Morte.
1 Morte.
XXIII-Morte.
A morte segue enfunada na sua face,
Acredita que chegou a hora de descase,
Perde os sentidos de quem se crê e que se faz.
A morte vem e lhe satisfaz.
Quem não quer que seja quem fosse e quem jaz.
A morte não vê e não corre atrás.
Perdidos os sonhos procuro no céu,
Sinal de esperança que destes por fio,
E agora é levado nas águas de um rio,
Meu amor, meu orgulho, minha vida,
Fissurada e tachada, perdida
No que acreditei ser querida.
A morte vem e descansa os olhos
Cansados de tanto sofrer.
À medida que a morte chega,
Coração para de bater;
E a escuridão domina,
E a escuridão evasiva,
Descansa também a alma
De quem cansou de viver.
Seguida por elos, correntes das tumbas,
Não há gritos nem tempestades;
Não há maus sonhos, nem más amizades.
Só o silêncio e o escuro dos passos,
Não há luz alguma, nem caminho,
Nem a escolha de seu próprio destino.
A morte vem e acalma o ego,
De quem cansou de chorar.
A morte vem e leva embora
Aquele que cansou de amar.
Dentre sorrisos e meios de vida,
Eis a vossa sina,
Se quiser escolha a calmaria,
Ou seja julgado por quem fora.
A morte que embalava outrora,
Não julga mais a partir de agora,
Percebe que o tempo não mais demora
E para ela também há de chegar.
Porém, quando a morte vem,
Não há quem não deixe de chorar.
A morte leva uma vida,
Mas outra vida há de deixar.
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