More Than This
7 Capítulo 7
Notas iniciais
–E você não beijou ela? – perguntou Deborah incrédula para a irmã que acabava de contar os acontecimentos recentes com ela e Rachel.
–Não. Tem o Finn ainda e eu não achei certo... – tentou Quinn, mas foi Santana que a interrompeu agora.
–E você não beijou ela? – a latina repetiu a pergunta da namorada.
–Bem... Não – disse Quinn. – Ela está passando por um momento difícil, está em duvida, não acredito que seria o momento ideal para beijá-la...
–Eu não acredito que você não beijou ela! – exclamou Deborah batendo a mão na testa.
–Você devia ter beijado o hobbit! Uma oportunidade dessas não se perde! – brigou Santana.
–Mas e se...
–‘E se’ não define nada, Q! – ralhou Deborah sem deixar a garota terminar a frase.
–E se a garota não fosse eu? Eu não devia ter me precipitado! – retrucou a única loira ali.
–Dane-se, você é Quinn Fabray! – exclamou Deborah. – Qualquer um nessa escola quer pegar você!
Santana parou no corredor e as duas irmãs se viraram para encarar a latina confusas.
–San...?
–S...?
–Eu não sei qual de vocês é mais lerda! Por Dío! – exclamou a latina. A Lopez deu um tapa na própria testa quando as duas Fabray’s a encararam visivelmente confusas. – Eu não acredito... Q, ta na cara que a garota que a Berry ta falando é você, francamente! “Somos meio que amigas agora”? Ela estava falando diretamente com você, Juno! Francamente! Vocês me envergonham, são mesmo irmãs!
–Eu não... – começou Deborah.
–É melhor essa frase não terminar com “estou entendendo” hobbit 2! – disse a latina exasperada.
–Hobbit 2...? – perguntou Quinn enquanto a irmã emburrava.
–Porque ninguém supera o original – respondeu Santana com um sorriso sapeca.
–Não... – começou Quinn, mas sua irmã a interrompeu.
–Não fale assim da Rae! – exclamou Deborah.
–Rae? – perguntou Santana entre dentes.
–Rae! – respondeu Deborah com um sorriso presunçoso. – E muito menos da Quinn! Não fale assim comigo, entendeu? Nunca mais!
A Fabray Júnior passou pisando duro por Santana e esbarrando no ombro dela propositalmente.
Santana havia aberto os olhos de Quinn.
Mas em contra partida havia fechado os de Deborah. Agora sua namorada estava com raiva dela e provavelmente ficaria assim por um bom tempo a menos que se desculpassem. E Santana Lopez não se desculpa, ela fica arrependida profundamente (é verdade), mas não se desculpa.
A Lopez segurou o pulso da namorada quando ela passou por si.
–Não encosta em mim! – a pequena morena puxou o braço bruscamente.
–D... – tentou de novo.
–Não fala comigo, Lopez – disse entre dentes e ameaçadora como fizera com os jogadores mais cedo. Santana a soltou meio assustada pelo tom da garota e a pequena correu para longe dali.
–Tsc-Tsc, Lopez – murmurou Quinn. – Falou da irmã, da melhor amiga e dela? Oh não, Lopez. Está ferrada. Pior que isso é falar mal da namorada dela, infelizmente você é ela, então... Oh-oh.
–Cala a boca, Fabray – disse Santana. – Vá pegar seu hobbit e me deixe em paz.
Quinn deu de ombros.
–É a verdade, oras – respondeu a loira. Santana bateu a cabeça contra a parede. –Não devia ter falado assim com ela, a lembra de Frannie... E ela pode ter perdoado ela, mas lembrar dela significa lembrar de Russel. ‘Envergonhar’ não é um verbo que se deve dizer perto dela...
–Eu estou te ajudando com sua garota e é melhor me ajudar com a minha depois – disse Santana e depois soltou um longo suspiro. O sinal tocou e a cara de arrependida mudou para a sarcástica e maldosa de sempre. – Seu hobbit vai falar com o Free Willy agora... E eu acho que você vai sair no lucro, Juno.
Quinn revirou os olhos.
–Estava demorando...
–Mas falando sério...
–É, eu devia ter beijado ela.
–Totalmente.
[...]
