Mudanças
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Notas iniciais
POV. Regina
Acordei com uma forte dor de cabeça. Não sei por que acordei assim, se, na noite anterior, eu não bebi. Só sei que eu não me lembro de nada, somente de Robin. Momentos de nós juntos se passam em minha cabeça. Lembro-me de nossos beijos, de seus braços em volta de mim, de sua voz doce quando ele dizia que me amava. Também lembro de que, ontem à noite, eu conheci alguém e... Oh, não, Killian. Viro-me para o lado e o vejo em um sono tranquilo. Caralho, o que foi que eu fiz? Eu não sou assim, posso fingir que sou, mas não. Sento-me na cama rapidamente e acabo o acordando.
–Bom dia, gata.
–Bom dia o cacete.
Eu estava nervosa. Ele me olhou confuso e se levantou, aproximando-se de meu pescoço e dando leves beijos.
–O que foi?
–Eu não sou assim, Killian. Vá embora.
–Ir embora, assim, tão depressa?
–É.
Eu me levanto enrolada ao lençol e vou até o banheiro. Sinto ele me acompanhar, mas não o impeço.
–Vai tomar banho?
–Não interessa.
–Interessa sim, gata. Se você for tomar banho, eu posso te fazer companhia.
–Quem disse que eu quero sua companhia?
Não podia negar que eu estava gostando disso. Percebi que eu não sou assim, porém, nada me impede que eu mude. Somente uma coisa, Robin. Preciso me esquecer daquele homem que está me fazendo sofrer.
–Seu olhar te entrega.
Okay, eu já sei como fazer para esquecer aquele imbecil. Envolvo meus braços no pescoço de Killian e deixo que o lençol se solte de meu corpo. Fico nua para Killian, o que parece estar gostando de tudo isso.
–Okay, então, meu caro. Deixe-me louca como me deixou à noite.
Ele sorri e me beija. Nosso beijo não era romântico, era voraz, com nossos corpos implorando por mais. Interrompemos o beijo, não pela falta de ar, mas sim pelo alto som da porta sendo arrombada. Pego o lençol rapidamente e me cubro. Robin está ali, parado, olhando para nós. Seu olhar entrega a raiva que ele está sentindo.
–Robin, não é isso... –eu digo me aproximando dele, mas ele logo me interrompe.
–É o que então, Regina? –ele se afasta de mim, causando uma enorme dor em meu coração. Não, isso não vai ficar assim. Ele vai embora com aquela morta viva da Marian e eu ainda tenho que dizer com quem eu passo a minha noite? Não, não, Robin, você está muito enganado.
–Quer mesmo saber? Eu transei com ele sim, Robin. E não devo satisfações a você. Eu transo com quem eu quiser, porque EU SOU LIVRE.
Vejo o quanto minhas palavras o magoaram, mas não fico feliz por isso, pelo contrario, me sinto pior do que estava.
–Olha, Robin, me desculpe. O que você realmente quer aqui?
–Marian lhe convidou para jantar conosco, hoje à noite.
Aquilo me surpreende. Jantar com a família feliz, acho que não é uma boa ideia, porém, vou aceitar.
–Claro, Robin.
–Esperamos você às 21h00min, okay? E, por favor, não vá acompanhada. –ele vai embora.
Olho para Killian e o mesmo estava ali, parado no mesmo lugar, apenas ouvindo a conversa.
–Você não ouviu? Anda, se troque e vá embora.
–Vai me largar assim para sair com o corno do seu namorado?
Aquilo me magoou, não por ele ter chamado Robin de corno, mas sim por ele ter dito que eu sou namorada dele. Novamente lembro-me do tempo em que estávamos juntos e acabo me esquecendo de responder Killian.
–Hey, eu estou aqui ainda.
–Oh, sim, desculpe. Ele não é meu namorado, Killian. Ele é só um amigo. Agora VÁ, tenho muita coisa para fazer.
