Mr. Clichê
7 Capítulo 7
Elisabeta não acreditava no que estava prestes a fazer. Ela parou, ainda de toalha na porta do quarto. Mas essa era a sua última tentativa. Nas últimas semanas Elisabeta havia desenvolvido uma leve paixonite pelo Darcy. Não era exatamente uma paixonite, era uma quedinha. Mas ela culpava duas pessoas por isso: Rômulo e Tom. Rômulo porque toda vez que aparecia perguntava sobre a vida amorosa dela. E não importava quantas vezes ela dissesse a ele que ele e estava apaixonado e estava vendo o mundo com olhos de amor, ele continuava incentivando Elisa a sair com ele. E agora Thomas havia elegido Darcy como seu novo ídolo, substituto oficial do Thor. Ele falava do Darcy o tempo todo, imitava seus trejeitos, até o cabelo ele estava querendo deixar crescer um pouco. E teria sido tudo bem, se Thomas não tivesse resolvido importunar Darcy sempre que podia, por mais que ela constantemente falasse para o filho deixá-lo em paz. Mas aí, Darcy o acolheu. Ele parou de correr com o cachorro a tarde, para que Tom o pudesse acompanhar. Ele chamava o menino para jogar videogame, e levava ele e o Joaquim para sair. Ela nunca o viu mandá-lo sair do seu pé, o que ela acharia completamente compreensivo. Quando Darcy aparecia para jantar, não era estranho. Ele e Tom se davam como velhos conhecidos. Não era fingimento, ela conseguia ver que ele se importava com o menino. E de alguma forma, aquilo foi o que faltava para ela mudar de ideia. Foi mais que isso, mudou como ela via o Darcy. Ele sempre foi bonito. Mas quando ele corria pela casa e jogava o Thomas nos ombros, ela se perguntava se ele sempre fora tão bonito assim. Quando ele ria de uma piada e os olhos dele ficavam bem pequenos, exibindo dentes perfeitos, ela se perguntou onde estava aquele sorriso. E claro, teve o dia da piscina. Ela não foi convidada, mas Thomas esqueceu a boia,e quando ela apareceu para entregar a ele, viu Darcy de calção de banho. E talvez fosse o fato de que havia anos desde que ela tinha estado com um homem. Ou talvez o fato de aquela nunca teve uma transa decente em sua vida. Mas se os boatos sobre a performance de Darcy fossem verdadeira, ela estava disposta a descobrir. Rômulo tinha razão, ela não tinha nada a perder. Mas parece que a medida que ele se aproximava de Tom, e dela, Darcy parou de enxergá-la. As cantadas baratas no café foram substituídas por “Bom dia, Elisabeta.” “Obrigada pelo jantar de ontem.” “ Vou levar o Joca para um sorvete mais tarde, posso convidar o Tom?”. E ela tentou as mesmas cantadas baratas que ele dava, mas ele ria e respondia ela brincando. Ou quando ela dava alguma cantada mais séria, porém mais sútil, ele parecia não notar. Até aquela tarde, quando todas as roupas dela estavam lavando e ela teve que usar shorts e camiseta de quando era adolescente. E ele finalmente pareceu voltar a vê-la, nem que fosse por 5 minutos, e soltou uma cantadinha. E ela percebeu que ali estava o caminho dela.
— Obviamente, Elisabeta. Você realmente se esqueceu como faz isso! Se você quer ir para a cama com um mulherengo, você usa o seu corpo!
Era difícil para Elisabeta. Havia passado tanto tempo sem pensar em si mesma como uma mulher, ou nessas necessidades em específico, que não sabia se seu corpo ainda era atraente. Mas quando convidou Darcy para jantar ele disse que já ia sair com uma amiga. Ela suspeitou que ele estava evitando ela nas últimas duas semanas. Ele estava frio, quase distante. Quando perguntou a Ludmilla, a amiga não levou a sério.
— Ah, ele deve estar com algum caso novo, ou alguma mulher nova. Ele sempre fica aéreo.