Finn Hudson viu sua namorada escorada em seu armário e sorriu. Ele sabia que ultimamente sua relação com Rachel Berry não era a melhor, mas achava que poderia melhorá-la logo. Que poderia consertá-la e que Berry ficaria com ele para sempre (bom, não “sempre”, mas ele esperava que fosse um período de tempo grande).
Ele não sabia que tudo estava fadado ao fracasso.
Rachel Berry nunca sacrificaria a Broadway, a fama e New York por Finn Hudson.
–Oi Rach – cumprimentou com um selinho a namorada.
–Olá Finn – disse a garota.
O garoto estranhou, tinha algo errado com a “sua” garota.
O que ele não sabia era que a garota não era mais sua, talvez nunca tivesse sido.
–Está tudo bem, Rachel? – perguntou temeroso.
–Precisamos conversar, Finn – murmurou a garota e Finn engoliu em seco pelo tom sério na voz da namorada. – Acredito que perderemos o segundo período até.
–Rach...? – perguntou confuso (o que não era lá uma tremenda surpresa).
–Apenas venha comigo, Finn – pediu e o rapaz assentiu.
Fizeram caminho para o auditório.
Finn estava com medo.
[...]
–O que? – exclamou o garoto incrédulo para a namorada. – Você não pode fazer isso comigo, Rach!
–Finn... – tentou a garota dando um passo para frente, mas o menino recuou dois passos para trás.
–Me diz por que, Rachel – disse o garoto, o peito estava doendo e Rachel podia ver em seus olhos a magoa que estava trazendo para o garoto. – Me diz por que está terminando comigo! Eu pensei que seriamos somente nós esse ano, eu realmente queria te fazer feliz, Rach... Só me diz, por favor.
–Finn... – tentou novamente, mas quanto mais se aproximava mais Finn se afastava. Rachel parou e encarou o garoto alto (muito alto) vendo-o embaçado pelas lágrimas que se formava em seus olhos. – Está tudo muito confuso aqui dentro, mas...
–Você consegue entender que eu não estou nessa bagunça, não é mesmo? – Finn perguntou calmo, mas ainda longe da namorada – não, ex-namorada, tinha que se lembrar disso agora.
Rachel negou com a cabeça deixando as lágrimas caírem.
–F-Fi-Finn – gaguejou. – Me desculpa... – soluço. – D-desculpa...
–Não, não Rach – disse o garoto se aproximando e secando as lágrimas da garota que chorava copiosamente. – Tudo bem, ok? Eu sabia que isso ia chegar um dia... Eu só não esperava que fosse assim tão cedo... Talvez uns dez anos sim, mas agora? Não, eu não estava preparado. Eu meio que te amo, você sabe. Eu te amo, Rach.
–Eu também te amo, Finn... – murmurou a baixinha. – Mas não é do mesmo jeito que você me ama... É diferente. Amo você como um irmão, não como namorado.
–Eu posso conviver com isso – forçou um sorriso. – Pode me dizer quem é?
–Quem é o que? – perguntou rápido e se afastando subitamente do rapaz. O mais alto riu da reação da menor.
–Tem que ter alguém, Rach – disse à garota sorrindo. – Tem que ter um por que... Quem é? Não acha que eu mereço saber?
–E-eu não sei – resmungou se afastando mais.
–Pode me dizer, eu não vou surtar – Rachel duvidava disso, muito.
–Finn...
–Confia em mim, Rach.
–É-é... É... É a... A Quinn.
Finn engasgou com o ar e ficou vermelho.
–A Quinn, Rachel? – elevou o tom de voz e a garota se encolheu. – A Quinn? Quinn a líder de torcida, minha ex-namorada... Aquela Quinn? – Rachel assentiu e Finn ficou mais vermelho ainda, se isso fosse possível. – Eu não acredito que você fez isso, Rach! Você lembra tudo que ela fazia com você e com a própria irmã dela? Ela não te merece Rach! Ela é uma idiota! Você não pode me trocar por ela! Você não pode fazer isso comigo!
–Finn...
–NÃO! – berrou o garoto. – Não, você não pode Rachel. Ela fez coisas horríveis com você! Ela sempre esteve entre a gente, lembra? Ela sempre nos atrapalhou e agora você vem me dizer isso? Eu não posso acreditar que você fez isso comigo!
Finn se aproximou de Rachel que já tinha o rosto banhado por lágrimas e de repente um corpo pequeno (mas nem tanto) surgiu entre os dois separando-os.
