Mudança De Planos
1 Anormalidade
Laura e eu havíamos combinados de sairmos com o Roberto e a Juliana na noite de sexta feira. Era a primeira vez em que estaríamos praticando a famosa troca de casais. A ideia fora de Juliana e Laura que sempre foram muito amigas desde os tempos da faculdade. Roberto e eu, como sempre, concordamos com elas. Essa é uma tática de sobrevivência no mundo masculino quando o macho está preso em uma redoma entitulada relacionamento. A tática sempre funcionara, e não falhara na vez em que aceitamos a proposta do swing, ou troca de casais para os desentendidos.
A troca não era muito bem uma troca em todas as partes da noite, muitas vezes permanecíamos cada um no seu quadrado, ou melhor, cada um com sua mulher. Claro que por um tempo trocávamos de par e nessa troca de mulher está a uniformidade. Nos tempos do colegial fui um garoto que levava as garotas para a cama com uma frequência muito grande. Sem problemas para esquecê-las ou coisas do gênero. Era somente uma transa e nada mais. Lembro-me da vez em que consegui levar Laura até o meu quarto — ela fora uma das mais complicadas de convencer. Depois da nossa primeira vez, senti uma vontade imensa de repetir a dose; não por puro prazer como com algumas outras que eu queria outra vez na minha cama só porque elas eram nota onze, eu queria Laura de novo pois com ela era diferente. Essa merda de com-ela-era-diferente soa clichê e gay demais, mas todos somos um pouco clichê-gay ou gay-clichê, tanto faz. Levei-a outras vezes e quando menos espera, o sexo transformara-se em amor. Na época foi uma grande de uma catástrofe. Eu estava apaixonado e só queria transar com uma garota e beijar somente a boca dela. Sabe como isso é desesperador para o garoto que levava umas três garotas diferentes para o quarto toda semana?
Abri o jogo com Laura, não era certo esconder tudo aquilo e eu não conseguiria por muito tempo. Começamos por uma simples amizade colorida, algo não muito comum, mas o necessário para nós dois. As outras transas com outras pessoas seriam só por diversão, e o nosso contexto de amizade colorida seria um tanto quanto diferente. Não seria somente um sexo sem compromisso, seria um amor sem compromisso. Tudo isso pois achávamos que éramos novos demais para aprofudarmos-nos num relacionamento tão sério e cheio de regras. Passamos um longo tempo nessa brincadeira boba de amizade-quase-colorida.
Depois de um tempo, já mais amadurecidos, começamos a namorar. Nada corria fora do esperado. Víamos um ao outro com uma grande frequência e eu não tinha mais a preocupação de levar várias garotas para a cama, eu já tinha a minha namorada para isso; eu poderia muito bem chegar em casa, ligar para ela e passar eternos minutos fazendo amor com ela.
Laura e Juliana são amigas desde os tempos de faculdade, assim como eu e Roberto tambem. Quando Laura apresentou-me a proposta da troca de casais eu fiquei um tanto quanto assustado. Eu tinha tudo que queria em mãos. Sabe toda essa bobeira de estar apaixonado e só querer uma mulher? Era bem assim. Eu não precisava de nenhuma outra mulher para ter minha felicidade. Laura era a única mulher com quem eu queria transar e a boca dela era a única que eu queria beijar. Perguntava-me: O que diabos vou fazer na cama com a namorada de um dos meus melhores amigos? Nunca obtive resposta até estarmos todos juntos, e pelados.
O primeiro encontro acontecera numa sexta feira treze. Eu nunca fora supersticioso, mas algo indicava-me que aquele não era um bom dia para começarmos a troca. Como estávamos adiando nosso encontro haviam longos dias, tivemos de encontrarmos-nos no dia em que eu menos queria. Vesti-me numa roupa não muito ajeitada, pois na maior parte do meu tempo naquela noite eu nem iria usá-las. Levei no carro alguns pacotes de camisinha. Nunca sabemos como é que funciona a mulher dos outros, não é? A minha eu sei muito bem como funciona, mas eu não conheço nada da intimidade de Ju, então era melhor previnir-me.
Os dois tinham um apartamento no oitavo andar de um prédio no centro da cidade. Quando entramos, as luzes estavam apagadas, haviam velas por todos os cantos, os móveis estavam um pouco afastados e na mesinha de centro estavam quatro taças, duas garrafas de vinho e alguns pratos com queijos de diversos tipos. Começamos por conversar e tomarmos vinho enquanto comíamos pequenos pedaços de queijo cortados em cubo. As duas garrafas de vinho foram suficientes para nos soltarmos. Quando eu percebera, estávamos todos sem roupa, transando no meio da sala, com as cortinas abertas e as janelas escancaradas.
No começo cada um ainda estava em seu quadrado. Tudo sob controle. Laura sob o meu, e Juliana sob o controle de Roberto. Estranhava a forma como Ju olhava para mim. Ela parecia querer estar comigo e não deu outra; deu um beijo em Roberto e veio ao meu encontro. Quando veio para perto de mim, começou a beijar-me e eu olhei para Laura que já estava com Roberto. Ela olhava para mim como se nada estivesse acontecendo. Porra! Eu estava transando com outra mulher que não era minha namorada e Laura não dizia nada. Percebi que não era um bicho de sete cabeças quando ela e Roberto realmente começaram a intensificar tudo. Eu não senti nada muito diferente e então foquei-me em Juliana.
Achei tudo estranho já na primeira vez. Juliana falava coisas em meu ouvido que somente Laura havia dito para mim enquanto fazíamos amor, e não somente sexo. Aquilo assustava-me. Terminamos aquela brincadeira-de-mau-gosto e ficamos por um longo tempo conversando normalmente sentados no chão da sala, seria tudo mais normal se estivéssemos vestidos, mas estávamos pelados.
Nas outras vezes, nós quatro fomos nos soltando. O que começou a intrigar-me acontecera por volta do quinto encontro. Eu já havia sentido que quando estava com Juliana eu não fazia somente sexo, era algo a mais. Era um quase-amor. Aquilo de certa forma amedrontava-me, pois a única mulher com que eu sentia aquilo era Laura e eu não queria mais ninguém para fazer amor, era Laura e ponto final. Nas outras vezes, enquanto estávamos cada um com a sua namorada, Juliana olhava para mim como se implorasse para estarmos juntos e eu olhava para ela com o mesmo olhar, já nem prestava tanta atenção em Laura.
Por volta do sexto encontro, tive a melhor noite da minha vida. Acharia até normal, se estivesse com Laura no auge da noite, mas eu dividia ela com Roberto e naquele momento Juliana estava sob meu controle. Naquela noite as janelas estavam abertas, e acredito que muitos vizinhos ouviram tudo que acontecera comigo e com Juliana.
A anormalidade nascera quando eu percebera que havia feito amor com uma mulher; uma mulher que não era Laura.
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