechar os punhos, fazendo com que o ferimento da minha mão se abrisse novamente, e voltasse a sangrar... o que me causou uma tremenda dor!
–AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA –Gritei com muita dor. – PORR#@$ DO CARL%$# , FIHO DUMA PU#$@! MALDITA DORRR!
Me escoei na parede perto da porta, segurava minha mão de tanta dor... parecia que minha mão estava se rasgando! Até que escuto meu irmão bater na porta.
– ABRE A PORTA ! — Gritava ele enfurecido, ou seria preocupado....
– ME OBRIGUE VELHOTE!
– LARGA DE CRIANCICE E ABRE ESSA PORR#@$ DE PORTA! — Felipe parecia ter ficado uma ira comigo. Queria abrir a porto a qualquer custo.
– NÃO QUERO ABRIR ! TENTA “ARROMBAR A PORTA”- Falei ignorante
– LARGA DE PALHAÇADA ! ABRA A PORTA OU VOU ARROMBAR ! –Disse Felipe em um tom de ameaça.
– N-Ã-O — Insisti . Só queria saber no que ia dar .
Felipe ficou calado por um momento ... eu estranhei , ele nunca tomou uma atitude dessas.
Fui me aproximando da porta e olhei pelo trinco , queria saber o que estava havendo!
Quando eu vi não acreditei ! Felipe estava correndo em direção da porta com intenção de arromba-la ! mas dessa vez era pra valer , ele estava com uma cadeira de madeira para ajudar .Me afastei rapidamente da porta , vai saber o que vai acontecer.
Aporta foi diretamente para o chão, a cadeira se destroçou toda ... era aquelas bem antigas. Mais uma cadeira que vai para o céu...
Estava encolhida em um canto do banheiro escondendo minha mão esquerda, não queria que ele visse o “pequeno estrago”.
Felipe começou a bater na sua calça para limpar o pó, e logo veio em minha direção.
– Vou ser bem direto , por que você gritou ? – Perguntou em um tom Frio.
–... – Permaneci no silencio .
Felipe não parecia ter muita paciência , ele chegou perto de mim e me levantou bruscamente
.
– Fala logo ! ... Estou sem paciência. – Falou Felipe.
Ele estava estranho , não costumava me ajudar. Cheguei perto dele e então eu senti , um cheiro de bebida muito forte.
Conhecia aquela combinação! Era Whiki com Tekila, ele exagerou pois o cheiro estava muito forte. Isso que é ironia, ele só se preocupa comigo e começava a agir como um irmão mais velho quando estava sobre efeito da bebida...
– VOCÊ BEBEU! Sai pra lá seu bêbado! – Empurrei ele e fui saindo do banheiro.
–Hey... Volta aqui Debrah. Não vou deixar você fugir ... minha linda. – Disse ele se aproximando de mim tentando me beijar.
–Hey , desencana . Eu sou tua IRMÃ! E quem é essa tal de DEBRAH ? – Falei o empurrando de cima de mim.
– Meu ... amor ! minha vida. – Falou Felipe babando.
– Foi no puteiro de novo ? mais não é possível...
– Vai no puteiro , fica fazendo fap fap com uma merdinha e depois pede ela em casamento . Agora eu sei por que meus pais odeiam ele em todas as maneiras ... esse ai considero um verdadeiro imprestável. – Pensei
– Debrah... meu amor.. casa comigo... – Falou Felipe abraçando minhas pernas.
–Me...LARGA! — Não estava com paciência , simplesmente chutei a cara dele , sorte dele não estar usando um all star.
Felipe caiu duro no chão , parece que desmaiou com a pancada. Não podia deixar esse “inteligente” jogando ali no chão, então peguei ele pelos pés e arrastei até a sala
– O que eu vou fazer com essa coisa morta? Estou séria mente em... não pera ! Será que existe tráfico de corpos? Melhor não... vão me processar se eu tentar vender isso. – Cutuquei o meu irmão com o pé para ver se ele estava vivo.
Deixei ele jogado lá no chão da sala e Peguei o chinelo que estava no pé dele, e coloquei eles . Não queria cortar meu pé, caso ainda tivesse algum caco no chão que tenha escapado ou alguma farpa de madeira, ao voltar para o banheiro.
Ao olhar para o banheiro e percebi , que ainda estava uma bagunça pior do que eu tinha feito! Bom , fazer o que né ? Fui para o quartilho de tralhas e peguei uma vassoura, uma pá e um saco de lixo pra limpar aquela ‘zorra’ que um dia foi um banheiro. Só queria saber como eu ia explicar para o sindico o que aconteceu, ele vai surtar de vez por causa do “dano a propriedade” e coisa e tal.
Tirei os maiores pedaços da porta primeiro e deixei em um canto. Depois comecei a varrer com cuidado, e recolher com a ajuda da pá os “restos mortais” da porta e espelho. Coloquei tudo no saco de lixo e depois dei um nó , só faltava ver o que ia fazer com o vidro que estava rachado que ainda permanecia no espelho e os pedaços maiores de madeira.
