Mrs. & Mrs. Swan-Mills
12 Mãos sobre a Mesa
Notas iniciais
REGINA
Mais uma viagem de táxi pelas ruas da cidade. Luzes cintilando como diamantes no ar fresco da noite.
Eu tinha tomado um banho rápido e trocado de roupa: a máquina mortífera acabara de cumprir uma missão e agora podia trocar computadores e armas por novos adereços: batom, rímel, um vestido novo, sapatos de salto alto.
O táxi parou junto ao meio-fio, e um porteiro me ajudou a sair. Diante de um dos restaurantes mais sofisticados de Nova York, conferi minha aparência no reflexo sobre a janela de vidro laminado. O vestido me favorecia: preto, feminino, sexy. Eu estava de volta ao papel de Regina Mills — mulher e esposa.
“Não”, meu coração lembrou. “Esposa, não.”
“Viúva.”
Santo Deus, eu precisava beber alguma coisa. Então entrei, mal reparando nos olhares de admiração que me seguiam enquanto o maître me conduzia até a mesa. Mesa para dois.
— Champanhe, por favor — eu disse enquanto me sentava.
— Pois não, Sra. Mills.
As pessoas me conheciam ali. Emma e eu éramos assíduas frequentadoras. Aquele era — ou melhor, tinha sido — um dos nossos restaurantes prediletos.
Pisquei as pálpebras para afugentar as lágrimas que ameaçavam brotar em meus olhos e examinei o ambiente — em parte por instinto e hábito, em parte por curiosidade. A sala parecia fervilhar de pessoas felizes. Amigos, familiares, casais apaixonados... Pelo menos todo mundo estava com alguém.
A solidão não era nenhuma novidade para mim. Boa parte da minha vida eu tinha passado sozinha, mesmo quando criança.
Mas naquela noite... Eu nunca havia me sentido tão sozinha.
Fechei os olhos e dei um longo gole no champanhe — a bebida das comemorações —, desejando que aquela efervescência contaminasse meu espírito. Afinal, não me faltavam motivos para comemorar, certo?
Eu havia sobrevivido ao desmantelamento de uma situação que já não se mostrava mais operante.
A frase era boa. Precisava anotá-la.
Mas, pensando bem... Os casais se separavam a toda hora, e em razão dos conflitos mais banais. Caramba, eu não tinha tido um conflito com a minha esposa. Tinha tido uma verdadeira guerra — com armas, explosivos, o escambau. Não podíamos simplesmente dizer uma à outra: “Então tá, valeu, a gente se vê por aí”.
Nosso relacionamento era de outra natureza. Do tipo “matar ou morrer”.
Até que a morte nos separe.
Naquela ânsia de dizer o tão esperado “sim”, ninguém realmente pára para pensar nessas palavras.
Então era isto: nossos joguinhos de amor e ódio tinham chegado a seu fatídico fim. Eu tinha vencido. E por sorte ainda estava viva.
No entanto, ao depor a taça de cristal sobre a toalha impecavelmente branca, tive a impressão de que, à minha frente, o prato e os talheres intocados e a cadeira vazia zombavam de mim.
Meu coração não se deixava convencer de que estávamos ali para comemorar.
De repente, risadas misturaram-se aos meus pensamentos. Tentei desesperadamente descobrir de onde elas vinham. Não deveria ter olhado. Vinham de dois pombinhos apaixonados, sentados num canto distante, totalmente imersos na adoração um do outro e alheios a tudo o mais que se passava ao redor, inclusive à vexaminosa expressão de inveja que decerto cobria meu rosto.
Lembrando a mim mesma de jamais desejar o impossível outra vez, levantei a taça vazia entre os dedos.
E, como se tivesse lido meus pensamentos, uma garçonete surgiu ao meu lado para servir mais um pouco do champanhe.
—Obrigada — murmurei, piscando os olhos para limpar a umidade.
—Madame.
Meu Deus, ela falou igualzinho a Emma.
Então olhei para a mulher... e quase dei um grito de susto!