–Não chegue perto dela, Hudson – disse Deborah olhando ferozmente para Finn que se afastou rapidamente. – E nunca mais repita algo relacionado à minha irmã. Eu sei que minha família não é lá essas coisas, mas não permito que você fale assim dela de maneira alguma, está bem saco de batatas? E a Rachel nunca gostou de verdade de você, ok? Você que é um tapado e nunca percebeu que tudo com ela era automático e teatral! Não era real e verdadeiro. Não era espontâneo. Ela meio que te usou, panaca. Ela queria esquecer a Quinn porque pensava que ela a odiava. Idiota. Francamente, vocês eram um grude e nojentos juntos! Sabe quando eu vi minha amiga sorrir de verdade? Quando saiu de um armário de vassouras onde tinha estado com minha irmã e elas não fizeram absurdamente nada lá dentro, então eu tenho minhas duvidas. E eu também não sei o que elas viram em você, Finnesa! – Deborah gemeu baixinho quando Rachel lhe deu um beliscão no braço e a olhou feio. – Finn... Você é um cara legal e tenho certeza que alguma parte desse cérebro minúsculo tem massa cinzenta então faça um favor a si mesmo e a use. Quinn é a pessoa ideal para Rachel e acho melhor você nem pensar em se aproximar ou levantar a voz para ela perto de mim porque eu acabei de brigar com a mulher da minha vida, a minha mulher, por uma coisa estúpida e estou maluca para correr para os braços dela, mas sou muito orgulhosa. Então cale essa boca e saia daqui antes que eu chute esse seu traseiro flácido para fora da atmosfera. Rachel não tem mais nada com você, mas sei que ela quer ser sua amiga ainda e eu realmente não a entendo, então vá pensar um pouco e esfriar essa cabeça porque você acaba de ser trocado por uma Fabray muito sexy e linda.
O discurso foi digno de aplausos, mas tudo que recebeu foi um bufado raivoso de Finn e um olhar descrente e incrédulo de Rachel.
Finn saiu do auditório furioso e chutando tudo que encontrasse pelo caminho. Rachel abraçou o corpo de sua amiga que era um pouco mais alta que ela.
–Santana é a mulher da sua vida? – perguntou Rachel divertida depois do que pareceu uma eternidade.
–Não, Rae... – disse Deborah divertida. – O papa-léguas.
Rachel bufou com a ironia da amiga. Fabray’s e aquela mania irritante de conseguir irritá-la.
E lá vamos nós de novo...
A imagem de Quinn Fabray agora passava na sua mente. De novo. Pelo que parecia ser a milésima vez no dia.
–Você entendeu – resmungou.
–Claro que sim – respondeu sorrindo. – Santana Lopez é a melhor coisa que me aconteceu.
–E eu? – perguntou emburrando.
–Você é a melhor coisa para Quinn – Rachel corou. – Talvez a terceira ou a quarta.
–E a segunda?
–Percy Jackson... AI! Por que fez isso?
Rachel tinha acabado de acertar um soco certeiro no braço direito da garota.
–Está colocando uma coleção de livros na minha frente, Fabray?
–Claro. É Percy Jackson , baby.
–Você é uma idiota.
–Faz parte do meu charme.
–O que a Santana viu em você?
–O que a Quinn viu em você.
–Somos tão parecidas assim?
–Claro, se não fosse por isso e você não fosse tremendamente irritante além de estarmos apaixonadas pelas duas garotas mais lindas do McKinley...
–E consequentemente líderes de torcida incrivelmente desejadas pela população feminina e masculina do colégio inteiro...
–E essa é a coisa que mais me dá nos nervos nessa história toda.
–Completamente... Por que está sorrindo?
–Porque você acabou de admitir que gosta da Quinn, que é apaixonada por ela sem eu precisar forçar a barra.
–Oh...
–É... “Oh...”
–Você é uma idiota.
–E você precisa de argumentos novos.
–Vá se ferrar.
–Como eu disse: “Argumentos novos”.
–Idiota... E é melhor tirar esse sorrisinho da cara!
–Ouch! Como eu ia dizendo... Somos muito parecidas... Talvez se não estivéssemos de quatro por duas lideres de torcida... Talvez daríamos certo.
As duas se entreolharam e começaram a rir. Elas? Nunca.
