Morning Star
31 Contra o tempo
Notas iniciais
Em cima da hora neh??? Pois é, trabalhar da nisso
Boa leitura
O chão havia fugido de meus pés, e dos de Jacob com certeza. Um imenso buraco estava aberto em meu peito, uma ferida que não podia ser vista porém ninguem gostaria de sentí-la. Não ficamos por mais muito tempo em Forks, Jacob não aguentaria, e eu não faria com que ele se sentisse pior do que já estava.
Ele chorou a partir do momento em que entramos no carro até aproximadamente uma hora depois quando caiu no sono devido ao balanço do carro. Foi o maior alívio que senti até então, por não ter de acompanhar a tristeza dele, a minha era suficiente e bastava. Eu não podia chorar, e naquele momento agradeci por isso pois certamente me desfaria em lágrimas.
Meus pensamentos não saiam de, apesar de todos, Charlie. Eu me perguntava o que os Volturi teriam feito com ele? Teriam levado ele até Volterra? Ou teriam, na pior das hipóteses, usado ele como alimento. Justamente ele, apenas para destruir meu coração. Eu desejei que Aro estivesse em minha frente, para que eu pudesse atacá-lo e fazê-lo em pedaços e depois atear fogo um a um.
Eu quis gritar, com toda a força de meus pulmões e de meu ser... gritar como se ninguem fosse ouvir, gritar até desaparecer. Mas não fiz isso, primeiramente por Jacob e também por saber que isso não resolveria nada. Dizem que a raiva é mais útil que a dor, então até que chegássemos em casa eu fantasiei em minha cabeça como eu mataria cada membro do maldito clã italiano.
Quando estacionei no jardim de casa, Edward estava parado na varanda alguns passos a frente da porta. Ele estava vestindo uma calça preta social, assim como seus sapatos e também uma camisa azul. Certamente, através dos intensos pensamentos de Jacob, ele já devia estar sabendo do acontecido.
Mal percebi quando ele caminhou, pelo fato de estar cutucando Jacob para que ele acordasse, e Edward já estava me abraçando e então afundei o rosto em seu peito. E ali eu queria ficar para sempre, junto dele, sendo consolada por ele. Edward, meu sol particular. Lágrimas não brotavam de meus olhos porém eu soluçava por um choro que mal podia ser visto. Senti o toque de outra pessoa em meu ombro e na hora eu soube que era Nessie, Edward provavelmente devia ter contado a ela. Éramos os três abraçados até que senti o calor do corpo de Jake, juntando-se a nós, completamente fácil. Foi ali que permanecemos pelos minutos seguintes.
- Eles levaram todos. — enfatizei ao final — Inclusive Charlie. Eu não sei o motivo mas levaram ele também, e Billy, e Rachel. Por que não podemos ter paz?
- Porque desafiamos os Volturi. — Carlisle disse, ele estava abaixado em frente a mim e Jacob — E esse é um erro que jamais devia ter sido cometido. Mas foi em nome da família, e pela família se faz tudo, sem exceções.
- Desde aquela manhã na clareira, Aro demonstrou interesse nos lobos, e quis tentar uma forma de levá-los consigo para que tornassem-se seus cães de guarda ou algo assim. Talvez tenha sido a razão de levarem também Emily, Billy e Rachel. Para impedir que Sam, Paul e os outros tentassem resistir ou atacá-los, sabendo que os humanos que amam estão em perigo eles jamais iniciariam um combate.
- O que vamos fazer? — Jacob perguntou, sua voz ainda estava embargada pelo choro — Digo, não vamos ficar de braços cruzados. Temos que agir, antes deles.
- Isso é verdade mas... — Carlisle hesitou antes de prosseguir — ... não adiantaria irmos até a Itália e sermos destruídos antes que pudéssemos sequer chegar ao castelo.
- Não fique com vergonha de dizer, mãe. — Edward disse a Esme, uma das poucas vezes em que a vi chamá-la dessa forma — Conte-nos mais sobre isso.
- Eu pensei num plano, mas é muito arriscado. — ela falou — Já que estamos correndo contra o tempo e o cerco se fecha cada vez mais. Podíamos tentar enganar Aro por algum tempo, mesmo que mínimo, para conseguirmos nos preparar para a batalha.