Pois era Emma quem estava ali! Viva e com todos os ossos no lugar... Mas como?
Bolhas parecidas com as do champanhe começaram a dançar na periferia do meu campo de visão, como se pedissem que eu desviasse o olhar.
Mas segurei firme e devolvi o olhar fixo de Emma.
Santo Deus, além de viva, ela estava absolutamente linda. E muito calma para alguém que acabara de ludibriar a morte.
Suponho que a maioria das mulheres que acabaram de assassinar a pessoa com quem estava casada teria demonstrado um pouco de espanto. Mas os anos de prática e treinamento vieram ao meu auxílio, carregando-me numa espécie de onda até que eu pudesse recuperar o controle.
Minha mão tremeu ligeiramente quando levei a taça à boca, mas dei um longo gole como se estivesse esperando por Emma a noite toda.
Deixei que ela falasse primeiro.
— Pensei em várias coisas pra te dizer neste momento — falou por fim. — “Querida, por sua causa estou no fundo do poço...” ou “Foi você quem me deixou assim, tão caída!”.
Casualmente engoli o champanhe e perguntei:
— E então, vai dizer o quê?
Os olhos dela quase perfuravam os meus.
— Quero o divórcio.
Uffff. Soco no estômago.
Meu rosto? Imagem em close-up. Meu perfil mais favorável voltado para a câmera. Interpretação digna de um Oscar: apertando as pálpebras como se avaliasse cuidadosamente a proposta dela, falei:
— Gosto da ideia. Foi aqui que você me pediu em casamento; a simetria chega a ser bonita. Emma puxou a cadeira vazia.
— Posso me sentar?
— Por favor.
Tão logo ela se sentou e acomodou o guardanapo no colo, um garçom de verdade se aproximou da mesa.
— Champanhe, senhora?
Em nenhum momento Emma despregou os olhos de mim.
— O champanhe é para as comemorações.
Ela permaneceu em silêncio o suficiente para que eu me lembrasse: Ela havia dito a mesmíssima coisa naquela noite do passado. Mas desta vez acrescentou, áspera:
— Vou querer um Martini.
A interpretação de Emma era seca, controlada. “Isso deveria ser um filme”, pensei.
Sem quebrar o nosso olhar recíproco, aproveitei a deixa dela e disse ao garçom:
— Vou acompanhá-la.
O garçom recolheu minha taça de champanhe e desapareceu. Emma estudava meu rosto através do lume das velas, e eu me esforçava ao máximo para parecer bonita e indiferente.
— Você não pediu que levassem o meu prato e os meus talheres — Ela disse depois de um tempo. — Não estava esperando por mim, estava?
Dei de ombros.
— Digamos que eu seja uma mulher sentimental.
— Está surpresa?
— Por você ter tido tempo de lavar o cabelo?
— Por não ter atirado ainda.
Não pude conter o riso. Para duas pessoas determinadas a matar uma à outra, éramos extremamente parecidas.
Eu deveria ter imaginado que, sob o guardanapo de linho, ela escondia mais do que as jóias da família.
Afinal, na qualidade de profissional calejada, eu tinha feito exatamente a mesma coisa.
Obedecendo a um reflexo, eu havia tirado de um coldre que fazia as vezes de liga de meia uma pistola minúscula que depois escondi sob o guardanapo. Naquele exato momento a arma estava apontada diretamente para o seu ventre... Ou não exatamente nesse local.
— Não, isso também não me deixa surpresa — respondi.
E assim deixamos claro uma para a outra que sabíamos muito bem qual era a situação ali.
Sorrimos como duas inimigas que, de tão semelhantes, acabam por desenvolver uma estranha amizade.
— Sabe do que mais gosto nos restaurantes? — Emma brincou. — Estão sempre cheios de testemunhas. — E com um sorriso propôs uma trégua. — Mãos sobre a mesa?
“Será que posso confiar nela?” pensei.
Claro que não.
