More Than This
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Tudo parecia girar. O peito ardia, a visão estava embaçada, o mundo desfocado e ao ar rarefeito. Estava doendo, por alguma razão estava. As pernas estavam bambas e a única coisa que a sustentava era o armário em suas costas. Não, era mentira. Não podia ser. Não podiam estar tirando a única coisa boa e perfeita de sua vida. Não ela, não justo ela. Deborah era a única coisa certa de sua vida e a estavam tirando de si.
Santana viu Quinn tentar se apoiar no armário para não cair e quase fez o mesmo. Mas de repente sentiu um corpo quente no seu, lhe apoiando, o perfume era familiar e ela logo escondeu o rosto na curva do pescoço da outra. Não. Não podia ser.
-Diga que é mentira D... – implorou à namorada e ouviu o choro baixinho dela.
-Seria minha frase favorita para agora, mas não posso dizê-la – respondeu a Fabray morena fugando em seguida. – Eu sinto muito, S.
-Não é a única, pequena – resmungou a latina com a voz rouca. Sua garganta parecia rasgar e ela queria gritar feito criança que aquilo não era justo, porque não era, não podiam estar tirando ela de sua vida. Não podiam estar tirando sua garota de si.
Russel se aproximou sorridente e Quinn o fuzilou querendo partir para cima dele, mas Brittany a segurou no lugar enquanto ela o xingava de incontáveis palavras.
-Você está sendo um filho da mãe desgraçado! – exclamou a loira revolta. – Não pode está fazendo isso, nenhum juiz no mundo vai manter isso por muito tempo! Você é um péssimo pai!
-Não fale assim, Lucy – Russel disse duro. – Ainda sou seu pai.
-E isso me dá nojo – rebateu Quinn novamente. Russel ficou vermelho fuzilando a loira com os olhos.
-Não importa, corrigirei você e sua irmã depois... Judy foi muito frouxa e olha o que aconteceu com vocês... Sua irmã é uma... pecadora – ele pronunciou a palavra com nojo e Deborah rosnou para ele se pondo a frente de Santana. – E você... Você devia dar o exemplo Quinnie, você está indo pelo mesmo caminho... Eu vou concertar isso, vocês não são aberrações.
As cinco tinham a mandíbula trincada e encaravam o homem a frente com raiva.
-Eu sei que você é meu sogro mais eu não hesitarei em quebrar seu nariz se repetir isso! – rosnou Santana e Deborah prendeu os braços na cintura da latina, ainda de costas para ela, evitando que a namorada avançasse no pai.
O mais velho riu e Rachel segurou Quinn pelas mãos prendendo seus braços atrás das costas para impedir que a loira avançasse no pai.
-Por que está fazendo isso? – perguntou Rachel.
-Quero concertar minhas filhas que você estragou! – respondeu o homem raivoso.
-Eu? – a Berry perguntou incrédula com o que tinha acabado de ouvir.
-É tudo culpa sua, você estragou minha família! Foi só permitir que você entrasse naquela casa que você arruinou tudo! Deborah se tornou... isso, Judy me mandou embora e Quinn agora acha que também pode ser uma aberração! Eu fui idiota em achar que você não era como seus pais... — disse Russel e Rachel abriu a boca incrédula.
-Eu juro que dessa vez sou eu que bato nele – murmurou a baixinha entredentes e Quinn riu levemente dando a volta no corpo pequeno e a abraçando por trás. – Eu? Sério? A D. decidi por si mesma assim como a Quinn e você traiu a Judy, esperava o que?
Russel rosnou quando foi confrontado pela baixinha e a viu dar um sorriso sarcástico. Ele respirou e deu um sorriso presunçoso para ela.
-Não importa, sabe por quê? Daqui dois dias Deborah Charlotte estará loira novamente e pouco tempo depois ela e Quinn estarão comigo em Chicago, iremos ao casamento de Francine juntos e eu recuperarei Judy, estaremos todos em Chicago e você nunca mais as verá garota Berry.
O sorriso de Rachel sumiu e ela virou o rosto para o lado, não suportando olhar nos olhos azuis gélidos de Russel e muito menos a dor que se apossou de seu corpo ao imaginar Quinn longe de si.
-Vai embora... – disse Brittany com a voz embargada. – Ninguém o quer aqui e só está criando mais dor. É daqui dois dias, vá embora, você não pode ficar aqui. Volte na sua hora.
O homem encarou a loira mais alta pela primeira vez e assentiu, ainda com o sorriso presunçoso em seu rosto, depois se virou para Deborah.
-Sexta-feira estaremos no avião e tudo acaba... Você vai perceber que sua vida aqui era só um erro estupido – disse ele tentando soar carinhosamente.
-Só vai embora, pai – disse a garota sem encara-lo e escorando seu corpo contra o de Santana.
Ele se virou e se foi. Santana se soltou delicadamente da sua namorada, sorriu amarga para ela, se virou e correu.
Um par de braços bronzeados a segurou pela cintura quando fez questão de ir atrás da namorada e ela soube que era Rachel.
-Deixe-a ir, ela precisa de tempo para absorver tudo – disse a Berry e Deborah assentiu deixando as lágrimas caírem novamente.
-Eu não quero ir, não quero ir e ficar longe de vocês... Não com ele, não assim... Eu não quero Rae... Eu não sei se suportaria... E-eu... – a fala não foi completa porque ela engatou em um choro desesperado e Rachel a apertou mais forte.
-Eu sei D. Eu sei... – disse Rachel de forma doce. – Eu sei...
-Faz parar, diz que é um sonho... Qualquer coisa, diz que não é real... – a voz de Deborah saiu quebrada e o coração das três se quebrou ao ouvir não só o tom em sua voz, mas também a frase.
O silêncio se fez presente.
Brittany, Quinn e Rachel se entreolharam e lamentaram não poderem responder.
O silêncio dizia por si só. As quatro não precisavam de palavras para entender.
Tudo era muito real ali.
