Mudanças no passado
8 Susto
Harry ainda estava rindo de Tiago quando eles ouviram um grito.
– Lily! — disseram os dois e saíram correndo da sala.Quando chegaram perto das escadas, de onde veio o grito, Tiago deu um gemido alto e correu para o corpo de Lily, estendido no chão.– Lily, Lily! Fala comigo, por favor... — falou Tiago, num fio de voz.Harry estava completamente atordoado. Era culpa dele que Lily tinha sido atacada. Mas pôde sentir algo atrás dele se mexendo. Não hesitou e virou-se, mandando um Estupora na direção do som.Apenas o baque surdo do corpo caindo no chão foi resposta. Harry aproximou-se e viu Malfoy, o rosto desfigurado de ódio, mas totalmente inerte.Tiago pôs Lily no colo e a levou para a ala hospitalar, dizendo-lhe que tudo ia ficar bem, independente de que ela estivesse inconsciente."Esse comportamento do Malfoy é muito estranho... Por mais que ele seja um preconceituoso idiota, ele não seria louco o suficiente para deixar a máscara cair na frente da escola toda. Não duvido que ele pudesse querer matar Lily, mas sei que pra ele, nome é tudo... E ele não mancharia o seu assim." — Harry andava por perto do corpo dele, esperando alguma reação.Então Harry finalmente entendeu: Malfoy só podia estar sob a maldição Imperius. E isso significava que os "queridos" Malfoy e Bellatrix haviam chegado.– Ah, mas você me paga, Malfoy! Quer brincar? Eu sei brincar também... Obliviate!– gritou Harry. Sabia que o feitiço era forte, e que Malfoy ia ficar inutilizado por um bom tempo.Harry levou Malfoy para um corredor pouco usado e o deixou lá, torcendo para que ele se perdesse para sempre no castelo.=========– Tem alguma Gina nesse quarto? — perguntou uma garota, abrindo a porta do quarto onde ela e Alice dormiam.– Sou eu. O que houve? — Perguntou, sonolenta. Então notou a cama de Lily vazia.– O seu amigo irritadinho está gritando por você lá embaixo. Por favor, desça. Todas queremos dormir... — e fechou a porta."Deve ser mais uma briga de casal..." — foi o último pensamento de Alice antes de cair no sono.Gina pôs um robe por cima da camisola, calçou-se e desceu, apreensiva. Quando chegou ao salão comunal, viu Harry sentado desolado numa poltrona em frente à lareira, quase chorando.– O que houve, Harry? — ela disse, de mansinho.– Gina... foi tudo culpa minha... eu — e não conseguiu continuar. baixou a cabeça e começou a chorar.– Calma, vai dar tudo certo. — ela tentou reconfortá-lo. Nunca o tinha visto nesse estado. Nem quando Sirius morrera. "Ai, que estranho pensar na morte de Sirius com ele por aqui..."Ela se sentou no braço da poltrona e o puxou, abraçando-o. Harry agarrou-se a ela como se nunca mais fossem se ver, e a puxou para o seu colo. Ela ficou vermelha, mas ele não notou, só chorava.Ficaram um bom tempo assim; ela no colo dele, passando as mãos carinhosamente por seus cabelos e costas, acalmando-o, até ele parar de chorar.– Harry, o que aconteceu? — perguntou quando achou que ele já podia falar.– Foi minha culpa. — disse, sem emoção na voz, os olhos perdidos, olhando para a lareira.– O que houve com Lily? — ela insistiu.– Ela foi atacada. Eu devia estar cuidando dela, mas falhei...– Como assim, atacada? Aqui em Hogwarts?E Harry contou-lhe tudo. Gina apenas o olhava, condescendentemente, até ele terminar.– Harry, — disse, quando ele terminou. — não foi culpa sua. Você não tinha como estar com ela 24 horas por dia.– Mas eu devia, Gina. Estamos aqui para isso.– Não quero discutir isso, Harry. Não adianta nos culparmos. Devemos agora canalizar forças. Os comensais chegaram, e eles não vão poupar esforços para matarem seus pais. Já vimos que eles não pretendem pôr as mãos na massa, ao menos por enquanto.– Você está certa. — concordou, relutantemente.– Claro que eu estou certa. Eu estou sempre certa! — ela deu uma risadinha. Ele deu um meio sorriso em resposta. — Harry, vamos à ala hospitalar, ver como ela está?– Tiago e Dumbledore estão lá. Me mandaram voltar pra cá, quando me viram tão agitado.– Mas eles não precisam nos ver, Harry. — ela completou. — Vá buscar aquela sua Capa logo!– Você é perfeita, sabia? — sussurrou pra ela. De repente ele percebeu que ela estava sentada no seu colo, com as mãos enlaçadas ao pescoço dele, de camisola, sorrindo e linda.Gina também teve uma súbita consciência de onde estava, e como estava. E estavam próximos demais.– Harry, vamos logo. — ela falou, cortando a aproximação dele.– Vamos, Foguinho.=========Quando chegaram à ala hospitalar, Tiago estava prostrado ao lado da cama de Lily. Dumbledore estava conversando num canto com Madame Pomfrey e o professor Slughorn, visivelmente arrancado da cama há pouco.Lily continuava inconsciente, mas parecia um pouco melhor. Harry e Gina foram, aos poucos, se aproximando da conversa dos três.
– Isso é um absurdo, Alvo! Um aluno não pode ter atacado a Srta. Evans. — indignou-se Slughorn.– Quisera eu que isso não houvesse ocorrido, mas é verdade.– Quem é o aluno em questão? — continuou Slughorn.– Eu prefiro manter isso em sigilo, por enquanto. Preciso confirmar algumas informações, Horace.– Mas Alvo -– Suponho que a Srta. Evans precise de descanso. Acredito que já abusamos do seu repouso, só em estarmos aqui. — cortou Dumbledore.Madame Pomfrey afastou-se deles e foi dar mais uma dose da poção que Slughorn acabara de trazer para Lily.– Meu jovem, eu já lhe disse que ela vai ficar bem. Por que você não volta para o seu dormitório? — perguntou a Tiago.– Se a senhora não se incomodar, eu prefiro ficar aqui. Não vou conseguir dormir enquanto não ouví-la brigando comigo de novo.Madame Pomfrey escondeu o sorriso. Era uma romântica incurável. Olhou para o diretor, e ele assentiu, permitindo que Tiago ficasse na ala hospitalar.– Agora vamos, meu caro. Já é tarde e amanhã tem aula. — disse Dumbledore, guiando Slughorn para a porta da ala hospitalar. — E é bom vocês irem também. — ele disse baixinho, para que só Harry e Gina ouvissem, quando passaram ao seu lado.
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