Acontece que estávamos no meio de um restaurante sofisticado. Um lugar onde éramos conhecidas. Nada adequado para um assassinato. Além do mais, quem de nós saísse viva daquela situação jamais conseguiria uma mesa ali novamente. E isso seria uma pena pois eu adorava esse restaurante.
Lentamente levantei as mãos do colo e coloquei-as sobre a mesa. Emma fez o mesmo.
“Se não veio aqui pra me apagar, Emma, por que diabos veio então?” matutei comigo mesma.
Achei melhor resolvermos nossos assuntos de trabalho durante os aperitivos, antes que pedíssemos a comida. O chef daquele lugar era um gênio da culinária, e subitamente me senti faminta.
— Então — eu disse — você veio aqui para discutir os termos do divórcio.
Ficamos caladas quando o garçom chegou para servir os martinis. Emma levou o seu à boca sem se dar ao trabalho de fazer o nosso brinde habitual. Depois inclinou-se para a frente como se fosse fazer um galanteio qualquer.
— Nossa situação é bastante incomum — falou. — Você obviamente quer me ver morta; e eu, bem, devo admitir que a sua longevidade é cada vez menos importante para mim. — Emma roçou os dedos no queixo, pensativa. — Que tal abrirmos fogo agora mesmo e deixar que vença a melhor?
— Isso seria uma pena — eu disse. — Aposto que me expulsariam daqui se vissem seu corpo estatelado no chão.
Os olhos de Emma faiscavam; o ar à nossa volta parecia crepitar de tensão.
— Então nosso problema se resume a estas mãos — Emma mostrou as mãos, um sorriso irônico nos lábios — e o que fazer com elas.
Meu corpo se contorceu na cadeira. Emma tinha mãos maravilhosas. E naquele instante eu podia pensar num milhão de coisas que ela poderia fazer com elas, embora nenhuma tivesse a mais remota relação com o nosso problema.
O salão estava cada vez mais quente. Foi então que o timbre sensual de um sax alto se interpôs entre nós, enfeitiçando-nos com uma linda melodia.
Um sorriso pachorrento brotou nos lábios de Emma, convidando-me a fazer o mesmo.
— Quer dançar? — Ela sussurrou.
Não escondi minha surpresa. Não havíamos dançado desde aquela primeira noite em Maputo.
— Achei que você não gostasse de...
— Fazia parte do disfarce.
— A preguiça também?
Emma não se deixou afetar. Permaneceu como estava, com a mão estendida num convite.
Quando coloquei minha mão na dela e fiquei de pé, ela sussurrou no meu ouvido:
— Elas ficam na mesa?
Fiz que sim com a cabeça, e ambos depusemos sobre a toalha nossas armas embrulhadas em guardanapos de linho.
De repente, Emma me enlaçou num abraço apaixonado. Assustada, não resisti quando suas mãos começaram a percorrer meu corpo: ombros, cintura, quadris...
Jamais havia sido revistada de maneira tão sensual.
— Só pra garantir... — ela disse a meia voz.
— Satisfeita?
— Claro que não.
— “Cachorra!”
Lívida, rodopiei o corpo dela e encostei-a contra uma parede escondida atrás de um vaso de plantas. (Horas na academia me haviam rendido muito mais do que belas curvas.) Meu corpo pressionando o dela, o jazz embalando nosso complicado abraço, fiz com que se submetesse à mesma tortura que pouco antes ela mesmo havia impingido a mim.
Minhas mãos esquadrinhavam seu corpo, ávidas: a barriga firme, as costas, os quadris sensacionais...
Senti as bochechas corarem.
Por mera distração, baixei a guarda e dei a Emma a oportunidade de se desvencilhar do meu abraço e puxar-me pelo cotovelo até a pista de dança. Tentei escapar, mas logo me vi aprisionada contra as paredes rijas do seu corpo.
— Acha que esta história vai ter um final feliz? — ela sussurrou tão logo nos deixamos levar pela música.
Tentei ignorar o prazer que sentia com a respiração dela no meu pescoço.
— Final feliz, só nas histórias que ainda não terminaram.