[...]
Dois dias depois...
As aulas do McKinley haviam sido canceladas na sexta-feira por causa de um cano que havia estourado e alagado diversas salas de aula e o refeitório. Deborah arrumava suas malas naquela manhã enquanto Santana tocava a campainha reclamando de Quinn e Rachel que estava se agarrando ao seu lado.
A pequena Fabray fechou a mala indo atender a campainha que havia tocado descendo as escadas correndo, o tempo de Santana havia sido longo e ela não a via a dois dias então sempre que a campainha ou seu celular tocava ela ia correndo ver quem era.
A porta se abriu e Santana fez cara de nojo novamente para o casal Faberry.
-Oi! – disseram as duas juntas para as pessoas do outro lado da porta.
Deborah sorriu para uma Brittany alegre e Santana se forçou a sorrir para uma Shelby mal encarada.
Ambas queriam estar juntas, mas eram muito orgulhosas para estarem juntas ou darem o primeiro passo.
[...]
-Hey Britt, o que faz aqui? – perguntou Deborah arrumando a nova franja que insistia em cair em seus olhos.
-Você está loira! – exclamou a loira mais alta animada enquanto mexia no cabelo loiro de Deborah.
-É, meu pai cumpriu sua promessa, tive que descolorir – disse a mais nova loira meio tristonha e com essa fala Brittany também fico triste.
-Você vai... – disse Pierce desanimada.
-Eu não tinha muita escolha, tinha? – perguntou a garota retorica e tristemente depois pegou na mão da visitante a puxando para dentro da casa. – Então, o que faz aqui?
-É seu último dia, queria me despedir, falei com o Puck e ele deu a ideia de uma festa de despedida... Falamos com sua mãe e ela falou que tudo bem – disse Brittany voltando a sua antiga animação.
-Festa? – perguntou Deborah de olhos arregalados.
Ela odiava festas.
-É, mas não se preocupa que eu sei que você não gosta de festas... – disse Britt ainda animada. – Não vamos chamar tanta gente.
-Certeza Britt? Da primeira vez que me arrastou para uma festa minha irmã ficou grávida, da primeira que falou que não ia ter tanta gente ficamos de ressaca com uma apresentação do Glee pendente e você vomitou na minha melhor amiga, da última vez eu perdi minha virgindade para um garoto idiota, apesar dele ser meu melhor amigo, mas eu não curto o que ele tem entre as pernas, e Rachel quase pirou – disse a Fabray alarmada e Britt fez careta.
-Não, dessa vez Quinn não vai ficar gravida, nem vou vomitar na Rach, ou você vai perder a virgindade apesar deu achar que isso só acontece uma vez... – Deborah riu e balançou a cabeça.
-Tudo bem, Britt. Uma festa de despedida, mas não pense que só por isso vai se livrar de mim por muito tempo, eu vou voltar.
Brittany sorriu, não por conseguir convence-la quanto à festa e sim porque sabia que as últimas três palavras que a Fabray dissera de alguma maneira eram verdade.
[...]
-Vocês demoraram – reclamou Shelby. – Eu tenho que sair em poucos minutos e tive que cuidar de Beth enquanto devia estar me arrumando.
Quinn fez uma careta junto de Santana e Rachel olhou para a mãe de maneira fria e repreensiva. Às vezes chegava a agradecer por não ter sido criada por aquela mulher.
-Tudo bem, onde está Beth? – perguntou Rachel.
-Na sala, entrem logo que eu tenho que me arrumar – disse a mais velha. –E isso será descontado mais tarde.
Quinn trincou o maxilar fuzilando Shelby, Santana não estava diferente.
-Quando você volta? – perguntou Rachel a mãe.
-Não sei – disse a mulher. – Tarde, bem tarde.
-Temos que sair às oito – rosnou Quinn.
-Leve-a com vocês então, pego ela amanhã – foi tudo que Shelby disse antes de subir as escadas correndo e Quinn quase foi atrás dela para lhe espancar.
-Eu odeio essa mulher – rosnaram a Fabray e Santana juntas enquanto Rachel corria até a sala para sua irmãzinha (espera, se ela “namorava” a mãe biológica dela isso a tornava uma irmãe? É, ela estava passando tempo demais com Deborah).
[...]
-Então... Você e San... – disse Britt enquanto ela e Deborah arrumavam a casa para a festa de despedida.
-O que tem? – a Fabray perguntou enquanto recolhia os amados pratos de porcelana da mãe de uma estante na sala (não queria correr o risco de algum quebrar e ela ir quebrada para Chicago).
-Como estão vocês duas?
Deborah suspirou sem uma resposta. Ela não sabia. Não via Santana fazia dois dias, a latina parecia fugir dela.
-Eu não sei.
-Como não?
-San está fugindo de mim – tentou soar divertida, mas sua voz saiu cheia de magoa.
-Ela está triste... – disse Britt.
-Eu sei, B., eu também estou lembra?
-Não, não é só isso. Ela está triste e com medo, você sabe que tudo que assusta a San ela vai lá e corre em direção contraria a isso.
-O que? Eu estou indo para Chicago e ela está com medo?
Brittany pareceu pensar e depois concordou com a cabeça. A Fabray a encarou com uma sobrancelha arqueada.
-Você sabe... – continuou a Pierce. – A San pode parecer forte, mas ela não é invencível. Ela sente medo. Ela é humana. Ela só tem medo que quando você vá para Chicago acabe mudando, que não a ame mais.
-Então é isso? – a pergunta saiu mais para si mesma junto de um sorriso bobo.
-Eu tentei convencê-la que era bobagem porque eu vejo nos seus olhos que você a ama mais que tudo – Deborah abaixou a cabeça sorrindo fraco e Britt a achou tão fofa daquele jeito. – E até um cego veria isso, mas você conhece a San. E eu sei que alguns amores nunca mudam e duram para sempre tipo o seu e o da Rach porque eu nunca deixaria minhas melhores amigas nas mãos de alguém que não as amasse de verdade.
