Mudança De Planos
2 Um nove ou a morte
Notas iniciais
Se eu não precisasse passar nessa matéria juro que dormiria. Terceiro ano, aula de literatura.
Para mim depois que deixou de ser gramática a essa matéria virou uma putaria. O que realmente ia importar na minha vida se o gay do Romeu foi burro demais até para forjar sua morte e a Julieta idiota para se matar antes de saber se ele estava realmente morto ou não? NADA. N-A-D-A.
Esse professor também não ajudava nada, Sr. Mudder, um velho, barrigudo, que falava com tanta empolgação que 70% da classe estava dormindo. Ele nem liga, está com tanta vontade de dar a aula como eu estou de assistir. Mas o que eu poderia fazer? Passar em literatura era necessário para sair logo daquela escola e fazer realmente o que me interessa, estudar medicina. Com minha faculdade completa, vou viajar o mundo, exercendo minha profissão cuidando das pessoas nos países mais precários. Eu merecia isso, depois de 17 anos algemada nesse lugar eu tenho que recompensar os outros viajando o máximo que puder.
-Bella? – disse minha melhor amiga, Alice me tirando dos meus pensamentos.
-Oi? — respondi tentando achar de onde vinha sua voz.
-Dormir na aula não é bem a atitude de quem precisa passar na matéria pelo menos no ultimo semestre!
Droga! Eu havia dormido!
-Eu, é.. não percebi que tinha dormido
Alice era um ótima amiga, e as vezes agia como uma mãe, eu nunca precisei dizer, mas sei que ela sabia do meu desejo de sair logo dessa cidade, assim que terminasse o ano letivo. Alice sabia tanto quanto eu que eu precisava passar.
-Tá, não se sinta tão culpada, toda a sala dormiu – Às vezes ela é até que uma mãe legal, sabe?
-É, mas toda a sala não precisa tirar pelo menos um 9 para passar de ano – ou vai ficar para sempre presa nessa escola, e consequentemente nessa cidade, completei mentalmente.
-Na verdade a maioria precisa sim, estão indo todos mal nessa matéria, já que o professor é um mosca morta –disse ela, e eu tive que concordar com um aceno de cabeça.
Então não sou só eu! Me senti aliviada por poder jogar a culpa em alguém, assim não precisava admitir que eu era um zero-a-esquerda nessa matéria.
-Vamos então? – disse Alice vendo que eu ainda não havia reagido, acompanhada por Ângela e Jéssica que me olhava com cara de “Qual é o problema dela?”.
Ângela e Jéssica eram minhas amigas também, ao menos Ângela. Eu gostava de Jéssica, de verdade, mas sentia que sua relação comigo era um tanto falsa. Talvez isso tivesse relação com seu namorado, Mike, um garoto do nosso ano que a todo momento sentia a necessidade de demonstrar que trocaria ela por mim a qualquer instante, na verdade a todo momento não, apenas quando Jake não estava por perto. Mike morria de medo de Jake. Na verdade quem não? Ele é um moreno de quase 2 metros de altura, com cabelos caídos nos ombros, e olhar intimidador. Pelo menos pros outros, pois comigo ele é extremamente doce e brincalhão, um dos motivos pra eu namorá-lo.
Jake é filho de Billy, um dos amigos de Charlie, meu pai. Somos amigos desde sempre, brincávamos juntos quando pequenos enquanto Billy e Charlie assistiam futebol, só que aos 15 anos a amizade não bastou para Jake, então, para não perdê-lo, aceitei o namorar, e estamos juntos desde então. Jake, para ficar perto de mim, se transferiu da escola Quileute, que é a escola da reserva onde ele mora. Hoje não me vejo sem ele.
Estávamos já na fila da cantina quando Ângela cortou meus pensamentos:
-Lá vem ela – disse
Olhei na direção em que Ângela olhava e vi Lauren, uma garota que me odeia desde o primeiro momento em que eu pisei em Forks High School, na verdade desde o momento no qual eu “roubei” –como ela diz- a popularidade dela. Desde então ela me persegue, tentando roubar o que é meu, e quando não consegue, arruinar o que eu tenho. Ele estava com Tânia, sua seguidora, como eu gosto de chamar. As duas me lançaram um olhar raivoso, se olharam e começaram a cochichar, falando de mim como eu presumo.
Todo dia eu me pergunto, qual o problema dessas duas, pelo amor de Deus, elas acham que estamos no ‘Patricinhas de Beverly Hills’ onde as garotas brigam para serem rainhas do baile de primavera ou coisa assim?
-Não liga pra ela – disse Ângela
-Mas eu realmente não ligo
-Elas realmente levam a sério esse negócio de popularidade? – perguntou Alice com escárnio e quase que completando meus pensamentos.
-Pior que sim
-E porque não levariam? – perguntou Jéssica
Nós três –Eu, Alice e Ângela- nos entreolhamos e depois olhamos para Jéssica que aguardava a resposta.
-Porque nós não estamos em filme? – Disse Alice, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. Na verdade era.
