Mr. Clichê

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Hello, It's me. I was wondering if after all these years you'd like to meet... Não sei se depois de tanto tempo alguém vai ler isso, mas sempre me incomodou deixar essa historia inacabada. A vida as vezes faz com que a gente deixe algumas coisas de lado, mas eu sempre quis terminar clichê. E agora que surgiu um tempo na minha vida, resolvi vir aqui. Se uma alma viva que seja quiser voltar, muito obrigada. E desculpa pela demora. Recomendo dar uma relida pelo menos nos últimos 3 capítulos para dar uma relembrada. E boa leitura.

Elisa ficou sentada no sofá depois que pôs o Tom para dormir. Disse a Rômulo e Cecília que se sentisse a vontade. Sua irmã queria conversar. Tinha tantas dúvidas, tantas coisas para contar, para perguntar. Mas Elisa estava exausta. Ela prometeu a Cecília que tiraria o dia seguinte de folga, mandou uma mensagem para Lud avisando, dizendo que era um problema pessoal, e que gostaria de conversar com ela depois sobre. Ludmilla, como sempre, foi tão compreensiva que Elisa quis chorar. Sentia-se péssima por ter mentido tanto por tanto tempo. O único momento que ela se sentiu um pouco mais calma foi quando Darcy a abraçou, perguntou sobre as irmãs. Ele não fez perguntas sobre o Sal, o que facilitou tudo. Darcy só perguntou se ela estava bem. Ela mandou uma mensagem.

“Obrigada por hoje. Por entender. Por me perdoar.”

Ele não respondeu, mas isso não a impediu de se sentir um pouco culpada. Ainda havia um detalhe que ela não estava contando.

Quando ela finalmente pegou no sono, teve pesadelos com o Sal. No sonho, ela estava no café da Lud, mas estava sentada numa mesa, segurando a mão de Darcy. Eles riam de alguma bobeira e então o Sal aprecia..

— Achou que não iria te encontrar, Cabritinha? — Ele sorria, com seus dentes perfeitos. — Me traindo?

E então ele sacava a arma, a mesma com a qual ele ameaçou Elisa todas as vezes que ela ensaiou pedir o divórcio. Mas ao invés de atirar nela, ele atirava em Darcy. Elisabeta acordou com um susto muito grande. Cecília tinha deixado o pote de café cair, fazendo o barulho semelhante ao do tiro no seu sonho. Ela se sentou de vez no sofá.

— Me desculpa minha irmã. Eu estava tentando fazer um café para você. Você parecia cansada ontem.

— Foi uma noite… Que eu não esperava. — Elisa sorriu.

— Me perdoe. Eu estava maluca.

— De onde você tirou que Rômulo pudesse te trair? Ele é louco por você.

— Eu sei… Mas eu fico um pouco insegura ainda. A gente namora a mais de um ano e as vezes eu me pego pensando o que ele viu em mim.

— E o que ele não veria em você? Você é uma mulher incrível! É linda, inteligente, forte, delicada… Só se ele fosse um cego para não querer amarrar você a ele.

— Mamãe, mamãe. — Thomas apareceu correndo de pijamas. — A gente esqueceu da aula! Já são sete horas! — Ele tinhas os cabelos arrepiados de um lado e lambidos de outro, e os olhos castanhos arregalados.

— Eu estive pensando em você não ir para a aula hoje. Aproveitar o dia comigo, com tia Cecília e o Rômulo. — Ele viu o filho olhar para a tia e exitar. — O que foi?

— É que hoje é o dia de levar o animal de estimação. E então vai ter muitos cachorros e gatinhos e eu queria muito ir.

— Mas ontem você não esperneou que queria ficar com a sua tia? — Thomas a olhou, e depois olhou para Cecília, que interviu.

— Mas a tia dele pode muito bem esperar ele voltar da aula. Eu e o Rômulo combinamos de só voltar para a Capital no fim da tarde. Vá se arrumar meu amor, que eu peço o Rômulo para te deixar na escola. — Thomas sorriu e saiu correndo. — Acorde ele no caminho. — Então ela se virou para Elisa. — Eu estive pensando, minha irmã, e você precisa contar para as meninas.

— Cecília, eu…

— Eu entendo porque você não contou. E sei que elas vão entender também. E eu realmente acho melhor deixar o papai e a mamãe fora disso, porque se eles descobrirem o que aquele filho da mãe fez com você… Mas as meninas sentem sua falta. Do Tom! Não é justo, Elisa. Nem com elas, nem com você. Deixa elas fazerem parte do seu recomeço. De sua nova vida. Eu sei que você temer motivos para temer, mas somos mais forte juntas. Nós vamos proteger vocês.Você nos protegeu por anos. Você se casou com aquele monstro pela gente. Deixa a gente fazer isso por vocês agora.