Deborah mordeu o lábio inferior e colocou uma mexa de seu cabelo atrás da orelha se perguntando como Brittany sabia daquilo tudo. Quando levantou a cabeça novamente a loira mais alta tinha o celular na sua direção como se tirasse uma foto.
-BRITT!
-Mas você estava tão fofa... – a mais alta fez biquinho e Deborah gargalhou sem perceber que ela tirava mais fotos suas.
[...]
-Então, vocês duas estão ai na cozinha aos uns 15 minutos... Estão medindo a temperatura do leite com um termômetro ou o tirando das tetas da Fabray? – berrou Santana da sala. A latina estava esparramada no sofá da casa de Shelby enquanto Beth brincava no tapete com alguma boneca estúpida e a dupla Faberry estava na cozinha fazendo um leite para a criança.
-SANTANA! – ouviu um grito de Quinn, mas que saiu meio abafado no final. A latina riu.
-Certo, vocês estão fabricando outra criança! – disse de maneira alta e divertida.
Não obteve resposta e ao invés disso seu celular apitou indicando alguma mensagem. Se sentou no sofá olhando para a criança no tapete que a encarava também.
Porra, porque Deborah tinha que parecer tanto com Quinn e consequentemente com a filha dela? Olhar para os olhos de Beth era como olhar para os de Deborah, tinham o mesmo brilho infantil, brincalhão e vivo.
Merda!
-Por que você tinha que se parecer tanto com sua mãe e consequentemente com sua tia? – perguntou a latina para a criança que a encarou de forma engraçada antes de soltar um risinho.
Santana sorriu sabendo que Deborah faria a mesma coisa e depois soltaria um “Oops!” brincalhão e com falsa culpa.
-Oops... – sussurrou a latina tentada a sair correndo pela porta em direção a casa dos Fabray e a sua namorada. – Eu sinto falta dela... – murmurou se deixando cair no sofá novamente. Sentiu uma movimentação ao seu lado e viu Beth se escorando no sofá ao lado da sua barriga e a olhando atentamente como se compreendesse. – Tanta falta – Santana pegou a pequena loirinha no colo e a deitou sobre seu peito a acomodando sobre si.
-Oops... – balbuciou Beth e Santana sorriu.
-É, “Oops!” – disse a mais velha acariciando involuntariamente os cabelos loiros do bebê. – Por que eu tive que me apaixonar por uma pessoa tão complicada, hein?
-Tia D...? – perguntou a pequena novamente e a latina percebeu que Beth tivera a sorte de puxar a inteligência da mãe.
-É, tia D. – concordou. – De madrugada ela vai estar em um avião indo para longe de mim e eu não sei como eu vou ficar, mas vai ser bem ruim. Sabe por que, pequena B?
-Apaixonada! – exclamou a pequena.
-Yeah, porque eu sou uma idiota apaixonada por uma garota incrível e sabe o que acontece com pessoas assim? – continuou conversando com a criança como se ela conseguisse entender casa palavra que saia pela sua boca. – Elas ficam inseguras porque uma pessoa incrível assim tem qualquer um aos seus pés e com ela longe fica difícil ficar confiante.
-Yeah! – Beth sorriu para Santana que riu.
-Você não entendeu nada não é mesmo? – perguntou a latina divertida e o bebê riu, inevitavelmente Santana riu também. A morena sentou Beth em seu estomago brincando com suas mãozinhas enquanto Beth ria por estar sendo sacudida. – Mas sabe de uma coisa? Eu estou com medo de perder sua tia, mas não conte isso para ninguém.
-Bluuuh! – balbuciou a pequena e Santana soube de alguma maneira que de alguma maneira aquele era o voto de silencio de Beth.
Quinn sorriu enquanto parava a gravação de seu celular e mandava para sua irmã. Inicialmente ela não gostou da ideia de Santana namorar sua “irmãzinha”, mas vendo ela assim, tão amarrada,(oh céus ela ficava tão fofa com aquele jeito medroso!) a Fabray sabia que Santana não machucaria sua irmã, ela podia ver, Santana estava tão apaixonada...
A loira olhou para Rachel que testava a temperatura do leite de Beth e caminhou até ela a abraçando por trás e beijando seu ombro.
-Hey baby – sussurrou a loira e Rachel soltou um riso pelo nariz.
-Hey pra você também.
-Está na hora de devolver o favor, não acha?
-Como assim?
-O casal “mais estranho, confuso e inimaginável do WMHS” precisa de ajuda... O que acha de retribuirmos o favor, huh? – perguntou a loira beijando o pescoço da menor.
-Sua irmã vai me matar se eu me meter.
-Você não sabe.
-Oh eu sei, você sabe... Eu passei e passo mais tempo com ela que você. Você é a irmã mais velha, eu sou a melhor amiga...
-Ahhh baby...
-O dano físico ficará comigo.
-Vamos lá, Rach. Vamos amor, não custa nada e no final elas vão agradecer. Baby, baaaaaby, amoooor...
-Repete – saiu mais como um gemido.
-Amor. Eu te protejo dela depois, meu amor.
Quinn sorriu quando Rachel suspirou e ela soube que tinha vencido aquela pequena “discursão”.
-Tudo bem... Mas você será meu escudo humano.
-Eu sou tudo o que você quiser, baby.
Rachel riu e se virou beijando a loira de forma apaixonada.
Elas sabiam que no final tudo ia ficar bem.
As duas se separaram e ficaram se encarando sorridentes. Rachel riu fechando os olhos quando se lembrou do modo como tudo começou.
-O que foi?
-É irônico o modo como nós começamos, eu, você, elas... – a judia sorriu divertida. – Começou por causa de Deborah e sua maníaca obsessão pelo One Direction. Tudo por causa deles.
Quinn riu e depois ficou séria por um instante.
-Eu nunca quis matar minha irmã tanto quanto naquele dia.
