Mrs & Mrs Swan
1 Terapia
Notas iniciais
– DIAS ATUAIS –
Estavam sentadas, cada uma em uma poltrona, era a primeira vez que iam a uma terapia de casal, ambas esboçavam um sorriso no rosto, que percebia-se claramente, a falta de sinceridade do mesmo.
– Está bem, eu falo primeiro – Disse a mulher de longos cabelos loiros com cachos caindo por seus ombros, olhos em um verde esmeralda intenso, e um sorriso de canto. – Na verdade, não precisávamos estar aqui. – Continuou, abaixando o olhar. – Somos casadas há cinco anos.
– Seis. – Interrompeu a morena, de cabelos curtos, perfeitamente arrumados, olhos castanhos profundos, com uma pose soberana, com as pernas cruzadas e com as mãos em seus joelhos.
– Cinco, seis anos... – Continuou a loira. – Isso é um check-up para nós. – Suspirou, enquanto mexia com suas mãos para expressar sua ideia, e até um pouco de seu desconforto. – Uma oportunidade de verificar o motor. Trocar o óleo. Substituir uma ou outra peça. – Tentou mais uma vez explicar, usando metáforas, que exibia ainda mais seu desconforto.
– Isso mesmo. – Replicou a morena que mal se mexia na poltrona.
– Muito bom. Vamos abrir o capô. – Disse o terapeuta se referindo à metáfora da loira. – De uma escala de 1 a 10, quanto são felizes como um casal? – Continuou.
– Oito. – Respondeu a morena sem pensar muito.
– Espere. – Disse a loira. – Sendo ”dez” plenamente feliz, e “um” totalmente infeliz? Ou...
– Responda instintivamente – Interrompeu o terapeuta.
– Ok. – A loira virou-se para a morena – Pronta? – Viu o aceno positivo de cabeça da morena e se virou novamente para o terapeuta.
– Oito – Disseram em sincronia.
– Com que frequência fazem sexo? – Perguntou o terapeuta novamente.
– Não entendi a pergunta. – A morena entrelaçou seus dedos de um jeito tenso.
– É... Nem eu. Ainda vale a escala de 1 a 10? – Perguntou a loira.
– O “um” significa muito pouco ou nada? Porque, tecnicamente falando, “zero” seria nada. – A morena esboçou mais uma vez um largo sorriso, que exibia seus dentes perfeitos.
– Que tal essa semana? – Perguntou o terapeuta. A loira se mexeu, e mordeu o canto de sua boca, girou a cabeça e encarou por alguns segundos o nada. – Incluindo o fim de semana? – Ela perguntou. – Sim – Respondeu o terapeuta. As duas mulheres estavam se sentindo tensas, se mexeram com desconforto evidente e encararam os artefatos da sala, reviraram os olhos após um momento e nada responderam.
– Contem como se conheceram. – O terapeuta partiu para outra questão, já que percebeu que não receberia respostas. Os olhos da morena brilharam por um segundo. – Ah, foi na Colômbia. – Disse encarando o terapeuta. – Bogotá. – Completou a loira, com um sorriso. – Há cinco anos. – Ela abaixou o olhar. – Seis. – Corrigiu a morena, novamente. – Certo, há cinco, seis anos atrás. – A loira levantou o olhar e sorriu para o terapeuta, esboçando ainda um pouco de seu desconforto.
– BOGOTÁ, COLÔMBIA –
(Cinco ou seis anos atrás)

A loira estava sentada no bar do hotel, usava uma calça jeans apertada e uma regata cinza por baixo de uma jaqueta de couro vermelha e botas que quase chegavam aos seus joelhos, enquanto bebia sua vodca em um copinho e lia um livro, quando escutou a porta ser aberta repentinamente e vários policiais adentrarem o local. – O que está acontecendo? – Perguntou ao garçom do bar. – Alguém matou a “barracuda”. A polícia procura por turistas viajando sozinhos. – Respondeu o garçom. A loira voltou a olhar os policiais com um ar sério e um pouco preocupado. Um dos policiais a avistou e seguiu até ela, que se virou de frente pra ele. – Está sozinha, Senhorita? – Ela levou a mão à orelha, como se não tivesse ouvido o que o policial havia dito, havia muito barulho em volta deles. – Está sozinha? – Perguntou aumentando o tom de voz e se aproximando mais, quando a porta abriu novamente e uma morena, de cabelos castanhos escuros e curtos, até o ombro, impecavelmente arrumados, usava um batom vermelho que destacava seus lábios carnudos, e ressaltava uma cicatriz que tinha no canto superior direito de seus lábios. – Senhorita, seu passaporte, por favor. – Ouviu-se outro policial dirigindo-se a morena. Ela esboçava um olhar confuso e ao mesmo tempo certeiro. Passou suas mãos pela sua perna, e com seu sobretudo preto escondeu uma faca que estava presa em sua coxa. A loira a encarou. – Senhorita, seus documentos. – Falou o guarda novamente para a morena, que logo encontrou o olhar da loira. – Está sozinha? – Perguntou o guarda. A morena desviou seu olhar ao guarda, e rapidamente voltou seu olhar a loira, enquanto ouvia a pergunta ser repetida. – Não. – Respondeu e começou andar em direção a loira, seus saltos batiam contra o piso fazendo um som estridente, seus olhos fixos nos da loira, a loira desencostou-se da bancada e foi em na direção da morena, levou suas mãos às costas enquanto andava e arrumou sua blusa, que escondia uma arma segura em seus jeans. – Não, não, não, está bem. Ela está comigo. – A loira apressou-se a falar, quando viu que os guardas não se convenceram. Pegou a morena pelo braço e a levou para o quarto do hotel.
Quando entraram, elas se encostaram na porta, a morena levou seu ouvido até a porta para escutar o que estava acontecendo, enquanto a loira estava apoiando suas costas na porta. – Sou Regina. – Falou a morena em um sussurro. – Emma. – Respondeu a loira, levantando a mão para cumprimentar a morena. – Muito prazer. – A morena sorriu ao falar e apertou a mão da loira. – O prazer é meu. – Disse enquanto segurava a mão da morena. Que soltou um riso com a situação.
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