Então Elisabeta realmente acreditou que ele tinha perdido o interesse, até aquela tarde. Ela viu como ele a olhou. E ela estava péssima, só com pouca roupa. Quem sabe, se a nova namorada não funcionasse… E ela tinha saído do banho, e passou na cozinha, ainda de roupão, com uma toalha na cabeça. para subir com uma taça de vinho, quando escutou a moto dele. Ela checou no relógio da cozinha. Nove horas. Thomas já estava dormindo, mas para alguém que sair com uma mulher, ele voltou cedo. Então ela subiu e viu que a luz do quarto em frente ao seu (o de Charlotte) estava acesa. E então ela teve uma ideia. Saiu do quarto, foi no banheiro e secou os cabelos. Ela tinha percebido que da janela daquele quarto, dava vista direta o seu, principalmente o guarda-roupa. Então ela respirou fundo antes de entrar no seu quarto. Era maluquice o que estava fazendo. Mas Mariana havia feito isso na faculdade, e tinha funcionando. E era aquilo, ela não tinha nada a perder, além de um pouco de dignidade. Então ela entrou no quarto, acendeu as luzes, foi até seu guarda-roupa, e deixou o roupão cair. Estava de costas para janela. Não tinha como saber se ele já havia voltado para o quarto, mas sabia que a luz do quarto dele estava acesa. Ela abriu o guarda-roupa, pegou seus cremes e passou com calma, apoiando a perna ponta da cama, ainda no campo de visão da janela. Mas não tinha se atrevido a olhar para lá ainda. E então ela começou a rir. Ela riu tanto que engasgou. Ela não se sentia assim em anos. Travessa, ousada. Era como ela costumava ser antes de se casar. Era uma sensação tão boa, brincar assim, com o desconhecido. Mesmo não sendo nada demais. Ainda assim, Elisabeta sentiu que talvez pudesse chegar a um acordo agora. Entre a mulher que era e a que precisou se tornar. Um meio termo parecia aceitável para ela. Seguiu passando seu creme pelo corpo quando escutou o celular tremer seguidamente. Ela foi até o criado-mudo, e o pegou, mas ia voltando para frente do guarda-roupa, quando leu as mensagens.
“Querida vizinha, eu não estou reclamando, nem nada. Na verdade, eu provavelmente vou me arrepender de enviar essa mensagem no segundo depois que eu apertar o botão. Mas assim, você está me dando um show de vizinha.”
“ Show de vizinha é um filme, caso não saiba.”
“Do que você está rindo?”
“Eu sei que eu não deveria olhar, seria a coisa cavalherística a fazer. Mas eu não consigo. Me desculpe, mas meu sangue inglês foi diluído em algumas gerações.”
“Deus do céu mulher, você está me matando. Você é linda demais.”
Elisabeta mordia a unha enquanto lia as mensagens. Ela recebeu uma naquele instante.
“Esse sorriso é porque você está lendo minhas mensagens? EU POSSO TE PRENDER POR TENTATIVA DE ASSASSINATO.”
Ela tomou coragem e olhou para a janela. Darcy estava encostado na janela, olhando fixamente para ela. Ela sorriu e piscou para ele e ela viu ele voltando ao celular. Segundos depois ela recebeu uma mensagem.
“Elisabeta…”
Ela riu e ainda com o celular na mão deu as costas para a janela e abriu o guarda-roupa. Fingiu procurar algo para vestir.
“Tortura também é crime.”
Foi a mensagem seguinte.
“Quer sair comigo amanhã? Eu pago a babá do Tom.”
Ela abriu a gaveta de lingerie e suspirou. Todas suas calcinhas eram sem graça. A melhor peça que tinha era uma do star wars. Definitivamente, ela compraria umas coisas novas.
“Responde minhas mensagens pelo menos. Diz que vai ligar para a polícia, que tem um tarado te vigiando.”
Ela gargalhou. E respondeu.
“Mas você é a polícia.”
“Ah, então você sabe responder. Já estava achando que tinha um problema com as mensagens de volta. E então?”
“Então o que?” Ela perguntou, e encostou na porta.
“Você não vai se vestir? Fechar a cortina? Apagar a luz?”
