Moto-Contínuo

1 Capítulo Único - Moto-Contínuo


Notas iniciais
Olá povo!
eu sei que fiquei bastante sumida por aqui, e por isso, trago uma fic de um dos meus casais favoritos. Então boa leitura!

Moto-Contínuo

Um homem pode ir ao fundo do fundo do fundo,
Se for por você...

Da forma como o cavaleiro lutava por ela era uma coisa quase descomunal e no santuário, todos comentavam entre murmúrios. Não queriam que a deusa soubesse daquilo, por mais que ela fosse bondosa, poderia também ser o oposto daquilo que representava para todos. Saori que já havia ouvido os comentários, não se importava. Afinal ela abria um sorriso discreto quando ouvia aquilo.
Depois de uma batalha, Seiya sempre se preucupava com a deusa e nunca consigo mesmo. Tanto que inúmeras vezes, Saori tentava pará-lo ou descartá-lo da guerra por segurança, sendo que ambos sempre discutiam ou até brigavam sobre aquilo. E o moreno com raiva e em desespero, geralmente deixava seus sentimentos expostos e a quebrava com palavras, para depois partir ruborizado.

— "Você não entende?! Eu faço isso por você!..."

Um homem pode tapar os buracos do mundo
se for por você...

Ele dizia aquilo como se fosse tão óbvio... e isso a intrigava. O que mais a preocupava, era a forma de como o moreno surpreendia todos com seu cosmo que evolui a cada vez mais. E acabava com uma guerra santa, fazendo assim, a paz retornar ao mundo. Como ele diz, é por ela.

Pode inventar qualquer mundo, como um vagabundo
se for por você...

basta sonhar com você...

Novamente mais uma guerra santa se aproximou. E de novo ela tentou pará-lo o que não andiantou muito. Ele mesmo mortalmente machucado, ainda se julgava por não impedir um sequestro repentino ou uma escolha mal feita por ela. Algumas pessoas já achavam que Seiya parecia mais um escravo do que cavaleiro. Por sempre praticamente fazer tudo. Mas o moreno nunca se importou.

Juntar o suco dos sonhos e encher um açude
se for por você...

Um deus não tão conhecido, se rebelara contra Athena e seus cavaleiros, fazendo assim mais uma guerra santa se formar.
Seiya desesperado com manchas negras horríveis pelo corpo por conta de um adversário, chegou ao encontro do desafio do deus que estava ansioso para testar o garoto. O cavaleiro que no início mal conseguia levantar, conseguiu salvá-la mas com o corpo surrado e machucado, quase não aguentando o peso da mulher. Seus amigos e irmãos estavam desacordados. Todos sangrando muito. No final tudo se ajeitara. Seiya levava um sorriso de satisfação e tranquilo por ela ainda estar viva.

A fonte da juventude correndo nas bicas
se for por você...

Novamente a estória se repete fazendo que, o cavaleiro de Pegasu salvasse de novo a deusa desacordada no chão que fora salva pelo mesmo, que a trouxe para seus braços cuidadosamente. Sussurrando que estava tudo bem e que havia terminado. Saori havia perdido tanta energia que acabou quase perdendo o pulso. O cavaleiro sabia que a mulher estava esgotada, o que o deixou preocupado. A abraçou com cuidado e tentou lhe dar o restante de sua cosmo energia, a trazendo mais e mais para perto de seu corpo. Dera certo. Ela voltou a se mexer tentando abrir os olhos. Seiya só pusera sua mão em suas pálpebras e pediu para que a garota relaxasse em seus braços enquanto ela a levava de volta ao santuário em segurança.

Bocas passando saúde com beijos nas bocas
se for por você...

Ela ficou desacordada por dias e a preocupação de todos só aumentavam. Principalmente Seiya. Se ela morresse não iria conseguir se quer ir enfrente com sua vida. Não se importava se Saori não o correspondia da mesma forma mas a queria bem afinal, ela é a sua razão de viver. E começou a ficar atônito de raiva e de preocupação em sua antiga casa no santuário.

Homem também pode amar e abraçar e afagar seu ofício porquê...

Até que houve notícia dela. Atena ainda estava viva. Meia fraca mas viva. Havia entrado num pequeno coma mas retornou. Os cavaleiros de ouro deram um recado de que a deusa não deveria ser incomodada por ninguém. Nem eles mesmos. Seiya mal pode esperar para vê-la, até que Aiolia em pessoa o embarreirou dizendo-o para voltar.

— Por mais que você Pegasu é muito próximo a ela e de todas as coisas que você tem feito, inclusive por todos nós... me desculpe, mas volte...

