Mortíferos
7 Capítulo VI – Conversando
Notas iniciais
Diferente das outras vezes, Sophie não fora sozinha para o Clube dos renegados, Thalia havia ido lhe buscar, o que era uma grande novidade.
— Não acredito que você ainda está aqui. Já passou das uma e meia da manhã, estávamos preocupados com você, garota! —Disse Thalia repreendendo Sophie
— Eu dormi demais ok? Estava cansada.
— Certo, anda logo. Quarto legal o seu. — Elogiou Thalia
— Obrigada, vamos? — Perguntou Sophie enquanto colocava sua túnica
— Vamos. Até que eu ficaria mais um pouco, lá está tão chato ultimamente! Mas chega de drama e vamos logo.
Ao chegarem à frente da “árvore”, Thalia encostou sua mão direita sobre ela e foi como se o tronco lesse suas digitais e lhe permitisse acesso.
Quando entraram, viram Sally e Lizzie andando de um lado para o outro da sala parecendo muito preocupadas.
— Aqui está ela, sã e salva. Só resolveu se passar por bela adormecida hoje e dormiu até mais tarde. — Anunciou Thalia.
— Ainda bem! Achávamos que havia sido pega. — Exclamou Sally aliviada indo abraçar Sophie.
— Calma gente, não é pra tanto. — Sophie disse tentando tranquiliza-los
— Uma vez uma garota que fazia parte do nosso clube não veio, e resolvemos não dar tanta importância por seu sumiço. No outro dia recebemos a notícia de que ela havia sido pega e colocada na instituição. — Disse Sally com os olhos marejados — Não quero que isso aconteça com você.
— Me desculpe. Não me atrasarei mais. — Assegurou Sophie.
— Está bem. Vamos para o jardim, Sophie? — Perguntou Lizzie com olhos pidões.
— Tudo bem se eu ficar aqui dentro hoje, fofa? — Perguntou a Lizzie com receio de magoá-la.
— Certo então. Tchau, Sô. — Disse Lizzie correndo em disparada para o jardim sendo perseguida por uma Sally repreendedora.
Sophie se dirigiu ao parapeito da janela próxima da cozinha e foi seguida por James. Aquele garoto parecia um ninja, mal o viu durante o mês que ficou no clube. Ele parecia gostar de ficar sozinho na maior parte do tempo.
— Por que não foi olhar para as flores hoje? — Perguntou James com um tom irônico.
— Fala sério! Até você?
— Assuntos se espalham rápido. — Disse ele dando de ombros.
— Certo, porque veio falar comigo? Você nunca fala com ninguém.
— Sei lá. Por que eu quis, talvez?
— James, a gentileza em pessoa — Sophie disse com um tom irônico.
— Eu mesmo. — Disse ele ironicamente também.
— A Sally me contou sobre a instituição. Você veio de lá?
— Por que quer saber? Você é muito curiosa garota. — Disse ele aumentando um pouco seu tom de voz.
— Calma aí, só queria saber como realmente é estar naquele lugar.
— Está bem, desculpe. Eu não gosto de me lembrar daquele lugar. Desenvolvi o poder quando tinha três anos, meu pai fazia parte do exército nacional, e como os soldados deste lugar são proibidos de regressarem para casa antes de um determinado tempo, era só eu e minha mãe. Quando ela soube, ela não se aproximava mais de mim, parecia apavorada, e com razão, eu era muito temperamental e podia acabar a matando. Ela me mandou para instituição quando eu tinha oito anos. Como eu era novo, ficava apenas trancado em um quarto, mas com o tempo comecei a fazer alguns trabalhos por lá.
Mandavam-nos construir coisas, limpar a instituição e outras coisas. Se desobedecêssemos, éramos punidos com tortura. A instituição bloqueia os poderes de qualquer mago, fazendo assim, ficarmos indefesos. No dia em que fugi, estava havendo um evento, o rei estava lá para “nos dar uma olhada”, como ele dizia. Esse é o único dia em que os portões são abertos. Houve uma confusão e várias pessoas aproveitaram para fugir, alguns foram pegos, mas eu não. Fiquei vagando pelas ruas por alguns dias, até encontrar o Alec, ele me avisou sobre o clube e desde então vivo aqui.
— Minha guardiã morreu há uns meses, até agora não comentaram sobre eu ir para a instituição, mas de qualquer forma, já sei da existência desse lugar, felizmente. — Disse Sophie ainda um pouco comovida com a história de James.
— Felizmente. — Concordou ele.
Fale com o autor