“É isso que você quer?” — Ela perguntou. Uma parte dela, a que já era mãe, não transava a quase quatro anos e havia se tornado uma velha amarga, estava a chamando de vadia e condenando ela. A outra Elisa, a que queria desesperadamente aquele homem na sua cama estava tentando nocauteá-la.
“O que eu quero é invadir esse quarto agora. Mas se você aceitar sair comigo, juro que serei um homem honrado.”
“Então vem.”— Ela respondeu e mordeu a língua. Ela escutou ele bater no vidro e olhou para ele. Ele disse devagar:
— Sério?
E ela deu o seu melhor sorriso de gato e balançou a cabeça. Depois mandou uma mensagem.
“ Vou destrancar a porta e desativar o alarme. Só entra. Vou te esperar no meu quarto.”
E esperou. Viu a luz do quarto apagar e correu para baixo, de roupão, destrancando o cadeado e subiu sorrindo, mas quando ela estava na metade da escada seu celular vibrou.
“Só por curiosidade, por que agora?”
Ela parou. Como poderia responder aquilo de uma forma sedutora? Ela nem sabia direito do porquê agora. Não podia mandar “porque parece que meu apetite sexual despertou depois de mil anos.” Seria ridículo. Ela pensou. Darcy estava acostumado a sair com mulheres decididas e independentes. Então ela foi para esse lado.
“Porque agora eu quero.”
Então ela subiu e esperou. E esperou. E esperou. Passaram mais de 15 minutos. Ela mandou uma mensagem.
“Você morreu no caminho?”
Alguns minutos depois ele respondeu.
“Mudei de ideia. Boa noite.”
Elisabeta precisou ler várias vezes. Primeiro, ficou boquiaberta. Depois, indignada. Vestiu o o roupão e quase foi na casa dele tirar satisfação. Depois, ela ficou pensativa. Quase mandou uma mensagem perguntando porquê. Mas achou que já tinha sido humilhação demais por um dia, e foi dormir frustrada e confusa. O que significou que na manhã seguinte, ela estava de péssimo humor. Thomas tentou brincar com ela no caminho, mas tudo que ela disse foi
— Hoje não, filho.
Ela chegou no café e Ludmilla estava com seu cabelo ruivo brilhante e sentada o colo de Januário, trocando carícias. Elisa apenas olhou com amargura.
— Bom dia para você também, Elisa.
Ela só acenou com a cabeça, e começou a preparar o café para abri-lo.
— Alguém acordou com o pé esquerdo. -Lud disse, enquanto ela descia para pegar os quitutes do dia.
Quando subiu, Ludmilla já tinha aberto o café, e ela começou a trabalhar em silêncio. Atendeu os clientes de sempre, e quando deu a hora do Darcy chegar, ela disse que iria descer, e pegar alguma coisa lá embaixo. Não queria olhar na cara dele. Se sentia humilhada. Ela retornou uns 20 minutos depois, a tempo de ver Darcy saindo da cafeteria. Lud a olhava com interesse.
— Seu amigo lhe contou, pelo visto.
— Uma abordagem ousada. Estou impressionada. Sabia que eu tinha visto um fogo em você. — Lud tinha um sorriso discreto no rosto.
— Mas então ele me deixou lá. Esperando. E nem se dignou a me explicar.
— Então por isso você está de mal humor.
— Obviamente. Achei que ia transar ontem. Acho que ele só não está interessado mesmo. — Ela suspirou. — Existe mais algum mulherengo na cidade que eu possa dar em cima?
— Você está precisando desse tanto?
— Você não faz ideia. — Elisabeta foi até a máquina de café e encheu uma xícara para si. Uns clientes entraram e elas pausaram a conversa para atendê-los.
Alguns minutos depois, Lud voltou, e sentou-se no banquinho, do outro lado do balcão e pediu Elisa que a servisse um mil folhas e um chá de hortelã.
— Darcy… Está acostumado a dar as cartadas. E não a ser a presa. Ele ficou um pouco incomodado com o “porque eu quero”. Fez ele se sentir… Manipulado? Como se você estivesse jogando com ele, desde o começo.