Elisabeta sentiu os olhos arderem. Cecília foi sua caçula por tanto tempo. Ela ainda tendia a pensar na sua irmã como uma menina. Mas ali, diante dela, estava uma mulher linda, forte. Uma mulher. Sua menina era uma mulher agora. Então ela se viu concordando com a cabeça. Rômulo desceu com o Tom nos braços, e trocou um olhar com Cecília, o que fez Elisabeta entender que essa conversa era algo que ela já tinha planejado. Ela se despediu dos dois e Cecília pegou o celular e começou a digitar muito rápido, e uns vinte minutos depois ela estava sentada na frente do computador, em que a tela estava divida em três.

— Cecília, você tem 15 minutos, eu vou chegar atrasada no escritório. — Disse Mariana. Elisabeta sentiu um bolo na garganta. Quanto tempo que ela não escutava a sua irmã! — O que diabos de tão importante que precisava de uma reunião via skype as 7:30 da manhã?

— Eu vou me atrasar pro cursinho. — disse Lídia. — Então fique a vontade. Depois eu digo pro papai que foi culpa sua.

— Deixem a Cecília falar, gente! — A Jane interviu. — Se não fosse importante ela não nos chamaria aqui. Aconteceu algo, minha irmã? Você está bem? É sobre o Rômulo? — Cecília sorriu e olhou para Elisa, que estava em pé, ao lado dela, as lágrimas já escorriam pelo rosto, mas ainda estava fora do campo de visão das irmãs.

— Primeiro de tudo, vocês provavelmente vão se atrasar para o trabalho, então avisem logo. Segundo, que vocês não podem contar para os nossos pais. Isto é para você, Lídia. Está me escutando?

— Uhhh, agora ficou interessante. — A irmã mais nova se ajeitou na cadeira.- Algo quente? Podre? Desembucha, Ceci! — As outras também olharam para tela em expectativa.

— Tem alguém aqui que quer muito ver vocês. — Então Cecília afastou um pouco a tela e Elisa puxou uma cadeira.

— Oi estranhas.

— Elisa! — As três exclamaram e começaram a falar ao mesmo tempo.

— Onde vocês estão?

— O que está acontecendo?

— Calma. — Cecília tentou fazer ela pararem de falar.- Meninas… MENINAS! — Cecília gritou por fim. — Elisa tem algo para contar para vocês. Por favor, escutem a até o final e tentem não interromper muito. E tentem entender a nossa irmã.

— Deus, que saudades de vocês! — Elisa falou, enquanto enxugava as lágrimas. — Eu quero pedir que você me desculpem por ter mentido por tanto tempo. E vou entender se vocês não me perdoarem. Primeiro, eu não estou na Europa. Eu estou no Vale do Café, na casa da vovó...

Então Elisa se viu vomitando as palavras. Tudo que aconteceu desde o casamento com Sal, as ameaças a ela, as irmãs, aos pais,e depois ao Tom. Se viu contando até o que não havia planejado contar, como todos naquela cidade pareciam ignorar como ela vivia, as denúncias que fez a delegacia local sendo arquivadas, até que finalmente o Rômulo descobriu e a ajudou a sair dali. Quando Elisa finalmente parou de falar, ela se sentia leve. Ela não sabia, até aquele momento, o quanto precisava contar para suas irmãs o que tinha acontecido nos últimos sete anos. Quando ela encarou a tela, viu que a Lídia abraçava as pernas e chorava copiosamente. Mariana estava calada,e Jane enxugava as lágrimas.

— É minha culpa. — Lídia foi a primeira a falar. — É tudo minha culpa. Você fez isso por mim, é minha culpa.

— Não, Lídia! — Elisa estendeu a mão, como se pudesse tocar em sua irmã caçula. — Nada disso é sua culpa, está me ouvindo? Eu tomei a decisão. Eu quis casar com ele pelo dinheiro. Eu. Só eu. Se alguém é culpada nessa história...

