More Than This
5 Capítulo 5
Notas iniciais
POV Patrícia
Oi, meu nome é Patrícia, tenho 17 anos e esse é meu primeiro ano em Londres. Sempre sonhei em morar aqui e ter minha vida aqui. Na minha vida inteira só tenho uma amiga verdadeira que é a Amanda (mas chamo-a de Mandie) que é a única pessoa do MUNDO que me conhece de verdade. Eu sempre fui meio rebelde, tenho notas baixas, não sou fofa, sou irritada, grossa, mas sensível e engraçada, mas ninguém me conhece, só a Mandie, só a Mandie sabe todos os meus segredos, é só com a Mandie que eu desabafo, e etc. Grandes motivos disso são meus pais e minhas irmãs mais velhas, meus pais nunca me deram AMOR de verdade, e minhas irmãs me odeiam pelo simples fato de eu ser... Eu! Minhas irmãs, sempre foram as filhas perfeitas, sempre tiveram amigas, boas notas, são todas fofinhas e carinhosas, populares, eram bem o contrário de mim.
Até meus 14 anos eu gostei de um menino, o nome dele era Daniel, mas ele era um idiota por completo, era galinha, só se aproveitava das meninas, mas eu era uma trouxa também então não percebia isso, então quando tinha 13 anos ele veio pedir pra ficar comigo, e como ele era minha paixonite desde os 12, eu aceitei, ele apenas ficou comigo e nunca mais nem a merda me mandou. Depois disso eu percebi que ele realmente era um idiota, galinha e se achava o gostosão, achava que podia ficar com quem quisesse então eu desencantei dele e isso acabou que não me machucou muito. Mas eu nunca amei ou fui realmente apaixonada por ninguém, apenas ficava por ficar quando algum menino legal e bonito pedia pra ficar comigo. E só Mandie sabia sobre minha vida amorosa também.
Com 16 anos, os problemas com meus pais e irmãs aumentaram, então chegou um dia que eu não aguentei mais, a Mandie me entendia e conversava sobre isso comigo quase todos os dias, mas a dor continuava em mim. A dor de saber que nem minha família me amava não ia embora com essas conversas. Então eu me tranquei no banheiro e fiquei umas 2 horas lá, chorando muito por não saber mais o que fazer. Até que eu ouvi minhas irmãs conversando “Nossa, a Patrícia é muito estranha MESMO, ta aí chorando nesse banheiro a quase 3 horas e não sai, coitada, é tão sozinha que não consegue nem ser forte mais” nessa hora eu me estressei muito. Abri a porta do banheiro com tudo, e comecei a gritar tudo o que eu sentia:
- Eu sou fraca? Eu vejo o pai e a mãe dando carinho e amor pra vocês todos os dias, vocês me odeiam, os meus pais me “amam” por obrigação, e eu aguento tudo isso sozinha e EU sou fraca? – nisso meus pais já estavam meu ouvindo também – Acho que vocês estão enganadas, eu sou forte, muito forte. Eu caio às vezes, mas eu me levanto no dia seguinte mais alta do que muitas pessoas por aí. A única pessoa que me ama de verdade é a Mandie. Eu amo muito ela, mas família é outra coisa, e a MINHA FAMÍLIA não me ama, não sabe nada sobre mim. E eu convivo com isso á 16 anos. Eu sou “estranha” sim, mas E DAÍ? Prefiro ser estranha a ser como vocês duas, que não tem coração. E isso não é nem metade dos meus problemas, mas vocês nem sabem e nem quererem saber os outros né? Pois é, esse é o problema, vocês não me amam de verdade. Então quando eu fizer 17 anos, que é dia 26 de fevereiro caso vocês não se lembrem, eu vou pedir que vocês assinem uma autorização pra eu poder me mudar pra Londres, morar sozinha, na minha própria casa, fazer o último ano do ensino médio e a minha faculdade e depois arranjar um emprego dentro da minha área. Vocês fariam pelo menos isso por mim?