-Mas o que ela pensa é verdade, Bella roubou sua popularidade – Disse Jéssica tentando defender sua tese, com aquela voz fina e irritante que tinha.
-Isso não é uma competição! – Respondeu-lhe Ângela, perplexa enquanto enchia sua bandeja.
-Mas se fosse Bella ganharia – disse Jake interrompendo a discussão e me abraçando por trás – não acham melhor discutir isso na mesa, meninas? –falou olhando para as pessoas que nos olhavam na fila da cantina.
-Não há nada para discutir – lhe respondi, antes que Jéssica recomeçasse a falar. Quase todo dia havia uma discussão como essa.
Sempre me pergunto se Jéssica anda conosco porque somos –segundo sua tese- “os populares”, pois ela se parece mais com Lauren e sua seguidora do que conosco. Eu realmente não entendo o que todas elas têm na cabeça, sim, eu enxergo isso, toda a atenção que tem em volta de mim, mas não quer dizer que eu deseje isso, ou ao menos que eu faça algo para tê-la; na verdade é um saco, ter a todo momento alguém me bajulando, ou –e eu percebo isso- querendo estar perto para receber também tal atenção. Jéssica para mim é um desses casos.
-Tá tudo bem? –disse Jake ao chegarmos á mesa, percebendo minha irritação.
-Ahaam – respondi monossílaba, sem querer deixá-lo preocupado.
-Não parece
-Mas está!
Jake é, como Alice, uma das pessoas que percebe o quanto é irritante para mim permanecer naquela escola, e sabe que parte disso também é sua culpa, não que ser incrivelmente lindo, forte e talentoso fosse algo ruim, mas toda a atenção –ou como diria Jéssica, popularidade- que ele atrai, acaba aumentando ainda mais a minha.
-Fala logo Bella – disse ele, irritando-se.
-É só que eu não aguento mais essas garotas piradas, essa escola, essa cidade, essa mesmice! –falei com um fôlego só, como se tirando tudo isso das minhas costas.
-Relaxa, só mais um semestre, lembra?
Dei um sorriso amarelo, tentando gesticular que sim, mas ele percebeu e riu da minha tentativa de tranquilizá-lo, sua risada rouca me fez rir também, tirando minha mente dessa escola.
-Ok, vou buscar um suco, tá? – disse, ainda entre risadas.
-Tá – disse, menos ranzinza.
Fiquei olhando-o sair, meu Deus, como eu tenho sorte por tê-lo! Sem Jake eu já teria explodido, ou explodido alguém nesse lugar!
Foi só ele se virar na fila para a cantina que Mike já chegou sentando ao meu lado, Senhor, o que eu fiz para merecer??
-Oooi Bella – disse, tentando ser sedutor.
-Oi – respondi seca.
-E então, vai á Port Angeles no sábado?
-Ainda não sei, Mike — respondi, tentando não parecer rude
Droga! Porque eu sempre faço isso? Sou educada?
-Eu estava pensando em ir no cinema, sabe, depois que todo o pessoal for embora – disse, frisando o TODO — quem sabe você não queria ir também...
-Ah, não sei Mike, você já falou com Jéssica? – respondi, me fazendo de desentendida e deixando-lhe envergonhado.
-Érr.., não, vou falar – disse ele cabisbaixo, se levando e indo em direção á sua namorada.
Eu não queria tratá-lo mal. Não que eu gostasse muito de Mike, mas quando eu entrei na escola ele foi um dos primeiros a andar comigo, foi gentil da parte dele, ele era uma pessoa legal, só toda essa atenção –mas uma vez a maldita atenção- que tinha mexido com a cabeça dele. Além do mais, ele agora namorava –contra a própria vontade, me parece- Jéssica, e quem mais poderia envenenar alguém? Eu preferia pensar que ele não fazia por mal, assim é um a menos pra me irritar. Na verdade eu já tinha até me acostumado, as investidas dele –como tudo nesse lugar- são tão rotineiras que eu me tornei expert em lidar com elas, ou seja, me fazer de desentendida.
Quando percebi as pessoas já estavam se levantando, o sinal deve ter soado, porque Alice começou a me puxar para nossa próxima aula, que para minha felicidade seria biologia com o Sr. Varner.
As ultimas aulas passaram voando, e quando me dei conta já estava no Rabbit de Jake em frente minha casa.
-Chegamos Bells — alertou Jake.
-Obrigada Jake.
-Obrigada? Não, você terá que me pagar! –brincou
-Como? – disse fazendo cara de desentendida
-Assim – disse ele me agarrando e me beijando
O beijo de Jake era quente e entusiasmado, quase reconfortador. Ele conseguia transmitir todo seu sentimento enquanto sua língua explorava minha boca, primeiro de maneira doce e calma, depois urgente e desesperada, como se precisasse disso para viver. Eu sempre achei que Jake gostava de mim mais do que eu gostava dele, e me culpei por isso.