— É ele! — interrompeu a Mariana. — Nem você, Lídia, nem a Elisa, nem ninguém. Ele é culpado. Aquele imundo… Elisa, eu gostaria que você tivesse me contado antes, para que eu pudesse por minhas mãos no pescoço dele, eu juro, Elisa, eu…

— Ah, Elisa, eu lamento tanto que você tenha passado por tudo isso sozinha. — Disse Jane, por fim. — Eu queria ter estado lá para você. Mas agora eu estou. Todas nós estamos. Existe algo que você precise…

— Eu estou bem. Está tudo bem agora. Sério. O Vale é um lugar maravilhoso. Nós deveríamos ter vindo mais aqui quando criança. Eu estou me refazendo, aos poucos. Fiz amigos, tenho um emprego. O Tom está melhor também. Vocês não precisam se preocupar comigo. Agora eu preciso saber de vocês. Jane, eu vi uma foto no seu instagram com um rapaz muito bonito, posso saber quem é?

Então elas passaram as horas seguintes seguintes atualizando Elisa da vida. Jane abrira o próprio consultório, e estava namorando um jovem professor, chamado Camilo, e estava tão apaixonada, que Elisa tinha certeza que era possível ver corações em seus olhos. Mariana não estava saindo com ninguém em específico, e quando Elisa questionou a foto na rede, ela apenas riu e levantou a sobrancelha. Mas contou que iria para uma expedição no fim de semana, estava trabalhando em um projeto do exercito pela preservação do cerrado, e iria para uma chapada, onde passaria uma semana, fazendo mapas topológicos. Lídia fingiu que cochilava algumas vezes quando a irmã estava explicando sobre seu projeto.

— E você, Lidiazinha? No seu instagram só tem foto de biquini. Está fazendo algo além de ir para praia? Tem usado protetor?

— Eu só fico chocada que você tem nos stalkeado esse tempo todo. — Lídia sorriu. — Eu estou no cursinho… Estou tentada a fazer vestibular para moda. Ou artes cênicas. Ainda não tenho certeza. Mas eu ficaria ótima na TV, não acha?

— Você fica ótima em qualquer lugar, irmanzinha. — Elisa sorriu. — Só de te ver bem, toda crescida, saudável.

— Ai, Elisa, não começa senão eu vou chorar. Ainda não acredito que aquele bode velho…

— Não vamos mais pensar nisso. — Disse Cecília ao ver Elisa ficar tensa. — Até porque, a Elisa tem um vizinho que é um espetáculo. Vocês precisam ver, eu nunca vi um homem daquele tamanho. E ele é simplesmente… de tirar o fôlego. E está caidíssimo pela Elisa. — Cecília cutucou a irmã.

— Cecília! — Elisa repreendeu, mas riu.

— Hummmm! — Mariana sorriu. Lídia bateu palmas e Jane a olhou curiosa.

— E qual o nome desse pretendente? — perguntou Mariana. — Porque Elisa, a partir de agora, eu vou precisar aprovar qualquer pessoa que chegue perto de você. — Jane e Lídia concordaram com a cabeça.

— Não tem nada de pretendente… — Elisa começou a falar, mas Cecília interrompeu.

— Darcy Williamson. Delegado. Tem uma moto. — Cecília disse em um tom que irmãs usam para implicar com a outra. — Rômulo me disse que ele deu em cima da Elisa no primeiro dia que chegou. PEDINDO. UMA. XÍCARA. DE. AÇÚCAR. — Mariana gargalhou e Jane ficou surpresa.

— O Darcy é meio bobo às vezes. Ele leva isso de dar em cima de mim na brincadeira, então sempre tem uma cantada péssima… — Elisa se viu tentando explicar.

— Olha só, ela já está defendendo ele. — Jane sorriu e Lídia apontou o telefone para a câmera.

— É esse aqui? Uau Elisa! — Todas as irmãs chegaram perto para tentar ver o que Lídia estava mostrando.

— Não dá para ver. — Mariana reclamou.

— Já falei para você trocar esse dinossauro que você chama de telefone. Espera, vou mandar o perfil dele no grupo.

— Põe a Elisa no grupo! — Cecília falou, enquanto pega o telefone e mandava o novo número da irmã. — Excluam esse número velho.

— Gente, por favor, não contem a ninguém, não deem meu número… — Mas suas irmãs não olhavam mais para a tela, estava cada uma encarando o celular. Ela espiou o de Cecília,e viu que Lídia tinha mandado o perfil do Darcy.

— Ah, vocês acharam o Darcy…

— Olha Elisa, se você não quiser, eu quero. — Lídia disse por fim.

— Quem é essa moça das fotos? Ele é casado? O que você sabe sobre ele? — Mariana perguntou sem tirar os olhos da tela.

— Que moça? — Elisa pegou o próprio celular e abriu o perfil dele. — Ah, a Charlotte. É irmã dele. Ele a criou, basicamente. Os pais deles morreram num acidente de carro quando ela tinha treze anos. Darcy deixou a capital, voltou para cá, fez faculdade numa cidade aqui perto, a criou com ajuda da vovó. Ele foi casado por menos de um ano, mas se separou. É delegado, como a Ceci já fofocou. E é bastante querido por aqui. Ele é uma boa pessoa.