Eles ficaram pasmos. Não falaram nada durante pelo menos 2 minutos. Até que meu pai abre a boca:
- Filha, eu não sabia que era assim que se sentia. – disse ele.
- CLARO QUE NÃO NÉ! Vocês todos não sabem nada sobre mim, vocês não me conhecem nem me amam de verdade, e disso eu já sei. Mas será que, por favor, quando eu fizer 17 anos vocês podem assinar a autorização? Pelo menos UMA coisa vocês poderia fazer por mim?
- Tudo bem filha, tudo bem.
Eu entrei no meu quarto e liguei pra Mandie pra ela vir aqui em casa, ela veio e eu contei tudo o que aconteceu, Tim-Tim por Tim-Tim. Ela ficou feliz por mim, e triste ao mesmo tempo, por saber que eu iria sair do país. Mas fizemos um pacto de se falar por skype 1 vez por mês e que iríamos curtir muito até eu fazer 17 anos. E assim foi. E nunca mais conversei com minha família a não ser um “oi” “tchau” “bom dia” “boa noite” NADA, além disso.
Hoje aqui estou eu, saindo do aeroporto de Londres e indo em direção a minha nova casa. A partida do Brasil foi difícil, foi difícil me despedir da Mandie. Meus pais me levaram no aeroporto e se despediram com um beijo na testa e um abraço, e minha mãe fez um “Deus te abençoe e te guarde. Amém.” Na minha testa e foi isso. Agora estou aqui esperando um táxi pra ir conhecer minha nova casa, num condomínio lindo.
O táxi chegou, eu entrei, disse o endereço pro moço e ele foi. Quando ele parou o carro quase não acreditei, o condomínio era mesmo lindo. E quando entrei na minha nova casa quase tive um ataque. Era simplesmente PERFEITA. Eu fiquei uns 5 minutos parados na porta só observando a minha nova casa. Estou tão feliz. Fechei a porta e fui ver os quartos (eram três). Eu iria ficar com a suíte e os outros seriam quartos de hospedes -se é que algum dia eu tenha um- pensei.
Como era apenas umas 4 horas, resolvi ir me matricular na minha nova escola. Peguei minha bolsa e fui. Chamei um táxi e disse o nome da escola e ele me deixou na frente. Fiquei encantada. Era muito linda. Cheguei perto do porteiro e perguntei onde ficava a secretaria. Ele me levou até lá e eu só conseguia ficar mais encantada com tudo aquilo. A secretária me mandou assinar uns papéis e responder umas perguntas. Fiz o que ela mandou e ela disse que estava tudo certo e me deu uns documentos. Ela disse que como hoje é último dia de fevereiro, as aulas retornam amanhã, e era pra eu comparecer. Ela disse que amanhã era pra eu passar na sala dela assim que chegasse à escola pra eu pegar os horários. Eu assenti e voltei pra casa.
Chegando em casa fiz um lanche e olhei um pouco de TV. Comecei a ficar no tédio e resolvi ir conhecer a London Eye e o Big Ben e depois ir em algum shopping fazer compras. Tomei um banho, fiz um make básico e me vesti ( http://www.polyvore.com/patr%C3%ADcia/set?id=57754711 ) Estava bem feliz com minha aparência hahahahaha, adorei esse look que montei! Perfeito para o meu primeiro dia em Londres!
Decidi ir andando pra poder observar melhor as coisas. Fui primeiro no Big Ben, tirei MUITAS fotos. Depois fui à London Eye e quase chorei, não conseguia acreditar que estava realizando meu sonho. Tirei MAIS fotos ainda. Por sorte fiquei sozinha na cabine então tirei muitas fotos MESMO hahahahaha. Depois chamei um táxi e fui ao shopping jantar e fazer compras.
