Mudanças Para Continuar
35 Chapter Thirty Five
Notas iniciais
P.O.V. Manuela:
— Não dessa vez, amigão! — sorrio para Cookie que tem sua tentativa de correr pela praça falha por conta de sua guia estar amarrada no banco no qual estou sentada. Sim, eu amarrei a guia dele para que não corresse, como sempre. Confesso que estou com pena, mas, se correr, ele pode se perder ou algo pior pode acontecer.
Cookie late e abaixa a cabeça, deitando no chão.
Retiro um pacote de bolachas da bolsa e dou algumas para ele. Cookie ‘’sorri’’.
— Espero que isso compense a guia amarrada no banco — ele termina de comer, late abaixa a cabeça novamente. Sorrio. — Se você não considerar como um suborno, compensa.
Observo o céu. Ele está fechado, um tempo de chuva, mas sem nenhum pingo, até agora. Exatamente por isso que decidi vir para cá, aproveitar enquanto a chuva não vem para passear com meu cachorro, já que meus pais me deram uma ‘’folga’’ da padaria, dizendo que davam conta de tudo.
— Manuela Singer! — ouço uma voz conhecida e viro-me para descobrir à quem ela pertence. — Estamos nos encontrando bastante, não acha?
Adrien Chevalier está parado ao lado de Cookie, sorrindo. Ele se abaixa para afagar seu pêlo e meu animalzinho ‘’sorri’’, balançando a sua cauda. Levanto-me e Adrien faz o mesmo, para poder me cumprimentar com um abraço, logo depois.
— A última vez foi... — tento lembrar da última memória que tenho com Adrien.
— Você não lembra? — ele ri, um pouco surpreso. Talvez, magoado.
— Lembro sim, só preciso pensar um pouquinho... — sorrio, sem graça. — Foi... Hã...
Adrien me olha com esperança de que eu lembre. Estou em uma situação tão ruim assim?
— Vou te dar uma dica: eu sou pintor. Disso você lembra, não é?
Assinto, sorrindo. Posso não ter uma memória tão boa, mas ainda não tenho Alzheimer, amigo. Tento lembrar de novo.
— ... QUANDO VOCÊ PINTOU MEU RETRATO! — acabo dizendo alto demais, despertando alguns olhares de pessoas da praça. — Opa... Mas foi quando você pintou um retrato meu e do Cookie, certo?
— Exatamente! Só precisava de um empurrãozinho — ele sorri, satisfeito. — Lembrando que o quadro ficou muito lindo, modéstia à parte, não é mesmo, Cookie?
Adrien olha para Cookie, que late, e percebe que sua guia está amarrada ao banco, então volta seu olhar para mim.
— Tudo isso para ele não vir ao meu encontro?
— N-Não, não é isso! É que, se ele correr, pode acabar acontecendo alguma coisa. Eu me preocupo com ele.
— Companheiro para todas as horas, não é? — ele sorri e eu assinto com a cabeça, sorrindo também. Ouvimos e vimos trovões e relâmpagos agindo no céu. — Parece que vai chover.... Preciso guardar meus equipamentos.
— Você deixou suas coisas sozinhas?! Não tem medo de ser roubado?
— Eu já conheço as pessoas que vivem por aqui e eles me conhecem também. Nos damos bem e eu confio neles. Com minha experiência como pintor em Paris, não vi nem sofri nenhum assalto, até agora, e duvido que isso venha a acontecer. A maioria das pessoas não se interessam em artigos de pintura, ainda mais de um pintor como eu — ele ri.
— ‘’Ainda mais de um pintor como eu’’? Seus quadros são lindos! Você precisa aumentar a autoestima, ter mais amor próprio — exclamo, rindo um pouco. — Eu te ajudo.
— Com o amor próprio ou os equipamentos?
— Com os dois — pego a guia de Cookie, soltando-a do banco e nos dirigimos até as coisas de Adrien, os três. Solto Cookie porque sei que ele ficará por perto.
— O.k, tintas dentro da bolsa menor, telas nessa sacola enorme aqui, já que todas estão secas, e o cavalete é dobrável, digamos assim, então carregamos nas mãos mesmo — Adrien me dá as instruções e começo a colocar as tintas em uma bolsa pequena, como ele explicou.
