Notas iniciais
Hey, galera! Boa noiteeee
Feliz? É, estou um pouquinho mas enfim... aqui está o capítulo, ficou bem grandinho mas tá bom
Nossa Nessie tá ficando mocinha gente, bom, crescer fisicamente ela cresceu mas suas emoções de gente grande estão vindo a tona...
Boa leitura

Os dias foram passando e eu ainda tinha certo receio de fazer o que planejava secreta e cuidadosamente. Papai não podia jamais descobrir isso em meus pensamentos, ou talvez isso até facilitaria mais as coisas mas também podia fazer com que Jacob perdesse a cabeça e eu perdesse os olhos e o cérebro.

Tentei manter os pensamentos o mais inocentes possíveis até que tivesse coragem para fazer o que pretendia.

- Tio Emmett, gostou da minha roupa? — perguntei á ele enquanto estávamos em meu quarto pela manhã, nos divertindo com Rose, a cachorrinha

A roupa que eu usava era a mesma que implorei para mamãe comprar e que ela disse que papai iria odiar. Titio sorriu para mim em aprovação e então o abracei, com certeza ele seria meu aliado caso o senhor Edward Cullen resolvesse me matar quando colocasse meu plano em prática, se bem que meu tio nem sabia do plano.

- Sabe, tio, eu tava conversando com a minha mãe há uns dias. A respeito de eu ir para o colégio com o Jake, o que você acha?

- Colégio? — falou ele erguendo uma sobrancelha — Mas, princesinha, você nunca saiu de dentro de casa. Nunca ficou longe da gente. Não que eu esteja te ofendendo mas não sei se você se adaptaria aos humanos.

- Eu sei disso mas eu acho que não é certo que eu viva sempre escondida do mundo, se nem vocês vivem assim, por que comigo tem que ser diferente? Eu tenho vontade de conhecer outras pessoas. Não se lembra na manhã de natal na clareira quando tio Garrett fez aquele discurso e disse que eu me socializo com mais facilidade do que você?

- Sim, lembro. — ele disse e rebateu — Mas também se lembra que a condição imposta para que nos deixassem em paz foi que você permanecesse escondida do mundo humano?

- É, eu lembro, minha mãe falou a mesma coisa quando mencionei o colégio com ela. — murmurei desapontada — Mas eu não acho que eles vão voltar, e mesmo assim esse seria já o último ano do colégio e então eu voltaria a ficar em casa. Eu só não quero passar esse ano sozinha em casa com você — ele fez um biquinho, interpretando uma criança triste e sorri rolando os olhos — Não que eu não goste de ficar com você mas é que ... — me aproximei dele e sussurrei em seu ouvido, temendo que um certo pai coruja estivesse por perto ouvindo porém se ele quisesse saber o que se passava, não precisaria se esconder atrás da porta — ... eu acho que tô começando a gostar do Jake de uma outra forma.

Ele arregalou os olhos espantado ao mesmo tempo que um sorriso malicioso se formou no seu belo e assimétrico rosto pálido

- Então quer dizer que a minha princesinha tá apaixonada pelo cachorro. — ele meditou e lhe soquei no ombro, logo me arrependendo devido a dor momentânea que aquele gesto causou em minha mão que instintivamente, embrulhei com a outra, massageando — Desculpe, escapou.

- Não faça mais isso. — o repreendi imitando da melhor forma possível a expressão séria que meu pai fazia quando ficava chateado com alguma coisa — Mas sim, eu sei que estou sentindo alguma coisa por ele, o problema é que todos achavam que eu não ia crescer tão rápido assim e o Jake estava disposto a esperar sete anos para que pudéssemos ser mais do que como irmãos e de repente estou assim.

- Deixa eu te perguntar uma coisa. — ele falou e então limpou a garganta antes de prosseguir — Você está tecnicamente adulta há pouco mais de uma semana e parece que tem oitenta anos, digo, você fala de sentimentos e tudo mais como se fosse tão experiente quanto qualquer um de nós.

- Eu não sei, tio, ainda é tudo muito confuso e complicado pra mim. — respirei — Não é fácil deixar de ser criança tão rápido assim, minha mente e meu coração parecem estar fora de sintonia.