Jantei no Subway e depois fiquei olhando as vitrines até achar algo do meu gosto. Encontrei uma loja perfeita. Entrei e comprei várias coisas lá, roupas e acessórios. Depois peguei um táxi e fui pra casa. Guardei minhas compras, botei meu pijama, me deitei e fiquei pensando na vida. Ainda dói no meu peito o fato da minha família não me amar de verdade. Mas agora eu estou começando uma nova etapa, continuo a mesma garota, mas agora pretendo ser mais feliz nessa minha nova vida.
Acordei com meu despertador tocando e me levantei. Tomei um banho, fiz um make mega básico (tipo só uma base, corretivo, pó, rímel, lápis e um brilho labial) me vesti ( http://www.polyvore.com/patr%C3%ADcia/set?id=58195795 ) e decidi ir na Starbucks tomar um café já que ainda não fui no mercado e não tenho comida em casa hahahahaha. Peguei minha mochila e fui.
Entrei na Starbucks, fiz meu pedido, me sentei numa mesa bem no fundo e fiquei observando Londres pela janela. Botei meus fones, deixei minhas músicas no aleatório, paguei e fui pra escola. No mesmo instante que eu saí pela porta da Starbucks um garoto de cabelos cacheados e olhos verdes (bem bonito por sinal hahahaha) que estava sentado num banco mexendo no celular levantou o olhar pra mim e se levantou andando na minha direção. Comecei a andar um pouco mais rápido, porque não estava afim de conversa, mas o garoto me alcançou.
- Olá, onde está indo? – perguntou o menino.
- Pra escola. – respondi seca.
- Eu também! Aonde estuda? – Meu Deus, garoto curioso hein. De repente vi que já estávamos chegando.
- Ali – apontei pra escola, suspirando.
- Ah então você é novata! – disse o cacheado sorrindo, e se achando.
- Sim, algum problema? – eu disse grossa.
- Não! Até melhor uma novata linda e gostosa assim na minha escola – disse ele num sussurro, como se eu não fosse ouvir. Comecei a rir da cara dele.
- Linda? Gostosa? Sua escola?- rindo- Ah garoto, se enxerga né. – disse séria e grossa e entrei na escola deixando o dos cachos pra trás.
Fui pra secretaria e peguei meus horários com a secretária e ela me desejou um bom dia. Até que estava indo bem até aquele garoto vir conversar comigo. Foi ridículo!
Faltavam 15 minutos pra bater o sinal, saí da secretaria e fiquei observando um pouco as pessoas. Percebi que o dos cachos era o capitão do time de futebol e se achava o tal, bem do tipo GALINHA mesmo hahahahaha. Ele tava com outros meninos – também bem bonitinhos por sinal – pensei. E logo do lado um grupinho de meninas, aparentemente as vadias, patricinhas, do tipo que eu não suporto nem olhar na cara. Pela roupa delas, eram lideres de torcida. AFF! Percebi que agora elas, os garotos do time de futebol e todo o resto me encaravam. Acho que pelo fato de eu ser novata e ainda do último ano (coisa que não é muito comum aparentemente), revirei os olhos e me sentei no chão, no corredor, peguei meu celular e fiquei mexendo, esperando bater o sinal. Uns 5 minutos antes de bater, um menino loiro e uma menina loira muito fofa entraram na escola conversando, a menina me encarou por um tempo (acho que pelo fato de eu estar ser a única sozinha e sentada no chão no meio do corredor) e o menino foi pro grupinho dos do futebol. A menina ficou procurando ele por um tempo, desistiu e começou a vir em minha direção. Fiquei nervosa, não sou muito social ou simpática.
- Oi! – disse a menina sorrindo.
- Olá! – eu respondi tentando parecer o mais animado possível.
- Não se encaixou em nenhum grupo? – perguntou ela se sentando ao meu lado.
- Não sou do tipo que participa de grupos. – disse rindo pelo nariz.
- Nem parece. Eu gosto disso. – disse a menina muito simpática.
