More torn than autumn leaves
1 Capítulo 1: Pillars of Desolation
Notas iniciais
Espero que gostem.
Vou dedicar ela toda pra Shi. ~ (♥)
More torn than autumn leaves
Um segundo a menos.
Um a menos.
O grande ponteiro retornava.
Mais um a menos...
Duas e meia da tarde. Estavam ligeiramente atrasados. O sol do meio de outono entrava aos poucos nos estreitos corredores do subterrâneo noxiano. Multidões iam e vinham, cada uma seguindo um rumo diferente. O cheiro era uma mistura de terra, suor e urina. Típico da podridão humana. As casas malfeitas, o comércio mercenário e os altos impostos. Os fatores que faziam aquela ser a parte mais medíocre de Valoran eram visíveis apenas de observar de cima o subterrâneo.
Um verdadeiro submundo.
Odiado ou adorado, isso não importava. Não mudava a forma como as coisas funcionavam naquela peculiar região noxiana. A elite não estava ali, talvez nem mesmos os capitães. Apenas os peões eram dignos de tal posição. Aqueles malditos peões que mais atrapalhavam o Alto Comando do que ajudavam...
E lá estavam, dois dos melhores mercenários da elite noxiana, andando nos asfaltos de paralelepípedos daquela imundice humana. Não trocavam muitas palavras entre si, o diálogo era quase limitado aos requerimentos da missão. Os melhores assassinos de uma das casas mais famosas de Noxus. A casa Du Couteau.
Não era como se ambos não se conhecessem, visto que eles se conheciam muito bem. Também não era por questões sociais e até mesmo econômicas que ambos aceitaram aquela missão. Mas era óbvio que se tivessem escolha, não gostariam de fazê-la juntos.
Não depois do que aconteceu.
Swain, o Grão-General dos dias atuais, escolhera piamente os dois melhores assassinos para ter êxito naquela missão quase suicida. Não era algo que se orgulhava a fazer, visto como Katarina começara a agir nos últimos dois anos. Mas visando as brigas e os desentendimentos anteriores tanto com o próprio general e até mesmo com seu parceiro de missão, Swain até gostaria que eles morressem juntos.
Daria uma épica tragédia romântica à sua monótona vida.
A casa Du Couteau resistira a diversos impactos nos últimos dez anos. As ameaças, que foram tanto externas quanto internas, pareciam terem finalmente acabado se não fosse por aquela missão infernal que Swain havia colocado nas mãos de Katarina. Ela, como a responsável pelo status da casa no momento, não negara e nem protestara — como teria feito há dois anos antes. Mas as coisas eram diferentes agora.
"Aquele tempo já passou." Ela alertou a si mesma enquanto cada vez mais os dois se misturavam na multidão.
Tão afastados que qualquer um que os visse não chutaria o que acontecera passado. Tão distantes como se fossem dois completos estranhos, perdidos naquela podridão. Tão orgulhosos e tão egoístas ao ponto de estraçalharem o próprio bem estar só para não darem o braço a torcer.
- Alvo dois saindo pelo sobrado à sua esquerda. — A voz de Talon entrou em seu ouvido pelos fones de ouvido que ambos usavam. Ela imediatamente olhou para a esquerda, vendo um homem de cabeça raspada correndo pela pequena varanda de um sobrado.
- É aquela casa? — Ela disfarçou para falar, tapando sua boca com a jaqueta de couro. — Ele nos reconheceu?
- Quem ele reconheceu foi você. — Ele falara enquanto rapidamente armava o punhal na palma de sua mão. — Vou atrás.
- Vou continuar na cola do um. — Katarina se virou e avistou o homem de capuz preto andando rapidamente até o sobrado. O capuz que antes Talon não usava, nos últimos anos se tornara uma marca oficial de seus feitos. Ela não deixou de perceber o fraco sorriso sádico que estava em seus lábios.
- Seja discreta. — Ela ficou séria com o comentário. Ainda depois de anos, ele a provocava de um jeito que nem ela sabia explicar.