–Não.
–Não, não mesmo – concordou Deborah passando o braço pelo ombro de Rachel.
–Por que brigou com Santana? – o sorriso do rosto sumiu e ela só não se afastou da Berry porque a mesma segurou forte o braço que estava em seu ombro a prendendo ali.
–Você... Você vai brigar comigo... Não quero ouvir bronca.
Ali com sua melhor amiga fazendo bico, a mesma garota que botou dois jogadores brutamontes em seus eixos mesmo ensopada de raspadinha de uva, Rachel percebeu que aquela garota se importava mesmo com ela e gostava realmente dela para mostrar tamanha fraqueza. Que ela tinha mesmo uma amiga.
E ela não iria permitir que sua amiga fizesse burrada e ao mesmo tempo perdesse a garota que amava. Então... É lógico que ela ia ouvir bronca, mas ela não precisava saber disso.
–Desembucha Deborah.
–Ela falou algumas coisas... E usou aquela frase com o verbo “envergonhar”.
–Oh... – Rachel soltou em compreensão.
–Eu não queria, Rae – ela choramingou. – Eu queria estar com ela agora em algum canto dessa escola... Mas eu lembrei daquilo que ele me disse... Eu lembrei dele... Eu não queria lembrar.
Rachel odiou mais ainda Russel Fabray naquele momento.
–Deborah... Eu não posso fazer você esquecer, mas posso fazer você entender que não pode soltar isso em Santana. Não pode descontar nela.
–Eu sei... Eu estou com medo.
–De que?
–De ele descobrir da Quinn.
–O que tem a Quinn?
–Tudo – beijou a bochecha de Rachel. – Obrigado, Rae. Vou atrás da minha garota antes que ela pire. Deveria ir também.
–Onde?
Deborah apenas sorriu e saiu correndo do auditório enquanto a consciência de Rachel e a mente da Fabray pensavam em comum: “Deveria ir atrás da sua garota, Berry.”.
[...]
–Quinn você tinha uma música para hoje, certo? – perguntou Mr. Shue, Quinn engoliu em seco assentindo enquanto todos os olhares se viravam para ela.
–Podemos esperar minha irmã? Ela ia me ajudar – pediu Quinn torcendo para que Deborah estivesse se agarrando com Santana em qualquer lugar da escola.
–Tudo bem! – exclamou Mr. Shue, Quinn suspirou aliviada e sorriu.
O sorriso não durou muito porque Deborah apareceu na porta sendo puxada por Santana.
–Eu não quero!
–Você prometeu para ela!
–Mas eu nunca toquei antes na frente de tanta... Gente.
–Deborah, não tem nem 15 pessoas aqui direito.
–Mas...
–Sente no banquinho do piano. Você toca perfeitamente bem.
–Claro que sim, eu toco desde os três meses.
Santana revirou os olhos. Todos observavam a cena segurando o riso.
–Céus, você está pior que a Berry. Sente. Na. Porra. Do. Banquinho. Do. Piano.
Deborah bufou e caminhou até o piano sem a mínima vontade e arrastando os pés.
–Santana faz milagres – resmungou Rachel.
–Com toda certeza – concordou Quinn.
–Quinn... – chamou Santana e a loira se virou para Santana que estava no centro da sala. – Aqui, agora.
A Fabray loira engoliu em seco, desde quando sua garganta estava tão seca assim?
–Vamos lá, Quinn! Estamos ansiosos para ver a música que preparou para nós – disse Mr. Shue e Quinn se levantou, caminhando até sua irmã que olhava fixamente para as teclas do piano.
–Estamos ferradas? – sussurrou Deborah.
–Totalmente – murmurou a loira de volta. – Está pronta?
–Nem um pouco – resmungou.
–Fico aqui? – perguntou.
–Até que seja seguro – disse sorrindo fraco.
–Se eu for ai vocês vão se arrepender – disse Santana já sentada em uma cadeira no fundo.
–Ela não vai...?
–Ela disse que você tem que fazer isso sozinha – Deborah não deixou a irmã terminar a pergunta por já saber qual era. – Bem... Nós. Nós temos que fazer sozinhas. Segunda voz e harmonia – apontou para si mesma. — Agora vai lá.
Quinn se levantou e foi até o centro da sala e respirou fundo sentindo as palavras saindo por conta própria.