Seiya impulsivo, tentou passar o cavaleiro maior mas não adiantou. Aiolia tivera que desacordar o garoto que estava incontrolável, e gritando por ela. O cavaleiro de ouro em pessoa levou-o para a casa de Marin, e o deixou a seus cuidados. Seiya acordou no início do anoitecer. Marin que estava fora da casa, aparentava que não iria voltar naquela hora. Pegasu que viu a oportunidade, pegou uma capa marrom, cobrira-se e partira. Correndo como um louco, lembrou-se de um atalho pelo caminho das montanhas que só era conhecido por poucas pessoas.

Vai habitar o edifício que faz pra você...

Então chegando lá, conseguiu despistar algumas mulheres, e achara o quarto dela. Saori estava de cama, e lendo algo.

— Saori?...

— Seiya?! Como você...- exclamou ela e o rapaz a interrompeu.

— Um atalho — disse ele com um sorriso e abaixando capuz da capa — Eu tentei vir antes mas... não me deixaram.

Saori o respondeu com um leve rubor no rosto e desviou o olhar dele embaraçada. Seiya achou que sua visita não a agradara muito. Pois ela tentava evitá-lo. Não de propósito. Saori não conseguia encará-lo diretamente. Os dois quase nunca falavam um com outro. A única "conversa" que realmente tiveram foram as brigas do passado.

— O que houve? — ela perguntou.

Seiya tentou aproximar-se mas continuou perto da porta e abaixou a cabeça parecendo triste. E continuou.

— Depois de tudo do que aconteceu, eu fiquei extremamente preocupado, sabe? — dizia com mal jeito.

— E teve até uma hora em que... — dizia tentando não atropelar cada palavra que saia de sua boca. — Em que eu poderia perder você. Para sempre.

Saori se derretia por dentro quando ele falava daquele jeito. Ela queria demonstrar da mesma forma, mas não conseguia reunir coragem. Mú o cavaleiro de Áries sempre tentou ensiná-la da melhor maneira possível em como lidar com seus sentimentos humanos. O cavaleiro de ouro dizia que Atena deve amar todos como um só, incluindo Seiya.

— Eu vejo que a senhorita observa o cavaleiro de Pegasu quase constantemente. — Dizia Mú olhando para a garota ao seu lado ruborizada.

— Infelizmente, o receptáculo de Atena nunca pode receber ou retribuir o sentimento que sempre defendeu desde as eras mitológicas. — disse ele a olhando com tristeza mas com carinho.

A deusa sem dizer nada apenas concordou com o dourado.

— Tome cuidado para não se machucar por dentro. Tente esquecer a humana que você foi. — Disse fazendo uma leve reverência a garota e partiu.

Em resposta a tudo o que Pegasu havia lhe dito depois do flashback, fora um rubor violento de surpresa. E se sentiu culpada por ele dizer aquilo para alguém que não teria como retribuir aquele sentimento. Ele acabou se machucando mais uma vez... e dessa vez não era apenas externo como já era acostumado, era interno. Saori queria tanto se aproximar dele mas... suas pernas não correspondiam. E tudo o que pode fazer era ver ele quase indo embora por ela não ter dito nada. Nem se quer um obrigado. Seiya estava se sentindo um idiota por ter falado daquele jeito. E estando sozinho ali com ela, já era o bastante para agir assim.

— Saori...

— Me desculpe!... — disse ambos ao mesmo tempo.

Saori começou a dizer tudo o que estava em sua mente. Agradeceu por tudo. E tentou abrir seus sentimentos a ele. Fazendo a esperança de Seiya retornar lentamente. Mas ele achou que a mulher estava fazendo tudo forçadamente. Ela sempre era gentil com todos e com ele não seria diferente. Assim, tentou partir.

— Bom, eu... vejo que está tudo bem — disse se afastando tentando se desviar do que aconteceu — Se você quiser eu posso ir e não incomodá-la mais... — disse lhe dando um sorriso triste.

— Espere! Ainda não... — Disse com um pulo para fora da cama indo ao encontro dele. Com medo do garoto ir embora, depois de tantas vezes que rezara para que esse momento a sós finalmente chegasse, não iria deixar ele ir assim.

Seiya virou-se e viu o rosto aflito dela. Saori suava. Ainda estava febril. Ele quase a pós na cama quando tocou em seu braço. Ambos ficaram frente a frente um do outro sem dizerem nada. Se aproximando aos poucos. Saori pousava suas mãos no busto dele em resposta do gesto. Enquanto o coração dela pulava de nervoso, sua respiração estava ofegante e quase não conseguia ficar em pé. Seiya a segurou rapidamente sentindo ela ficar mole em seus braços.

E no aconchego da pele na pele, da carne na carne, entender
Que homem foi feito direito, do jeito que é feito o prazer...