- Quer que eu peça pra sua tia Rose conversar com você sobre isso? — ele ofereceu gentilmente e igualmente neguei com a cabeça e ele compreendeu, assentindo um par de vezes — Olha, eu posso não ser a pessoa mais indicada pra te ajudar nesse assunto e também pode parecer clichê mas acho que você deve seguir seu coração ... — ele fez uma pausa — ... por mais que diga que ele está fora de sintonia com sua mente.

Talvez essa última parte tenha sido uma frustrada piada que ele tentara encaixar mas para não o deixar sem graça, apenas sorri concordando.

- Quer que eu saia? — ele indagou quando o silêncio parecia estar desconfortável mas balancei a cabeça negativamente, a companhia dele era boa e me deixava tão tranquila quanto se estivesse com tio Jasper — O que vai fazer?

- Sabe... — passei a mão pelos cabelos — ... há uns dias eu conversei com a minha mãe sobre isso que estou sentindo pelo Jake e ela disse que teríamos que conversar com meu pai a respeito disso. Mas ela também falou que até essa conversa chegar eu posso começar a me aproximar do Jake, como passar mais tempo a sós com ele, pegar na mão dele, essas coisas. E me sinto determinada a fazer isso... pelo menos até eu ver ele, não sei porque, perco a coragem.

- Perde a coragem ou fica com medo do seu pai? — tio Emmett substituiu minhas palavras, que caíram perfeitamente em contexto com o que eu queria dizer — Olha, Nessie, todos sabemos que seu pai tem aquele jeito turrão e chato mas acredite no seu tio quando digo que ''o monstro não é tão feio quanto você desenha''.

- O que isso quer dizer? — perguntei juntando as sobrancelhas

- Eu também não sei ... — ele torceu os lábios — ... seu avô me disse isso uma vez e até hoje tento descobrir o que significa.

Só esse grandão para me divertir naquele momento, mais uma vez eu o abracei e dessa vez fiquei sentada ao seu lado em minha cama. A cachorrinha Rose deitada, com metade do corpo em meu colo e a outra metade, na coxa esquerda dele.

Após alguns minutos, Rose começou a abanar seu fofo rabinho em curva e então pulou de nosso colo e ficou encostada na porta, que estava fechada, latindo alegremente.

- O que será que ela quer? — perguntamos juntos, quase num oníssono e então nos entreolhamos

Levantei da cama e abri a porta para que Rose pudesse sair, em segundos ela correu toda contente pelo corredor e desceu a escada de uma forma que me deixou como manteiga derretida, pulando cada degrau com as patas juntas, temendo cair.

Com a mão, acenei para que tio Emmett me seguisse e então fomos atrás dela, ao chegarmos na sala de estar uma surpresa tomou conta de todos que também estavam curiosos pela euforia de Rose.

Ela brincava feliz no chão com um outro cachorrinho, de porte semelhante ao dela, era um pequeno pastor alemão. Os dois rolavam por cima um do outro e tive certeza de que se conheciam.

- Parece que ela tem um companheiro. — vovô falou com um singelo sorriso, ele abraçado a vovó, ambos encostados na parede perto dos dois pequeninos brincando

- Mas num lugar tão frio... — papai adicionou — ... como podem sobreviver num lugar tão frio. A menos que eles pertençam a alguém que mora na cidade.

- Devem estar perdidos. — Jake disse — Ele deve ter vindo da floresta, ela nos achou e ele foi farejar os rastros dela que o trouxe aqui.

- Mais um cachorro? — tia Rosalie protestou — Isso aqui é uma casa com vampiros, e um transmorfo e uma híbrida e não um canil.

- Rose! — vovó a repreendeu mas ela ficou ainda mais irritada quando a cachorrinha atendeu ao chamado

Todos prendemos o riso para não ouvirmos gritos pelo resto da tarde. Titia deu as costas, subindo para seu quarto. Olhei para tio Emmett e ele acenou com a cabeça e então foi atrás dela.

- Vamos ficar com ele? — perguntei á vovô, fiz o olhar mais esperançoso que consegui e ele assentiu — Eba, agora é só torcer pra que ninguém jante eles.