–Bem... Essa música fala por si só. Eu queria poder falar isso tudo para a pessoa sem ser, bem... Forçada. Mas acho que já estava na hora, já passou dela na verdade – suspirou pesadamente ainda encarando os próprios pés. – Ela é tudo o que eu queria dizer apesar de meio melancólica. Espero que você entenda.
Quinn encarou a irmã que suspirou e seus dedos começaram a deslizar pelo piano com tamanha destreza que Brad ao seu lado estava emocionado. A banda começou a acompanhar a melodia do piano e Quinn suspirou.
A voz de Deborah preencheu o cômodo antes da de Quinn fazendo a harmonia com a melodia.
O olhar da loira não levantou, mas ao invés de encarar agora somente os próprios pés, encarava os sapatos do restante do pessoal do Glee que a olhava um pouco apreensivos.
Ela respirou fundo e começou a cantar.
I'm broken, do you hear me?
(Estou despedaçada, você me ouve?)
I'm blinded, 'cause you are everything I see
(Estou cega, porque você é tudo que vejo)
I'm dancing, alone
(Estou dançando, sozinha)
I'm praying, that your heart will just turn around
(Estou rezando, que seu coração volte atrás)
Rachel piscou algumas vezes rapidamente. Ela conhecia essa música de algum lugar. Ela sabia que já havia a ouvido antes. Lhe parecia tão familiar.
Olhou para Deborah.
Tinha dedo dela naquilo tudo, como sempre.
Como ela, que tinha um repertorio de músicas tão variadas e decoradas na ponta da língua não conseguia se lembrar dessa que era a que mais importava agora?
Logo ela?
Naquele momento Rachel já quicava na cadeira balançando os pés nervosamente e bufando. Impaciente. Queria saber que música familiar era aquela. Queria saber por que Quinn se sentia assim.
Ela só queria saber.
Atrás dela Santana Lopez a observava com um sorriso contido.
And as I walk up to your door
(E enquanto eu caminho até sua porta)
My head turns to face the floor
(Minha cabeça vira para o chão)
'Cause I can't look you in the eyes and say
(Porque eu não consigo olhar nos seus olhos e dizer)
Era tudo ou nada. Quinn só conseguia pensar nisso.
Tudo ou nada.
Com Rachel sempre era tudo ou nada.
Ela estava insegura. Estava tremendo e como dizia a música, não conseguia olhar para cima. Não conseguia encarar aqueles olhos calorosos que povoavam seus sonhos e tiravam também seu sono.
Estava estática no meio da sala encarando o chão. Queria tanto que tivesse um pouco de coragem.
Só um pouco. Só queria coragem para levantar o olhar.
When he opens his arms and holds you close tonight
(Quando ele abrir os braços e te abraçar forte essa noite)
It just won't feel right
(Isso não parecerá certo)
'Cause I can love you more than this
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Yeah
(Yeah)
When he lays you down, I might just die inside
(Quando ele te deitar, poderei morrer por dentro)
It just don't feel right
(Isso não parece certo)
'Cause I can love you more than this
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Can love you more than this
(Posso te amar mais do que isso)
Pelos olhos de Rachel passou um lampejo de compreensão.
Mais do que isso.
Quinn repetira essa frase para ela tantas vezes naquele dia.
“Você merece mais e alguém... Pode te amar mais do que isso.”
Mais do que isso.
Oh God...
A música era para ela. O alguém de quem Quinn falara era a própria Quinn.
Quinn queria amá-la.
E de repente um sorriso surgiu em seu rosto.
Não aquele sorriso 1000 watts que todos diziam ser sua marca registrada (pelo menos Deborah). Um sorriso pequeno e ao mesmo tempo radiante que a iluminou mais do que “o sorriso 1000 watts” poderia um dia iluminar.
O sorriso de Quinn. Aquele sorriso que ela só soltava quando estava com a loira.
Mas a Fabray não levantou o olhar ainda, continuou encarou o chão.
Ela estava com medo, apavora e insegura.
E apesar disso tudo a voz suave e aveludada não falhou em nenhum segundo.
If I'm louder, would you see me?
(Se eu berrar, você me veria?)
Would you lay down
(Você deitaria)
In my arms and rescue me?
(Em meus braços e me resgataria?)