Rachel riu.
-Santana quase me matou – murmurou a judia sorrindo de lado. – Mas você tem que admitir que foi por culpa deles...
-E das suas saias pecaminosamente curtas – Quinn acrescentou.
-E dos malditos shorts curtos e jeans apertados de Deborah – Santana disse entrando com Beth em suas costas brincando de cavalinho na cozinha. As duas cheerios suspiraram balançando a cabeça negativamente murmurando algo como: “Que pernas!”.
Rachel se afastou de Quinn e encarou as duas.
-Sério que ficavam olhando para as minhas pernas e as de D? – perguntou incrédula. A latina e a loira sorriram de forma culpada e Santana ajeitou o bebê em suas costas. – Não acredito...
-Não era só a gente! – Quinn se defendeu.
-Corrigindo: não É só a gente, no presente Fabray, não se faça de santa – murmurou Santana e a loira riu. – E a Juno tá certa, não é só a gente...
-Não? – Rachel perguntou arqueando uma sobrancelha.
-Não – Quinn balançou a cabeça da direita para a esquerda fervorosamente.
-A escola toda também – completou Santana e a Berry tentou, ela jura que tentou, mas acabou rindo das duas.
Os celulares delas tocaram juntos avisando alguma mensagem. Ambas pegaram os aparelhos, Santana com mais cuidado pois tinha uma criança hiperativa em suas costas e depois elas sorriram com o que leram. Pelo menos Quinn e Rachel.
“Ela aceitou, festa na casa dos Fabray’s hoje! – Britt.”
“Legal! Chegamos ai sete horas e ajudamos a dar os últimos toques – Quinn.”
“Você conseguiu convencê-la, nossa! Fale com Kurt, ele deve ajudar você com a roupa para ela, isso tem que ser perfeito! Ela nunca vai esquecer dessa festa porque temos que marca-la na memória da D. Só lembra de tirar a porcelana e o forro das almofadas da tia Judy, eu realmente não quero que ela faça igual da última vez – Rach.”
“O que? Ligar para Lady Hummel uma ova! Ele fará minha garota vestir vestidos curtos e apertados, não quero idiotas secando ela. E Hobbit, aquiete-se, fique longe da MINHA D. – San.”
Rachel revirou os olhos rindo e sem querer sua mente viajou para o inicio do ano letivo passado quando sua amiga se assumiu, deu uma de Demi Lovato e Santana quase a matou...
...Foi um ano maravilhoso.
Setembro de 2010 – Primeiro dia de aula.
-Não acredito que você vai mesmo fazer isso – Rachel exclamou risonha para a amiga que a olhava seriamente com uma caixa de tinta para cabelo na mão. Ainda era madrugada, mas o dia já começara para elas e o plano de lançar Deborah Fabray do armário também. – Você ainda não me explicou direito a razão disso tudo. Eu sempre soube que você jogava no meu time, porque as coisas “experimentais” que fizemos passam muito do nível normal, mas bem... Tem que ter uma razão, certo?
-Tem – disse Deborah se sentando no vaso do banheiro de lado e Rachel subia na pia se sentando e fazendo com que a Fabray ficasse entre suas pernas. – Agora comece minha transformação Berry e aproveite que Quinn não esta aqui para você enfartar se ela entrar aqui de lingerie pedindo alguma coisa.
-Há Há! – A Berry forçou uma risada desanimada pegando a tinta da mão da amiga e lendo as instruções. – Desembuche.
-Ta confortável? – a loira sorriu de lado e Rachel revirou os olhos.
-Sim.
-Então deixe-me começar. Tem uma confusão aqui em mim, minha mente está um caos, e tudo começa com uma garota. Ela está bagunçando o meu mundo.
Rachel sorriu.
-Acho que te entendo...
-Como?
-Sua irmã está bagunçando o meu também.
A risada rouca da Fabray encheu o banheiro junto de um “Eu sabia!” e Rachel riu balançando a cabeça.
-Ela me deixa confusa.
-Mulheres são tão confusas, eu sou mulher e nem mesmo eu me entendo.
Deborah murmurou um “Oh yeah” enquanto Rachel começava a aplicação da tinta.
-Eu disse que gostava dela de um jeito diferente...
Rachel sabia de quem a amiga estava falando. Sua prima, mais conhecida como Lopez. Santana Lopez.
-E?
-Ela disse que não daria certo, que eu era a irmã caçula da melhor amiga dela e isso quebrava totalmente o código “bro”.
-Isso é verdade. Se eu tivesse uma irmã caçula e você ficasse afim dela eu te mataria.
-Eu não duvido, baby. Mas eu não te matei por você estar caidinha pela minha irmã.
-É... Por que?
-Porque eu sei que não tem mais ninguém que pode amar Quinn mais que você. Minha irmã diz que quer ser amada, mas ela já é. Por mim, por San e Britt, pela mamãe... E por você.
Rachel corou e Deborah sorriu fraco.
-Continua sua historia...
-Ela disse que “seriamos apenas amigas”, nada além... Santana Lopez quebrou meu coração.
-Bem-vinda ao clube.
Deborah riu. Ela sabia que Rachel sabia (WTF?) como ela se sentia. Rachel Berry não tinha um histórico bom se tratando de algo relacionado ao coração. Finn partira seu coração, ela era apaixonada por Quinn que fazia seu coração em micro cacos a cada dia. Era uma vida difícil.
-Eu queria esquecê-la, mas quanto mais eu tento...
-... Mas parece que ela está em sua mente. Eu sei.
-Eu daria tudo para ter me apaixonado por você, seria tããããããão mais fácil.
-Não nascemos para facilidades.
Deborah balançou a cabeça concordando e sem querer atrapalhando Rachel no seu trabalho logo ganhando um puxão em resposta. A Fabray fez uma expressão exagerada de dor e ficou quieta.
-Doeu... – Deborah fez bico e Rachel riu.
