Mou Shinu Yo! (Dying Time Is Here)
1 Having fun
-Não é que eu não queira que você goste de mim, eu apenas não quero que você acredite que o sentimento é reciproco.
Ele soltou um sorriso maldoso após dizer isso, me segurei para não lhe dar um soco ali mesmo. Como aquele cara achava que eu gostava dele ou algo assim?! Não era completamente obvio o contrário? — Aparentemente para ele não era obvio.
-Bom, então, — eu disse entre dentes — pode ficar tranquilo porque eu não gosto de você, sinto muito por destruir os seus sonhos secretos.
Ele riu, foi a primeira vez que ele riu daquele jeito na minha frente, parecia que ele estava rindo só porque eu estava ali, parecia que no fundo ele não estava rindo, e por algum motivo eu gostei daquilo. Eu gostei de ter machucado ele; era um pensamento estranho, assim como a sensação de prazer doentio que aquilo me trazia, porém eu gostei daquilo.
-Sinto muito também, mas eu não tenho sonhos secretos com você.
Eu suspirei enquanto sorria de maneira sarcástica e me abaixei para pegar a minha faca que havia caído no chão, antes de me levantar posicionei a faca na barriga dele e pude ouvir o som da sua risada maldosa:
-Eu tiro se você tirar, Inu-kun.
-Eu não confio em você o suficiente para tirar a minha sem ver a sua faca, Shinu-san.
A risada dele veio mais forte dessa vez e eu vi uma lamina ser colocada no meu pescoço, de forma que eu pudesse ver, porém que poderia me matar se eu fosse um pouco para baixo, ou a lamina para cima.
-Assim está bom, Inu-kun? Essa é a última que eu tenho, eu juro. — Eu não fiz nenhum movimento com a mão que segurava a faca, o que queria dizer que eu não confiava no que ele dizia, porém que se ele me demonstrasse que era verdade eu não atacaria ele. Pude ouvir ele suspirar, com esse suspiro eu soube que o seu sorriso sarcástico tinha sumido, porém eu não sabia o que poderia ter causado isso — Eu não gosto de jogos ganhos com facilidade, e como você já está cansada não seria um jogo muito interessante.
Eu senti o sangue correr um pouco mais rápido que o normal, minha adrenalina que estava esvaindo automaticamente parou de fugir de mim, era exatamente isso que ele queria falando aquilo e eu sabia. Aquilo era o motivo de eu o odiar, ele via as pessoas apenas como peças de um jogo que apenas ele sabia as regras, ele achava isso divertido, ele acreditava que desde que ele soubesse as regras os outros podiam vagar ás cegas, desde que ele pudesse ver cada vez que eles pisassem em falso.
Apesar disso tudo eu sabia que ele não tinha outras facas, ele nunca carregava mais que 3 facas a mais que eu para as lutas, e como ele já havia perdido 8 naquele dia (eu havia levado 7 naquele dia) provavelmente ele não tinha mais nenhuma caso tivesse ele provavelmente não usaria, pois de fato poderia acabar com a diversão.
Apesar da raiva eu sabia que eu já estava fudida o suficiente por um dia, e eu tinha que agradecer por ainda ter uma faca, e não tentar desperdiça-la como se fosse algo fácil de se conseguir, na verdade, as facas tinham se tornado algo meio caro em minha rua. Eu afastei a minha faca alguns centímetros da barriga dele,era certo que ele não morreria caso eu o acertasse na barriga, mas ele tinha algum problema que o fazia congelar quando via o próprio sangue, de forma que depois que o seu sangue começasse a escorrer eu poderia facilmente matá-lo; pude ver a lamina se afastando do meu pescoço da mesma forma cautelosa que não confia no outro lado da promessa, a mesma velocidade, a mesma distancia.E assim continuamos até nenhum de nós dois podia ser atacado com um movimento rápido o suficiente para não ser interrompido pelo outro. Quando isso aconteceu eu me levantei completamente e ajeitei o meu casaco, ele guardou sua faca e eu fiz o mesmo após ter certeza que o local aonde eu guardava a minha faca era tão bom quanto o dele. Ele deu um passo na minha direção e eu comecei a o observar cautelosamente, ele continuava avançando na minha direção, e conforme ele fazia isso eu sabia que a minha desconfiança aparecia cada vez mais nas minhas expressões; até que ele chegou ao meu lado, soltou uma risada baixa que só eu consegui ouvir e falou no mesmo volume:
-Bom, então até amanhã; espero que até lá você já tenha se cicatrizado, Inu-kun.
Eu suspirei e ele voltou para dentro do prédio, eu me sentei no chão e pensei "Finalmente eu posso comer alguma coisa em paz", porém enquanto eu andava até o banco para pegar a minha mochila aonde se encontrava o meu pão ouvi o sino do final do horário do lanche bater
Eu suspirei fundo, aquele babaca tinha me prendido até o último momento só para eu passar o resto do dia com fome. Ou ter que ficar na sala mesmo depois da aula ter acabado por ter chagado atrasada. A segunda opção me pareceu estranhamente atraente.
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