- No que pensou?
- Bom, está nítido para todos que os mais magoados com tudo isso são Bella e Jacob então minha ideia é que os dois vão, juntamente com Edward e Nessie até Volterra, fazer uma visita a Aro fingindo que tudo está normal, dizer que estavam viajando em família e resolveram passar para mostrar como Nessie se desenvolveu bem e não causou problemas a ninguém. A ideia é que passem alguns dias com eles, uma semana talvez, enquanto nós reuniremos os aliados em direção a Volterra.
- Bem arriscado. — Rosalie concordou — Mas se formos pensar em algo que não seja igualmente arriscado ou até pior, não chegaremos a lugar algum.
- Concordo. — falei após analisar cada palavra de Esme e de Rosalie — Eu topo fazer isso, tudo o que for necessário para dar um fim á eles.
- Eu estou nessa também. — Jacob falou ao meu lado
Então esse seria nosso plano enquanto o restante da família iria atrás dos aliados para a batalha. Ficaríamos cara a cara com Aro e tentaríamos distraí-lo para que conseguíssemos reunir pessoas suficientes dispostas a lutar pela liberdade em relação aos Volturi. Como Carlisle dissera: ''Nenhuma dinastia dura pra sempre''. Os Volturi nesse caso já estavam fazendo hora extra.
Mais tarde naquela noite Edward tentou ler os pensamentos do inimigo mas ao que pude perceber, a tentativa foi em vão. Ele ficou chateado com isso porém tentou parecer normal quando me notou no quarto.
- Vai dar tudo certo. — ele me disse ao perceber que eu estava nervosa, se ainda fosse humana, eu certamente estaria tremendo e com certeza estaria bem mais pálida do que já era e do que sou agora — Não se preocupe.
- Como pode dizer com tanta certeza? — peguei sua mão — Alice viu alguma coisa?
- Não, na verdade ela já não me conta sobre suas visões, talvez por medo então eu não invado a mente dela. Se eu tiver que saber, ela me dirá.
- Mas como pode estar tão certo então?
- Porque os Volturi podem ser poderosos, numerosos e amedrontadores, podem conseguir tudo o que querem, fazer tudo o que querem. Podem lutar contra quem quiserem... — os olhos dele estavam em sintonia com os meus — ... mas existe apenas uma coisa, que absolutamente nada e nem ninguem pode contra.
O silêncio se fez por alguns instantes e eu me senti uma idiota por não conseguir pensar numa resposta para o que ele dissera.
- O amor, Bella. — falou ele e vi que era óbvia a resposta, tão óbvia que eu não havia pensado — O amor é a maior arma que alguém pode adquirir contra qualquer coisa. E o nosso amor pode vencer tudo. Você sabe disso, por quantas vezes nosso amor não foi colocado a prova? E por quantas vezes, igualmente, não superamos cada obstáculo que o destino nos impôs? Bella, você e eu, podemos enfrentar tudo juntos.
Nos abraçamos, passamos aquela noite sozinhos, deitados em nossa cama e sem romper o abraço. Precisávamos daquilo, sentir um ao outro, mesmo que em silêncio. A presença bastava.
Na tarde seguinte, a família estava totalmente reunida, inclusive Abraham, que a essa altura era tão considerado quanto qualquer um de nós. Ele havia se tornado um grande amigo de Carlisle, Carmen e principalmente de Jacob. Ele percebeu que Jacob estava mal no momento em que pisou dentro de casa. A situação foi explicada a todos, assim como o plano de Esme. Alice mal falava, estava tão abalada com tanta coisa que seu sorriso natural, mal visitou seu lindo e delicado rosto nos últimos dias.
- Eu e Emmett podemos ir até os Maundrell. — Rosalie falou — Porque eu duvido que eles ainda estejam em Roma. Seriam os primeiros a quem Aro iria atrás. Eles são numerosos e talentosos, e com certeza ficarão do nosso lado. Além de Tor e Giselle, poderemos contar com a ajuda dos filhos deles também. E quando os encontrarmos, aguardaremos pelo sinal de que possamos seguir para Volterra.
