Lá fora chovia forte, o vento soprava balançando as árvores, as ruas vazias expressavam a solidão de Elizabeth, que em seu quarto lamentava-se por ter nascido e procurava por apenas um motivo para continuar vivendo, se toda sua existência não tinha alegria.

Elizabeth passava as noites acordada observando os astros, procurando talvez no céu, a alegria para continuar sua vida sem rumo. Tinha apenas 17 anos, mas havia perdido a vontade de viver aos sete. Sentia que a sorte a abandonará ao nascer, já que nada em sua vida dava certo. A única coisa que a alegrava era escrever poemas para aliviar a dor de sua alma condenada ao sofrer.

Morava com alguns parentes que a maltratavam, o pai falecerá quando ela tinha seis anos de idade, sua mãe estava sempre trabalhando e era muito ausente em sua vida, a única irmã que tinha a tratava com desprezo e indiferença. Assim, desse modo, a doce criança tornou-se uma jovem amarga e solitária, além de fria. Era triste vê-la chorar, isolada em algum canto, quase não tinha amigos pensava sempre em se suicidar.

Certa noite observando as estrelas percebeu uma constelação e então, se apaixonou por Scorpions. Amou a constelação e, todas as noites quando a madrugada caía, Elizabeth saía para admirar sua paixão, seu único motivo de viver.

Como um ritual, todas as madrugadas ela ia até o lado de fora de sua casa e abria os braços esperando ser resgatada daquele lugar, depois escrevia mais um poema:

Vida, porque me torturas assim?

não quero continuar a viver

quero que minh'alma parta

e que meu coração pare de bater

Não posso mais suportar

essa rotina triste, esse sofrer

quero fechar meus olhos eternamente

deixe-me (por favor), morrer.

O cotidiano só me entristece

choro constantemente

Morte, leve-me contigo

feche meus olhos para sempre.

Se a vida já não tem sentido

e nada mais me alegra

Amada morte, leve-me contigo

estou a sua espera.

Mesmo sabendo que Scorpions jamais a resgataria, nunca deixou de cumprir todo o seu ritual. E apesar de saber que era loucura escrever para que a morte a levasse nunca cansou-se disso.

Parecia que quanto mais Elizabeth se apaixonava por Scorpions mais ela escrevia poemas e quanto mais ela escrevia, mais louca ficava e mais se apaixonava pela constelação que, obviamente não lhe retribuía aquele insano amor.

Voltemos então para o começo da história, a tarde chuvosa em que Elizabeth se lamentava por sua existência.

Nas noites anteriores não vira sua paixão, pois as nuvens não permitiam a vista das estrelas, mesmo sem ver a constelação ela escrevia. Este foi o último poema que fez para a constelação:

Amor da minha (curta), vida

por que me abandonas assim?

não percebes quanto te amo?

não me deixes única alegria de meu viver.

Luz que brilha em meus olhos

não torture mais minh'alma flagelada

é tua, a luz que me tira das trevas

Não me deixes chorando sozinha nessa fria estrada.

Brilho dos meus olhos castanhos, luz eterna

me leve contigo para onde for

acompanhe-me por toda minha vida

seja eternamente minha dor.

Nas noites que vieram após a chuva, o céu estava escuro, nem mesmo uma estrela brilhou. Isso fez Elizabeth enlouquecer. A pobre menina sentia seu seu coração doer de tanto amor, faltava-lhe forças para respirar, foi adoecendo, dia após dia, morrendo lentamente.

Uma noite quando já sentia o sopro da morte, arrastou-se até a varanda, e ao chegar deitou-se no chão, tão frio como seu coração quase sem vida , olhando para o céu chorou e quando já não suportava mais a dor da doença, cortou os pulsos e sangrou até morrer. Deixou apenas uma folha com o seguinte poema:

Este é o último poema que faço

pois a vida é triste e agoniante

anuncio aqui meu suicídio, minha morte planejada

para que quando descubram seja tarde e não se possa fazer mais nada

Não tenho forças para escrever muito

vou dizer apenas o que me vier à mente

antes que meus olhos se fechem

e minha respiração pare para sempre.

Meu coração arde por uma loucura

meus olhos choram ácido que queima minha face

escrevo esse poema com a esperança

de que a minha dor passe.

Acreditei em uma ilusão, me decepcionei

Acreditei que poderia ser feliz, acreditei na sorte

Acreditei na vida e me enganei

agora acredito apenas na morte.

Nunca achei que seria tão difícil escrever um poema

mas deixo aqui minha despedida

ponho fim no meu ÚNICO problema

dando adeus a minha (triste), vida.

Ironicamente, na noite após o suicídio de Elizabeth, o céu estava estrelado como nunca antes, e Scorpions brilhava mais que qualquer outra constelação que pudesse ser vista.

Parecia que Elizabeth estava lá, finalmente junto de seu amor.

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