— E ele não pode me dizer isso porque…? Não temos mais 16 anos. Ele podia ter me dito.
— Você não conhece os homens? Eles param aos dezoito. O cérebro atrofia. Não leve a mal. Provavelmente ele deve se arrepender assim que pôr os olhos em você.
— Agora sou eu quem não sabe se quer. — Ludmilla estreitou os olhos e bebeu do chá.
— Os dois tem 17 anos, então. Eu sei que você não pediu minha opinião, mas estou tentada a dá-la mesmo assim.
— Por favor. — Elisabeta terminou seu café.
— Fala com ele. Vocês são amigos. Jantam juntos todos os dias. São parte da vida um do outro. Joguem limpo. Não tem como ter problema se os dois deixarem tudo as claras. O combinado não sai caro.
— Hm. De toda forma, existe algum solteiro na cidade que eu possa investir?
Nesse momento, entrou um homem de cabelos e olhos negros, em roupas xadrez e um chapéu de fazendeiro.
— Parece que você está com a aura forte, hein? — Ela sorriu para Elisa. — Xavier! Quanto tempo não o vejo!
— Ah, Ludmilla! Tive preso na fazenda, depois precisei fazer algumas viagens. Mas estava com saudades daqueles seus pãezinhos europeus, então tive que vir.
— Croissant, Xavier. Quantas vezes! — Ela riu. — Você já conheceu a Elisa? Ela já está conosco tem algum tempo, mas como você desapareceu, não tenho certeza…
— Ah, apenas de vista. Infelizmente não fomos apresentados. — Ele foi até a Elisa e se apresentou. — Muito prazer, senhorita. Xavier Vidal.
— Elisabeta Silva.
Xavier conversou um pouco, perguntou generalidades para Elisa e ela fez o mesmo. Mas ao se despedir, ele sorriu para ela.
— Bom, acho que tenho motivo para voltar mais vezes. — Ele se despediu e Ludmila ficou sorrindo por um tempo.
— O que? — Elisabeta olhou para, sorrindo também.
— Estou realmente de volta ao colégio. — Elisa a encarou e Ludmilla riu. — Xavier estudou comigo e Darcy. E eles foram inimigos mortais por muito tempo, Ambos eram apaixonados pela mesma menina. Laura.
— Quem ganhou?
— Darcy.
— Bom, não posso culpá-la. — Elisabeta deu de ombros e Ludmilla gargalhou.
— Darcy e Xavier são muito diferentes. Apesar de que, eles tinham tudo para ser iguais. Filhos de fazendeiros, perderam os pais cedo, herdaram grande fortuna. Mas Darcy não quis saber da fazenda, e Xavier vive para isso. Xavier é um bom homem, sabe? Se você estiver procurando um relacionamento estável, seguro.
— Darcy não?
— Eu amo o Darcy. Você sabe. — Ludmilla começou a limpar as mesas com Elisa para o horário de almoço. — Mas eu nunca o vi falando sobre casar, ter filhos, uma família.
— Mas ele já não foi casado?
— A Suzana? Ela não conta.
— Por quê?
— Só conhecendo a Suzana para entender. E também, ele tinha vinte e um anos. Tinha acabado de perder os pais. Estava perdido. Precisava tomar conta da irmã caçula. Ele fez o que achou que seria o certo a fazer na época. Mas foi um desastre.
— É, casar cedo é realmente uma péssima ideia. — Ludmilla parou e a encarou.
— Você nunca fala do seu casamento. Ou do seu marido.
— Não tem muito o que dizer. Eu me casei nova também. Tinha 20 anos. Ele era mais velho. Tive o Tom logo em seguida. O casamento degringolou, mas eu continuei pelo meu filho.
— Você não o amava?
— Não. Deus, não.
— E por que se casou com ele para início de conversa?
— Foi… complicado. — Elisabeta começou a pensar naquelas circunstâncias. As vezes se perguntava se faria algo diferente. Se ela teria tomado uma outra escolha. Mas naquela época estava tão desesperada. — Havia muita coisa acontecendo. Mas se você não se importa, eu gostaria de deixar esse assunto para lá.
