Mr. Hacker Parker
1 Prólogo — A curiosidade matou o gato
Notas iniciais
Segundo o dicionário “popular: 5. conhecido, ←de ignorado” definitivamente não sou isso. Para mim, a sede por popularidade é a coisa mais esdrúxula que alguém pode ter. Você querer ter um, dois, três, dez amigos, ok. Mas por que querer que todos saibam quem você é? Por que querer tanta atenção, por que fazer coisas que te prejudicam para alcançar popularidade? Por que? Popularidade é para pessoas medíocres.
Eu observava Beatriz basicamente rebolar, parada na frente de João. Apenas olhei. Ok, eu sei que ela não buscava popularidade nesse momento. Mas ela buscava atenção. E querer um pouco de atenção tudo bem, mas o que você faz para tê-la não precisa ser algo tão “íntimo” em público.
Meus cabelos estavam em um rabo de cavalo, meus fones na orelha, enquanto o professor não chegava. Meus olhos, que tinham saído de Beatriz, se voltaram para um grupo de amigos, Leo, Rodrigo, Ian e Daniel. Eles eram populares, e o que mais se destacava era com certeza Leo. Seu semblante alegre encantava muitas pessoas, muitas garotas também. Todos da escola sabiam quem ele era. Ele era como aqueles personagens principais de filme norte-americano. Loiro, bonito, geralmente em um time de um esporte (no caso de Leo, era basquete) e com um sorriso lindo, sempre cheio de garotas atrás dele.
A professora entrou fazendo barulho, me tirando do meu devaneio, tinha derrubado seus livros. Eu, que me sentava na última carteira, uma fileira longe da porta, me levantei rapidamente e a ajudei a recolher os livros. Com isso, Malia, a professora, sorriu para mim.
— Obrigada, Bianca.
Sorri e voltei para meu lugar. Malia era minha professora preferida, de filosofia. Eu amava as aulas dela e sempre queria expor minhas opiniões, mas era um pouco tímida para isso. Então, mantinha tudo para mim. Mas eu tinha um senso crítico aflorado, e qualquer debate já me causava um frenesi verbal, na verdade, mental, porque em 99% das vezes eu apenas debatia na minha mente. Como a excelente professora que Malia era, acho que ela tinha percebido isso, porque agora, quando eu menos esperava, ela pedia minha opinião, e era engraçado que ela fazia isso apenas comigo. Então, a sala já tinha percebido que eu era uma senhora-tenho-uma-opinião-sobre-tudo só que não se expunha.
— Bom dia — a sala toda respondeu contente, afinal Malia era um doce — hoje a aula vai ser sobre popularidade.
Arregalei um pouco meus olhos. Claramente eu tinha dons de clarividência. A professora, que estava me olhando, deu risada e automaticamente alguns rostos se viraram para mim, quando ri também.
— O que foi, Bianca?
Fiz um sinal para ela, que demonstrava que eu falaria depois, no caso, era uma passada de dedo no nariz, bem rápida. Malia entendeu então apenas sorriu. Alguns colegas me olhavam curiosos. Aquele tipo de atenção me deixava um pouco desconcertada, então olhei para baixo, mexendo com propósito nenhum no meu caderno. A introdução do tema foi dada e logo ouvi meu nome.
— Bianca, o que acha sobre isso?
Deixei clara minha opinião sobre o assunto, ignorando o fato de que umas vinte e cinco pessoas estavam ouvindo. Quando o sinal bateu me levantei e fui beber água, o bebedouro ficava fora da sala. O menino com quem eu estava ficando apareceu do nada. Diego. Vestido inteiro de preto, juntos parecíamos um casal gótico. Ele não me disse oi, assim que apareceu, se aproximou rapidamente, colocou a mão na minha nuca e me beijou. Correspondi por um tempo, mas depois o empurrei e sorri um pouco.
— Diego — falei, tentando soar irritada e falhando miseravelmente.
O corredor estava vazio, então continuamos assim até o grupo de populares da minha sala aparecerem, Rodrigo, Ian, Daniel e Leo. Me separei de Diego, um pouco envergonhada, dei um tchau rápido para ele e voltei para a sala. Que droga, eu não tinha intimidade nenhuma com eles, e sinceramente não ia muito com a cara deles também, e agora eles tinha me visto, visto a garota “tímida” da sala se agarrando com um menino no corredor.
Sentada de novo na sala, ouvindo música, mexi um pouco no meu cabelo, incomodada. Uma das minhas poucas, Laura, apareceu do lado da minha mesa.
— Você tá bem, Bi?
— Tô sim.
— Parece meio nervosa.
Eu abri a boca para explicar para ela, mas o grupo de meninos entrou na sala bem na hora, e eles não se sentavam tão longe de mim, então dei um sorriso pequeno para ela.
— Depois te explico.
Percebi os olhos deles em mim e bufei. Eles só tinham me visto beijando um cara, não era algo tão raro, uma menina beijando um menino, pelo amor de deus, precisava encarar assim? O barulho da notificação de mensagem me fez parar um pouco.
Diego: Aposto que eles estão enchendo o saco. :p
Diego: Acertei?
Respondi rapidamente.
Bianca: Dá para encher o saco apenas olhando?
Diego: Acho que sim.
Bianca: Então sim, eles estão. E bastante até.
Diego: Desculpe por isso.
Bianca: Não é sua culpa eles serem idiotas.
Diego: É que você está muito linda hoje. Não consegui me conter.
Bianca: Mas não fiz nada de especial.
Diego: Não precisa fazer, você sempre está muito linda.
Um sorriso se espalhou pelo meu rosto.
Bianca: :)
Coloquei o celular com a tela para baixo, ainda ouvindo música, o professor já tinha entrado mas estava arrumando alguma coisa na mesa. Percebi um dos meninos me olhando curiosamente. Desviei o olhar rapidamente. Pega no flagra de novo.
=|ҖѺῼ҇҈Ѻ|=
Minha relação com Diego era muito boa. Nós não estávamos namorando, mas era quase isso. Saiamos juntos, com amigos, não beijávamos outras pessoas. Ele era inteligente, interessante, divertido, espontâneo, engraçado, um amor.
Era de noite, outro dia. Entediada, ouvindo música, abri meu snapchat. Alguém tinha me adicionado. OLN5D te adicionou como amigo. Hesitei um pouco. O nickname era o mesmo que o Diego usava no skype, eu sabia disso porque um de meus melhores amigos, sempre estava no skype com o Diego. Estranhei. Estranhei muito. Porque Diego tinha uma conta no snapchat, Diego Eris, e inclusive, ele tinha me mandado um snap cinco minutos atrás, então não era como se ele tivesse de usar uma e tivesse criado outra. De qualquer maneira, adicionei de volta.
Foals, no headphone, quando fui trocar de música, uma notificação apareceu na tela. Chat de OLN5D. Não sei por que, mas eu sentia algo estranho. Não quis abrir o chat na hora. Então, enrolei um pouco nas redes sociais. Eu queria esperar pelo menos cinco minutos, mas como diz o ditado, a curiosidade matou o gato, e no caso, eu sou o gato.
Abri o chat.
OLN5D Oi
Franzi a testa.
Bianca.lelis Oi
A resposta veio em segundos.
OLN5D Ou, só pra saber, aquele dia lá que ficamos, foi bom?
Mas… que? Que diabos? Meu coração bateu um pouco mais rápido. Aquele não era Diego. Eu tinha certeza.
Bianca.lelis … quem é você?
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