Mortal Love
7 Já estava na hora de se desculpar
Notas iniciais
Percy POV's
Annabeth aceitou minha ajuda com muito mau gosto e, ela devia estar feliz, pois não é todo dia que salvo — ok, foi só uma ajudinha — uma dama de um perigo terrível — perigo nenhum, eu sei também, mas quero me sentir o herói.
Estava voltando ao meu lugar, quando vi Clarisse empurrando os outros dois guargiões da bandeira para o chão e antes que eu pudesse detê-la, ela já estava escalando a árvore que estava com a bandeira fixa no tronco de modo bem visível.
Corri em direção a ela e joguei minha espada no corpo dela, achando que a acertaria, bem, é claro que eu não acertei, então eu não joguei bem no corpo dela, e sim do lado, o que fez com que ela prestasse atenção em mim.
– Ora, ora — Ela começou a falar, me encarando — Percy Estraga Tudo Jackson — Ela riu daquilo e continuou a escalar, pegando então a bandeira.
Tudo o que ela precisava fazer agora era levar a bandeira do meu time para a sua base, mas eu não deixaria aquilo acontecer e, antes que atingisse o chão, eu já estava com minha espada nas mãos, tentando golpeá-la.
Para se defender, Clarisse pegou sua lança e avançou-a contra mim, mas eu a desviei com minha espada, o que a deixou nervosa e fez com que ela avançasse de novo e com mais ferocidade, mas eu novamente desviei a lança, dessa vez com tanta força e habilidade, que consegui com que a lança 'voasse' para traz e se cravasse na árvore. Avancei então contra Clarisse e consegui atingir um pouco de seu braço, provocando um pequeno corte, mas ela conseguia se desviar bem, então começou a correr em direção oposta a mim, o que eu achei estranho, sendo que sua base era para o outro lado.
Ouvi passos rápidos na mata a meu lado e então Clarisse surgiu do meio do mato um pouco na minha frente. Ela só havia dado uma pequena volta por dentro da mata e eu não percebera aquilo.
– Obrigado, maldita lerdeza — Resmunguei, cravando a espada na terra.
Meus companheiros já estavam em pé novamente e correndo atrás de Clarisse, que gritava de alegria. Descravei minha espada da terra e corri atrás deles e logo ultrapassei meus companheiros. Eu estava tão perto de Clarisse, podia acertá-la com a espada e, foi isso que eu fiz. Agitei meu braço que segurava a espada em direção a ela e ela gritou de dor, derrubando a bandeira no chão, mas antes que eu ou alguém do meu time pegasse a bandeira, Chris, o namorado de Clarisse, pulou de uma árvore e pegou a bandeira, correndo em direção a sua base.
– PORRA! — Gritei.
Comecei a correr novamente, dessa vez atrás de Chris , puto da vida, pois eu estava fodendo com todo o jogo para o meu time e Thalia e Annabeth ficariam muito bravas comigo.
Estava começando a pensar que pegaria Chris e recuperaria a bandeira de volta, quando Thalia surgiu do meio do mato, olhando para trás e rindo de alegria, como se estivesse acabado de dar um "oléeee" em alguém, mas infelizmente algo aconteceu...
Trombamos e ela caiu, eu também, por cima dela.
Enquanto eu me levantava e ela também, ouvimos o grito de vitória do outro time e logo Clarisse corria para abraçar seu namorado Chris, que salvara todo o jogo deles.
– Por que você sempre tem que atrapalhar tudo? — Thalia gritou comigo, cerrando seus punhos e apontando sua lança prateada para mim — Mas que porra, Perseu Jackson — Ela me empurrou e eu caí em uma poça de lama.
Annabeth chegou logo atrás de Thalia, um pouco vermelha — deve que ela estava com vergonha por mim. Que amor -, cerrando os punhos e com os olhos petrificados — Acho que ela está com raiva de mim. É, deve ser isso.
– Percy, por quê? — Ela gritou comigo — Você parece não servir para nada mesmo a não ser comer vadias.
Eu estava prestes a me levantar, mas preferi ficar sentado naquela poça. Aquelas duas estavam tão bravas que eu tinha até medo do que poderia acontecer se eu me levantasse. O que Annabeth disse foi muito duro de se ouvir, mesmo eu sabendo que era a realidade. Eu tinha meus motivos para ser do jeito que era...
Resolvi me levantar, passando as mãos pela minha bermuda, para tirar um pouco da sujeira.
– Quando se tem uma decepção amorosa é isso que acontece — Comecei a falar, bem baixinho, só para as duas ouvirem. Eu estava encarando o chão, sem ter coragem de encarar aqueles pares de olhos assassinos — Mas acho que você é perfeita demais, tem uma vida tão maravilhosa, que nunca experimentou isso — Apontei para Annabeth — E acho que você é tão fria, que nunca nem experimentou e nunca vai experimentar. Às vezes até queria ser como você... Sem coração — Apontei para Thalia.
