Morte por Borboleta
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Notas iniciais
Os joelhos estavam ficando dormentes por estarem a tanto tempo contra o chão, a água quente que lhe batia nas costas estava deixando a pele vermelha. O vapor era tão intenso que ele mal via a porta do boxe, não estava dentro de uma banheria, estava ajoelhado com a testa encostada na parede. Sua posição favorita pra pensar. Deixou mais alguns segundos a serem dedicados ao vazio. Estava cansado, com calor nas costas pela água quente, com frio na testa e nas pernas pelo chão e pela parede. Os choques de temperatura deliciosos, igual a dor das unhas cravadas no braço. As marcas avermelhadas logo acima da marca dos dentes. Pensou na mulher que amava, com o outro cara. Pensou no emprego do seus sonhos, que estava longe de alcançar. Se lembrou de sua familia, e desejou que todos morressem. Pensou nas noites cheias de sexo, em como não sentia mais prazer. Até mesmo a comida perdera o gosto. Esticou a mão e pegou a faca jogada ao canto. Repassou os passos. Se cortaria nos pulsos e sangraria até morrer deixando a água vermelha. Então seria a paz... do inferno dos suicidas.
Decidiu que não valia apena morrer por aquilo tudo, que a vida era um dom precioso e que muitos que não existiam ainda ou não existiam mais gostariam de ter a sua. Viu uma borboleta caida a um canto, ela se debatia na água. Até que parou, morta, afogada. Fora simples, fora rápido, dolorido, mas nada havia mudado no mundo havia? Então passou a faca nos punhos e deitou-se no chão, a água caindo no peito, a dor dos cortes no braço, que no começo eram para ser apenas um. Mas se transformou numa carnificina, não apagou da mente dele os dois ultimos pensamentos.
Ela morreu em vão porque ninguém quis ajuda-la, mas nem teve consciência disso teve? não pensou, só sentiu que morria e morreu...
Como eu queria ter sido aquela borboleta...
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