Morte Instantânea
1 Morte Instantânea
Eu brinco de ser gente.
Eu não sou nada.
E sou tudo.
Porque todas elas me quebram num piscar de olhos
A dor, a solidão, a insanidade, cada uma delas.
Meu mundo se transforma, como uma montanha.
Uma hora no alto, uma hora no baixo.
Mas não importa onde eu estou elas sempre me matam.
Não consigo mais mover meus pensamentos
Eles estão amarrados e amordaçados como meu lado da minha sanidade.
Não consigo me expressar é agonia demais.
Eu quero gritar, eu quero chorar, eu quero morrer.
Minha voz, não tenho mais, destruíram minhas cordas vocais.
Minhas lágrimas secaram há muito tempo, não posso mais senti-las em mim.
A vida parece uma eternidade como se eu não pudesse morrer.
Morte instantânea
Ela vem, ela me quebra, ela me devora.
Eu morro, eu apodreço, eu não sinto.
Eu vivo, eu sinto, eu fico louca.
Contraditório.
Sinto-me tão morta quando viva.
Morte instantânea
Eu já tive, eu já provei, eu já delirei.
Tão rápida que nem senti.
E quando me dei conta eu estava no rio de desespero.
Uma morta-viva.
Porque ainda me quebram, ainda sinto.
Quando quero arrancar tudo dentro de mim
E parece que as paredes de minha mente enclausuram isso mais.
Eu quero fugir, sempre fugindo.
Morte instantânea
Eu grito, eu me reviro do avesso.
Faço isso, loucura para chegar a terra do lugar nenhum.
Meu céu está vermelho.
Eu olho as coisas lá fora, um escarlate tão vivo.
Morte instantânea
Eu desejo novamente
De uma vez por todas
Eficaz, matante, indolor por sentir dor não surti efeito.
Cansei de sentir tudo arder, meu corpo fazer revolução
E no fim continuar na mesma prisão de minha mente.
Então eu durmo
Durmo complemente
Quando acordo...
Ah o céu ainda está vermelho.
Eu sinto o ardor
Eu tive mais uma
Morte instantânea.
Fale com o autor