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Talon andava e observava o homem escalando os telhados daquelas casas podres. Ele não se arriscaria a subir para pegar o homem, perderia tempo e se acabasse por não calcular bem, o telhado cederia e causaria tumulto. O único porém era que ele nunca recusara uma subida em um telhado.
Mesmo estando a uma distância razoável para que o homem conseguisse fugir, Talon sabia que ele não era tão inteligente ao ponto de ir mais além dos telhados e fazer-lhe perder de vista. Do contrário, lá estava aquele homem, correndo inutilmente em uma linha reta onde só fazia sentido na cabeça de um desesperado.
Era gostoso caçar. Ultimamente era a única coisa que o entretinha. Desde que voltara, o clima na mansão não era o dos melhores. Ele sabia o porquê. Era também culpado. Mas aquelas feridas se cicatrizariam sozinhas. Talon sempre soube disso.
Do mesmo modo que sempre soube que tudo acabaria daquela forma.
Acabado de dar um tempo para que o homem criasse uma esperança, Talon correu até um beco onde ele não conseguiria pular pela distância entre os telhados. Se ele não tivesse se atualizado sobre os canteiros do subterrâneo, talvez aquela caça lhe gastasse mais energia. E ele teria que ter energia de sobra para quando fosse até o covil da cobra.
Ele esperou no máximo um minuto quando escutou o barulho das telhas se movendo. O homem observara que não tinha saída. A única coisa que Talon fez foi subir em cima de uma grande lata de lixo e o puxar pela calça, fazendo o cair no chão. Ele se levantou rapidamente, mas deu de cara com o morro do subterrâneo.
Talon riu.
- A presa está encurralada. — Ele falara para os dois escutarem: o homem e Katarina.
- Colete as informações necessárias para conseguirmos o endereço. Esse aqui não parece me levar a algum lugar.
Talon ouvira sua voz perfeitamente. Mostrou a lâmina brilhante do punhal para o homem que tinha uma feição assustada em sua face. Em um movimento rápido, pegou a garganta do homem com precisão e o atirou no muro ao seu lado. Erguendo-o tão rapidamente que o barulho de seu corpo sendo pressionado com força só entrara em seus ouvidos no momento que ele já estava a dois palmos do chão.
- Me diga onde está Karem Noshtoi. Se não me disser, sua morte será lentamente mais dolorosa.
- E-Eu n-não se--
Talon enfiou a lâmina do punhal na coxa do homem. Ele gritou de dor enquanto se remexia ainda colado no muro.
- Não vai me falar? — Talon ergueu um pouco do capuz até ficarem na altura dos olhos. As pupilas castanhas encararam as verdes do homem. Quando percebeu que ele não se intimidara, ele retirou o punhal da coxa e o enfiou no pé da outra perna.
Depois disso, ele o soltou. Um homem morto não servia de informante. Mas ao ser ferido no pé, ele ficou um pouco mais lento.
- Quem sabe você consegue correr agora... — Talon disse com deboche enquanto uma ideia aparecia em sua mente. O homem respirou com dificuldade. Levantou-se e arrastou o pé que tinha o punhal atravessado, tentando chegar às ruas onde alguém poderia o ajudar.
Ele novamente não se intimidara. Talon o puxou pela jaqueta e jogou sua cabeça ao chão, o derrubando em um só golpe. Colocou a mão por dentro das roupas dele e tocou sua pele.
- Me diz... Você ainda quer andar? Se sim, me diga onde está essa mulher. — Talon retirou o punhal que ainda estava atravessado no pé do homem e tocou a região de sua medula espinal.
- V-Você não faria isso... — O homem sussurrou quase em súplica. Talon remexeu o punhal, fazendo com que a lâmina deslizasse sobre aquela pele asquerosa.
- Diga logo.
- Pare com isso...! — Talon respirou fundo, mas isso não adiantou para se acalmar. Com a mão livre pegou a cabeça do homem e a jogou contra o asfalto de paralelepípedo.
O homem ficou desnorteado, mas mesmo assim tentou levantar a cabeça. Escorriam sangue de seus dentes quebrados e de sua testa ralada. "Finalmente sangue..." Talon jogou a cabeça dele contra o chão mais uma vez, fazendo mais sangue sair.
