A lua se erguia no céu negro, iluminando o horizonte com um brilho prateado. O garoto estava sentado nas pedras, onde as ondas quebravam, observando o caminho que o próprio sangue fazia ao chegar à água, que se diluía em uma mancha vermelha até desaparecer com o constante movimento do oceano.

A dor já não o incomodava. Podia sentir a vida esvaindo-se lentamente. Ele tinha uma lança em uma de suas mãos. A cor dourada havia dado lugar ao vermelho-sangue. Sua visão aos pouco enegrecia. Lágrimas brotavam dos olhos safira e rolavam por seu rosto, misturando-se ao suor.

Esmorecido, deixou a lança ser levada pelas ondas, afundando na escuridão e lançou-se ao mar, que o empurrou com voracidade contra as pedras. Seus olhos se fecharam, tornando a cena nada mais que puro breu. Antes de cair no vazio da morte, um último pensamento lhe ocorreu.

“O que vem do mar, volta ao mar”.

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