'Cause we are
(Porque somos)
The same
(A mesma coisa)
You saved me
(Você me salva)
When you leave it's gone again
(Quando você vai isso some de novo)
Dessa vez foi Quinn quem sorriu com a ironia da música. Rachel lhe salvara mais do que podia contar, ela sempre esteve lá para ela em todas as coisas.
Ela sempre lhe salvava mesmo com tudo que Quinn fazia para ela.
Mesmo com tudo de ruim e o “ódio” que diziam sentir.
Rachel sempre esteve lá.
Then I see you on the street
(Ai eu te vejo na rua)
In his arms, I get weak
(Nos braços dele, eu fico fraca)
My body fails, I'm on my knees
(Meu corpo fraqueja, estou de joelhos)
Prayin'
(Rezando)
Outra verdade. Nunca doera tanto quanto doía ver Rachel e Finn no corredor.
Ele era tão grande e desengonçado para um corpo tão pequeno e frágil como o dela.
Ele era tão diferente dela.
No principio Quinn achou que Rachel era o problema (de fato era, mas ela interpretou isso de maneira errada), afinal a garota havia roubado seu namorado. Ela tentou de todas as maneiras derrubá-la, separá-la de Finn e quando conseguiu na primeira vez... Não fez tanto sentido. Ela ainda sentia um grande vazio.
E depois ela percebeu que de fato havia um problema naqueles dois juntos.
Mas o problema era que Finn estava com aquelas mãos grandes e atrapalhadas na sua garota. O grande problema era que ela, Quinn Fabray, queria Rachel Berry.
Sempre foi ela.
Rachel sempre foi o problema, afinal de contas.
Mas o problema era que ela não estava em seus braços e sim nos de Finn Hudson.
When he opens his arms and holds you close tonight
(Quando ele abrir os braços e te abraçar forte essa noite)
It just won't feel right
(Isso não parecerá certo)
'Cause I can love you more than this
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Yeah
(Yeah)
When he lays you down, I might just die inside
(Quando ele te deitar, poderei morrer por dentro)
It just don't feel right
(Isso não parece certo)
'Cause I can love you more than this
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Ela finalmente levantou o olhar, Rachel reparou, mas olhava para tudo, menos para ela. Encarava a parede, o teto, o piano... Até uma rachadura em especifico Quinn achava mais interessante do que olhar diretamente nos olhos de Rachel.
Quinn caminhou até o piano e encarou Deborah que pareceu entender a deixa e sorriu para a irmã inclinando a cabeça na direção de Rachel.
O que Rachel não sabia era que sua melhor amiga estava inclinado a cabeça para ela.
E que também que estava encorajando a irmã para olhá-la.
Para finalmente olhá-la.
Yeah
(Yeah)
I've never had the words to say
(Eu nunca tive palavras para dizer)
But now I'm asking you to stay
(Mas agora estou pedindo para você ficar)
For a little while inside my arms
(Só um pouco mais em meus braços)
And as you close your eyes tonight
(E enquanto você fecha os olhos essa noite)
I pray that you will see the light
(Eu rezo para que você veja a luz)
That's shining from the stars above
(Que está brilhando nas estrelas lá de cima)
A voz de Deborah se fez presente novamente no cômodo e quando cantou o último verso percebeu porque Quinn não queria cantar aquela estrofe em especifico.
A luz que está brilhando nas estrelas lá em cima?
Não. Não era lá nas estrelas e nem tão lá em cima também.
Era a luz que estava brilhando nos olhos de Quinn toda vez que ela via Rachel.
A batida parou um pouco e só se ouvia o barulho do violoncelo e do piano.
When he opens his arms and holds you close tonight
(Quando ele abrir os braços e te abraçar forte essa noite)
It just won't feel right
(Isso não parecerá certo)
'Cause I can love you more than this
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Quinn sorriu para a irmã que ainda a olhava séria a mandado virar para trás e olhar diretamente para a razão daquela música.
Dessa vez Deborah que sorriu quando Quinn finalmente parou de olhá-la e virou-se para trás.
E novamente a voz da caçula dos Fabray’s se fez presente porque ela sabia que Quinn estava paralisada demais para sequer falar seu próprio nome sozinha.
'Cause I can love you more than this, yeah
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Castanho no verde.
Não, dourados.
Quando Quinn se virou Rachel percebeu que os olhos da loira não estavam mais naquele verde avelã de sempre (quase sempre).
