Mortemville - Primeira Temporada

5 Episódio 05: "Noite de Lua Cheia"


MORTEMVILLE, 1912.

Era março de 1912 quando o primeiro ataque aconteceu. Uma jovem de apenas dezessete anos fora encontrada morta a pedradas. A primeira lhe rendeu apenas um grito de dor, a segunda um gemido forte e sangue, depois veio a terceira, quarta, quinta até que ficou desacordada. A sexta, sétima e oitava logo em seguida e a morte lhe deu um beijo. Dois meses depois e o segundo ataque foi registrado. Uma criança de onze anos vista enforcada em um tronco na entrada da cidade três dias depois de desaparecida. No mês seguinte, o terceiro e quarto ataque. Uma mulher de vinte anos cortada ao meio e o um adolescente de quinze anos com os olhos e dentes arrancados, deixado para morrer nos portões de Mortemville.

A polícia nunca encontrara provas concretas para condenar o acusado. A Lenda do Psicopata surtiu efeito na cidade depois que ele morreu tentando fugir da polícia. A cidade ficou em um clima tenso e medonho durante o ano todo mesmo depois de terem certeza de que o acusado estava embaixo da terra, em novembro de 1912. Porque sabiam que em Mortemville havia uma maldição e que essa maldição jamais deixaria o Psicopata longe das famílias que viviam naquelas terras. Ele voltaria um dia…

MORTEMVILLE, 100 ANOS DEPOIS

— O pai de vocês quer conversar...com todos os quatro! — Anunciou Karina para os jovens na biblioteca. Sabrina e Will estranharam, mas respeitaram a decisão de Thomas, já que estavam em sua casa. Da biblioteca eles acompanharam a mãe dos Nikaly até o salão de jantar onde o pai lhes esperava na ponta da mesa, como se fosse um jantar amistoso. Todos se sentaram juntos, tensos.

— Vocês não sabem, mas a família Nikaly representa boa parte de Mortemville por ter sido uma das fundadoras. O sangue de vocês, assim como o meu, tem DNA do próprio inferno a partir de um ritual que Morgana realizou com suas duas irmãs, Meg e Marcelle, as…

— ...famosas Bruxas de Salém.— Completou Will. Todos lhe fitaram apreensivos. — Aprendemos isso na escola. História de Mortemville.

— Quando os Nikaly vieram para cá junto com os Hernandez e os Darkson fugindo da igreja trouxeram consigo suas bruxarias e maldições. É por isso que a cidade é amaldiçoada.

— Depois as três famílias fundaram o ritual Rooge que adorava o satã supremo e condenava quem não fazia parte da seita.

— Centenas de pessoas morreram. E depois que a maior maldição caiu, coisas estranhas acontecem em Mortemville desde então.

— Mortemville ficou conhecida como…

— ...a personificação do Inferno na Terra! — Terminou Thomas.

— Então...tudo aquilo era real? — Perguntou Cynthia assustada.

— Tudo aquilo o que?

— Contamos para eles a lenda da maldição.

— E acabamos tentando invocar a Bruxa do Poço…

— VOCÊS O QUE? — Gritou Thomas. — Eu tive que fazer uma bruxaria em vocês para protegerem contra a seita que está tentando matar todos nós e vocês me fazem um ritual de invocação?

— Relaxa pai não aconteceu nada!

— E vocês acham que um demônio vai se mostrar para adolescentes como vocês? Claro que não. Quando menos esperarem, vai acontecer…

Os quatro se entreolharam.

— De qualquer forma nosso tempo é curto. Hoje é noite de Lua Cheia. É o dia em que os doze cavaleiros do inferno estão mais fortes e cavalgam perto da Terra. Aposto que a Seita usara disso para conseguirem o que querem.

— Nós precisamos ir embora, Will! — Disse Sabrina. — Daqui a pouco vai escurecer e…

— Vocês não podem ir! — Anunciou Thomas. — Não enquanto o espírito que invocaram se revelar.

— O que? Porque?

— Vai por mim, vocês não vão querer...

— Thomas! — Falou Karina que até esse momento estivera quieta apenas prestando atenção na conversa. — Precisamos queimar os objetos. Os objetos do sótão.

— Sótão? Nós temos um sótão?

— Ouse entrar lá e eu mesmo te mando pro Inferno! — Ameaçou Karina.

— Querida, queime os livros. Eu vou enterrar as outras coisas. Edward e Will venham comigo. São cinco e cinquenta. Temos dez minutos antes do pôr do sol. — Ordenou Thomas se levantando. Karina logo em seguida. — No porão tem água benta. Pegue e espalhe pela casa. Ninguém sobe no Sótão!