Ele riu divertido então todos voltaram ao que estavam fazendo e aproveitei para seguir Jake para a varanda, ele se sentou sozinho numa das cadeiras de madeira trançada, de frente para o córrego.

- Se importa se eu ficar aqui? — perguntei já me sentando na cadeira ao seu lado e trocamos um sorriso

- Claro que não. — falou e então parou de olhar o córrego para olhar á mim, meu rosto, meus olhos — Você foi mais rápida do que eu esperava.

- Acho que mais rápida do que eu mesma esperava. — concordei e olhei rapidamente para trás, através da janela de vidro e vi que quase todos estavam ali na sala — Quer dar uma volta comigo? — sugeri já levantando, saindo da varanda e descendo os poucos degraus de pedra até o gramado

Jake estava apenas um passo atrás de mim, nós fomos caminhando pela grama até a beirada do córrego, onde quase insignificantes respingos atingiam-nos. Quando já estávamos na entrada da floresta, estendi á ele minha mão que foi envolvida por sua quente e grande.

Os primeiros minutos do passeio foram agradavelmente silenciosos, pude perceber que conforme ficávamos de mãos dadas eu não sentia mais a temperatura de Jake com tanta intensidade. Para não estragar o momento, preferi ficar calada quanto a isso.

- Como você tá lidando com tudo isso? — perguntou sem tirar os olhos do céu nublado — Toda essa mudança.

- Está sendo complicado mas acho que já tô me acostumando. — falei num fio de voz que ele quase não pôde ouvir — Sabe, Jake, eu andei conversando com a minha mãe e com meu tio e também queria saber a sua opinião sobre a ideia de eu ir para o colégio com você esse ano.

- Ir para o colégio comigo esse ano? — ele repetiu minhas palavras, meditando — Você sabe que seu pai e seu vô não vão gostar nem um pouco desse assunto. E mesmo porque é apenas um ano, Carlisle prometeu pro meu pai que eu terminaria os estudos mesmo longe de casa.

- Eu sei que é só por um ano, por isso mesmo que quero ir com você, tanto pra ficar ao seu lado como pra aprender mais sobre os humanos. — quando mencionei querer estar ao lado dele, pude perceber um discreto sorriso de orgulho se formando em seu rosto — Meu tio disse que isso não daria certo mas se a questão fosse para uma votação eu sei que ele me apoiaria, e você?

- Claro que eu te apoiaria... — falou olhando em meus olhos — ... te apoiaria em qualquer coisa. Estarei sempre ao seu lado, apoiarei você, cuidarei de você, lutarei por você... qualquer coisa por você.

Eu não esperava por aquilo, foi como um soco mas um soco que eu quisesse porém não esperava. Minhas pernas quase falharam naquele momento mas me mantive firme e assenti sorrindo.

- Jake, muitas vezes quando estou no meu quarto a noite... — mudei de assunto ao notar que provavelmente eu estava vermelha como um tomate — ... eu me lembro daquela manhã de natal na clareira, com os Volturi. Eu fico pensando na história que Aro disse sobre as Crianças da Lua e o fato de você e os outros de La Push não serem lobisomens de verdade. Quando ele disse que se quisessem poderiam se transformar em qualquer bicho como um avestruz ou uma raposa, pantera, pássaro, enfim.

- Mas porque fica pensando naquele dia? — perguntou de uma forma que cheguei até a pensar que ele estaria falando consigo mesmo

- Não sei, talvez pela falta do que fazer eu fico lembrando de tudo o que foi falado naquele dia e a história sobre os lobisomens e transmorfos é o que mais me ocorre, até dou risada quando penso que na sua primeira transformação você poderia ter virado uma formiga por exemplo e então teria que ser para sempre uma formiga.

- É. — ele riu á si próprio — Mas seu pai explicou que tanto eu como os outros em La Push nos transformamos em lobos por causa de nossos ancestrais que eram descendentes diretos dos verdadeiros lobisomens então no nosso subconsciente dizia que a primeira transformação deveria ser em lobo, e devido á isso jamais poderíamos trocar de forma.

- O que você sabe sobre os lobisomens de verdade?