Na maneira como vamos guardando as coisas, começo a sentir pingos de chuva em meus braços e cabeça.
— A chuva está chegando, Adrien... — digo e ele me olha um pouco assustado, então começamos a ‘’agilizar nosso trabalho’’. Os pingos se multiplicam e uma chuva pouco grossa começa a cair, mas, graças ao Adrien, as telas pintadas já foram guardadas na sacola. Adrien dobra o cavalete o mais rápido que pode, enquanto termino de colocar as tintas na bolsa. A chuva se intensifica cada vez mais.
— Pronto, vamos levar até a minha moto — Adrien diz pegando o cavalete e tentando puxar a sacola com as telas, porém, apenas com um braço, ele não consegue. Coloco a bolsa com as tintas sobre o meu ombro – ação possível graças à alça que a bolsa contém – e pego o outro lado da sacola, ajudando a carregá-la. Rimos correndo na chuva com certa dificuldade por conta dos objetos que carregamos, até a moto dele.
— Vai molhar tudo, Adrien — rio, enquanto ele tenta colocar as coisas apressadamente em cima da moto, como se aquilo fosse proteger o equipamento dos pingos da chuva, que, aliás, se multiplicam mais e mais.
— Jogue tudo aí, mesmo — eu tento colocar as coisas ali enquanto rimos, porém é um pouco complicado, mas, com a ajuda dele, logo conseguimos. Os pingos de chuva se tornam grossos e fortes, transformando nossos movimentos em algo difícil de se fazer.
Nós nos afastamos da moto e Adrien escorrega no chão molhado, me empurrando na grama junto com ele. Ele cai em cima de mim, deixando seu rosto molhado bem acima do meu. Encaramo-nos por alguns segundos de um jeito que não sei explicar e então tocamos nossos lábios enquanto somos encharcados pela chuva forte, mas não consigo ligar para isso. Ele está me beijando. ME BEIJANDO!?
Quando ouvimos um latido, nos damos conta do que está acontecendo e desaproximamos nossos rostos. A expressão dele é uma mistura de surpresa com culpa e eu estou envergonhada, sem saber o que fazer – porém, realizada.
— ... M-Me desculpe... — Adrien sai de cima de mim rapidamente quando termina sua fala.
— ... Você deslizou.... Tudo bem — me levanto do chão molhado e me recomponho, indo na direção que o latido veio. Provavelmente, na direção em que Cookie está. Com tudo isso, acebei esquecendo dele. Solto por aí. Na chuva.
Percebo que Adrien vem atrás de mim e então encontro meu cachorro com a guia presa em uma árvore. Vou correndo soltá-lo, para depois afagar seu pêlo.
— Pelo menos não foi algo pior — diz Adrien, ‘quebrando o silêncio inexistente’ por conta do barulho da chuva – que está nos molhando totalmente. Sorrio para ele. — Não sei porque ainda estamos aqui como se não estivesse chovendo muito, então é melhor irmos. Eu daria carona para vocês, mas acho que não seria algo muito legal e confortável para Cookie, mas se quiserem mesmo assim...
— Nós passamos a vez — Cookie late, como se confirmasse minhas palavras. — Até mais, Adrien.
— Espera! Nós estamos nos cruzando bastante, não acha? — rimos, como se nada de antes tivesse acontecido. — Pode me passar seu número?
— Nossa, como não molhou? — Adrien tira seu celular sequinho do bolço da calça encharcado e me oferece para digitar meu número. Assim o faço. — Pronto. Agora sim, tchau, Adrien.
— Até mais, Manuela. Obrigada pela ajuda. Tchau, Cookie! — ele afaga a cabeça do animal e depois trocamos um abraço. — ... Desculpe, de novo... Não se molhem muito! Vamos pegar uma gripe, ainda...
— Acho que a chuva não tem mais nada pra molhar, já estou encharcada! Mas Cookie parece estar feliz por ter tomado um banho de água gelada — vamos indo embora e aceno para Adrien, que retribui o gesto.
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