- Como eu disse da outra vez. — Carmen falou — Eu e Eleazar temos alguns amigos na Espanha. Faz muito tempo que não os vemos, Fernando, Angelica e a família deles. Estou certa de que se juntarão a nós. E como Rosalie disse, aguardaremos pelo sinal.
- Eu e Esme vamos até Guinevere. — Carlisle falou segurando a mão da amada, entrelaçando os dedos nos dela — Ela, Orlando e Persephone virão conosco. Em seguida iremos até a Irlanda atrás de Siobhan, Liam e Maggie. E tentaremos encontrar Alistair.
- Ele não gosta de batalhas. Principalmente uma contra os Volturi. — Esme acrescentou, lembrando a todos — Mas dessa vez não há escolha, e não acredito que ele vá se colocar contra nós, ficando ao lado de Aro. Ele é um amigo de longa data, espero que possamos encontrá-lo.
- Vamos ao Brasil, Jasper e eu. — Alice falou ao fundo da sala — Reuniremos as Amazonas.
- E também ao México. — Jasper acrescentou e todos, com exceção de Edward, olharam para ele — Vamos pedir ajuda a uma imortal chamada Maria, e seu exército.
- Maria?! — Alice indagou surpresa — Vamos pedir a ajuda dela?
- Sim, por mais que o nosso passado não seja dos melhores ela será um ótimo trunfo na batalha. Seu exército é bem mais numeroso quanto o dos Volturi, embora menos preparado, mas ainda sim é um grande número.
- Essa é uma ótima ideia. — Garrett assumiu — Mesmo que eles sejam despreparados, um grande número pode assustar Aro e desconcentrar tanto ele como os outros. O medo dele pode ser um ponto a nosso favor.
- Quanto a nós. — Kate falou, referindo-se a ela, a Tania e ao parceiro — Iremos até a Itália, procurando aliados pelo caminho. Como todos sabemos e mencionamos da última vez, Vladimir e Stefan correram para a batalha assim que souberem dela. Isso se já não estiverem nos arredores.
- Eu farei o Chamado. — Abraham disse dando um passo a frente — Dou a minha palavra de que quantos filhos da lua existirem, todos atenderam ao Chamado. Séculos de espera terão significado quando invadirmos e destruirmos o castelo deles. Sensação melhor que a da vingança se aproximando será a de quando assistirmos vitoriosos ao império deles queimando, se acabando nas chamas, sendo consumido pelas labaredas, aos poucos desaparecendo, se tornando apenas uma lenda na história. Particularmente, eu mal posso esperar.
A decisão fora tomada. Todos sabíamos o que fazer, todos estavam prontos para lutar e para morrer pela família. Eu iria para a Itália, junto de Edward, Nessie e Jacob. Me doía pensar que eu poderia estar tão perto de Charlie e não demonstraria nenhumaemoção quanto a isso. Um deslize e tudo vai por água a baixo, um pequeno erro cometido e tudo teria sido em vão, todos estaríamos perdidos. Nada teria valido a pena.
- Eu acho esse seu casaco tão lindo. — falei a Edward enquanto fazíamos as malas — Faz tempo que não o vejo. Onde ele esteve?
- Guardado no funo do armário. — respondeu singelamente — Nem pensei que ele ainda existisse. Onde estão Nessie e Jake?
- Preparando as coisas deles. — respondi — Eu pensei que ela fosse ficar com medo, mas não, diria até que gosta da situação. Não pela pressão que estamos sofrendo, é claro, mas talvez pela oportunidade de poder colocar todo o treinamento com Emmett em prática.
- Ela já fez isso. — Edward argumentou — Com Ronnie e Lily.
- Sim, mas todos sabemos quais exemplos ele usava com ela enquanto a treinada. — sorri de canto — Algo relacionado a pedras serem a cabeça de Caius e galhos serem os braços de Jane. Ela espera por isso em prática, mas farei o possível para que ela fique bem longe de qualquer um deles.
- Passando uma semana naquele castelo,acho difícil. — era uma piada, sem humor mas isso não importava — Vamos, temos de ir até o aeroporto.
Notas finais
Beijos
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