Eu acordei, com ele levantando, com aquele jeito bonitinho de andar.Ele saiu do quarto, pensei em ir até ali, abraça-lo por trás, e beijar seu pescoço.

Quando me aproximei da porta, percebi que cometerá erro, a ignorância é uma bênção, e eu acabei de perde-la.

"Como ela está?"uma voz, conhecida, a voz da minha mãe.

"Ela está dormindo, hoje vai custar mais, eu perdi uma prova."

"Tudo bem, o importante é você fazer seu trabalho"

Meu coração parou no chão, ele nunca gostou de mim, cada palavra gentil, cada abraço, cada beijo inesperado.Tudo forjado pela minha mãe.

Eu tremia, meu corpo balançava em soluços abafados pela minha mão.Eu deslizei com as costas na porta, lágrimas corriam pela minha face, uma forte tontura me acertou, o mundo girava de um jeito não natural.

Eu precisava sentar, andei até a cama, mas quando me sentei fiz um pouco de barulho, ouvi um fraco "vai la" e logo depois ele entrou, com aquele sorriso que fizera eu me derreter por ele.

"Oi, acordou?" Ele se sentou do meu lado

"Sai de perto de mim" o grito o assustou, fazendo ele se afastar

"O que foi?"Ele estava com a mesma calma habitual.

"Você é um idiota, eu te odeio"

"Mas o que foi, minha linda?" Ele se aproximou numa tentativa de me abraçar

"Não toca em mim, eu tenho nojo de você, se quer tocar em algo, toca no dinheiro da minha mãe" A expressão dele deu bonito final, ele sabia que tinha sido pego; nesse momento minha mãe entrou no quarto

"Sai daqui, fica longe de mim"As lágrimas corriam quem es pela minha face, eu tentava empurrar ela pra longe

"Filha, para"Ela segurou minhas mãos

"Me larga" Eu não queria estar ali

"Eu fiz isso porque é o melhor pra você, eu sei disso" O melhor pra mim, me enganar, pagar pra alguém fingir que não me acha louca, é o melhor pra mim, empurrar o problema pra outro, qual o problema dessa psicopata?

"Me solta, me solta"eu repetia como um mantra

"Por favor, me ouve, vai lavar o rosto, e fala comigo"

Eu concordei coma cabeça, não porque queria falar com ela, mas porque, lavando o rosto eu ficaria longe dali, como se eu saindo de lá, o problema sumisse, o que não deixava de ser verdade.

Eu entrei no banheiro e olhei para a garota que me encarava, ela estava com raiva, com a maquiagem manchada e muito magra, ela me olhava do outro lado do espelho. A raiva crescia dentro de mim.Foi ai que eu explodi.

A janela era uma abertura pequena, mas graças aos itens bônus como disfunção alimentar, que vem com a depressão, eu consegui passe por ela.Demoraria um pequeno tempo até minha mãe notar que eu sairá, mas até lá, eu já teria me jogado em frente à algum carro, ou pedido carona.Dessa vez, eu iria fazer o que quisesse, sem ninguém pra pedir pra sair da sacada.

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