Em resposta ela me apertou ainda mais e me conduziu, aos rodopios, por todo o salão. E continuamos a dançar. Uma dança do acasalamento ou um duelo? Quem poderia saber?
Fosse o que fosse, Emma conhecia todos os passos daquele tango de paixão, ódio, remorso... e dor.
A mulher estava me torturando ali, na frente de todo mundo. Então fiz o que havia muito eu tinha aprendido a fazer quando sentia dor: reagi.
— Na sua opinião — desferi —, por que nossa história não deu certo? Porque vivíamos vidas separadas? Ou por causa das mentiras?
— Tenho uma teoria — respondeu Emma. — Recém-criada.
— Sou toda ouvidos.
Emma tomou minha mão direita e me cingiu pela cintura.
— Você matou nós duas.
Uma flecha venenosa direto no meu coração.
— Interessante — retruquei.
Mas ainda havia mais.
— Seu alheamento, sua eficiência fria, especialmente na cama... — Num gesto dramático, Emma dobrou-me para trás, e eu fiquei ali, impotente, as costas arqueadas, os olhos mal disfarçando o ódio que subia do peito. — Pra você, nosso casamento era uma missão ela continuou —, algo a ser analisado, planejado e executado. Mas não vivido.
Humilhada e furiosa, tratei de sair daquela posição submissa: reuni minhas forças, reergui o tronco e afastei-me aos rodopios. Mas Emma me puxou de volta, como se eu fosse um ioiô atado a um fio de barbante. E mais uma vez me aprisionou: minhas costas contra seu peito, meus quadris encaixados em seus quadris, seu queixo apoiado no meu ombro.
— E você fugia! — contra-ataquei. — A bebedeira...
Emma conduziu-me até um recanto mais escuro do salão e ali paramos, ofegantes e suadas, mas sem desfazer o nosso abraço. Queria que ficássemos cara a cara, olhos nos olhos.
— Que importância isso tinha pra você — perguntou, avultando-se sobre mim —, já que nosso casamento não passava de uma dissimulação?
Ela me segurava tão forte que eu mal podia respirar. As palavras escorregaram da minha boca.
— Quem disse que nosso casamento era uma dissimulação?
Achei que ela fosse me triturar.
— E não era?
Engoli a seco.
— Bem... E pra você, era?
— Perguntei primeiro.
A melodia do saxofone passeava em minhas veias como uma espécie de anfetamina, fazendo com que meu coração por pouco saltasse à boca. Emma me perfurava com os olhos, inebriava-me com seu abraço sensual e forte.
“Quem é esta mulher, e o que ela fez com a bundona da minha esposa?”
— Então vamos contar até três — Ela propôs.
Fiz que sim com a cabeça.
— Um, dois... três!
Eu sentia seu coração bater forte e rápido enquanto nos abraçávamos, suspensas na penumbra. E por um instante cheguei a pensar que... a me sentir como... a desejar que...
Mas as palavras...
Não havia palavras.
Como naqueles pesadelos em que a gente quer gritar, precisa gritar, mas os lábios não se mexem, a voz não chega à garganta.
Isso mesmo, um pesadelo. Eu ali, nos braços de Emma. Tinha um milhão de coisas para dizer à ela, mas algo me puxava para trás. E depois de cada segundo que ela não dizia nada, eu me sentia ainda menos encorajada à falar. Até que o silêncio nos afastou por completo.
A verdade nua e crua se interpusera entre nós como uma espada — cortando todos os nossos laços e falando por si mesma.
Eu podia ver a resposta nos olhos dela.
“Nada de final feliz.”
Não suportava mais continuar em seus braços, mesmo assim não encontrava forças para me afastar. E Emma parecia incapaz de me deixar partir.
Não sei dizer por quanto tempo permanecemos ali. Mas então a música acabou, as pessoas começaram a aplaudir e a voltar para suas mesas, e o encanto se quebrou.
Nossa dança tinha chegado ao fim. Para nunca mais recomeçar.