- Obrigada. Mas e você? Cadê suas amigas? – perguntei.
- Eu também sou novata, é uma longa história. Ah, desculpe, não me apresentei. Chamo-me Carolina, mas me chame de Carol – disse ela.
- Hum, entendo. Se quiser me contar, sou toda ouvidos. Ah, claro, meu nome é Patrícia, me chame como quiser ahahahaha – disse rindo.
- No intervalo lhe conto. Agora estamos atrasadas. – disse ela rindo.
- Oh, nem tinha reparado a hora! – eu disse num espanto.
- Também irei querer saber sua história ok? – perguntou ela curiosa.
- Tem certeza? É bem chata, triste, sei lá. – respondi de cabeça baixa.
- Absoluta! Vamos! – disse ela. – Me deixe ver seu horário. – Ela pegou a folha da minha mão e eu peguei a dela. – Nós ficamos juntas em todas as aulas! Exceto artes. – disse Carol sorrindo.
- Hum, ok! – disse sorrindo e fomos em direção à sala.
- Atrasadas! – disse o professor de matemática, eu acho.
- Desculpe professor! Não vimos a hora passar. – disse Carol educadamente.
- Ok, vocês são novas, não são? – disse o professor curioso.
- Sim, somos! – Carol disse.
- Oh, então se apresentem! – disse o professor indo se sentar. Nessa hora me deu um nó na garganta. Já disse que não sou sociável? Pois é.
- Oi, sou Carol, tenho 16 anos e vim dos Estados Unidos.
- Olá, sou Patrícia, tenho 17 anos e vim do Brasil. – eu disse olhando pela sala, procurando dois lugares vagos, mas não encontrei. Só tinha um do lado do cacheado e um do lado do loirinho que chegou com a Carol. Revirei os olhos e olhei para professor que sorria, olhei pra Carol e ela saiu em direção ao loirinho – huuuum, aí tem hein – pensei. Só me restava o lugar ao lado do cacheado, fui andando de cabeça baixa até lá, me sentei e fiquei prestando atenção no professor até o cacheado começar a me cutucar. Ignorei, mas ele continuou. Irritei-me.
- Que foi peste? – disse com raiva.
- Eita, só queria me apresentar. Tinha esquecido àquela hora antes da aula. – ele disse sorrindo. Como as pessoas sorriem o tempo todo por aqui? Credo.
- Nem precisa, não quero precisar conversar muito com você mesmo. – disse grossa e me virei pra frente voltando minha atenção ao professor, que agora sabia que era de matemática, e o nome dele era Carlos. Até que o cacheado voltou a me cutucar. Eu ignorei, ignorei, ignorei, mas ele não cansava.
- Mas que merda! Não da pra me deixar prestar atenção na porra da aula? – disse quase gritando.
- Meu nome é Harry, Harry Styles. — disse ele, sorrindo. O pior é que o sorriso dele era hipnotizante. AFF
- Que bom! Você já sabe meu nome, então da pra me deixar prestar atenção? – eu disse e quando me virei dei de cara com o professor me encarando. Fiquei paralisada.
- Desculpa professor Carlos, fui eu que chamei ela. – disse o cacheado. Fiquei até meio surpresa com essa ação dele, ele foi gentil. AI PODE PARANDO PATRÍCIA.
- Vou deixar passar essa, mas parem de conversar! – disse o professor.
Fiquei prestando atenção até bater o sinal para o intervalo. Assim que bateu, eu fui até Carol, que me apresentou o loirinho que era seu primo, o nome dele é Niall, ele tem uma carinha de anjo hahahaha.
No intervalo ficamos sentadas num banco do pátio, ela me contou sua história, e no final ela me abraçou e deixou algumas lágrimas caírem, eu confesso que também deixei algumas. Contei minha história tintim por tintim, ela ouviu tudo atentamente e depois ficamos conversando até o sinal bater.
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