(***)

Por mais que o bosque fosse denso por conta das árvores sobrecarregadas de folhas, o som da enxada batendo na terra do lado das covas do cemitério abandonado era possível se ouvir de longe. Edward e Will cavaram até vinte palmos embaixo da terra e Thomas despejou todos os objetos da seita que encontrara no sótão. Os dois jovens tornaram a pegar a terra e jogar dentro do buraco. Depois que o fizeram, Thomas despejou um pouco de água benta e falou algumas palavras em latim.

Edward apenas observou, assustado e com a adrenalina percorrendo o corpo. Nunca virá o pai fazer algo do tipo antes. Ele estava agitado demais. E só ficará assim uma vez, quando seu pai, avô de Edward, Jonathan, morreu quando ele tinha nove anos e Thomas não pudera vir para o enterro.

— Pai, o que vai acontecer quando a Lua cheia brilhar?

— Sangue, meu filho...derramamento de sangue.

Na mansão Nikaly, nos terrenos do fundo, onde um pequeno jardim seguia florido, porém fúnebre por conta do tempo fechado no fim da tarde, Karina, Cynthia e Sabrina acumulava os livros e outros pequenos objetos que Thomas pediu para carbonizar. As duas meninas despejaram a gasolina sobre o pequeno monte de objetos e Karina jogou o fósforo. Como uma fogueira, tudo se incendiou em um piscar de olhos. Elas permaneceram ali por um tempo até que Karina despejou água benta em volta e retornaram para dentro da mansão.

(***)

Era quase uma da manhã quando a lua brilhou no céu. Eles já haviam jantado e esperavam juntos na biblioteca o pior. Do lado de fora, som de passos sincronizados foi possível ouvir exatamente a meia noite e cinquenta e sete. Como um exército se aproximando.

— Edward leve todos para o porão!

— Mas você disse…

— Eu sei o que eu disse, mas me obedeça se quiser sobreviver! Karina permaneça comigo.

E todos os outros correram para o porão. Edward foi na frente, mesmo com o coração pulando. Quando abriu a porta para o subsolo, a porta da frente tremeu. Estavam tentando arrombá-la. Tremeu novamente, dessa vez mais forte. Sabrina gritou e a atenção de todos se voltaram para onde ela estava olhando. Do alto da escadaria, uma criatura pairava sobre eles. Com olhos verdes e um capuz preto. Sem pensar duas vezes, Edward ordenou para que entrassem no porão e trancou a porta. Ele tirou um frasco de água benta que o pai lhe dera anteriormente e jogou na porta. Quando chegou no fim da escada, parou para olhar a expressão assustada de cada um.

— Eu falei para não mexermos com esse tipo de coisa. — Esbravejou ele, nervoso e com medo.

— Desculpa se eu só queria me divertir! — Rebateu Cynthia.

— Você tem problema mental se acha isso divertido.

— Calem a boca vocês dois!

— Edward! — Gritou Will e o jovem se virou rapidamente. Uma cobra enorme estava parada atrás dele. A pele de cobre e os olhos vermelhos. Ele gritou tão alto que sentiu a garganta doer. A cobra abriu a boca em uma ameaça e atacou em seguida se enrolando no herdeiro mais velho dos Nikaly.

O ar fora arrancado de seus pulmões e sentia a pele queimar. A cobra estava fervendo. Sentiu as presas dela, grande como um punho humano, pressionarem contra o crânio e por sorte Cynthia fora mais rápida e jogou água benta no bicho. Imediatamente ele soltou um ruído da garganta (se é que aquilo era uma garganta) e soltou Edward enquanto se debatia no chão. Will pegou uma tesoura de jardinagem e cortou pouco mais abaixo da cabeça da serpente. As duas partes caíram no chão, imóveis.

Por um momento, todos se olharam e respiraram. Edward abraçou Cynthia e fez um sinal com a cabeça em agradecimento à Will. A cobra começou a se mexer novamente e a tensão voltou. O medo passou para pior. Foi como se estivesse sendo corroída por ácido. A serpente começou a derreter e virar líquido, contudo, o líquido se mexia e borbulhava e uma forma começou a nascer disso. Os chifres foram os primeiros a aparecer. Depois os olhos vermelhos e a boca cheia de dentes pequenos e com quatro presas que saiam de dentro da boca. O resto do que seria o corpo se fosse algo vivo ficou escondido sobre uma espécie de capuz ou roupa lisa preta. Os ouvidos, nariz e olhos dos quatro jovens sangraram. Um som horrível se projetou nos timbres deles e depois tudo ficou surdo. A imagem do demônio diante deles permaneceu enquanto ele se mexia até começar a ficar escuro e tudo ficar preto. Ninguém conseguia ver. Mergulhados no preto, mas não desacordados. Sentiam, respiravam, se mexiam. Estavam surdo e cegos.

Lá em cima, Thomas e Karina rezavam em uma língua desconhecida enquanto os seguidores da seita invadiam a Mansão.

— Amor, fuja para o sótão. — Pediu Thomas.

— O que?

— Anda!