- Primeiramente eles não são lobisomens de verdade, são lobisomens, no caso eu é quem seria um lobisomem de mentira. Mas bem, na realidade eu não sabia praticamente nada até aquele dia e então comecei a conversar com os ancestrais Quileutes sobre isso, me disseram que a lua cheia tem influência sobre eles mas que balas de prata são apenas coisas que os humanos inventaram nas lendas e que elas tem o efeito de qualquer munição comum.

- E aonde esses lobisomens vivem?

- Não sei mas pelo que seu pai falou na clareira aquele dia, eles estão quase extintos devido a raiva que Caius tem deles por quase ter sido morto uma vez. Porém para que Caius tenha sido atacado, eu penso que deve ser algum lugar próximo a Itália. Quanta curiosidade sobre lobisomens, Nessie, nem mesmo eu sinto necessidade de saber tanto.

- Bom, é que eu me interesso pela sua história ou... tudo o que esteja relacionado a você. — eu estava deixando ele desconfortável, mas ao mesmo tempo eu estava desconfortável, essas coisas saiam de minha boca antes que eu pudesse pensar no que estava dizendo

- O que é isso no seu pescoço? — perguntou demonstrando interesse ou então talvez fosse apenas vontade de mudar de assunto

- É o pingente que minha mãe ganhou dos Volturi. — falei passando a mão por aquela joia brilhante, uma coisa que adoro — Eu sei que ela não gosta dele mas tem que admitir que é uma bela joia.

- Uma bela joia que os Volturi deram. — ele completou — Eu pensei que ela tivesse destruído isso.

- Não, ela apenas tirou e deixou largado no meu quarto da cabana em Forks para que eu brincasse mas esse tipo de coisa não é pra brincar e sim para ser usada. E de acordo com o Aro e com vovô, nós agora estamos em paz, não há motivo pra guardar rancor. Pelo menos eu não consigo guardar algum rancor deles, a não ser Caius e aquela que papai disse poder atordoar os outros, mesmo ela não tendo feito nada, posso dizer que não simpatizei muito com ela.

- Você tem a mesma capacidade de amar e perdoar como sua avó Esme. — ele comentou ao me ouvir — Antes de você nascer, houve uma grande confusão e por um curto período de tempo, Sam e os outros lobos tentaram impedir seu nascimento. Por que assim como os Volturi, eles pensavam que você era perigosa mas enfim... Seth e Leah ficaram do nosso lado e ela odiava os Cullen e mesmo assim Esme cuidou dela como se fosse parte da família.

Por mais curta que tenha sido a frase, senti uma vontade enorme de saber tudo o que aconteceu antes de eu nascer mas não pediria que Jake me contasse, talvez por que provavelmente ele não quisesse ou eu poderia não gostar de ouvir.

Nosso passeio durou mais cerca de quarenta minutos até meu pai vir nos procurar e avisar que era hora da janta, os três voltamos juntos para casa então tratei de moderar bem o que pensava que naquele momento eram os cachorrinhos companheiros que ironicamente fizeram residência no quarto de tia Rosalie e tio Emmett, eles ficavam no meu também mas a maior parte do tempo era lá. Coisa estranha porque meu vô Charlie uma vez me disse que animais, especialmente cachorros podem supostamente ver espíritos ou saber quando alguém não é bom, e de certo modo vampiros em geral não são as criaturas mais amáveis. E ao invés de latir e manter distância da família, eles passavam a maior parte do tempo conosco. E não é que não confiássemos mas ninguém permitia que tia Rosalie ficasse sozinha com os pequeninos, só por precaução. Nunca se sabe quando tia Alice ou papai estarão longe para prever o que ela fará.

Após eu e Jake jantarmos, passamos mais algum tempo com os outros na sala de televisão até que ele foi se retirar.

- Bom, boa noite pra vocês... — ele sempre desejava boa noite á todos mesmo que não dormissem — ... vou tomar um banho e cair na cama.