-Sem drama – a Fabray abriu a boca sorrindo sacana e Rachel revirou os olhos. – Se você abrir a boca para falar que isso parece hipócrita vindo de mim eu juro que cego algum de seus olhos.
-Você não faria isso, esses olhos te encantam.
-Idiota. E não são esses olhos, são os da sua irmã.
-Dá na mesma.
Rachel revirou os olhos enquanto se sentava direito na pia e esperava pelo tempo necessário para a tinta azul agir no cabelo da amiga.
-E o Glee?
-O que tem?
-Você prometeu que iria entrar no segundo ano se sua paixonite por Santana não acabasse.
-Droga...
-Não acabou, você se apaixonou pela Satã, eu ganhei. Você entra no Glee.
-Ah não Rae...
-Perdeu baby. Você vai entrar para o Glee.
-Mas ai eu vou ter que ficar na mesma sala que San e Britt, a chata da minha irmã e do boneco de posto.
-Deborah!
-Certo, do Finn. Não sei porque ainda defende ele, ele é um babaca. Principalmente por te perder.
-Eu não sei, acho que tenho isso... Não mude de assunto, você prometeu e você vai.
-Merda, por que eu tenho que ser tão firme em minhas palavras e promessas? Não me sentiria bem se quebrasse alguma.
Rachel sorriu vitoriosa.
-Vai cantar que música na audição?
-One Direction, logicamente. Acho que Heart Attack, conhece?
-Claro que sim.
-Me ajuda?
-Tenho opção?
-Claro que não.
As duas se encararam e sorriram. Deborah não conseguiu evitar pensar que convencer seu pai a deixar Rachel Berry pisar naquela casa fora sua melhor ideia da vida.
Tempo atual – Casa de Shelby.
—San, que cara de idiota é essa? – perguntou Rachel enquanto olhava uma Quinn sorridente e descabelada brincar com a filha também descabelada. A cena fazia Rachel ter um sorrisinho idiota na cara e Santana tentar se conter.
-Desde quando temos tanta intimidade para nos tratarmos por apelidos carinhosos, Hobbit? – perguntou a latina sorrindo ainda encarando a tela do celular.
-Desde quando eu sou sua prima – Rachel respondeu sem perceber que Quinn e Beth haviam parado de brincar e encaravam a pequena discursão das duas como se assistissem ping pong. – Desde quando seu pai é meu tio. Desde quando fomos criadas juntas.
-Tudo bem, entendi... – resmungou a latina e Rachel riu.
-E também eu já considero seus apelidos “carinhosos” – finalizou a judia e as duas primas se encararam.
De repente o sorriso em seus rostos diminuíram e elas se fuzilaram.
-Você se apaixonou pela minha melhor amiga... – acusou Rachel. – Eu te avisei para não fazer isso.
-Digo o mesmo, Berry – rosnou Santana. – Quebramos a promessa.
-Que promessa? – perguntaram Quinn e Beth juntas e as garotas no sofá se encararam e depois as duas loiras.
-De nos mantermos afastadas – disse Rachel.
Quinn assentiu e Beth repetiu o gesto, logo as duas loiras se encararam franzindo o cenho e depois Beth se lançou sobre a mãe e recomeçaram em seguida a brincadeira no tapete.
-Britt me mandou umas fotos antigas da D... – disse Santana se aproximando da prima. A promessa de quando tinham treze anos havia sido desfeita por causa de suas garotas, podiam voltar a ser somente as primas Lopez-Berry agora. Podiam tentar refazer a amizade que tinham antes do ensino médio.
-Como? – perguntou Rachel confusa. Santana revirou os olhos batendo a mão em sua coxa indicando para a prima sentar ali e movendo os lábios em um “Vem aqui”.
-Ela tá loira – explicou a latina enquanto Rachel se sentava em seu colo. Santana mostrou o celular e passou algumas fotos todas de Deborah. Ora corada, rindo, sorrindo envergonhada... Todas lindas.
Rachel arregalou os olhos. Havia esquecido como Deborah era parecida com Quinn.
—Porra!— sussurrou de olhos arregalados. – Nem lembrava dela desse jeito mais.
-Ela e Quinn são assustadoramente parecidas – Santana pontuou e Rachel acenou positivamente com fervor.
-O que? – Quinn de repente brotou do lado delas com Beth no colo e olhando para o telefone com curiosidade.
Santana e Rachel pularam de susto. A latina engoliu em seco quando viu o olhar assassino que sua melhor amiga direcionava para sua mão que estava na coxa de Rachel.
-Rach, ela ta me fuzilando... – resmungou Santana se encolhendo e escondendo atrás da prima com a voz manhosa. Rachel riu, sentia falta dessa Santana.
-Quinn... – repreendeu.
Quinn fez bico e olhou para o celular de Santana se inclinando um pouco.
-Estão vendo fotos da Charlie? – perguntou Quinn e as duas morenas franziram o cenho confusas se perguntando por um instante quem diabos era Charlie, mas lembrando em seguida do nome do meio de Deborah e que quando pequenas Quinn só a tratava assim.
-Char-Quer dizer, sim – disse Santana. – Britt me mandou fotos antigas dela...
-Não são antigas – a loira interrompeu.
-Como? – dessa vez Rachel perguntou confusa.
-Charlie, quer dizer, a D. foi obrigada a descolorir o cabelo pelo papai e agora está loira de novo... Essas fotos são de agora, só olhar mais atentamente. O estofado do sofá é bege e não verde, nessa dela com o pescoço inclinado dá para ver parte da tatuagem de bussola que ela tem no ombro esquerdo, a parede não tem aquela mancha verde de antes e a cicatriz do lado da sobrancelha dela... – Quinn começou apontando para todas suas observações, mas antes mesmo de concluir Santana e Rachel estavam com expressões serias e ligando para Brittany.
-Brittany Susan Pierce! – exclamaram Rachel e Santana juntas quando Britt atendeu o celular. Quinn revirou os olhos e começou a observar as duas primas histéricas. Ao que parecia, o telefone estava no viva-voz.
