Morte Justa
4 Um dia com Alexander
Notas iniciais
Eu abri os olhos devagar, quando vi não estava mais naquela rua. Estava em um local fechado, estou deitada em uma cama confortável e grande, Melanie está dormindo ao meu lado. Me sentei, entontei na hora, assim que a tontura passou sai da cama, caminhei até a porta, que era grande, o quarto todo era branco, os moveis eram todos cheios de detalhes, era tudo muito delicado e bonito.
Sai do quarto, caminhei um pouco, estava tonta, minhas feridas já tinham se fechado, meu corpo estava precisando recuperar sangue. Quando dei conta estava caída no chão, me levantei, olhei ao redor e vi alguém caminhando em minha direção, estava longe, por isso não soube na hora quem era.
– O que raios você faz andando sendo que não pode... — Era Alexander.
– O maldito escapou... Você lutou tão bem. Está escondendo algo de mim?
– Todos sempre escondem coisas, Charlotte...
– Tem razão. — Começamos a caminhar novamente, estávamos indo na mesma direção do quarto que vim.
– Você é gostosa.
– Calado, tarado.
– Não resisti. — Ele riu.
– Idiota. Ela... Você cuidou dos ferimentos dela?
– Claro. Está tudo bem agora. Podem ficar o tempo que precisarem, aproposito, meu quarto é aqui do lado, se quiser eu te mostro ele. A cama é bem confortável.
– Você é realmente um tarado.
– É fazer o que...?
– Parar de me tarar seria um começo.
– Eu não quero.
Eu bufei, que cara chato. Chegamos ao quarto e Melanie permanecia adormecida.
– Ela não devia ter lutado, está ferida por minha causa.
– Deixa de ser idiota, ela lutou porque quis, ela lutou porque queria te ajudar, isso é amizade verdadeira.
– E você?
– Eu?
– Por que me ajudou?
– Talvez eu te ame. — Eu olhei para ele com uma expressão clara de desgosto e pensei "Ele deve ter problemas mentais", ele riu. — Ou talvez eu queira seu corpo nu.
– Uma hora maduro, a outra um completo babaca, você é confuso.
– E você se faz de difícil, mas sabe que eu sou uma delícia.
– Cara, cala a boca. — Melanie disse, tinha acordado, finalmente.
Não me contive e soltei uma risada.
– Como se sente? — Alexander perguntou.
– Como uma pessoa, que foi quase cortada em dois, pode se sentir?
– Está melhor? — Eu perguntei naturalmente.
– Acho que sim. Os cortes fecharam, mas acho que se eu me mexer bruscamente eles abrem. Mas o que aconteceu, depois que eu fui lançada não vi mais nada.
– Quase fui morta, e o bonitão me salvou. Oh, meu herói. — Disse ironicamente.
– Ele?
– Eu. — Alexander sorriu.
– Mas, ele não é um humano?
– Vocês vão falar de mim na terceira pessoa?
– Não sei mais o que ele é.
– Ei, eu estou aqui.
– Mas você não sente nada de diferente?
– Eu vou abaixar as calças se não pararem de me ignorar.
– Não senti nada. E não é como se eu nunca tivesse visto um pênis, Alexander.
– Amém, falou comigo.
– Slendy e os outros devem estar preocupados, Lotte. Temos que avisa-los.
– Não, eles viram atrás de nós. Quando você estiver recuperada nós vamos.
– Está certo... Lotte... Queria me aproximar mais dele, como era antes.
– Mel... Eu tenho certeza que ele lembrará de você. E se não lembrar, conte. Descanse.
– Mais tarde vamos comer algo. — Ele disse, sorrindo em seguida.
Alexander e eu saímos do quarto.
– Vamos no meu quarto?
Revirei os olhos, ele nunca muda.
– Tanto faz, só vamos deixar ela descansar.
– Opa, já senti uma chance.
– Eu vou te chutar... na cara.
– Não curto masoquismo, mas se você quer...
– Calado.
Ele sorriu. Francamente, que irritante.
– Quer dar uma volta?
– Eu não tenho muita escolha.
– Não tem nenhuma escolha. — Ele pegou na minha mão e correu comigo até o andar debaixo.
Acompanhei-o sem saber o que se passava naquela cabeça oca. Quando vi que ele me levou até o jardim, era lindo, tinha um chafariz enorme. Fiquei encantada com tudo, era tão coloridos, uma variedade incrível de flores, arvores.
– Aqui é tão lindo.
– Gostou mesmo?
– Claro, meu jardim é algo parecido.
– A grama aqui é bem fofa e confortável.
– Sério? Pensei que queria me mostrar o jardim mesmo. — Dei as costas para ele irritada.
– Só estou brincando. — Ele me abraçou por trás.
– O que está fazendo?
– Te abraçando.
– Eu não quis dizer isso...
– Eu sei.
– Mas o que...? — Virei a cabeça para olhar a cara de babaca que ele fazia.
Ele me deu um beijinho na bochecha.
– Esqueça ele e fique comigo.
– Esquecer... — Fiquei corada, e ao mesmo tempo meu coração se apertou.
– Estarei te esperando. — Ele me soltou e foi para dentro de casa.
Fiquei ali, parada, pensando repetidas vezes no que ele havia me dito. Eu me lembrei de quando disse que ia me afastar de todos os homens, que ia ficar sozinha, assim não faria mais ninguém sofrer. Agora estou com medo novamente.
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