- Boa noite, Jake! Boa noite, Jake! Boa noite... — as respostas de todos foram saindo e eu mal podia ouvir a televisão, pois fui a primeira a responder e voltar meus olhos ao filme que passava

Ele saiu da sala e subiu as escadas, fiquei sentada ao lado de mamãe á minha direita, papai estava do outro lado dela e vovô á minha esquerda. Talvez esse fosse o momento certo para puxar o assunto.

- Pessoal, o que vocês acham da ideia de eu frequentar o colégio com o Jake esse ano? — lancei a pergunta e todos os olhares se voltaram á mim, por ironia até o filme que passava teve um momento silencioso — Quero saber a opinião de vocês.

- Você quer ir ao colégio ou quer ir ao colégio com o Jake? — tia Alice rebateu a pergunta com certo tom de malicia na fala, papai ficou atento ao que ela disse

- As duas coisas. — tentei parecer o mais normal possível — Tanto para ele não ficar sozinho lá, quanto para eu não ficar sozinha em casa. Bom, no caso eu ficaria com o tio Emmett.

- O que seria a mesma coisa que ficar sozinha. — ela completou rindo e titio a fuzilou com os olhos, a mesma fingiu nem ver

- Querida... — vovô começou — ... sabe que não podemos deixar isso acontecer, foi o nosso acordo.

- Eu sei mas é só por um ano. — me defendi — Os Volturi disseram que voltaríamos a nos ver mas não creio que seja tão brevemente, só um ano não fará mal.

- E quanto ao seu auto controle? — me desafiou gentilmente — Acha mesmo que pode controlar a sede perto de tantos humanos?

- Mas eu não sinto a mesma sede que vocês. Comigo é diferente, bom, pelo menos agora é. Antes de eu crescer eu sentia mais porém agora parece ser algo bem controlável. Eu nunca fiquei tentada pelo sangue de vô Charlie e nem da Sue.

- Eu vou pensar. — ele disse ao ver a expressão de desespero em meu rosto — Eu e seus pais vamos conversar depois. — quando ele disse isso, me lembrei que ambos pai e mãe meus estavam ao meu lado, os olhei e as encaradas não foram nem um pouco sutis

- Se me dão licença... — falei me levantando — ... acho que também vou dormir.

Acenei um tchau para todos e fui correndo em direção as escadas, queria deixar o local o mais rápido possível, pensando que talvez eles conversariam sobre o colégio agora. Não banquei a curiosa para ficar ouvindo a conversa do outro lado da parede porque não sou tola a ponto de não saber que perceberiam minha presença.

Fui para meu quarto e deixei a porta aberta, sentei na beirada da cama para tirar os tênis, ficando apenas em minhas confortáveis meias que deslizavam naquele carpete de madeira. Fui até o espelho da parede e retirei o pingente, deixando-o na escrivaninha ao lado de minha cama.

Entrei em meu banheiro para escovar os dentes e então, apoiei os braços na pia, e o espelho refletiu meu pulso direito, que era enfeitado pela pulseira que Jake me deu no natal passado.

A decisão que eu acabara de tomar poderia ter terríveis consequências nas quais preferi nem pensar, mas tinha que ser feito naquela hora, ou então eu não teria mais coragem. Deixei meu banheiro, saí de meu quarto e fui caminhando até o outro lado do corredor, ainda em minhas meias que não permitiam a meus passos que fizessem barulho, a porta do quarto dele estava entre aberta e então nem bati.

Ao entrar no quarto eu esperava vê-lo deitado na cama esperando pelo sono ou então já dormindo mas aí lembrei que ele disse que iria tomar banho, o barulho da água saindo do chuveiro podia ser ouvido pois a porta de seu banheiro ficou aberta, o que é perfeitamente compreensível uma vez que tem um quarto apenas seu. Meu coração disparou, parecendo tambores abafados dentro de meu peito, fui dando passo após passo até que estava ao lado da porta do banheiro dele. Eu ainda podia ouvir a água batendo contra o corpo dele e o vapor chegava a sair pela porta.

Respirei fundo e coloquei o primeiro pé dentro do banheiro e entrei de uma vez, eu não podia ver quase nada devido ao vapor que embaçava minha vista. Vi uma imagem dentro do box, era Jacob, sua silhueta, para enxergar melhor ameacei dar outro passo a frente quando uma voz musical, porém extremamente nervosa invadiu meus ouvidos.

