Notas iniciais
Faz um tempinho que não posto, estou escrevendo TDA, não sei quando fica pronto, ta faltando inspiração. Alexander vai ser um personagem bem misterioso, aguardem tretas :v

Estava em aula, eu já tinha visto tudo aquilo, todas aquelas matérias, todo aquela mesma chatice, eu estudei em todos os séculos que pudesse se imaginar. E quando bateu o sinal para a terceira aula me levantei, indo para minha próxima sala. Assim que me sentei senti uma aura pesada, que me olhava fixamente, não era a primeira vez que eu tinha sentido aquele tipo de aura. Virei a cabeça lentamente até os olhos que me observavam, era um garoto — nada comum — a aparência dele era extremamente atraente.

Cabelos cinza claro, olhos azuis. Até por cima da roupa dava para se notar o quão forte era. Usava uma calça de couro preto — que não era colada, mas parecia apertada, acho que era por culpa dos músculos — uma camisa de mangas curtas básica — branca — e botas de couro preto também. Tinha lábios não muito carnudos — quase da cor de sua pele, apenas avermelhado por dentro.

Nos encarávamos, já estava prevendo uma briga. Não sabia se ele me encarava por causa da sua verdadeira aura, ou se estava admirado com minha beleza, acho que ele pensava o mesmo.

Passamos a aula toda nesse jogo, eu queria começar logo o meu jogo. Mas antes tinha que dar um jeito nele. No intervalo meu amigos vieram até mim, estava tudo bem até que Jeff disse:

– Quem é o branco ali?

– Branco? — Eu respondi com inocência.

– O cara de cabelos brancos.

– Não faço a menor ideia.

– Eu vi que vocês se olharam a aula toda.

– Ele me encarou, só retribui. Alem do mais, desconfio de algo.

– O que?

– Vou confirmar, depois os informo.

O garoto me encarou novamente e se levantou, estava tão na cara que ele queria dizer: "Siga-me".

Me levantei tranquilamente, e caminhei em direção a ele. Melanie manteve todos na sala, ela também tinha reconhecido aquela essência.

Ele subiu as escadas, quando vi estávamos no terraço.

– Você entendeu bem meu olhar. — Ele disse, tinha uma voz forte e bonita.

– Claro, pois você não foi nada discreto.

– Como pode isso...?

– Hum?

– Você. Por que é tão linda? Quer dizer... Demônios costumam ser medonhos, o que há de errado com você? Quer dificultar meu trabalho?

– Você deve estar se referindo aos demônios da plebe. Sou pura, real.

– Um verdadeiro pecado...

– Não faz mais sentido para você? Se papai era o anjo mais lindo do paraíso, e mamãe a segunda mais linda, eu só podia nascer assim.

– Papai era o anjo...? Filha de Lúcifer e Aileen! Já ouvi falar das histórias, nunca pensei que fosse real.

– Agora me diga que você não vai querer me atacar. Seria triste ferir um rostinho tão bonito como o seu.

– Ta brincando? Seria uma chance incrível.

– Você não pode comigo, caçador de demônios.

– Não quer nem saber o meu nome?

– Se faz questão de falar.

– Alexander King, e você é Charlotte Walker Evans. Correto?

– Certamente. King... Sua família toda é de caçadores de demônios, né?

– Sim. Já ouviu falar...?

– Claro, impossível não notar, principalmente pela cor de seus cabelos. — Sorri, meus olhos ficaram vermelhos e com as pupilas finas.

Ele avançou rapidamente para cima de mim, não usou nenhuma arma, apenas sua força bruta. Ele golpeava muito bem, mas eu já tinha muita experiencia com lutas, além de saber Boxe e Kung-fu, essas habilidades misturadas se tornam perfeitas juntas.

Ele ergueu o pé para me chutar no ombro, segurei seu pé com uma mão, então virei-o para o outro lado, levemente para machuca-lo — mas não quebra-lo. Em um breve momento me descuidei e ele socou minha barriga com força.

– Nada mal... Garoto. — Cuspi sangue.

Fechei a mão em um punho, e soquei seu peito. Ele ficou com falta de ar, cambaleou para trás e assim que recuperou o folego, voltou a me atacar. Nossos movimentos eram tão rápidos que se sincronizaram.

Em um breve momento chutei seu rosto, mas ele bloqueou com as duas mãos. Ele ofegava, então me afastei.

– Já está bom. — Meu sangue evaporou.

– Estava apenas me testando, não é?

– Se eu quisesse o matar já teria feito.

– Não usou nem metade da sua força...

– Isso não é importante, até mesmo para um humano você tem uma força incrível. Tem meu respeito.

– Eu nunca tive a chance de conversar com um demônio, normalmente eles só grunhem e gritam, pelo menos os que eu cacei.

– Entendi, só caça os que estão perturbando a ordem natural dos humanos.

– Exato. Pode me responder uma pergunta?

– Sim.

– Vocês amam?

Essa pergunta me chocou um pouco, fazia só dois meses que Sebastian se fora.

– Sim, não importa o quão frio pareça, todos amam, até os que grunhem. — Eu dei um sorriso leve, quase mostrando sofrimento.

– Desculpe. — Ele me se aproximou de mim e me abraçou de um jeito confortante.

– Isso é muito irônico, um caçador de demônios abraçando um demônio.

– Se importa tanto com nossas diferenças?

– Então... Você não é meu inimigo?

– Não, nem pretendo ser.

Seu abraço tinha um calor protetor, isso me fez corar.

Notas finais
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