When he lays you down I might just die inside
(Quando ele te deitar, poderei morrer por dentro)
It just don't feel right
(Isso não parece certo)
'Cause I can love you more than this
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Yeah
(Yeah)
Estavam tão absurdas nos olhos uma da outra que não perceberam os olhos esbugalhados de metade dos ND, não viram quando Finn caiu da cadeira e nem quando Santana bateu um high five com Brittany sorrindo e definitivamente não viram o olhar que Deborah trocou com Santana, olhar esse de quem já tem tudo bem planejado. Elas só viam uma à outra.
Quinn sorriu fraco e o sorriso de Rachel se iluminou mais ainda.
É... As coisas pareciam que estavam indo muito bem.
When he opens his arms and holds you close tonight
(Quando ele abrir os braços e te abraçar forte essa noite)
It just won't feel right
(Isso não parecerá certo)
'Cause I can love you more than this (yeah)
[Porque eu posso te amar mais do que isso (yeah)]
When he lays you down I might just die inside (I don't care)
[Quando ele te deitar, poderei morrer por dentro (Não me importo)]
It just don't feel right
(Isso não parece certo)
'Cause I can love you more than this
(Porque eu posso te amar mais do que isso)
Can love you more than this
Deborah ajudara Quinn na última estrofe da música.
E acabou.
Quinn e Rachel mal perceberam que tinha realmente acabado e continuaram se perdendo nos olhos uma da outra alheias ao o mundo lá fora.
Todos se levantaram e foi preciso Mike, Puck e Sam para tirar um Finn emburrado e vermelho da sala e de Mercedes e Kurt para convencerem Mr. Shue a sair também.
Todos saiam da sala e as duas ainda estavam no mundinho delas.
Deborah e Santana se encararam e sorriram uma para a outra enquanto fechavam a porta e depois se viraram para o restante do clube que as encarava em busca de respostas.
Deborah gemeu de frustração e puxou Santana pela mão.
–Vocês sabiam que ia acontecer! – reclamou a Fabray morena. – Só as deixe se resolver, a aula ia acabar daqui quinze minutos mesmo. – Só não aprontem... Muito... Hmm... Não sejam pegos, por favor.
O resto deles riram enquanto aquelas duas garotas sumiam na curva do correndo e outras duas estavam trancadas na sala do coral.
[...]
Silêncio.
Mais silêncio na verdade.
Quinn acabara de se declarar para a garota que sempre fora apaixonada, mas não conseguia dizer mais nada. As palavras simplesmente não saiam. Ela estava quase se batendo por isso.
–Eu terminei com Finn – Rachel foi a primeira a se pronunciar.
Quinn mordeu o lábio inferior contendo um sorriso.
–Seria indelicado e rude da minha parte sorrir agora? – perguntou já falhando na sua tarefa anterior.
–Seria – Rachel confirmou com a expressão indecifrável. Quinn assentiu levemente antes de cobrir a boca com a mão tentando esconder o sorriso.
Rachel riu, porque foi uma tentativa falha da loira fazer aquilo sendo que o sorriso se espalhava pelo seu rosto e pelos seus olhos.
–Desculpa... – murmurou a loira tirando a mão da boca ainda sorrindo, ela fez uma careta, passou a mão no rosto, mas o sorriso não ia a lugar algum. – Desculpa, eu não consigo.
Rachel riu mais e se aproximou da loira que não se afastou, só colocou a mão sobre os lábios novamente. A judia pegou a mão da loira de cima de seus lábios e viu ali o sorriso novamente. E o seu sorriso foi involuntário.
–Tudo bem... – disse a morena. – Quinn... Aquela música que você cantou... Ela... Ela era para... Ela... – Rachel se atrapalhou nas palavras pela primeira vez fazendo a loira sorrir mais ainda. – Ela...? – Quinn sabia qual era a pergunta que não queria sair pelos lábios da diva e garrara na garganta da mesma fazendo-a ficar completamente corada e adorável aos olhos de Quinn. – Era par-mmmmhm?
E foi exatamente por saber qual era a pergunta que a cheerio se aproximou da pequena garota invadindo seu espaço pessoal, a puxou pela cintura colando seus corpos, sorriu para ela antes de finalmente selar seus lábios.
Rachel não conseguia pensar em mais nada.
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