Terminei tudo o que tinha para falar e dei as costas para as duas, seguindo em direção ao meu chalé. Meu objetivo era tomar um bom banho e dormir até o outro dia e, no outro dia, não tentar encontrar com elas de jeito nenhum.
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Annabeth POV's
Eu senti pena de Percy quando ele se levantou e nem me encarou, falando aquelas coisas. É verdade que minha vida é perfeita demais e, talvez eu seja perfeita demais. Eu nunca tive meu coração partido antes e eu só parti corações de meninos por aí.
O jantar estava ótimo, eu estava sentada com Thalia e ela ainda estava muito brava por termos perdido a Captura A Bandeira por causa de Percy. A cada 3 palavras que ela falava, 4 eram xingando Percy e o culpando por tudo de ruim que acontecia em sua vida. Tudo o que eu tinha que fazer era concordar com a cabeça e fingir que estava ouvindo, mas o que eu realmente estava fazendo era prestar atenção nas outras mesas, nos outros lugares e nas outras pessoas, tentando descobrir onde Percy estava naquele momento. Em poucos minutos percebi que ele não estava lá.
Terminei de comer e disse a Thalia que iria dormir mais cedo hoje, pois o jogo havia me cansado, mas o que eu realmente iria fazer era ir até o chalé de Percy e ver se ele estava bem.
Fui até a ala de chalés masculinos e encontrar o chalé de Percy não foi nada difícil: O chalé dele era o único que estava sendo iluminado do lado de dentro e de fora e, também era o único que tinha uma pessoa na varanda.
– Bonita a noite, não? — Disse a ele, olhando para o céu e encarando as estrelas.
Ele não respondeu e então olhei para ele. Percy nem ao menos me olhava e agora ele estava diferente... Seu cabelo estava raspado dos lados e a parte do meio fazia um moicano meio bagunçado, agora eu também percebia melhor seu par de alargadores pretos e ele usava luvas pretas que apareciam os dedos, uma calça jeans rasgada e uma camiseta de manga rasgada da banda Matanza e, seus pés estavam calçados com um par de coturnos perfeitos de couro.
– Cortou o cabelo? — Perguntei a ele e ele revirou os olhos. É claro que ele tinha cortado o cabelo, sua anta — Ficou legal — Falei e ele deu um sorrisinho de lado, que logo sumiu de seu rosto — Olha, Percy — Comecei a me explicar e a me desculpar — Me desculpe por hoje mais cedo. A raiva subiu para a cabeça e eu não tinha noção do que eu estava falando...
Olhei para baixo e, quando voltei a encará-lo, ele me olhava com um brilho nos olhos, o que fez eu me derreter completamente por dentro. Aqueles olhos verdes mexiam mesmo comigo.
– Tudo bem — Ele deu de ombros — Tudo o que você disse não passa da mais pura verdade...
– Não pode ser verdade — Protestei e me sentei ao lado dele no último degrau das escadinhas que levavam até a varanda — Você não deve ser um babaca por completo — Dei um murrinho fraco e de encorajamento em seu braço — Qual é, Percy?
Ele me olhou e balançou a cabeça.
– Não sou bom em nada... Sou um dos piores alunos da minha sala, uma vergonha para meu pai e, faço coisas horríveis no meu trabalho... — Ele não disse as coisas horríveis que ele fazia, deixando um ar de mistério.
Pelo amor, que coisas horríveis um menino de 19 anos poderia fazer no trabalho?
– Trafica drogas por aí? — Perguntei a ele com um tom de ironia e ele fez que 'não' — Mata pessoas? — Eu ri e ele forçou uma risadinha — Mas é sério, me desculpe de verdade... Tudo o que falei foi da boca para fora — Conclui.
Percy deu de ombros e encarou o céu. A luz das estrelas refletiram em seus olhos, deixando-os mais vivos e mais lindos — E eu pensando que a perfeição não se aperfeiçoava mais — Eu o encarava e, quando ele sentiu meu olhar, ele virou-se para mim e tocou meu rosto com as pontas de seus dedos.
Correspondi a seu toque, fechando os olhos e colocando minhas mãos em seus pescoços e, antes que me desse conta, compartilhávamos um beijo.
Nossas línguas se acariciavam, tentando ganhar espaço dentro da boca um do outro, brigando por lugar. Suas mãos agitavam-se na minha nuca e seus dedos logo estavam se enroscando em meus cabelos cacheados, embaraçando-os, mas aquela sensação estava tão boa que nem me importei. Coloquei minhas mãos por dentro de sua camiseta e pousei-as em suas costas, percorrendo-as com as pontas de meus dedos e senti ele se arrepiar com meu toque, então continuei.
Após algum tempo, paramos de nos beijar e ficamos nos olhando, então apoiei minha cabeça em seu ombro e ele me acariciou e eu soube que aquilo era o início de um grande amor.

*Cabelo assim o do Percy*
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