Seiya acariciava seu rosto e quando percebeu, já roçava seu nariz no dela. Saori deu um leve impulso e acabou num beijo. Seiya correspondeu rapidamente sentindo o calor da febre que ainda restava nela. A garota só era guiada por ele sem hesitar. O moreno parando para respirar, segurou o rosto dela a cobrindo com pequenos beijos por todo rosto fazendo-a rir e a abraçou,
fazendo ela retribuir gesto. Depois de um momento, o casal assumiu seus sentimentos um ao outro e fizeram seus juramentos de compromisso.

Homem constrói sete usinas usando a energia
que vem de você...

Depois daquela noite, o casal começou a se encontrar a escondidas de todos e sempre tentando ficar mais próximos possível. Ambos foram se conhecendo melhor e conversavam animadamente. Pegasu sempre ficava meio sem jeito quando falava com ela antes, mas agora vira que é algo tão fácil. E sempre dizia de várias formas o que sentia por ela. Sem cansar ou sentir-se embaraçado. Saori que não estava acostumada com juras, apenas o olhava com ternura e o abraçava tentando esconder seu rosto no peito ou no pescoço dele. Seiya sorria e roubava mais um beijo dela.
O que o casal menos esperava, era mais uma nova guerra santa, que estava por vir.

Homem conduz a alegria que sai das turbinas
de volta a você...

Seiya sentiu que havia lutado mais arduamente do que algumas batalhas. O deus a sua frente estava com tanta raiva que não percebeu o garoto humano, apontando a flecha de sagitário na mira de seu peito. Seiya vendo a covardia do deus com Saori nos braços a fazendo de escudo humano fez o santo tremer. Temeu em largar a flecha. A deusa a sua frente sussurrara com seu cosmo para ele largar. Fechando os olhos de medo, enquanto soltava-a. Depois vira a garota cair em frente de seus olhos tentando alcançá-la. Saori que caíra no chão, sentiu toda a queda em suas costas quase perdendo a consciência. Seiya que logo a puxou para si pedindo desculpas pela demora, ela mal pudera sorrir para ele, já desmaiando de dor e cansaço.

E cria o moto-contínuo da noite pro dia
se for por você...

E era assim em todas as batalhas. Seiya a levava para o santuário em segurança em seus braços sem deixar que ninguém a tirasse perto de si, alguns tentavam chegar perto para vê-la melhor, mas o moreno os afastavam com seu cosmo. Quando os cavaleiros de ouro e de prata vieram para levá-la, Pegasu passou pelos de prata perguntando da razão por não irem lutar e subiu as escadas as pressas, chamando por ajuda.

— Que cavaleiro insolente... — Aiolia que ouviu o comentário de um cavaleiro de prata, o interrompeu com um tapa em seu rosto.

— Aiolia? Por quê? — Disse o cavaleiro covarde se contraindo para longe do leão dourado.

— Seiya e os outros a salvou daquele deus egoísta e é assim que você os agradece? Você sabe muito bem da razão por não podermos lutar. Se eu pudesse estaria ao lado de Seiya lutando por Atena! — Os outros cavaleiros de ouro concordaram com a atitude do loiro e todos retiraram para suas respectivas casas do zodíaco, enquanto os restantes dos cavaleiros voltaram a seus afazeres.

O moreno com a mulher nos braços, a levara para um banheiro cor pastel com uma grande banheira branca de água morna. Como algumas mulheres haviam lhe dito, enquanto pegavam curativos e remédios. Seiya que pusera a deusa com cuidado no recinto vira que a água se tornava vermelha a cada segundo, fazendo sua preocupação se tornar constante e com isso tentava confortá-la queimando seu cosmo, como sinal de apoio a amada. De repente uma dúzia de mulheres vestidas de branco, expulsaram o moreno do local, com grosseria. O deixando do lado de fora, com uma expressão de tristeza. Tudo o que restou para ele fazer, era ficar sentado na escadaria do santuário ao aguardo de notícias. Reparara que a armadura de Sagitário ainda não largara de si e deixou estar. Se perguntava se aquela proteção seria sempre constante enquanto lutasse com deuses e por ela. Como resposta para si mesmo abriu um sorriso, enquanto emanava seu cosmo implorando uma resposta da deusa. Sem respostas começou distraidamente a observar a flecha "matadora de deuses".
Depois de alguns dias, ela voltara a si. Seiya que sempre tinha o atalho, tentava sempre que podia para visitá-la. O cavaleiro sentado numa cadeira próxima a cama dela, a fazia companhia lhe dando notícias dos outros e o que acontecia no santuário, enquanto afagava os cabelos dela. Saori que ainda estava enfaixada, pediu para que ele se aproximasse mais dela. O moreno ruborizado, deitou-se com ela na cama, fazendo que ela se aconchegasse nele, o abraçando. Seiya voltou a fazer o mesmo gesto de antes enquanto lhe beijava a testa.