— Tudo bem. Mas então? O que vai fazer? Conversar com o Darcy ou aparecer pelada na janela do Xavier? — Elisabeta gargalhou e jogou o pano na amiga, que começou a listar todos os caras que ela poderia aparecer pelada para.
Na hora do almoço, Darcy apareceu no café. nem sempre ele comia ali, até porque, elas só ofereciam sanduíches leves e tortas, mas ele foi até o balcão.
— Bom dia. Bem-vindo ao Café da Lud, como posso servi-lo hoje? — Ela deu o seu sorriso mais falso. Ele a encarou por alguns segundos.
— Eu quero 6 donuts, três croissant, manteiga para levar. — Elisabeta esperou.
— Esse vai ser seu almoço?
— Sim. — Ele respondeu.
— Você deveria comer melhor. Vai levar?
— Não. Vou comer aqui. Queria um refrigerante grande.
Elisabeta concordou e montou o prato dele. Quando pôs na frente dele, que estava sentado no balcão, ficou em dúvida se daria uma bronca nele ou não. Mas seu instinto materno falou mais alto.
— Aparentemente você é meu amigo, e o Thomas gosta de você, então vou lhe dizer isso: Isto aqui não é um almoço.
— É claro que é. — Ele sorriu. — E você não deveria dizer isso a um cliente.
— Posso pegar uns sanduíches para você. Algo com verdura.
— Você pode me fornecer verduras no jantar. Estava pensando em comer na sua casa hoje.
— Ah é? — Elisabeta franziu o cenho. Mordeu a língua, e então retrucou. — Mas você vai mesmo ou vai mudar de ideia?
— Touché. — Ele respondeu. — Acho que precisamos conversar sobre ontem.
— Se você não estava afim era só dizer. Não ia magoar meus sentimentos. — Não muito, ela pensou.
Outras pessoas começaram a chegar e ela parou a conversa para atendê-los. Havia dias que o horário de almoço era parado. Aquele não era um deles. Ela corria de um lugar para o outro e até que alguém disse que o restaurante de Dona Agatha estava fechado. Ela estava dedetizando. Ludmilla subiu furiosa, quando Elisa enviou vários pedidos de sanduíches e sucos.
— O que diabos está acontecendo? De onde veio essa gente toda?
— Aparentemente a dona Agatha está dedetizando o restaurante.
— Aquela velha fofoqueira. Ela nunca me avisa quando vai fechar a espelunca. — Ela olhou e viu que Manu atendia mesas.
— Manuela?! Você não deveria estar indo para escola?
— O Café está lotado… — A menina respondeu, coçando a cabeça coma caneta.
— Nem pensar. Fora. Escola. Não quero ter que me entender com sua mãe depois. Ela me dá medo. — A menina resmungou, mas tirou o avental.
— Vamos mandar o povo embora. Quem quiser comer bolinho de chuva, ótimo. Quem não quiser que se vire.
— Ei. — darcy disse do balcão. — Eu posso ajudar.
— Você não sabe fritar um ovo. — Ludmilla resmungou.
— Mas posso anotar pedidos. E mandar o Januário largar a delegacia e vir te ajudar. Virgilio está lá. Ele não vai ser capaz de fazer burrada se ficar sozinho por uma hora. — Os olhos de Ludmilla brilharam.
— Você faria isso? — Ela foi até o amigo.
— É claro. — Disse ele já pegando o avental de Manu, que ficava ridiculamente pequeno nele. Ludmilla segurou o rosto do amigo e deu um selinho nele. Depois se virou para Elisa.
— Você! Esse homem merece pay-per-view hoje! — Elisabeta e Darcy ficaram em silêncio por segundos e então começaram a rir. mas antes que eles voltassem a servir as mesas, ele puxou Elisabeta.
— Vamos conversar hoje, no jantar, está bem? Eu posso levar um vinho.
— Meu filho estará lá.
— Um vinho e um suco de uva. — Ele sorriu. Droga. Ela estava começando a desenvolver um fraco por aquele homem.
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