- O que pensa que está fazendo? — papai perguntou parado bem atrás de mim e congelei — Venha comigo agora.

Todos os momentos felizes que vivi passaram como um filme a frente de meus olhos naquela hora. Engoli seco e minhas mãos começaram a tremer, acho que meu corpo todo começou a tremer. Só havia se passado um segundo, ele pegou em meu braço e me levou para fora do quarto. Jacob mal percebeu que tínhamos entrado ali, o barulho do chuveiro e provavelmente a distração não permitiram isso.

- Eu espero no mínimo que você tenha uma satisfatória explicação para me dar a respeito disso, Renesmee Carlie Cullen. — me perguntou quando eu fui praticamente jogada em cima de minha cama, do outro lado do corredor, minha mãe já estava conosco, me olhava com tanta fúria quanto papai, se não mais

- Papai, mamãe, não é o que parece. — defendi com a voz mais doce possível

- Mesmo? — ironizou com raiva — E o que é que isso parece então? Será que pode me dizer?

- Bom... — limpei a garganta demoradamente, na verdade apenas ganhando tempo para pensar em algo que pudesse salvar minha pele — ... o que parece é que... eu... tentei ver o Jake tomando banho.

- Exatamente. — ela concluiu — E como você disse que isso não é o que parece, eu quero que me diga o que isso é afinal? — eu perdi

- Tudo bem, isso é o que parece. — me entreguei e a confissão não pareceu agradar eles nem um pouco — Mas não foi por maldade. Eu queria falar com ele.

- E não podia esperar uma hora mais oportuna? — papai ironizou — Quando ele estivesse com roupas, por exemplo?

- Vocês podem parar de gritar comigo, por favor? — pedi, me sentindo totalmente amedrontada — Vamos conversar normalmente.

A mandíbula de papai tremia de raiva, seus olhos arregalados de tanto nervoso que estaria passando naquele momento. Mamão tinha ambas as marmóreas e pesadas mãos que poderiam estar me batendo, na cintura.

Se sentaram um de cada lado meu na cama e ficaram em silêncio. Entendi aquilo como sendo uma permissão para falar.

- Tudo bem... — respirei fundo — ... de uns tempos pra cá eu venho sentindo algumas sensações estranhas. E isso é sempre que Jake está perto de mim.

- Sensações? — papai ergueu uma sobrancelha, ainda muito bravo porém agora confuso — Que tipo de sensações?

- Eu não sei direito mas sinto frio na barriga, minha respiração fica ofegante, começo a tremer e minhas pernas bambeiam. — molhei os lábios — Eu... não entendo muito bem todos esses sentimentos ainda mas... papai eu acho que amo o Jake.

E de repente a casa ficou muda, invadida pelo silêncio parcial, sim pois o chuveiro de Jake ainda estava ligado. Tive certeza que todos lá embaixo podiam ouvir a conversa, e também tinham escutado minha última frase.

- Não vão dizer nada? — perguntei, balançando a cabeça de um lado para outro, alternando em olhar para o rosto dele e dela

- V- você acha que a-ama o Jacob? — ele gaguejava nas palavras, ainda absorvendo a informação — Ama em que sentido?

- Do mesmo jeito que você e a mamãe, do mesmo jeito que tio Emmett e a tia Rose, tia Alice e tio Jasper, vovô e vovó. Desse jeito, eu tô começando a gostar dele como mais do que meu amigo, meu protetor, meu irmão.

Papai ergueu o queixo e ficou pensativo, aquilo levou mais do que dois minutos, nem olhei para minha mãe mas provavelmente ela estaria de forma semelhante.

- Você disse isso á ele? — papai perguntou sem me olhar e neguei com a cabeça aí então ele me encarou — Como pode ter certeza de que o que sente é amor? Você acaba de crescer e acha já pode dizer que ama o Jacob da mesma forma que eu amo sua mãe, ou como seus tios e seu avós.