- Na última rua antes do cemitério! U-um casarão feita de madeira! — O homem gritara. — Mas por favor--
Talon sentiu em sua mão o punhal perfurar aquela carne não macia. O homem se calara no mesmo momento, e por alguns segundos, assim foi. Logo depois foi ouvido um berro.
Ele já não se importara mais. Apenas limpou o seu belo punhal e arrumou o capuz do jeito com que não mostrasse o seu rosto. Ele novamente se misturou com aquela paisagem imunda, como já havia feito um dia.
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Katarina estava atrás de um homem bem parecido com o que Talon seguia. As diferenças não eram tamanhas, ela poderia jurar que eles eram familiares. Porém, no primeiro momento que viu os dois algo lhe chamou a atenção. A cabeça raspada. Apesar de o homem que seguia parecer mais velho, ambos tinham uma noção de fuga péssima — o que facilitava a enrascada que planejava.
Talon já havia lhe falado sobre a localização do destino que procuravam. Ela sabia que o homem que perseguia também iria para lá. Por isso, antes mesmo de ele perceber que estava sendo seguido, ela tomou um rumo mais curto, ficando na espreita de uma sombra que o telhado da casa fazia.
Era uma casa grande, ela chutou que caberiam umas trezentas pessoas ali dentro só a vendo por fora. Sabia que não seria uma tarefa fácil entrar, por isso planejava enquanto o homem não chegava. A arquitetura era peculiar: uma pequena escola abandonada. "Quando Talon ver isso... Ele vai ficar assustado com o tamanho de informação errada."
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- Basicamente vocês terão que cometer um genocídio. Eles se autonomearam como Asas do Submundo, um grupo contra o Alto Comando. Depois de retirarmos as tropas de Ionia, os alimentos e os remédios que fornecemos para os que voltaram foram distribuídas por eles. Porém, nos últimos três meses, uma onda de violência contra soldados que inspecionam a área está sendo feita regularmente. Não sabemos a localização — mas eu particularmente aposto em uma casa grande. Dois homens foram reconhecidos por soldados e de acordo com os testemunhos, eles sempre se encontram no miolo do subterrâneo. O que farão inicialmente é caçar esses dois homens. Quando os achar, arranquem o endereço onde Karem Noshtoi se esconde e a matem. E não preciso dizer nem dizer o que deve ser feito com aqueles que seguem os ideais dessa mulher.
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Observando o casarão antes utilizado como escola, Katarina tentou lembrar se alguma vez já havia visitado algum lugar pra estudos. Tentou imaginar se era apenas uma sala de aula ou se eram várias. Vendo por fora, parecia ter bastante cômodos. Dois andares e uma mureta de dois metros de altura protegendo todo o perímetro. Deveria ter um jardim até a entrada principal, e quando entrasse na casa, também deveria ter um corredor principal. As salas seriam dividas pelos lados esquerdos e direitos. Não seria fácil matar todos ali sem deixar um vivo. Se ao menos ela tivesse várias espadas longas para bloquear todas as portas, mas aquilo estava fora de cogitação.
Ouviu passos se aproximando. Como a casa não era totalmente de frente ao final da rua principal do subterrâneo, Katarina se escondeu no muro perpendicular ao portão de entrada. Naquele lugar ela conseguia ver quem se aproximava da escola e também conseguia ver quem saía.
Era o homem que ela seguia. Sem dúvidas, ele estava atrasado. Viu o pacote surrado na mão dele. "Comer antes de morrer... Que homem preparado." Antes que ele pudesse ser visto pelas pessoas que deveriam vigiar o casarão, Katarina correu com passos silenciosos até ele e atacou duas shurikens em seus pés. Para que ele não gritasse com a pequena dor causada, ela tapou a boca dele com a sua mão e rapidamente deu lhe um mata-leão enquanto o levava para longe da entrada.
Levou o homem — quase que arrastando — até o cemitério e o soltou no chão. Não tinha porque o deixar vivo, já que todos que seguissem aqueles ideais contra o Alto Comando morreriam. Então, rapidamente o soltou com força no chão e pisou em sua barriga, o que o fez tossir.