— Regina — ela falou de repente, a voz dura e fria. — Nossa história pode terminar aqui ou pode terminar lá fora. Mas, de um jeito ou de outro, termina hoje.
— Então me deixe ir!
— Não estou te segurando.
Aquelas palavras calaram fundo no meu coração.
“Idiota!” O que aparentemente tinha sentido no toque dela, visto nos olhos dela, não havia passado de uma miragem. Real para mim; nada além de uma jogada estratégica para ela. E naquele instante percebi o que realmente estava errado na história toda.
Emma já havia se desligado de mim; mas eu ainda não havia me desligado dela.
E a verdade mais terrível era: talvez jamais fosse capaz de fazê-lo.
Virei o rosto, achando que fosse me estilhaçar no chão como uma taça de champanhe. Tentei reencontrar a força que me havia sustentado durante aqueles anos todos. Por fim afastei-me de Emma e perguntei ao garçom mais próximo:
— Por favor, onde fica o toalete? — Ia há anos no mesmo restaurante, mas naquele momento eu não sabia nem mesmo onde ficava a saída.
— Por ali, senhora.
— Obrigada.
E continuei andando, controlando-me para não cair, para não sair dali correndo como uma fugitiva.
Podia sentir os olhos de Emma ainda pregados em mim. Um olhar quente, que só podia ser de ódio.
Fazia muito que não me importava com o que os outros pensassem de mim. Então por que aquilo me machucava tanto?
EMMA
Ela foi embora tão facilmente, como se eu fosse apenas uma estranha que ela havia convidado para dançar.
Como ela conseguia ser tão fria depois de tudo o que havíamos dito, depois de tudo que havíamos sentido nos braços uma da outra? Ou o que achei que tínhamos sentido...
Obviamente eu estava remando sozinha naquele barco.
Fiquei ali, observando-a partir, desejando odiá-la, intoxicada por aquele corpo que serpenteava dentro do vestido preto, por aqueles cabelos que balançavam delicadamente sobre os ombros. Ainda sentia o perfume dela: uma flor tropical em noite de verão.
Ah, se ela desse uma olhadinha para trás, só uma vez...
Mas não olhou.
Minhas mãos se apertavam em punho. “Fica fria, Emma. A mulher é uma víbora. Fica fria.”
Estes versos de Robert Frost ecoaram na minha mente: “Alguns dizem que o mundo terminará em fogo; outros dizem que em gelo.” Para mim, o mundo havia terminado em fogo e em gelo.
REGINA
Eu mal havia atravessado a porta do toalete feminino quando minhas emoções saltaram do peito e se traduziram em lágrimas. Nem sabia ao certo o que estava sentindo. Mas de uma coisa eu tinha certeza: eu era uma idiota por me permitir senti-los.
Olhando minha imagem no espelho, não reconheci aquela mulher frágil e machucada que me devolvia o olhar.
Eu parecia uma fugitiva daqueles romances açucarados de banca de jornal.
“Sinto muito, queridinha”, eu disse à outra, no espelho, enquanto secava as lágrimas com um lenço de papel. “Só leio livros de James Bond.”
Retoquei a maquiagem e censurei a mim mesma por ter baixado a guarda. Além disso, mal podia acreditar que havia deixado a arma em cima da mesa. Isso não combinava nem um pouco comigo.
Bem, e agora?
Numa das extremidades do toalete, uma mulher rechonchuda recostava-se na parede, ao lado de uma ampla seleção de brindes de perfumaria: cremes, loções, sprays de cabelo, perfumes, sabonetes. Até mesmo cigarros gratuitos. E fósforos também, é claro.
Rapidamente avaliei os artigos.
—Boa noite — a mulher disse, sorrindo, à espera de uma bela gorjeta.
—Boa noite — respondi. E então tive uma ideia. — Olha só pra tudo isto aqui. Sabia que muitos destes produtos são inflamáveis?!
A mulher fechou um pouco o sorriso, sem saber o que responder.
Sorri e esfreguei as mãos uma contra a outra.
Eu era dessas que sabem fazer de um limão uma limonada.
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