- Eu não disse que amo, eu disse que acho. Bom, é mais certeza do que achismo mas eu estou confusa. Vocês deviam me ajudar ao invés de gritar comigo e ficar com a cara assim, parecendo que querem me matar. — quando dei por mim, as palavras já tinham sido ditas e fui eu a ficar surpresa, era a primeira vez que eu os afrontava e temi a consequência daquele ato

- Você sabe por que eu perguntei se você tinha dito isso á ele? — papai perguntou á mim com serenidade, como se eu nem tivesse falado a última frase, fiquei em silêncio para que ele pudesse responder a pergunta já que eu mesma não encontrei nenhuma resposta — Porque me importo com o Jacob, e se você não tem certeza dos seus sentimentos, isso pode magoar ele de um jeito que você não faz a mais remota ideia, o que você fez hoje foi errado, muito errado mas seria ainda mais errado brincar com os sentimentos dele. Porque diferente de você que está confusa em relação aos seus, os dele são bem sólidos e decididos, explicar isso agora seria perda de tempo, é algo que você sozinha irá descobrir. Eu não vou negar que não gosto da ideia de minha filha namorando, e ainda mais porque pensei que isso fosse ser daqui seis anos, mas Jacob é um rapaz legal e bom, que não merece mais ser magoado.

- Não merece mais ser magoado? — imitei as palavras dele — Como assim? Do que está falando?

- Nada. — disse como se escondesse algo — Enfim, sua mãe falou comigo sobre a conversa que tiveram. — eu a olhei e ela se manteve séria, porém pude reparar indícios de um sorriso em seu rosto — E acho que se é para acontecer, que seja com a minha aprovação e sob algumas regras.

- Regras? — perguntei com um sorriso enorme, quase o abraçando ali mesmo — Que regras?

- Vocês podem namorar... — ele começou sem o mínimo de vontade na voz — ... você pode ir ao quarto dele, ele pode vir ao seu quarto mas nada de porta fechada, nem encostada. — conforme ele citava as regras eu assentia — Podem ficar de mãos dadas e trocar carícias e também passear pela floresta sozinhos mas quero os dois em casa antes que escureça.

- Carícias?

- É, se abraçar e ... e ... beijar. — cuspiu as palavras como se fossem lhe fazer mal — Mas moderadamente, por favor.

Ele levou um susto quando o agarrei com os dois braços, o enchendo de beijos na bochecha e na testa. Depois abracei mamãe num agradecimento mudo por ter protegido meus pensamentos enquanto conversávamos.

- Eu amo vocês. — exclamei enquanto ele deixava o quarto, mamãe já tinha ido — Esperem só até eu contar pro Jake.

- Não. — papai interveio — Eu vou conversar com ele. E agradeça sua mãe por ter protegido sua mente, eu poderia não gostar de saber o que você está pensando. — bom, eu já agradeci com um abraço, mas aquilo precisava de um agradecimento verbal depois

Assenti, eu estava feliz demais para considerar qualquer coisa que acontecesse, sendo ruim. O chuveiro ainda estava ligado, ele não soube de nada que tinha acontecido. Naquela noite nada mais aconteceu, porém eu mal dormi de tanta felicidade.

Na manhã seguinte levantei antes mesmo de me chamarem para o café da manhã e corri escada a baixo onde bati minhas mãos nas de tio Emmett e abracei empolgadamente tia Rosalie. Todos sorriam para mim, vovó era a mais contente ali. Fui até a varanda onde mamãe estava sentada numa das cadeiras, me sentei de frente á ela e vi papai e Jacob entrando na floresta, o senhor Edward com o braço dando a volta nos ombros de Jake, abraçando ele.

- Onde eles vão? — perguntei

- Seu pai vai falar com o Jake, sobre o que conversamos ontem a noite. — disse olhando os dois sumirem mata a dentro — Filha, quero que saiba que o que fez ontem não foi nem um pouco tolerável. Eu também tinha vontade de me aproximar de seu pai mas nunca fiz nada parecido com isso.

- Tudo bem, mãe, eu sei, me desculpe. Mas eu precisava que tivéssemos essa conversa logo.

- O quê? — ela juntou as sobrancelhas — Isso foi de propósito?

- Claro... — falei como se fosse a coisa mais óbvia — ... você disse que íamos conversar com ele e passou mais de uma semana.

- Eu conversei com ele.