- Katarina Du Couteau... Fui eu que alertei à Rendrick de você. — O homem falou limpando o pescoço e tentando se levantar. — E eu achando que conseguiria escapar se te colocasse na cola dele.
- Achou errado. — Ela novamente o chutou, o fazendo tossir novamente. Porém dessa vez, o virou para si e colocou um de seus pés no pescoço dele.
- Hum... — Ele sussurrou tentando olhá-la. — Estamos em um cemitério, Katarina Du Couteau. Interessante, não? Ele não te lembra nada...? — Katarina o encarou friamente com suas pupilas verdes.
- Esse aqui fede mais. — Foi a única coisa que falou antes de apontar a sua espada para o olho dele. — Sem últimas palavras?
- Sabe, você deveria — Ele parou para tossir. — procurar saber mais coisas sobre a morte de seu pai. — O homem riu. — Afinal, fizeram um túmulo sem corpo, não?
"Mas que diabos--"
- Mas primeiramente, você deveria parar de seguir as ordens do homem que o matou, Katarina Du Couteau. — Ele riu enquanto continuava tossindo. Um pouco de sangue escorreu por seus lábios. Ela não deixou se intimidar. O homem tentou olhar para a escola que estava na frente do cemitério. — Você sabe que não vai conseguir matar todos eles sozinha, Katarina... Sempre vai sobrar um. E nós iremos ter a nossa vingança contra esse governo que maltratou seus próprios homens.
- Maltratou? — Ela perguntou mesmo sabendo que não deveria dar ouvidos à alguém que tentava salvar a sua própria pele.
- Você voltou pra Noxus cedo, não? — O homem voltou a sorrir. — O que você acha que aconteceu com os soldados que sobreviveram aos ataques químicos, ein? Acha que eles acabaram por morrer? Ou que apodreceram lá naquela ilha? Ou acha que até mesmo as almas deles estão vagando por esse cemitério?
Ela ficou em silêncio, ignorando a intimidação daquele homem. Não acreditava em suas palavras, mas sua curiosidade falava mais alto.
- Eles voltaram pra Noxus... Para o subterrâneo, claro. Para onde o nosso querido Grão-General sempre coloca todos os seus podres... Mas me diga, Katarina Du Couteau, a mulher que matou mais de mil ionianos... O que acontece com os que respiraram aquele ar tôxico? — O sorriso em sua cara só aumentava. — Você tinha uma amiga que foi vítima deles, não tinha?
"Riven." As pupilas verdes de Katarina se contraíram. Aquela garota havia ficado por lá. Todos sabiam que ela não estava morta, mas sabiam também que ela não era mais noxiana.
- Sinceramente, eu não ligo de morrer... Minha tuberculose já é grave. Mas, eu não posso simplesmente deixar com que aqueles que sofreram e ainda sofrem de doenças morrerem por uma assassina a sangue frio. Fique com isso em sua mente, Katarina Du Couteau... Você serve o assassino de seu pai. E você é quem menos deveria destruir esse lug--
Ela enfiou sua espada no olho dele, perfurando seu crânio. Não aguentando mais o que os seus ouvidos escutavam. Seu pai não morrera. Ele estava apenas desaparecido. Engoliu seco e soltou o corpo. Olhou para o lado e viu Talon em cima de um dos pilares do cemitério. O sol batia em seus cabelos vermelhos de uma forma onde o calor não conseguia entrar.
Mais folhas cairiam naquele outono.
- Você ouviu? — Ela sussurrou sem o olhar.
- Perfeitamente. — Foi a única coisa que ele conseguiu pronunciar.
Naquele momento, Katarina desejou ter forças para quebrar o seu orgulho e pedir orientação a ele. Não sabia o que pensar daquilo, muito menos como agir. Aquilo era verdade? Ela não conseguia acreditar por estar acostumada a ignorar o que as suas presas falavam, mas aquela se tornara diferente.
Ela olhou para a escola em sua frente. E se eles realmente estivessem doentes? E se aquela vingança não fosse totalmente sem lógica? E o que fazer quando aquilo apesar de não ser verdade, soava tão certo? Ela também queria vingança contra aquele que tirara seu pai de si. E não era apenas ela.