— O Sal também parecia uma boa pessoa. — Mariana disse.

— Fale por si mesma, eu nunca fui com a cara dele. — Cecília disse por fim.

— Isso é verdade. — Jane concordou. — Mas vocês estão saindo, Elisa?

— Não. Mas…

— Mas você quer! — Mariana encarou a irmã.

— Não! — Elisa disse rápido demais e viu as quatro irmãs a encarando com descrença.

— Elisa, até eu estou querendo. — Mariana mostrou uma foto de Darcy de toalha.

— Eu não quero um relacionamento. Não acho que conseguiria, depois de tudo… Eu não quero me envolver com ninguém, não quero um homem na minha vida, eu já sofri demais. Mas o Darcy, ele é meu amigo. Ele é alguém com quem eu posso contar aqui… eu acho. E o Tom, vocês precisam ver! O Thomas o idolatra. E ele é tão bom com o Tom, tão paciente! E eu quero que o Darcy continue em minha vida, então eu jamais poderia me apaixonar por ele.

— Mas você quer ir para cama com ele.

— Lídia! — Jane e Elisa falaram ao mesmo tempo.

— Lídia, você tem idade para estar falando essas coisas? — Elisa tentou disfarçar que estava vermelha.

— Irmãzinha, você esteve sumida por um tempo, mas eu já tenho dezoito anos.

— Você está completamente por fora da Lídia. — Mariana riu. — Essa daí é um perigo.

— Não! — Elisa riu. — Lídia você é um bebê e terá para sempre dez anos! Está proibida de falar de sexo.

— Então fazer pode? — Lídia deu o seu sorriso travesso, e suas irmãs começaram a rir e falar ao mesmo tempo, sobre como Darcy era gostoso,e ela sentiu as lágrimas escaparem seu rosto novamente.

— Elisa, está tudo bem? — Jane foi a primeira a perceber. Cecília encarou a irmã e a abraçou.

— É só que vocês não fazem ideia do quanto que eu senti falta disso. De vocês. De me sentir assim, livre. Leve. Eu achei que nunca mais falaria com minhas irmãs sobre um cara bonito que estivesse interessada.

— Ha! Então você está interessada!

— Lídia! — Mariana a repreendeu. — Não vê que é sério?

— Eu só queria aliviar o clima.

Elisa sorriu enquanto elas discutiam. E então Jane teve que ir, pois tinha um paciente que ela não podia cancelar, mas prometeu que ligaria para Elisa a noite e todas as noites a partir dali, e fez as irmãs prometerem que não haveria mais segredos entre elas. Uma a uma, as Benedito foram desligando as câmeras, mas continuaram falando sem parar no grupo. Adicionaram o novo perfil de Elisa no instagram e reclamaram que parecia um “fake”, e já que era fechado, ela podia muito bem por umas fotinhas.

— Obrigada por isso. — Elisa disse olhando para Cecília que ainda encarava o celular.

— Pelo que?

— Por me forçar a fazer isso. Por me colocar vocês de novo na minha vida.

— Nós não vamos sair mais. E eu vou vir com o Rômulo agora, checar você. E acho difícil acreditar que as meninas não vão querer vir aqui te ver com os próprios olhos… Só lamento o papai e a mamãe…

— Cecília..

— Não, eu sei que por hora é melhor eles não saberem.

— Espera um tempo. A poeira abaixar. Eu tenho trocado emails com o papai. Ele sabe que eu estou bem. Um ano. Dois no máximo.

— Conversaremos sobre isso depois. Você sabe que por mim, resolveríamos isso na justiça. No fim do ano eu vou poder advogar, e então eu volto nesse assunto. Agora eu realmente gostaria de comer algo.

— Claro! Meu Deus, já são dez da manhã! Onde está o Rômulo?

— Eu pedi ele para nos deixar conversar, então ele disse que estaria nos esperando no Café da Lud, que se eu não me engano, é onde a senhorita trabalha, certo?

— Certo. Vem, quero te apresentar a Lud,e ao Darcy devidamente, e ao Januário...

Notas finais
Como bônus, segue o "instagram" deles (isso ta salvo no meu ipad desde maio). https://imgur.com/iKxFJfq https://imgur.com/3r4cMUn https://imgur.com/wypDP5s https://imgur.com/GWvyBM0 https://imgur.com/D5k7fVV
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.