—Esse é o meu nome! — Britt exclamou feliz e Quinn sorriu, mas seu sorriso logo sumiu ao ver a expressão ainda séria das duas morenas. A loira encarou sua filha e balançou a cabeça negativamente.
-Estou achando que a mana Rach prefere a tia D a sua mãe, Beth – sussurrou a loira para a filha. A pequena lhe sorriu e negou com a cabeça.
-Não, ela ama você. Ela disse – devolveu Beth no mesmo tom e sorrindo com a língua entre os dentes. Quinn sorriu se lembrando que Deborah sorria exatamente assim. Às vezes parecia que Beth era filha da sua irmã e não dela.
-O que você fez para minha garota soltar aqueles sorrisos lindos? – Quinn ouviu Santana questionar.
-O que fez? Eu mal superei a ideia dela e Santana ainda! – Rachel falou ao mesmo tempo.
—Eu? — Britt parecia confusa.
-É Brittany, você. Você me mandou as fotos, o que fez – exigiu Santana e Quinn revirou os olhos enquanto pegava a filha e se levantava do tapete.
—Eu disse que você amava ela de verdade. Que estava com medo. Eu falei que sei que o amor dela e da Rach vai durar para sempre porque eu nunca deixaria minhas melhores amigas nas mãos de alguém que não as amasse de verdade — Rachel corou, Santana paralisou e Quinn arregalou os olhos antes de soltar um sorriso idiota.
-Britt... – Quinn soltou sorrindo e encarando as duas morenas paralisadas no sofá. – Você é incrível. Obrigado.
—Oh, oi Quinn! — Britt soltou animada e a loira riu enquanto caminhava até Rachel e depositava um leve beijo nos lábios da morena.
-Eu também te amo, Berry – disse a Fabray mais velha sorrindo e Rachel soltou um sorriso de 1000 watts totalmente bobo.
Era mágico ouvir aquilo de Quinn.
Corredor do McKinley – Inicio das aulas do 2º ano.
-Berry – ouviu a voz divertida de sua melhor amiga um pouco atrás de si e riu se virando se deparando com Deborah de cabelos azuis, uma blusa branca com letras desajeitadas escrito ‘Likes Girls’, uma calça jeans surrada e seu inseparável... Espera, esse All Star era diferente, não era preto nem branco, era bege. A Fabray riu quando viu que Rachel olhava confusa para seus tênis (os tênis de Quinn na verdade). – São da minha irmã – explicou e depois disse num tom mais baixo depois de olhar para os lados seguidas vezes. – Ela esqueceu em casa, estaria morta se ela descobrisse que são dela.
Rachel riu percebendo em seguida que todo o corredor as encarava. Ela não se importava mais com isso, já se acostumara com os olhares tortos que recebia simplesmente por andar com Deborah Charlotte Fabray sendo Rachel Barbra Berry.
(Às vezes a Berry até agradecia por eles não saberem muito).
-E aqui está a mais recente fugitiva de Nárnia – disse a Berry com um sorriso estampado no rosto.
Deborah arregalou os olhos antes de exclamar:
-Porra, você é mesmo prima de Santana!
Rachel revirou os olhos.
-Isso é óbvio Ninfadora Tonks, por favor, só não diga isso em voz alta.
-Na verdade a Tonks tem os cabelos rosa chiclete.
Rachel revirou os olhos. Ela sabia disso também, mas sua amiga não podia ser menos nerd?
-Cala a boca Charlie.
Deborah fez bico, só Quinn costumava a chamar assim e isso a magoava, não via sua irmã há tanto tempo.
-Não me chama assim, só a Q. que pode.
Rachel revirou os olhos. De novo.
-Tudo bem Demi Lovato...
-Quem dera – Deborah a interrompeu. – Eu me olharia nua no espelho toda hora.
-Você é repugnante. Agora vamos pegar nossos horários.
Elas se viraram se deparando com Karofsky com um copo de raspadinha na mão e sorrindo medonhamente para elas. Deborah revirou os olhos soltando um baixinho “E lá vamos nós”.
-Ora, ora – começou Dave e Deborah revirou os olhos mais uma vez, não podia se adiantar?
-Anda logo Dave, não temos o dia todo – pediu a garota Fabray impaciente. – Espera, só uma pergunta... Essa raspadinha é de que?
-Limão – respondeu o jogador.
Deborah e Rachel se encararam de olhos arregalados.
Porra, aquilo ardia para caralho!
-Não tinha de morango? – gemeu Deborah desgostosa e Dave riu, era meio inevitável, podia estar fazendo aquilo, mas tinha que admitir... Deborah Fabray era engraçada.
-Não tinha – respondeu o jogador, logo depois se virou e chamou outros dois garotos com copos de raspadinha em mãos também. Deborah suspirou e encarou Rachel que a olhava também.
-Tchau, Rae – murmurou a Fabray.
-Não D., eu não vou sa... – começou a Berry e Deborah revirou os olhos novamente.
-Mandei sair, Berry. Vaza – interrompeu a amiga. Rachel suspirou sabendo que não tinha como ganhar aquela discursão então disse um ‘tchau’ baixinho enquanto saia correndo dali. A de cabelos azuis se virou encarando os três jogadores e deu um sorriso de lado. – Sentiram saudades de mim nas férias, garotos?
Os segundos que se seguiram foram preenchidos por uma ereção de um dos jogadores, raspadinhas manchando casacos do time, uma Quinn orgulhosa, uma Brittany alegre, uma Santana surpresa e Deborah se desmanchando de rir.
Clube do Coral – Testes.
-Daqui a pouco você entra, ta? – Rachel perguntou para a amiga que apenas riu e assentiu. Deborah estava estranha desde o corredor. – Por que está rindo tanto criatura?
-A San... – a Fabray sorriu largo. – Ela ficou com ciúmes de mim com a Melody Dawson, ela ficou me olhando a cada cinco segundos, ela...
