Notas iniciais
Cá estou novamente escrevendo na madruga boladona sentada na esquina. Eu estava cheia de ideias mas não consegui por no word.

Dean chegou desconfortável na empresa. Afrouxava a gravata suja, arrumava o cabelo, coçava a nuca.

– Bom dia, Dean. A reunião foi adiada. — disse Mariah, a secretaria que tinha os lábios bem marcados por um batom vermelho.

– Tudo bem. – Dean disfarçou a alegria. – Tem algum recado?

– O Tom falou para avisá-lo quando o senhor chegasse, aviso?

– Ah, claro! – disse abrindo a porta de seu escritório. – Venha aqui, depois, pegar a gravata.

Tirou a gravata e a colocou em cima da mesa e fez o mesmo com a pasta e a bolsa. Ficou ali esperando alguns minutos a chegada de seu amigo.

– Estou entrando! — disse Tom abrindo a porta. – Dean Marry sem gravata?

– Eu esbarrei em uma garota e a gravata ficou suja de mostarda.

– E você? Está bem? – Tom sem sentou na poltrona em frente ao amigo.

– Eu só esbarrei na garota. – fugiu Dean.

– Você sabe que eu não estou falando disso... Tudo bem? – ficou com a feição séria. – Fiquei sabendo que você anda bebendo e...

– Estou, claro que estou. – interrompeu. – Não posso mais beber?

Não estava, todo mundo que o conhecia sabia isso. Seus olhos sempre estavam tristes, raramente ria e seus sorrisos quase sempre forçados. Pouco se interessava por algo ou alguém, apenas pelo trabalho, vivia para isso. Não se relacionava com novas pessoas e quando o fazia era apenas para distração, nada que durasse mais que 2 semanas.

– Você nunca foi disso, Dean! — balançou a cabeça negativamente. – Deixa tudo de lado um pouco, já faz tanto tempo que aconteceu... – Tom se levantou e foi em direção a parede de vidro do escritório.

– Mas vocês não entendem, e nunca entenderão! Sempre tento esquecer, eu tento e tento! Mas tudo me faz lembrar... — Dean abaixou a cabeça. – Vocês, músicas, palavras, móveis...

– Eu sinto muito e você sabe disso, também sofri muito mas decidi continuar a vida... Se perguntamos é porque queremos o seu bem, sabes disso também. Você é novo demais pra tudo isso, então, tire férias, vai conhecer e se relacionar com novas pessoas! — Enfiou a mão no bolso.

– Não posso tirar férias! Essa empresa depende 70% de mim e... Eu não quero que aconteça novamente. – Disse triste, seus olhos vagavam no tempo.

– Não acontecerá Dean. – Tom tirou um convite do bolso. – Seu pai mandou lhe entregar.

– Deixe-o na mesinha, depois pego.

“Mais um jantar social” pensou Dean.

Ninguém sofrera como tal. As coisas que lhe pediam eram missões impossíveis. Seus sentimentos eram trancados, só eram percebidos pelo olhar triste e pela falta de sorriso mas atualmente não conseguia escondê-los, estava a um fio. Seu alicerce tinha partido e só agora estava sentindo de fato isso.

Ouviu a vibração de seu celular e foi ver o que era; uma nova mensagem.

Número Desconhecido;

“Oi? Tenho a leve certeza que trocamos de celular haha.

Desculpas pela gravata.”

– Como não percebi isso? – se perguntou. – Agora terei que pega-lo de volta se não perco contatos com os sócios e provavelmente o emprego. Ligou para o seu celular, já que no seu celular ‘atual’ não havia créditos para mensagens.

Na verdade Dean não perderia o emprego, era o vice-presidente e futuro herdeiro da empresa. Sua preocupação em relação a isso era inaceitável.

***

– Dean Marry? – disse uma voz baixa no outro lado da linha, Cindy.

– Hum, sim... Como você sabe meu nome?

– Eu mexi nas suas mensagens – deu uma risada nervosa – Meu nome é Cindy Flag e é um estranho prazer trocar o seu celular com você. – tentou ser simpática e engraçada. “Garotos adoram isso” lembrou de sua amiga Jenny.

– Ah, claro. Perdão por não ter te perguntado, Cindy. Eu preciso desse celular o quanto antes... – Dean foi direto.

– Você sabe onde fica o Countryside Camp? Só vir aqui.

– Countryside?

– Sim. E... não podemos receber visita — deu uma risadinha. — Você pode esperar daqui 3 semanas?

– Você passará as férias ai? – Cindy fez um som de positivo. – E não pode receber visita? Como assim?

– O acampamento é para nos desintoxicar da tecnologia, viveremos numa espécie de idade média onde teremos que plantar e colher. Tecnologia é proibido. – Cindy deu ênfase na última frase. – Só recebemos visita se quebrarmos o pé, ficarmos inutilizados para o trabalho no campo ou alguma coisa grave... Loucura né?

“Loucura mesmo é o fato de eu aceitar vir pra cá!!” Pensou Cindy.

– Estranho... Eu vou pensar em algo, talvez nem seja tão "restrito" assim – disse Dean 'desapontado'.

– Farei o mesmo! Depois te ligo falando o que pensei. Beijos. – Cindy desligou o celular.

***

– Daqui alguns dias não estarei mais aqui! – disse Cindy para sua amiga.

– O que? – perguntou Jenny.

– Vou ficar livre desse acampamento com a ajuda de Dean Marry... – levantou uma das sobrancelhas.

– Duvido que você faça isso, senhora certinha.

– Bem, eu preciso de uma aventura antes da universidade. Só preciso de me machucar para o plano começar!

– Você está sendo mais louca do que eu. Pare com isso. – riu Jenny.

– Estoy mucho loca. — disse rindo. – Esconde o celular que já estamos chegando.


Notas finais
ficou uma mierda aushauhs abs