- Não deixe isso te abalar. — Talon falou enquanto pulava para o chão. Ficou a uma distância de uns dois metros onde o contato visual era seguro para ambos. — Estamos prestes a entrar em uma espécie de escola onde haverão muitos a matar. Não se martirize por dar ouvidos a esse homem. Mas também não esqueça suas palavras.
- Claro. — Ela lhe respondeu enquanto olhou na altura de onde os olhos de Talon estariam. Tentando o intimidar por ele conseguir amenizar um pouco da confusão que entrara em sua mente. — Agora vamos à caça.
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Pularam o muro após perceberem um ponto cego atrás de uma grande planta artificial. Não serem vistos até chegarem à entrada foi algo trabalhoso, visto que o quê Katarina esperava ser o jardim não tinha plantas. Era só terra vermelha abafada, onde nem mesmo a grama conseguia crescer.
Os dois engatinharam até a porta de entrada para não serem vistos das janelas. Katarina pensara em ir pelo telhado, mas aquilo gastaria muito tempo. Os dois estavam parados, se concentrando nos barulhos que as pessoas dentro da escola faziam. Eles só precisaram se olhar para saberem o que deveriam fazer: soltar uma bomba de fumaça ao entrar. Esperaram o momento onde as vozes ficavam mais altas e as conversas não acabavam para pegá-los desprevenidos. Dado o momento, Katarina abriu a porta, sorrindo por estar destrancada. Jogou duas bombas e quando a fumaça levantou, entrou sendo seguida de Talon.
Já estavam armados dos pés a cabeça para aquele confronto. No momento que entraram, analisaram com dificuldade a arquitetura do lugar. Katarina ouviu passos apressados, e ao perceber que se tratava de uma fuga, correu até aquelas pessoas que gritavam: "Estamos sendo invadidos! Protejam a enfermaria!" Ela sorriu e começou a atacar as suas shurikens em pontos vitais. Olhou para Talon e viu que ele atacava com um revólver.
- Quem diria que você usaria esse tipo de arma... — Ela sussurrou para si mesma, ignorando se ele podia ouvi-la pelo fone.
A fumaça cessou e Katarina pôde ver um mini exército se formando ao final do correr. Suas pupilas contraíram um pouco, sabendo que seria difícil. Mas não imaginava que havia tantos magos naquele lugar. Ela desviava de vários ataques, outros passavam raspando e cortavam seus cabelos e roupas. Mas nada a fazia utilizar armas de longa distância.
Talon a observava pular no meio daquele mar de gente e se esquivar, enquanto ele mesmo atirava naqueles que ela não conseguia derrubar. Não matariam no momento, apenas iram os imobilizar para que não fugissem.
- Engraçado. Somos dois policiais controlando uma rebelião. — Talon falara em bom tom. Apesar das pessoas gritando ao seu redor, Katarina o ouviu e acabou por sorrir com o comentário.
- Principalmente você, com esse revólver. — Ela lhe respondera em tom caótico.
Três homens vieram em direção de Talon que andava atirando. Com eles, o assassino sequer pensou em imobilizar. Apenas disparou duas vezes na cabeça deles, matando os três. A morte de um foi patética, visto que ele ficara atrás do homem que levara um tiro. "Economia de balas."
Ele tinha mais um cartucho com vinte balas, mas preferiu guardar para aqueles que não morreram ainda. Enfiou o revólver no bolso e arrumou sua espada em uma mão, ficando com uma adaga na outra.
Olhou para Katarina que rodopiava enquanto atirava suas shurikens em locais aleatórios. Foi andando até ela enquanto desviava dos ataques dos magos que estavam atrás da barreira humana feita. Rapidamente desarmou seu punhal e retirou da blusa também as suas shurikens. Elas eram diferentes das de Katarina, gordinhas e com três lâminas em formato de lua, enquanto as da ruiva eram simplesmente triangular. Admitia que as dela eram mais fáceis e mais precisas, mas não usaria a mesma coisa que ela.
