Mudanças Para Continuar
21 Chapter Twenty One
Notas iniciais
P.O.V Cindy:
— Podem começar a falar — diz Manu. — Vocês têm uma explicação para me dar.
Noah e eu nos entreolhamos com um pouco de medo de Manuela, mas esta sensação logo passa. Contamos tudo para ela. Ela já parecia ter adivinhado metade da história, mas mesmo assim queria ouvir a nossa versão da aventura. Isso realmente foi bem engraçado.
— E obrigada pela ajudinha. Você foi ótima! — digo sorrindo gentilmente para agradecer mesmo.
— Já passei por situações assim, não é a primeira vez — ela retribui o sorriso.
— Então, quer dizer que além de bonita, é espertinha?! — diz Noah. Ele sempre faz isso. Gosta de fazer brincadeirinhas. Sei que esta é só mais uma de suas brincadeiras para impressionar garotas – porque nem todas moças preferem um ’’concerta tudo’’ a um capitão do time de futebol da escola, forte, ‘bonito’ e popular –, mas, de algum jeito, isso me irrita e machuca.
ESPERA, O QUE EU ESTOU PENSANDO? Ele é seu melhor amigo, Cindy! M-E-L-H-O-R A-M-I-G-O!
Manuela apenas ri da brincadeira de Noah. Depois disso, ninguém mais fala nada. Ficamos em um silêncio desconfortável, até Manuela quebrá-lo:
— Então.... Já que estão aqui, eu gostaria de mostrar-lhes uma coisa...
— O.k... — digo, um pouco desconfiada.
— Sei que é bem feio de minha parte, mas se importam de ficarem sozinhos um pouquinho aqui? Eu precisava arrumar as coisas... — ela diz, meio sem graça.
— Feio nada, Manu! A gente não se importa. Pode fazer lá o que você tem para fazer. Nós esperamos aqui — Noah retira todas as palavras de minha boca. Manuela olha para mim. Eu sorrio e mando-lhe um ’’sim com a cabeça’’, concordando com Noah.
— Já volto! — ela diz com um sorriso no rosto e sobe as escadas em direção aonde acho que seu quarto fica. — Fiquem à vontade.
— Tudo bem? — Noah pergunta quando Manuela sai de nosso campo de visão.
— Sim. Por que não estaria? — eu olho para ele.
— Sei lá... Você ficou muda do nada.
— Muda?
— O.k, não completamente muda. Não sei explicar direito. Você... Como eu posso dizer...?
— Eu...?
— ... Não me estapeou, não disse ’’Noah, pare de ser atirado’’ ou revirou os olhos. Você simplesmente ficou calada... — Noah diz tudo isso com uma cara de ’’por favor, não me mate’’. Por um momento, fico um pouco apavorada ao lembrar desse momento, pois meus pensamentos vêm à tona em minha cabeça também. Mas trato de substituí-los por qualquer coisa o mais rápido possível.
— Eu sempre faço isso? — pergunto.
— Ér... Tipo, sempre, não. Mas é que.... Sei lá... Ás vezes, talvez — ele responde meio sem jeito. Com certeza, está com receio de eu ficar completamente maluca com a resposta sincera dele.
— Talvez eu tenha ficado calada pois não faço mais isso — repondo, tentando parecer firme e verdadeira. Tentando, não! Sendo firme e verdadeira. — Porque desisti de tentar fazer você não ser tão idiota. Você não tem jeito, sempre vai fazer isso. Então, apenas ignoro mesmo — sorrio, colocando um pouco de comédia em minha fala, para parecer mais verdadeira. Parece que funciona, pois ele sorri também.
— Eu sou um idiota? Ai, gamer girl, assim você machuca minha autoestima — ele faz drama, como sempre, mas, é claro que ele consegue uma missão bem-sucedida quando reviro os olhos e rio. Para Noah, quando eu reviro os olhos, ele ganha uma vitória por me irritar de um jeito bom; do jeito que só ele consegue fazer. A amizade é algo estranho, às vezes.
— Hey, o que significa ’’fiquem à vontade’’ para você, gamer girl?
— Por que, grande amigo Noah? — eu arco uma sobrancelha, desconfiada e determinada em descobrir o plano de Noah.
— Não sei.... Talvez por aquilo ali — Noah aponta para um videogame XBox 360 Rock Band 3 (guitarra, bateria e microfone) que está depositado perto da televisão.
Nós trocamos um olhar de ’’está pensando o mesmo que eu?’’, ’’vamos lá?!’’ e ’’fiquem à vontade quer dizer: façam o que quiserem!’’.
Isso vai ser interessante., penso.
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