Ele faz que sim com a cabeça, pega suas roupas se troca e vai embora. Assim que fecho a porta, fico bolando vários planos bobos para a noite de hoje. Sei que não vai dar certo tentar algo com Robin, mas não custa tentar. Queria apenas uma conversa com ele para esclarecer tudo o que aconteceu. O que é isso, Regina? Você não disse que iria esquecê-lo? Ah, Robin, eu te amo tanto, por que é tão difícil viver sem você?
Saio de perto da porta e vou direto para o banheiro. Resolvo sair comer algo no Granny’s, pois estou com preguiça de cozinhar. Me visto, pego minha bolsa, tranco a casa, entro no carro e dou partida para o pequeno restaurante.
Chegando lá, encontro uma pessoa não muito agradável. Emma. Sento-me um pouco afastada, mas percebo que a mesma se aproxima. Meu Deus, o que eu fiz para merecer isso? Não posso passar um dia em paz? Ela se senta em minha frente e sorri.
–Olá, Regina.
–O que você quer, Miss. Swan?
–Nossa, só queria conversar.
Sei que fui grossa com ela, mas ela merece, poxa. Não me deixa em paz. Porém, ela não tem culpa de tudo o que está acontecendo em minha vida.
–Desculpe-me, Emma. É que hoje eu não estou muito boa para conversar.
–Robin Hood?
–Como assim?
–É ele de novo, não é?
Abaixo a cabeça. Sinto que vou chorar, mas tento segurar. Ela percebe e se senta ao meu lado. Sinto seus braços se envolvendo em mim. Sentia-me segura. Agora sim, minhas lágrimas começaram a correr pela minha face. Permiti que ela me abraçasse.
–Vamos pra casa. Acho que você precisa desabafar com alguém.
Emma nunca foi aquela amiga dos sonhos, porém, ela estava certa, eu realmente precisava desabafar com alguém. Fomos para sua casa em meu carro, porém, ela dirigiu. Não estava com cabeça para pegar no volante.
Chegamos lá e ela me guia até dentro de sua casa. Me sento no sofá e ela senta ao meu lado. Não podia negar que eu estava gostando da companhia de Emma. Senti uma onda de sentimentos ao me relembrar de Robin novamente e sinto uma imensa vontade de chorar. Ela me puxa para outro abraço e eu aceito.
–Não aguento mais essa dor, Emma.
Agora eu soluçava. Aquela dor dentro de mim só crescia a cada palavra que eu dava.
–Vamos fazer assim. Você descansa primeiro e, depois que você acordar, a gente conversa, pode ser?
Eu apenas confirmo com a cabeça. Ela se levanta, vai até a cozinha e volta com duas xícaras de chá. Senta-se ao meu lado e liga a televisão. Estava passando CSI:NY. Sorrio.
–Que sorriso é esse, hein, dona Regina? –ela se diverte.
–Minha série favorita.
Ela parece se surpreender.
–Jura? É minha série favorita também.
Rimos.
Ela me entrega a xícara e nós brindamos.
–Que sejamos felizes com muitos episódios de CSI:NY! –Emma diz e nós rimos.
–Tim, tim.
Nós rimos novamente e batemos nossas xícaras. Tomamos um gole a começamos a prestar atenção no episódio. A companhia de Emma me fez sentir mais calma, porém, tudo isso acabou rápido. Stella Bonasera e Mac Taylor faziam um casal perfeito, porém, os dois nunca ficaram juntos. Isso me entristeceu, pois me fez lembrar de Robin. Emma parece não perceber, o que me agrada um pouco.
–Posso te fazer uma pergunta, Emma?
–Claro.
–Faz cafuné em mim?
Ela ri.
–Deita aqui.
Deito-me em seu colo e sinto uma sensação estranha, mas boa. A única coisa que me lembro é de ver Stella dando um beijo no rosto de Mac após eles terem terminado um caso, pois, logo depois disso, eu adormeci.
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