Morte ao amor
1 O início do fim
Notas iniciais
Tudo o que eu queria era estar com minha querida Aurora, mas ela deve estar no braços de outro rapaz mais jovem e atraente.
Olho em volta confuso. O dia está mais frio do que de costume, e para piorar está sem luz. Não tenho mais dinheiro além das migalhas que uma mulher havia me dado quando me sentei fora de casa para relaxar, ela havia me confundido com um mendigo.
Sem trabalho, sem emprego, e as pessoas que um dia considerei amigos foram embora quando eu mais precisava. Volto a cozinha e pego a última garrafa de vinho e em um só movimento, enfio na goela todo o líquido que tinha um gosto amargo de solidão.
Continuo andando pela casa, que não era tão grande, fiquei observando os quadros e sentindo o perfume que ela havia deixado antes de sair. Lembro-me das vezes em que ela colocava seu perfume, e me beijava como nenhuma outra mulher havia me beijado antes. Seu perfume ficou comigo até hoje, e sei que continuará comigo pro reto da minha vida.
''Aurora'' Sussurro baixinho, como se ela estivesse ali, me ouvindo. Aquela casa era o ninho do nosso amor, cada canto era uma lembrança das nossas carícias, dos nossos beijos, das nossas transas e do nosso amor. Achei que iria ser para sempre sem saber que o para sempre, sempre acaba.
Sua boca carnuda tocando a minha, seu olhar inocente me hipnotizando, sua pele suave e seus cabelos ondulados que me deixavam louco quando ela os soltava. Sua beleza. Mas agora ela está longe de mim, longe daqui, longe de tudo enquanto me afogo num mar de lembranças e ilusões.
Seguro a garrafa com força, e o jogo contra a parede na intensão de me sentir aliviado, mas isso só aumentou minha dor. Vou até o quarto e pego o seu retrato em cima da prateleira, e antes que eu saísse do quarto várias memórias invadem minha mente. Aquele era o NOSSO lugar, como você dizia toda vez que eu me irritava em dormir no sofá: ''Essa é a minha cama, mas esse é o nosso lugar...!''.
Rio sozinho ao relembrar você gritando, sua voz tão doce e meiga tentando parecer rude, mas era impossível. Você parecia ser doce em todo momento.
Tenho certeza de que nunca irei amar alguém como eu a amei, tenho certeza de que nunca irei amar outra vez. Enxugo as lágrimas do meu rosto e vou até o elevador, decidido. Fico imóvel sem mostrar nenhuma emoção, mesmo lacrimejando.
Apenas três pessoas entraram no elevador, e entre elas havia uma criança que segurava um balão azul. Enxuguei minhas lágrimas tentando não mostrar remorso, por sorte a criança não percebeu pois estava distraída com seu balão, mas os outros me ignoraram de forma fria como se eu fosse um lixo.
Todos eles desceram no nono andar, sobrando apenas a criança e eu.
- Por que o sr tá chorando, tio? — Ele perguntou inocentemente ao me ver enxugando o rosto. Ignorei sua pergunta e continuei a olhar o nada. Quando cheguei no décimo andar, ele veio atrás
- Tio, por que o sr tá chorando? — Ele repetiu a pergunta com mais entusiasmo, mas o ignorei novamente. Quando subi no degrau, encarei o chão e senti um forte arrepio enquanto o vento batia de leve no meu rosto. O menino parecia assustado, e quase berrando ele perguntou:
- OQUE VOCÊ VAI FAZER?? — Me virei para ver sua expressão de medo, ele parecia assustado. Engoli o choro e forcei a voz para sair algo
- O amor não existe, garoto. Nada nesse mundo é real, nada é eterno. Tudo o que fazemos é perda de tempo. A vida não faz sentido algum, não existe amor!! — Ele parecia ter só 10 anos mas também parecia compreender o que eu dizia. Ele fez silêncio, esperando que eu falasse mais — O amor nunca existiu, ninguém nunca te amou de verdade. Tudo isso é uma grande mentira... — Fiz uma pausa enquanto as lágrimas caíam sem parar no meu rosto — MORTE AO AMOR!! — Dei meu último grito de guerra, enquanto abria meus braços lentamente contra o ar, caindo para trás. O garoto soltou seu balão e pós seu roto para me ver cair. Como último ato, sorri.
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