Jake desde sempre mostrou todo seu amor por mim, e eu sei que nunca retribui da maneira como ele merecia, mas ele nunca se queixou disso. Estar com Jake sempre foi cômodo, o certo a se fazer, e eu nunca ousei pensar diferente, até porque Jake sempre foi o melhor para mim, não havia outra pessoa no mundo com quem eu me imaginasse. Mas não quer dizer que eu não gostasse de estar com Jake, eu adorava. Ele me fazia feliz, e cuidava de mim, e eu sempre tentei fazer o mesmo, e até agora parecia que eu estava conseguindo.
Uma das mãos de Jake passou para minha nuca, girando em punho em torno das raízes de meu cabelo, enquanto a outra mão em minhas costas me puxava ferozmente para perto dele. Instintivamente pus minhas mãos em seu pescoço. Seus lábios eram extremamente macios e quentes, e eu sabia que esse beijo estava se tornando urgente demais. Sua boca largou a minha e seguiu o contorno de meu queixo, passando pelo meu pescoço e chegando a minha orelha.
-Sua mãe está em casa? –sussurrou ele com a voz safada
-Un, un – eu disse o olhando com a cara mais sexy que eu consegui fazer.
Nos entreolhamos e saímos correndo do carro, subi a escada e destranquei a porta enquanto ele terminava de fechar o carro.
-Mãe? Pai? – gritei ao entrar em casa por precaução. Nenhuma resposta.
Virei para olhar para Jake, mas ele já me levantava no colo e subia as escadas rumo á meu quarto. Ao chegar me jogou em minha cama me examinando.
-Já disse que esse é seu melhor ângulo? – disse-me
Eu ri.
-Ah é? E quanto á esse ângulo? – disse lhe jogando na cama e subindo em cima dele.
-Esse é bom também! – disse enquanto tirava minha blusa e me beijava.
Da minha boca ele desceu para meu pescoço chegando á meus seios já nus e intumescidos, que ele passou a explorar com a boca, enquanto massageava o outro com as mãos, revezando entre um e outro. Gemi. Jake voltou a minha boca enquanto eu tirava sua camisa, aranhando levemente suas costas. Desci para seu pescoço dando leves mordidinhas, e terminei de tirar sua roupa. Jake já estava duro e me estendeu uma camisinha que havia tirado da cabeceira de minha cama, para que eu a colocasse.
Como se não aguentasse por muito tempo Jake me penetrou, me preenchendo por completo com todo seu calor. Era assim que eu me sentia em relação á Jake, como se ele fosse meu sol. Jake estocava primeiro devagar, me beijando, e sussurrando coisas em meu ouvido. Depois ele aumentou o ritmo, como se estivesse chegando á seu ápice. Eu também estava. Gozei, sentido quase ao mesmo tempo o gozo de Jake escorrendo por entre as minhas pernas, enquanto ele ficava mole e deitava em cima de mim.
-Eu te amo Bella – sussurrou rouco em meu ouvido.
Jake era muito pesado, e como se adivinhasse me virou me deitando por cima dele, ainda dentro de mim.
Ficamos assim por um tempo, abraçados. Jake era tudo que eu poderia querer na minha vida, ele era meu sol, minha alma gêmea, e tudo que esses clichês românticos dizem.
Eu me levantei para tomar banho, e Jake me seguiu, entrando no box comigo.
-Você vai jantar em casa hoje? – perguntou-me ele
-Hoje...? — não me lembrava de nada importante
-Aniversário do Quil.
-Ah! Claro, que horas eu posso ir?
-Lá pras 8, vai ser na casa do Sam, quer que eu venha te buscar?
-Não, pode deixar que eu vou, se você não se lembra minha picape ainda vive, ok? –provoquei
Jake quase nunca me deixava sair na minha picape, não sei pra quê tanta implicância, para mim ela é perfeita.
-Ah, aquela lata velha? – disse ele com escárnio.
-Lata velha nada, pra mim ela é perfeita! – disse repetindo meus pensamentos
Após uma discussão sobre a qualidade de minha picape ficou combinado que eu iria sozinha, e Jake foi embora antes que minha mãe chegasse da Ioga ou meu pai do trabalho.
Fiquei rondando pela casa sem saber o que fazer, até que Renée chegou e ficou conversando comigo sobre um grupo de crochê no qual ela planejava ingressar, e quando vi que tinha um tempo considerável pra me arrumar tomei outro banho e comecei a me preparar. Estava pensando em qual roupa colocar quando o chamado de meu pai irrompeu a casa.
-Isabella Marie Swan
‘Vish’, pensei ao descer as escadas correndo.
-Que foi pai? Tá querendo me matar de susto?
-Acabei de falar com a diretora de sua escola.
Porque então ele estava nervoso? Eu não havia feito nada de diferente! Aliás, esse é o problema, nunca havia nada de diferente.
-E..? – disse ao ver que ele não completava a frase
-E? Ela simplesmente me disse que se você não tirar pelo menos um 9 em literatura você não se forma no Ensino Médio!
Mais uma vez, Vish.
Notas finais
E segundo: Eu realmente não sei como minha mente infantil produziu esse cap +18 á (acho que) mais de um ano atrás! hahaha, de verdade! Não sei!
Enfim, se estão gostando continuem lendo, o Ed chega no próximo cap!
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