— Você sempre será a minha razão de viver Saori... — Sussurrou para ela que o deixou sem resposta. Seiya querendo algo em troca do que havia dito a olhou. Apenas vira o sorriso dela enquanto dormia nos braços dele. O garoto sorriu e acabou dormindo também.

E quando um homem já está de partida, da curva da vida ele vê

Depois de alguns anos os cavaleiros de bronze, voltaram para seus lares e seus antigos afazeres. Seiya que há poucos anos havia deixado o santuário para procurar por sua irmã, retornou ao mesmo sem expectativas e pressentira que nunca deveria ter deixado sua deusa sozinha, por mais que o restante dos cavaleiros de ouro estavam de guarda. Viu que o local estava sombrio e meio escuro, o que achou esquisito. Seu primeiro pensamento era nela. Encontrou com o cavaleiro de Áries que o respondeu com frieza, se recusando a deixar qualquer um passar pelo santuário de Atena. Mais tarde, Seiya que foi dado como morto pelos espectros "dourados" de Hades e se encontrou com seus irmãos de bronze rumo a deusa.

Que o seu caminho não foi um caminho sozinho porquê...

Seiya que levava Shun o ajudando pondo seu braço por volta de seu ombro, sentiu uma pontada diferente em seu peito, fazendo-o recuar um pouco. O moreno que sentia seu corpo paralisado, vira uma visão de Saori caindo desfalecida no chão... acabou não aguentando e berrou de tristeza. Em lágrimas, correu para o encontro dela largando os outros na escada desesperado. Seus irmãos já sabiam dos sentimentos de Seiya, mas não sabiam sobre o relacionamento. A mente do moreno não raciocinava, e seu corpo corria ao máximo. E tudo o que vira fora o sangue e o punhal dourado sujo com o líquido vermelho. Pegasu que estava inconsolável, chorava compulsivamente enquanto pegava o punhal, jogando o mais longe possível. Até que colidira com alguém.

Sabe que um homem vai fundo e vai fundo e vai fundo
se for por você...

Depois de ter recebido em mãos a armadura de Atena, Seiya e os outros receberam armaduras novas em folha.
O cavaleiro loiro havia dito a todos que ainda tinham uma chance fazendo assim a expectativas do moreno retomarem com fervor, de volta a ativa. Pegasu que levava a armadura em seu peito, passou por momentos e quase a derrota por completo. Mas... as asas de Pegasu o salvou no momento certo, depois do ato dos 12 cavaleiros de ouro ali presentes, para ajudar os de bronze a atravessar o muro das lamentações. Depois de Seiya ter visto o que Hades havia feito com ela, o moreno ficou horrorizado e com raiva. Fazendo-o cair mais uma vez depois de tentar continuamente a lutar, sem pensar. Saori agora armada, lutou contra o deus, deixando Seiya cada vez mais preocupado. Por mais que ela fosse a deusa da estratégia e da guerra, vira que por um descuido, a deusa havia deixado sua guarda aberta. E fez Seiya sair de sua proteção. Correu o mais rápido que pudera para ser seu escudo o mais rápido possível.
...

Depois de alguns minutos abriu seus olhos com o toque dela, em seu peito. Tudo o que se lembrava, era o empurrão que dera nela. Sentia as lágrimas da mulher, que caiam constantemente ao redor de seu rosto e pescoço, se misturando com o sangue de sua testa. E seu peito... estava com uma dor horrível com aquela espada negra atravessando seu corpo. Quase não podendo falar, pediu para que ela não chorasse por ele.

— Por favor... N-não... — Tentava dizer enquanto o cavaleiro perdia a consciência, parecia que tudo estava em câmera lenta. Seiya não ouvia a deusa lhe chamando descontroladamente enquanto tentava tirá-lo dali o mais depressa possível. Não sentiu os beijos que ela dera a ele, tentando acordá-lo.

Em seu consciente, lembrou-se de quando era pequeno em suas fugas do santuário, e principalmente dos treinamentos de Marin. Um velho que morava numa vila próxima, disse a ele que quando estivesse perto da morte, sua vida iria passar diante de seus olhos. Internamente, Seiya não via sua vida. Os sofrimentos desde que nascera, da perda de sua irmã ou das inúmeras batalhas que havia lutado. Apenas tinha em mente os momentos felizes de sua vida. Como quando descobriu que tinha outros irmãos. E eles são seus amigos também e Saori...
Lembrou-se das brigas quando novos, quando ela começou a mudar, salvando-a dos corvos. E acabou descobrindo que iria protege-la por muito tempo. Ou também quando a carregava desacordada em seus braços, e quando finalmente confessara seus sentimentos. No final, Saori percebera que o moreno mantinha um sorriso leve em seu rosto, que resultou no coma de Seiya.

Se for por você...

Notas finais
Obrigada!

Para que nunca ouviu a música

https://m.youtube.com/watch?v=qHs_d7O78Zw
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!