– Vish... acho que vou ter que pedir ajud... NÃO! Se eu pedir ajuda vou ter que retribuir o favor! Nem pensar. Eu odeio pedir ajuda para pessoas que eu não conheço! –Pensei.
Como eu NÃO queria ajuda , deixei assim mesmo e fui ver como Felipe estava. Cheguei na sala e o Vagab#$@ estava babando no chão com a mão na barriga.
– Mais que vag#@$ ! Além de ficar pegando put#@ no puteiro fica babando no chão.
Como estava com “muita” paciência , chutei bem naquele lugar do meu “querido” irmão, com raiva e desprezo.
– ACORDA! OU QUER OUTRO CHUTE ? – Gritei , para ver se fazia efeito .
– AAAAAAAAA meu filhos.... – Gemia ele de dor.
– Se ele ainda estiver bêbado , juro que vou afogar ele na banheira.
– Debrah... por que fez isso ? – Perguntou ele ainda bêbado.
– Mais não é possível... ainda está bêbado !? Eu chutei você , fiz você desmaiar e ainda está nesse estado! o que você bebeu? – Indaguei nervosa – Gasolina? Etanol?
– Vem aqui Debrah ! Vamos ser felizes ali no canto!
– CHEGA ! ESSA FOI A GOTA D’ÁGUA .- Gritei enfurecida. – ISSO NÃO É FELICIDADE, É UM PASSI PARA O INFERNO!
Peguei meu irmão pela gola da blusa e comecei arrasta-lo até o banheiro.
Enchi a banheira de água muito gelada e ataquei ele lá dentro, afundei ele lá até voltar naquele hipócrita de sempre.
– VADI#@$ PARA COM ISSO! — Gritou — Quer me matar afogado?!
– GRR , finalmente voltou do transe né cinderela. Ficou me chamando de “DEBRAH” até agora! Fez muito fap fap com ela para guardar o nome da put#$% ? ?
– VEJA COMO FALA O NOME DELA! Ela é minha namorada para sua informação ! – Falou Felipe rude como sempre.
– Hum... legal , e sabia que você senhor pedófilo , tentou me beijar e me pedir em casamento pensando que eu sou Debrah ? Fico feliz por tentar arranjar uma baranga que goste de você. MAS SE ME CHAMAR DE DEBRAH MAIS UMA VEZ , JURO QUE MATO AQUELA VAD$%# E MANDO ELA DAR O C$%# PRO CAPETA. – Gritei igual uma louca.
– ... pra mim deu ! Vou passar a noite fora. – Disse ele mais calmo.
– Ótimo , só não esqueça da camisinha, para combater a “Dengue” . Lembra? -Ironizei .- Muito engraçado , agora saia do banheiro para eu tomar um banho . Ou vai querer me ver nu ? – Falou entrando no meu “joguinho”
– Muito , mais muito engraçado! Por que não entra no IVQNT? ? — Perguntei
– IVQ o que ?
– Idiotas Vadios Que Não Trabalham. – Respondi saindo, como não tinha mais porta , tive que ir para o meu quarto. Fazer o que né ?
Fiquei no meu quarto, me deitei na minha cama e coloquei o meu fone com ROCK no ultimo.
Fiquei olhando para o teto enquanto esperava o marginal sair do seu “precioso” banho.
Acabei esquecendo de trancar a porta, mas nem liguei, apenas fiquei escutando aquele Rock dos bons. Mesmo tendo acordado faz 1 hora acabei dormindo nova mente.
POV’S Felipe .
Terminei meu banho quente de preferencia , fui para o meu quarto e me troquei para ir na casa da Debrah. Sinceramente tem coisas que me irritam na minha irmã, mas mesmo assim eu prefiro que seja ela mesma... não quero que ela crie laços comigo, nem que dependa de mim. quero que ela seja forte para conseguir viver por conta própria, sem a necessidade de proteção... pois eu sou a ultima pessoa do mundo que iria conseguir protege-la.
Quando terminei de me trocar , fechei a porta do meu quarto e passei enfrente a porta de Mary.
Milagrosamente não estava trancada , abri a porta e vi ela dormindo, toda encolhida. Como ela é friorenta ,coloquei um cobertor nela e dei um beijo em sua testa, mas não antes de perceber que ela tinha enfaixado a própria mão... tinha percebido que o espelho do banheiro estava quebrado, e provavelmente foi a causa do ferimento dela. É admirável o quanto de dor ela conseguiu suportar só pra não ter de pedir ajuda...
Mesmo ela sendo durona , sei que ela não é nada disso! Só faz isso para não se sentir inferior as outras pessoas... e nem ter de depender delas.
Fechei a porta do quarto dela , peguei minhas chaves, meu celular e depois sai do AP
POV'S Felipe Off
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