Largou Katarina com os homens que lutavam corpo-a-corpo, e foi até onde os magos estavam. Apareceu atrás de um, no qual ele reconheceu ser uma mulher, apesar de ter a cabeça raspada. Sorriu ao sentir seu cheiro. Mas antes que ela pudesse perceber, ele a degolou. Fez sua entrada principal e soltou o corpo no chão. O sangue que escorria da garganta dela alertou os outros magos que tentavam atirar em Talon. Foi atingido por uma luz preta no ombro, no qual rasgou sua blusa e expôs a pele com cicatrizes.
As pupilas castanhas que se escondiam levemente por trás do capuz demonstraram a ira. Talon não deixaria barato. Jogou o resto de shurikens que havia em seu bolso e voltou a atacar aquelas pessoas com o punhal e a espada. Alguns eram atingidos no coração, outros na barriga e até mesmo na cabeça. Aquela era a fraqueza dos magos, não tinham um bom condicionamento físico.
Katarina tinha sua face fechada pela raiva. "Ele pegou a parte mais fácil, maldito cão." Depois riu do que pensou. "Quanto tempo faz que eu não o chamo assim?" Sem se distrair com seus pensamentos impróprios para aquela hora, ela percebeu que ficara sem shurikens. Enfiou rapidamente a outra adaga no cinto, deixando os dois pares de lado e pegando a kodachi¹ e a wakizashi². Aquelas duas cortavam mais rápido que as anteriores. E sem ter tempo para respirar, ela foi cortando aqueles homens com uma velocidade razoável. Estava se sentindo levemente cansada, perdera a conta de quantas pessoas havia derrubado no chão.
Também havia perdido a conta de quantas vezes sentira o aço entrando em contato com a pele, fosse a sua ou fosse as de seus inimigos. Não sabia quanto tempo estava ali, repetindo os mesmo movimentos, desviando de espadas e lanças, sem cessar.
Depois de um tempo, Talon se juntou ao seu lado. O número de pessoas atacando diminuíra rapidamente. Alguns que estavam caídos ainda se levantavam e continuavam lutando, mesmo sem forças. Porém, quanto mais cortava, mas encurralada se sentia. Até quando sentiu algo em suas costas: lâminas. Olhou assustada, pronta para enfiar as espadas nas costas daquela pessoa, mas viu que era Talon.
Ele e a aquele maldito manto.
- Eu quase te cortei, desgraçado. — Katarina falara sem disfarçar sua raiva enquanto acomodara suas costas às costas dele.
- Só se fosse nos seus sonhos. — Ele retrucou, ficando em posição de defesa. Estavam cercados.
- Isso me lembra Ionia. — Ela falou com um sorriso no rosto ao se recordar quando ambos lutaram lado a lado. Entretanto, as pessoas daquele lugar pareceram recuperar suas forças quando ouviram o nome daquela Cidade-Estado.
Avançaram sobre os dois, Katarina abaixou enquanto segurava a espada menor com os dentes, Talon também acompanhou o movimento dela, abaixando e rasgando a barriga daqueles que avançavam. Katarina passou uma rasteira em quatro e os fez cair. Talon aproveitou a queda e com sua espada de formato peculiar, rasgou o pescoço dos que estavam no chão.
Restaram três pessoas que tentavam fugir. Katarina jogou a kodachi na panturrilha de um e a wakizashi atravessou o crânio de outro. Talon ficou com a última presa. Ela tinha aberto a porta no final do corredor, mas ele nem percebera que entrara em outro cômodo. Apenas foi até o fugitivo e como era de seu costume, o degolou.
- Acabou. — Katarina pode respirar fundo, tentando se acalmar pela adrenalina que estava em seu corpo.
Olhou para os lados e viu o que eles tinham feito: um completo genocídio. Via alguns corpos ainda se remexendo, mas ela sabia que tinha cortado tão profundo que eles não conseguiriam nem levantar. Olhou pra si e viu suas roupas rasgadas e sangue escorrendo de suas feridas. Todas superficiais, assim como as de Talon.
Talon...
"Merda."
Foi a única coisa que ela conseguiu pensar antes de ver Talon caindo de joelhos naquele quarto.
Notas finais
Fiz aqueles trequinhos que a Katarina ataca serem shurikens, não sei como é nome daquilo.
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