-Ok, entendi – Rachel riu. – Ela ficou com ciúmes.
-Yeah, me senti tão bem – confirmou a de cabelos coloridos rindo.
-Tudo bem, você está feliz, mas temos um teste para fazer – Rachel sorriu para a amiga olhando a sala cheia através do vidro na porta.
-Você nunca chegou atrasada no clube Glee – Deborah franziu as sobrancelhas. – Vão estranhar...
-E quando você entrar divando com seu cabelo azul aí vão quase enfartar – Rachel gargalhou e depois apontou para a amiga. – Fica aqui, entra daqui a pouco. Ah, e sobre a música – ela abriu a porta sem querer chamando a atenção da turma no processo e nem percebeu tal fato. – Por que não Loved You First? É quase a mesma coisa...
-Porque ela não foi meu primeiro amor, dã – Deborah respondeu como se fosse obvio. Rachel franziu o cenho, confusa.
-Não?
-Claro que não Berry – Deborah cruzou os braços revirando os olhos. – Foi você.
Rachel arregalou os olhos dando alguns passos para trás e finalmente notando que a porta estava aberta. Olhou para as pessoas dentro da sala que tinham os olhos arregalados e a boca aberta fazendo careta.
-WOW! – a Berry exclamou voltando o olhar para a garota de cabelos coloridos que tinha um sorriso divertido no rosto. Passado o susto, Rachel riu junto de Deborah. – Sério?
-Yeah, pode admitir também que eu fui seu primeiro amor Berry – a Fabray mais nova sorriu sacana.
-Minha religião não permite mentiras – Rachel riu e Deborah fechou a cara. – Mas segredinho aqui, você realmente foi minha primeira crush.
-EU SABIA! – Deborah gritou rindo e depois empurrou Rachel para dentro da sala para enfrentar os olhares assustados, sozinha.
-Eu, bem, quero cantar uma música – disse tudo muito rápido e meio embolado encarando Mr. Shue que apenas assentiu ainda de olhos arregalados. Rachel deu de ombros caminhando em direção à banda e sussurrando a música para eles.
Ao invés de caminhar de volta ao centro da sala, ela sentou em cima do piano sorrindo enquanto a introdução da música começava.
Baby you got me sick [Baby, você me deixou doente]
Praticamente todo o Glee Club arregalou os olhos quando Charlie entrou pela porta dando inicio a música com um sorriso torto no rosto e caminhando até Rachel que já gargalhava.
I don't know what I did [Eu não sei o que eu fiz]
Need to take a break and figure it out, yeah [Preciso fazer uma pausa e descobrir isso, yeah]
Got your voice in my head [Tenho a sua voz na minha cabeça]
Saying let's just be friends [Dizendo “vamos ser apenas amigos”]
Can't believe the words came out of your mouth [Não posso acreditar que as palavras saíram de sua boca]
Yeah [Yeah]
Se ajeitando entre as pernas da amiga, Charlie cantou olhando em sua direção como se fosse ela a causadora de tudo aquilo para logo em seguida segurar na cintura de Rachel a tirando de cima do piano rodando com ela ainda em seus braços para finalmente coloca-la de volta no chão.
Rachel fez bico para a amiga que sorriu apontando para ela.
I’m trying to be ok [Eu estou tentando ficar bem]
Im trying to be alright [Eu estou tentando ficar bem]
But seeing you with him [Mas ver você com ele]
Just don’t feel right [Não me faz bem]
A judia cantou encarando Charlie que fez careta pela carinha triste de Rachel ser tão real. Talvez porque fosse. Por um momento ela quis parar com aquilo e gritar com Quinn.
And I’m like oww [E eu estou tipo “Oww!”]
Never thought it’d hurt so bad [Nunca pensei que fosse doer tanto]
Getting over you [Esquecer você]
And oww [E oww!]
You’re giving me a heart attack [Você está me dando um ataque cardíaco]
Looking like you do [Olha o que você faz]
Cause you’re all I ever wanted [Porque você é tudo que eu sempre quis]
Thought you would be the one that’s ow [Pensei que seria a única e oww!]
Giving me a heart attack getting over you [Me dá um ataque cardíaco esquecer você]
Finalmente olhando para frente as duas fizeram caretas juntas enquanto cantavam. Deborah deu de ombros encarando Santana que tinha os olhos arregalados ao lado de Britt que olhava tudo sem entender, a pequena Fabray deu de ombros começando a correr atrás de Rachel que gritou fugindo dela também antes de começar a cantar novamente.
Baby now that you’re gone [Baby agora que você se foi]
I can’t stand dumb love songs [Eu não suporto canções de amor estúpidas]
Missing you is all I’m thinking about, yeah [Sinto sua falta, é tudo que eu estou pensando, yeah]
Everyone’s telling me, I’m just to blind to see [Todo mundo está me dizendo, eu estou muito cego para ver]
How you messed me up I’m better off now [Como você acabou comigo, estou melhor agora]
Yeah [Yeah]
Rachel riu quando Deborah a alcançou a rodando pela cintura e começando a cantar olhando por cima do ombro para a pessoa a qual a música era direcionada.
Santana não conseguia acreditar que ela estava fazendo isso.
Ao contrário de Quinn, que acreditava e estava prestes a se levantar da cadeira para dar na cara da sua irmã caçula.
I’m trying to be okay [Eu estou tentando ficar bem]
Im trying to be alright [Eu estou tentando ficar bem]
But seeing you with her [Mas ver você com ela]
Just don’t feel right [Não me faz bem]
Mudando a letra Deborah encarou Santana sobre o ombro de Rachel com um sorriso triste antes de soltar a pequena em seus braços se afastando.
And I’m like wow [E eu estou tipo “Wow!”]
Never thought it’d hurt so bad [Nunca pensei que ia doer tanto]
Getting over you [Esquecer você]
And oww [E oww!]