- Mas eu não sabia. Se não eu não teria feito nada disso. Você podia ter me falado e todos aqueles gritos teriam sido evitados.

- Ah então a culpa é minha? — ergueu os braços em forma de defesa — Desculpe mas eu nunca imaginei que você fosse tentar ver o Jacob tomando banho.

Dei de ombros e então ficamos em silêncio por algum tempo

- Obrigada por ter protegido minha mente ontem durante a conversa. — falei gentilmente — Se o papai soubesse o que eu estava pensando.

- Mas eu não protegi sua mente. — ela falou franzindo o cenho

- Então por que ele disse que você estava protegendo a minha mente sendo que não estava?

- Ele disse isso?

- Sim, eu abracei ele e disse que ia contar pro Jake que ele tinha deixado a gente namorar então ele falou pra eu agradecer que você estava protegendo minha mente.

Ela ficou pensativa, com certeza ela não tinha me protegido mas por algum motivo papai não leu meus pensamentos. Eles não me deixavam saber dos problemas da família mas eu ouvi há algumas semanas que ele se queixava de estar sendo bloqueado.

Esperamos vinte minutos e os dois então retornaram de lá, Jake estava aparentemente bem, seus braços e pernas estavam no lugar, ele até sorria, ambos sorriam, como se tivessem cansado de dar risada e agora estivessem mais calmos.

Ao se aproximarem de nós, novamente minha respiração ficou ofegante e corei só de pensar o que Jake diria se soubesse que tentei espioná-lo na noite passada. Ou talvez fosse isso que estivesse fazendo eles rirem.

- Podem dar uma volta. — papai falou e no outro segundo eu já tinha levantado, dando meu lugar á ele sentar — E filha, não se esqueça do que te disse ontem a noite.

Papai não especificou mas foi como se ele tivesse o feito, se referia obviamente aos sentimentos de Jake. Eu deveria ter cuidado porque desde que comecei a vê-lo com outros olhos, só pensei no que eu sentia, não me perguntei se isso poderia ou não mexer com ele.

- O que vocês conversaram? — perguntei enquanto andávamos pela mesma trilha de ontem

- Ele me falou da conversa que tiveram ontem a noite. Disse que nós podemos namorar contanto que seguíssemos as regras dele. Eu não vejo nenhum problema com elas e você?

- Também não. — sibilei um pouco envergonhada pelo modo como estávamos, de braços dados, os corpos bem juntos — Jake, eu quero que saiba que eu não tenho nenhuma intenção de magoar você, pelo contrário, espero que você goste tanto de ser meu namorado quanto vou gostar de ser sua namorada.

- Você não faz ideia de como eu vou adorar, não faz ideia do quanto eu esperei e achei que esperaria e de repente tudo diminui seis anos e estou aqui, como seu namorado, com a aprovação de seu pai e vivo. — disse calmamente e demos risada juntos — E precisamos de alianças.

- Alianças? — falei em dúvida arqueando a sobrancelha — Isso é coisa de gente velha, e que meus pais não estejam nos ouvindo.

- Não é coisa de gente velha, é uma coisa romântica, representa amor, que é o que eu sinto por você. — meu coração parou e então igualmente paramos de andar, eu o olhei nos olhos — E o que sinto é que estou apaixonado por você.

Notas finais
Gostaram, pessoal? Danadinha né? Bom, pelo menos a pele do Jake não virou um tapete kkk
Eu sei que para alguns, esse ponto de vista da Nessie pode estar um pouco sem sal mas daqui pra frente as coisas vão engatar... lembram do começo da fic? Então, a partir do próximo o enredo central retorna, é que eu não podia simplesmente evoluir a pequena e fazer com que ela se sentisse perfeitamente bem, com as emoções e pensamentos no lugar mas nos próximos capítulos eu consegui conciliar as duas coisas
Eu gostaria de desejar boas vindas aos novos leitores, mais uma vez agradecer quem está comigo desde o começo e também pedir desculpas por não ter respondido todos os reviews essa semana, é que tudo tem sido muito corrido
Enfim, espero que tenham gostado do capítulo e que tenham um ótimo final de semana
Beijos!