Era noite... A lua cheia era a única coisa que iluminava a rua. Não havia estrelas. Estava frio, próximo aos 10°, ela estava ali andando o mais rápido que podia, algo a atormentava, sua mente não calava. Algo quente e sem cor escorria de seus olhos ate o chão gota a gota. Ela estava numa estrada bem movimentada. Seria fácil. Seria rápido. Talvez haveria dor. Mas o que é que tem? Ela não ligava para mais nada, ela olhou para seu lado, um, dois, Três carros passavam em alta velocidade. Ela olhou para o outro lado, um rio... Fundo, escuro, medonho... Não! O outro modo era mais fácil. Sim... Bem mais fácil, novamente ela olhou para a pista, um grande caminhão passava rápido, mas não rápido demais. Ela parou por um momento, em frente a uma poça d’agua, ela viu seu reflexo, triste, sem vida, horrível. Ela então se estremeceu com uma moto que passou bem ao seu lado, muito mais rápida que os carros. Agora era a hora, mas não haveria como voltar atrás depois, mas era a hora. Andou mais alguns metros a frente onde estava mais escuro, dificilmente alguém a veria, tirou um batom de seu bolso e passou em sua boca contornando-a de rosa claro. Agora ela segurava um pedaço de espelho que havia guardado em seu bolso. Pôs um pé na rua, olhou para a sua esquerda, um carro vinha em alta velocidade, ela tinha alguns segundo. Respirou fundo, e pedindo desculpas agradeceu à Deus por tudo de bom que ele a havia proporcionado, mas para ela bastava. Mais alguns passos à frente... E ela só sentiu o impacto, rolou pelo capô, parando na rua a poucos metros do carro, ouviu uma freada brusca logo ao seu lado, sentia-se um pouco tonta... Olhou para sua mão que segurava o espelho, que agora havia entrado entre seus ossos, mas ainda conseguia ver o seu refletir, agora ela estava feliz, com mais vida do que nunca, linda! Deu um suspiro vago, e com dificuldade, ouviu algumas vozes ao longe, e o frio dominava seu corpo. Ela riu, começou a rir sem parar. E então a escuridão veio até seus olhos, fechando-os.

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