You’re giving me a heart attack [Você está me dando um ataque cardíaco]
Looking like you do [Olha o que você faz]
Cause you’re all I ever wanted [Porque você é tudo que eu sempre quis]
Thought you would be the one that’s ow [Pensei que seria a única e ow!]
Giving me a heart attack getting over you [Me dá um ataque cardíaco esquecer você]
Oh, oh
Oh, oh, oh, oh
Ooh!
Oh, oh
Oh, oh, oh, oh
Deborah fez careta olhando para Rachel que deu de ombros girando em seu próprio eixo de brincadeira fazendo a amiga rir e imitar o passo.
Yeah everytime you look like that [Yeah, toda vez que você está linda assim]
Oh, oh
Oh, oh, oh, oh
OOh!
Oh, oh
Oh, oh, oh, oh
You're givin' me a heart attack [Você está me dando um ataque cardíaco]
But seeing you with her [Mas eu vejo você com ela]
Just don't feel right [Isso não me faz bem]
A Fabray de cabelos coloridos olhou para Santana fazendo biquinho e uma carinha de cachorro que caiu de mudança, como se estivesse prestes a chorar.
No mesmo instante que Quinn deu um tapa na cabeça de Santana, Rachel deu um na cabeça de Deborah.
And I'm like [E eu estou tipo]
Rachel encarou a amiga com os braços cruzados e as sobrancelhas arqueadas.
-Eu pensei que era para sermos discretas – ironizou mexendo só os lábios e fazendo Deborah gargalhar.
Ow! [OW!]
Never thought it'd hurt so bad [Nunca pensei que ia doer tanto]
Gettin' over you-ooh [Esquecer você]
And ow! [E ow!]
You're givin' me a heart attack [Você está me dando um ataque cardíaco]
Lookin' like you do-ooh [Olha o que você faz]
Cause you're all I ever wanted [Porque você é tudo que eu sempre quis]
Thought you would be the one [Pensei que seria a única]
It's ow! [E ow!]
Givin' me a heart attack[Me dá um ataque cardíaco]
Gettin' over you-ooh-ooh-ooh [Esquecer você]
Oh, oh
Oh, oh, oh, oh
As duas se encararam franzindo o cenho antes de sorrirem uma para a outra. Era divertido, não faziam isso a muito tempo.
You [Você]
-Você não! – exclamaram rindo quando Rachel terminou de cantar a pequena palavra.
-Vai se ferrar! – Rachel rebateu rindo também.
You're all I ever wanted [Você é tudo que eu sempre quis]
Yeah everytime you look like that [Yeah, toda vez que você está linda assim]
Oh, oh
Oh, oh, oh, oh
Come on [Venha]
A judia continuou a música e Deborah sorriu para ela mexendo no seu cabelo tingido enquanto negava com a cabeça para em seguida continuar a música.
You're all I ever wanted [Você é tudo que eu sempre quis]
Oh, oh
Oh, oh, oh, oh
As duas amigas se viraram de frente uma para a outra com sorrisos nos rostos.
Rachel achava particularmente fofo quando Charlie sorria com a língua entre dentes como estava fazendo naquele momento.
You're givin' me a heart attack [Você está me dando um ataque cardíaco]
Ow!
Finalizaram a música juntas.
—E agora? – Deborah perguntou.
Rachel olhou ao redor, analisando o ambiente cuidadosamente.
Santana estava lhe fuzilando.
—Agora... – respirou fundo. – Corremos.
Deborah riu, olhando para Quinn que estava a ponto de se lançar em sua direção e acenou antes de começar a correr para longe dali com sua melhor amiga.
Nunca se divertira tanto quanto naquele dia, mesmo que sua irmã tivesse ficado uma fera com ela.
Tempo atual – Casa das Fabray.
— Uipi! – Beth exclamou sobre os ombros de Quinn enquanto fazia pose. Elas haviam acabado de sair do carro e caminhavam tranquilamente em direção a porta da casa, quer dizer, não tão tranquilamente para Santana.
— Vem logo Satã! – Rachel exclamou abraçando a cintura de Quinn por trás enquanto tocavam a campainha.
Santana respirou fundo caminhando na direção delas, mas brecando no meio do caminho quando viu uma cabeleira loira abrir a porta da frente.
Deborah estava ali lhe olhando com um sorriso tímido e fazendo seu coração disparar enlouquecidamente contra seu peito.
— Se resolvam – Quinn murmurou entrando e empurrando sua irmã para fora enquanto Rachel fechava a porta da frente.
— Amamos vocês! –a judia gritou de dentro da casa.
Deborah e Santana se encararam por alguns segundos.
A loira atravessou o gramado correndo para em seguida se lançar nos braços da namorada.
— Não quero te deixar ir, não consigo sem você – a latina murmurou baixinho contra os fios loiros tão novos para ela.
— Acredite, eu também não quero ir amor...
Rachel e Quinn se encararam dentro da casa se sentando no sofá. Beth entre as duas.
— É tão estranho vê-las assim... – a Fabray murmurou parecendo chateada e Rachel concordou.
— Elas nos ajudaram antes, acho justo ajuda-las agora também – a judia murmurou. – A D. não pode ir pra Chicago e podemos reverter essa situação!
— Podemos?
— Conheço algumas pessoas, podemos fazer isso.
Quinn riu negando com a cabeça e beijando delicadamente a têmpora de Rachel.
— Podemos, mas não diretamente... Temos um encontro no sábado e não vamos estragar isso Rae – sussurrou rente ao ouvido da judia que suspirou virando em sua direção.
— Tudo bem... estou de acordo – Rachel murmurou virando seu rosto e se aproximando do de Quinn.
— Beth quiii! – a voz fina de Beth murmurou enquanto a pequena emburrava ambas para lados diferentes com uma carinha emburrada fazendo as duas rirem.
Até mesmo a pequena Beth se permitiu gargalhar junto das mais velhas segundos depois. Ela gostava de estar com elas, era como mágica.
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