O detetive Alex Garcia estava na rua Getúlio Collor e procurava o número 968. Não foi difícil achá-lo, pois havia apenas duas casas na rua. Ele parou em frente ao portão e olhou para o jardim. A casa era toda cercada por altos muros e era enorme. Depois de um pequeno intervalo de tempo em que ficou observando o lugar, resolveu tocar a campainha. Aquela casa não combinava com o restante da cidade, que era pequena e cuja população pertencia em grande parte à classe média.

O homem foi recebido por Alícia. Esta manhã, ela vestia um longo vestido preto e usava um chapéu de cetim, devia ter o colocado para se proteger do sol quente que queimava já na manhã daquele dia de verão. Ela lhe disse:

– Bom dia, posso saber do que se trata?

– Vim a sua casa para conversar com o senhor Pedro Boston, ele está?

– Ah sim, por favor, entre.

O homem era baixinho, grisalho e devia ter uns sessenta anos. Ele era um detetive particular muito requisitado na região. Aliás, ele era o único que costumava atender naquela cidade. Pedro o chamara, pois queria conversar sobre o que se passava em sua cabeça e já que era assim, o detetive seguiu aquela charmosa mulher através de um gramado bem cuidado, onde se destacavam belas palmeiras e algumas flores em diversos arranjos.

Logo que entraram numa sala muito espaçosa e suntuosa, Alícia Boston pediu para que o homem sentasse, ficasse à vontade e aguardasse um momento para que ela chamasse seu filho. Depois de alguns segundos, Pedro já estava na sala, seu cabelo estava amassado e em seu rosto se viam olheiras. Meio incerto do que estava fazendo, pediu ao homem que o acompanhasse até seu quarto. Ao deixar o aposento, notou o olhar surpreso que sua mãe e sua prima trocaram, esta estava sentada ao piano e estudava algumas melodias.

Dentro do quarto de Pedro, onde não seriam incomodados, os dois começaram a falar.

– Senhor, vou ser direto com você. Meu tio morreu na véspera do ano novo e eu encontrei o corpo e chamei a polícia. Eles vieram aqui e fizeram a investigação. Estudaram o corpo de meu tio e pesquisaram nossos movimentos. Era uma cerimônia em família e como a mansão é bastante protegida e tem muros altos, a possibilidade de que alguém de fora da casa matasse meu tio é quase zero.

– Mesmo assim você acha que aconteceu um assassinato não é jovem?

– Sim, é verdade. A investigação da polícia da região leva à conclusão de que ocorreu um suicídio. A perícia esteve na casa e tudo indica que foi isso o que ocorreu. Mas durante uma conversa que tive com o delegado, duas coisas me chamaram a atenção. A primeira delas é que ele disse que as minhas digitais estavam na arma e eu não lembro de ter tocado nela. Aliás, sei que não fiz isso. E há mais uma coisa, que considero o principal motivo de tê-lo chamado aqui. Marcel, o delegado da cidade, disse na tarde de ontem para mim que o fator mais importante em um assassinato é o motivo que o causou. Acho que isso se aplica para qualquer morte e não só para assassinatos. Eu tenho certeza, detetive...como é mesmo seu nome?

– Alex, Alex Garcia. Por favor, prossiga. Do que você tem certeza?

– Eu tenho certeza de que não havia motivo para meu tio se matar. Ele estava doente, mas também parecia disposto a lutar contra a doença. E também me parecia um homem feliz, apesar de tudo o que aconteceu em sua vida. Eu, ele e minha mãe vivíamos bem e tranquilos. Ele estava até melhor nos últimos tempos, porque contratou uma equipe para ser responsável por seus negócios.

– Tudo bem, eu aceito investigar para você sobre como verdadeiramente ocorreu a morte de Aurélio. Fale-me, se quiser, da doença de seu tio.

– Bem, detetive, ele a descobriu logo após o natal com o Dr. Zimmerman. Tratava-se de um câncer de pulmão incurável, ele já tinha problemas de falta de ar há tempo, — os olhos do jovem ficaram lacrimejantes — mas nunca quis procurar ajuda médica especializada. Depois de saber sobre a doença, meu tio resolveu convidar seus filhos e sua mulher, da qual estava separado há mais de dez anos, para o réveillon. Desde que eles se separaram, ela mudou-se para outro país e ele não pôde ver novamente seus filhos. A briga entre os dois deve ter sido muito feia. Meu outro tio, irmão de minha mãe, também veio para a festa.

Pedro não quis dizer, mas era justamente essa parte da família que ele temia. Era inteligente, podia deduzir que o fato de seu tio ter muito dinheiro, e esse se converter em herança, era um bom motivo para um assassinato. Ele não sabia se Aurélio tinha um testamento. Certamente se existisse, viria à tona.

Na hora seguinte que se passou, o jovem estudante de medicina explicou ao detetive Garcia tudo o que ocorrera na noite em que Aurélio Boston Craig morrera. Suas palavras foram bastante parecidas àquelas que ele havia falado para a polícia na madrugada do dia primeiro. Ao final da conversa, o detetive Alex cumprimentou o jovem e aceitou trabalhar para ele, relatando para Pedro tudo que descobriria. A investigação seria iniciada o mais rápido possível.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.