E ela obedeceu. Atravessou o hall de entrada e viu que eles estavam espalhados. Alguns invadiam a sala de jantar, outros subiam para o segundo e terceiro andar. Ainda no centro do alto da escadaria, uma aparição com olhos verdes pairava olhando em direção dela. Karina era uma mulher corajosa e reuniu sua força para jogar água benta sobre si, porém quando ergue a mão, uma força sobrenatural a jogou contra a parede em um voo rapido e mortal. Suas costas pateram com toda a força existente e ela sentiu um estalo forte que a tirou o ar dos pulmões e lhe deixou com a visão turva. No alto do hall, o lustre de cristal balançava violentamente fazendo barulho até que se soltou e voou na sua direção, sendo atingida por centenas de cristais.

Do centro da biblioteca, algo maligno surgiu do chão. O demônio que estivera no porão agora caçava Thomas. Ele jogou água benta sobre si, mas o ceifador abriu a boca e um vento quente e ácido lhe atingiu, evaporando toda a água que estava nele. Thomas reuniu força e gritou. Os livros da biblioteca voaram para o centro, atingindo a criatura com bastante força. Porém, o demônio estava forte demais e tudo virou uma grande fogueira. O ouvido do pai Nikaly começou a sangrar e ele sabia o que aconteceria depois. Como se fosse uma benção de Deus ele reconheceu o demônio.

— XAPHAN!

Os olhos vermelhos voltaram para Thomas com ira e mortalidade. A boca do monstro se abriu e sugou todo o ar que estava ali, formando uma câmera. Thomas começou a ficar roxo quando os pulmões gritavam por oxigênio.

Nesse momento, as portas da biblioteca estouraram e Edward entrou. O sangue escorria pelo rosto. O herdeiro Nikaly gritou algo em uma língua que nem mesmo Thomas entendia e Xaphan se contorceu. O fogo se espalhou pela biblioteca e o Sr.Nikaly desabou desacordado. O demônio desapareceu como se sugado por um ralo que levava para o inferno. A visão e audição dos garotos voltaram. No hall de entrada, a seita se reunia, prontos para lançarem a maldição.

Edward correu entre o fogo que dominava a biblioteca para salvar o pai desmaiado ao chão. Por pouco as chamas não lhe atingiram no caminho de ida, porém quando o pegou no colo, viu que a saída estava bloqueada pelo fogo intenso.

— Meu Deus, meu Deus, meu Deus! — Chorou ele desesperado.

Não havia outra maneira se não pular a janela. Ele pegou uma pilha de livros e jogou contra o vidro que se estilhaçou em um baque surdo. Passou o corpo do pai primeiro e depois saltou no exato momento em que uma explosão aconteceu.

Edward sentiu a pulsação do pai, lenta porém ainda vivo. O arrastou para debaixo dos arbustos e correu para dentro da mansão entrando pela porta da frente. Quando chegou lá, a irmã e os dois amigos estavam com uma touca preta sobre a cabeça e com os pulsos e tornozelos amarrados. Uma corda presa ao pescoço. O corpo da mãe jazia deitado no chão na frente dos jovens ajoelhados todo ensanguentado.

Antes que ele pudesse raciocinar o que estava acontecendo, alguém lhe raptou, colocando a touca preta sobre sua cabeça e uma dor aguda na coluna ele sentiu, caindo no chão enquanto era preso por cordas firmes. Sentiu no pescoço a terceira corda e foi arrastado para o lado da irmã. Ele sabia que era ela. Sentia sua respiração ofegante.

Como uma canção de igreja, os membros da seita entoaram palavras em outra língua. Uma língua que por algum motivo Edward sabia. A língua profetizada por Lúcifer quando caiu do céu. A língua usada no último inferno. Aquela que ceifava vidas.

Na porta, Thomas parou abruptamente quando viu o que estava acontecendo. Uma força sobrenatural o prendeu e o ergueu do chão. Thomas se mexia e junto com ele os filhos subiram se mexendo violentamente enquanto a corda pressionava cada vez mais contra o pescoço. Thomas gritou e chorou vendo os filhos sendo enforcados e a esposa se erguendo do chão como um ilusionista em um truque de mágica. Sangue espirrou para todos os lados quando o corpo de Karina se abriu sozinho e desabou no chão com força. A touca dos garotos caíram e ficou exposto os olhos brancos deles e o sangue que escorria da boca que começou a se abrir lentamente. Quando todos formaram um O grande, serpentes pretas saíram de dentro. Centenas delas. Atrás dos quatro, a aparição de olhos verdes ganhou forma. A maldição finalmente havia caído sobre a família Nikaly.

Thomas reuniu todo o seu poder, mas não conseguiu se desvencilhar. O demônio diante de si lhe encarava com ódio e tudo o que ele viu foi



Notas finais
SEGUNDA PARTE ESTREIA DIA 31/01/2019.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.